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Antigo 13-03-2010, 11:51
YiossufAdamgy YiossufAdamgy está offline
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A I n v e j a



Por M. Yiossuf Adamgy, in revista Al Furqán, nº. 173, de Janeiro/Fevereiro.2010



Em nome de Deus, Beneficente e Misericordioso



Definição

A inveja (ár. hassad) é uma grave doença do coraçãoe que alguns ruditos acreditam ser a raiz de todas as outras doenças. No entanto, outros eruditos defendem que é a cobiça (tama'a) a origem de todas as outras enfermidades que assolam o coração.


Seja qual for a posição que a inveja ocupe na hierarquia das doenças, a maioria dos eruditos são da opinião que ela será a primeira manifestação da acção perversa e a mais importante das causas da desobediência a Deus. Quando Satanás (Iblis) se recusou a obedecer a Deus, quando Este lhe ordenou que fizesse uma vénia perante a Sua nova Criação, Adão, o primeiro dos seres humanos, a razão que motivou recusa de Satanás não foi outra senão inveja para com Adão. E esta inveja de Satanás devia-se ao facto de Deus ter escolhido Adão e não a ele para ser Seu vice-regente. Iblis foi-se tornando arrogante e argumentou que não via em Adão nenhuma razão para que lhe fosse atribuída tamanha honra. Com efeito, Iblis considerava-se superior a Adão, pois acreditava que a sua constituição de fogo era superior ao barro que constituía a matéria desta nova criatura. Ao ser confrontado com a sua desobediência, Satanás não pediu perdão a Deus. Na realidade, os invejosos desenvolvem um quadro mental de acordo com o qual se torna impossível admitirem que estão errados. Demonstrar sentir inveja é demonstrar possuir uma das características da mais vil das criaturas: Satanás.

Em árabe, a palavra hassad descreve a pessoa que sente e manifesta inveja e o objecto da inveja é definido pela palavra mahssad. O Alcorão ensina-nos a procurar refúgio do mal do invejoso [hassad] quando ele manifesta a sua inveja (Alcorão 113:5), junto de Deus. O Profeta (p.e.c.e.) afirmou que a inveja consome as boas acções da mesma forma que o fogo consome a madeira seca. O Profeta também terá dito: Todo aquele que possui uma determinada graça é invejado. Aquele que possui bens terá sempre alguém que o inveja pelos bens que possui. Até dois varredores de rua sentem inveja um do outro, pois aquele que tem de empurrar o seu carrinho de mão inveja aquele a quem deram um burro.

Ainda que se acredite que a inveja pode prejudicar aquele que é invejado, o mais prejudicado por este sentimento será, sem dúvida, o invejoso. O mau-olhado surge normalmente associado à inveja, embora essa associação não seja necessariamente uma realidade. Existem aqueles que simplesmente possuem o poder do olhar, um tipo de poder psíquico que não implica a inveja. O conceito do mau-olhado está presente em todas as culturas. Em algumas delas, os pais costumavam furar as orelhas dos seus filhos primogénitos e vesti-los de meninas durante os cinco primeiros anos das suas vidas, tal era a cobiça relativamente aos primeiros filhos do sexo masculino. Muitos chineses praticavam o ritual de pendurar espelhos nas paredes das suas casas, para que o mau-olhado fosse reflectido, assim evitando que o mesmo prejudicasse as suas famílias. (A palavra odioso tem o mesmo significado de inveja e, originalmente, estava associada a olhar um objecto com mau-olhado).

O Profeta (p.e.c.e.) terá afirmado: O mau-olhado existe. O mau-olhado é diferente das superstições que o Profeta se esforçou para erradicar da mente das pessoas. Os árabes acreditavam que, por exemplo, quando havia um eclipse da Lua, alguém muito importante iria morrer e, com efeito, houve um eclipse da Lua no dia em que o filho do Profeta, Ibrahim, ainda criança, morreu. Um qualquer charlatão teria aproveitado a situação para tirar proveito dela. No entanto, o Profeta (p.e.c.e.) anunciou ao seu povo: A Lua é um sinal de Deus, o Sol também o é. Não é qualquer um que pode assistir ao seu eclipse.

Imame Mawlud explica que a inveja se manifesta quando o indivíduo deseja que outro perca algo de bom. Esta perda pode ser referente a um bem de pequenas ou grandes proporções (a casa, o carro, ou o emprego). O indivíduo invejoso pode guardar ressentimento relativamente a um colega por este ter conseguido uma promoção, ao ponto de desejar que ele perca esse cargo. Uma mulher pode invejar outra por causa do seu marido e chegar mesmo a desejar que uma crise matrimonial os separe. Um homem pode invejar outro devido à sua mulher. Existe um número ilimitado de causas que podem suscitar a inveja, mas a mais comum é o desejo que alguém perca algo de bom. Em suma, a inveja surge em relação a algo que outra pessoa possui e que consideramos ser bom. Tal como o Imame defende, ela pode assumir tais proporções, que, se pudesse, o próprio invejoso privaria o outro do objecto em causa, servindo-se de um qualquer estratagema. Mas a nossa própria noção daquilo que é bom e que, por isso, invejamos, pode ter fundamentos totalmente falsos. Com efeito, o indivíduo pode desejar algo, que, na realidade, não passa de problemas e dificuldades, assim como também pode existir algo de bom naquilo que se apresenta difícil.

O benefício é algo que é concedido por Deus. Um dos cognomes de Deus é al-Munn'im, aquele que concede benefícios. A inveja é, portanto, desejar que uma pessoa perca aquilo que Deus lhe concedeu, é afirmar que Deus não devia ter concedido determinado benefício a um indivíduo, pior, é afirmar que Deus errou ao fazê-lo, pois "eu merecia muito mais."

Existe uma história bastante conhecida sobre al-Asma'i, o famoso filologista e organizador de antologias de poesia árabe. A história conta que uma certa vez houve um beduíno que o convidou a entrar na sua tenda. De acordo com a cultura beduína, as mulheres servem os convidados na presença dos seus maridos. Ora, este beduíno tinha uma esposa muito bela, embora ele próprio não fosse bem parecido. Por isso, quando os homens saíram da tenda para preparar um carneiro para a refeição, o convidado não foi capaz de resistir de dizer à mulher: "Como é que uma mulher bela como tu casou com um homem tão feio como ele?" A mulher ter-lhe-á respondido então: "Temei a Deus! Talvez ele tenha Lhe prestado um bom serviço e eu seja a sua recompensa."

Deus é sábio no que respeita àquilo que concede a cada um de nós. E se alguém põe em causa o benefício que outro recebeu, então esse indivíduo está, com efeito, a pôr em causa Aquele que o Concedeu, o que torna a inveja algo de repreensível e proibido.
  #2  
Antigo 14-03-2010, 00:09
Ismail Ismail está offline
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Moral da história:

Ao invés de invejar algum muçulmano devoto, siga seu exemplo!
  #3  
Antigo 14-03-2010, 19:37
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El Cairo El Cairo está offline
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Citação:
Postado Originalmente por Ismail Ver Post
Moral da história:

Ao invés de invejar algum muçulmano devoto, siga seu exemplo!
A mim me parece que o YiossufAdamgy deixou bem claro qual a moral da história, para que todos nós possamos reflectir e aprender.

Li há alguns dias atrás um tópico onde creio que se falava mais ou menos sobre invejas e maus olhados (procurei-o mas não encontrei). Talvez este texto que possa ajudar a obter algumas respostas ou quando muito ajudar a formar a nossa própria opinião acerca do assunto.

Salam,
El Cairo

Última edição por El Cairo; 14-03-2010 às 19:41.
 
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