Citação:
Postado Originalmente por khadijah
Penso que o irmão Orlando disse com muito poucas palavras aquilo que eu penso mas que até me perco nas ideias quando começo a falar  .
Tudo o que a irmã Hajar expôs é bonito e mais uma vez eu própria não acho o hijab algo abominável. Não! Pelo contrário! Uso-o sempre que posso e entendo por conveniente para mim e para o meu marido, mas não o uso sempre que isso me coloca numa posição anti-social desnecessária.
Quando no outro post a irmã Hajar disse que com paciência até poderia ser que os que gozam com o hijab podessem vir a interessar-se pelo Islão eu respondo-lhe com anos de experiência já nessa matéria: Olhe que não, irmã, olhe que não! 
Acredito sinceramente que é muito mais fácil para alguém como a Rainha Rania (voltando so ponto que esteve na origem desta troca de ideias) cativar muita gente para (pelo menos) ouvir sobre o Islão do que para qualquer mulher muçulmana tradicionalmente vestida. Penso que todas sabemos que infelizmente essa imagem estereotipada continua a gerar um misto de medo e pena.
Por último irmã, e não me leve a mal, é de facto uma pequena provocaçãozinha mas de forma positiva  : acredito que todos os bombistas, suicidas, terroristas que matam centenas de inocentes em nome do Islão também morrem a recitar o sagrado Alcorão (que Deus lhe perdoe) e também estão absolutamente convencidos que estão a fazer o bem.
Como a irmã disse, nós somos apenas duas servas de Allah, com opiniões diferentes. Só Ele sabe melhor!
salam
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Em jeito de conclusão:
Igualmente, com os meus anitos de experiência, tenho-me cruzado com pessoas que nos surpreendem verdadeiramente (pela positiva) por me verem com o hijab. Uma idosa veio uma vez ter comigo e começou-me a fazer perguntas sem ser intrusiva. Acabou por me dizer que também tinha uma filha que era muçulmana e pediu-me para eu orar a Deus por ela (pela senhora), tendo-me desejado as maiores felicidades, etc. Outra vez, estava eu no Pingo Doce (passo a publicidade ehehe

), e uma senhora de meia-idade, ao ver-me de lenço na cabeça, começou-me a fazer perguntas sobre o Islão, confessando-me de que se sente desorientada espiritualmente; que tem andado a visitar alguns lugares de culto à procura de uma "luz". Duvido que tivessem vindo ter comigo senão usasse lenço, pois não me reconheceriam enquanto muçulmana. Podem ser situações que se contam pelos dedos de uma mão, mas são os suficientes para não desacreditar na capacidade de algumas pessoas conseguirem pensar por si próprias e não engolirem tudo o que os media dizem passivamente, assim como para não perder a esperança. O nosso Profeta (paz esteja com ele) fez 26 tentativas falhadas de procurar protecção entre as tribos árabes, até se ter deparado com os Ansar (pessoas de Medina). Ele não desistiu apesar de uma série de fracassos, nem devemos nós desistir face a problemazecos que de longe se comparam aos que ele teve.
Eu tenho e tive problemas com a minha família por causa do hijab, que têm vindo a desvanecer com o tempo, em regularidade e intensidade. Inclusive com pessoas, fora da família, que me conhecem desde pequena. Mas continuo sem abdicar do hijab, apesar de ter consciência que se o fizesse os problemas cessariam completamente de um momento para o outro. Se fizesse isso, estaria a abdicar das minhas convicções, "vendendo-as" a um preço tão baixo quanto um lenço, e a aceitar que os meus entes queridos me amassem por uma superficialidade. Eu prefiro que me amem pela pessoa que sou.
Relativamente aos "outros", é-me indiferente se os outros pensam que sou retrógada, oprimida, antiquada, etc. desde que Deus saiba que eu sou "avançada", livre e a Ele obediente. Mais, o hijab serve de escudo e de espelho, na medida em que os bons amigos mantém-se, com lenço ou não, e os outros afastam-se.
O meu papel aqui, nunca foi o de "obrigar" ninguém a usar o hijab ou deixar de usar. A mim, enquanto muçulmana, cabe apenas o dever de passar a mensagem. Allah é quem guia quem quer e descaminha quem quer. Se eu cito o Alcorão e haddith, é porque gosto que as minhas intervenções sejam sólidas e com substância e não meras opiniões pessoais que não contam para nada visto que a minha palavra não é nem nunca pretendeu ser lei.
Se a rainha Rania usasse o hijab e continuasse a ser a pessoa dinâmica que é, talvez ajudasse a quebrar esses estereótipos, Allah sabe melhor. Estereótipos tão vinculados não cessam de um dia para o outro. É preciso um esforço grande e contínuo de todos.
Paz esteja com todos!
