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Antigo 23-10-2008, 19:13
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Angry Angola: Polícia resgata 40 "crianças feiticeiras"

e saudações,

Algo que se deve discutir devido a enormes repercursões deste fenómeno já muito divulgado na África Oceintal e em certa medida na África Oriental. Estão envolvidas igrejas carismáticas cristãs que misturam superstições cristãs e africanas...

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Angola: Polícia resgata 40 "crianças feiticeiras" em igrejas ilegais de Luanda

Luanda, 23 Out (Lusa) - Cerca de 40 crianças angolanas, acusadas de serem feiticeiras, foram hoje retiradas pela Polícia Nacional a duas igrejas ilegais, em Luanda, onde se encontravam para serem "curadas do mal".


O menino angola de 6 anos, Afonso Garcia, foi exilado pelos seus familiares após ser acusado de ser um feiticeiro.

Os líderes religiosos ds igrejas ilegais, localizadas no bairro Uige, no município do Sambizanga em Luanda, que tinham em sua "posse" as crianças, foram detidos na operação de resgate dos menores.

Segundo o administrador do município do Sambizanga, José Tavares Ferreira, as crianças, com idades compreendidas entre um e 15 anos, encontravam-se retidas no interior de duas casas que serviam de igrejas, na comuna do Ngola Kiluange (Sambizanga).

Entre o grupo de crianças hoje levadas para o Lar Kuzola, que acolhe crianças em dificuldades em Luanda, quatro estão hospitalizadas em estado grave, devido aos maus-tratos a que foram submetidas para serem "libertadas" dos "maus espíritos".

"As crianças sofreram maus-tratos, foram castigadas e isso vê-se no aspecto delas. Quatro estão hospitalizadas em estado grave porque foram encontradas com feridas a gangrenar", disse à Lusa José Tavares Ferreira.
De acordo com o administrador do Sambizanga, o processo de investigação que durou cerca de 15 dias, teve início depois de uma denúncia feita por populares residentes na zona.

Neste processo estiveram envolvidas, as delegações provinciais dos ministérios da Justiça, da Assistência e Reinserção Social, da Cultura e o Instituto Nacional de Assuntos Religiosos.

"A investigação já começou há 15 dias. Tínhamos que fazer o trabalho com muito cuidado para não permitir que eles fugissem ou fizessem qualquer coisa que não permitisse o sucesso do trabalho", disse José Tavares Ferreira.

José Tavares Ferreira referiu ainda à Lusa que estas igrejas denominadas "Igreja de Revelação do Espírito Santo de Angola" e "Igreja Boa Fé" são oriundas da província do Zaire, região onde os casos de crianças maltratadas sob acusação de serem feiticeiras são mais graves em Angola.

"A situação é grave, mas o mais chocante é que são os próprios pais que levam os filhos para essas igrejas. Há crianças que estão nesses locais há mais de um ano e temos a informação de que aos fins-de-semana chegam a aparecer nessas igrejas cerca de 500 crianças", sublinhou.

Segundo o administrador, o contacto com os familiares dessas crianças não foi possível.

O problema das crianças acusadas de feitiçaria ou serem feiticeiros assume em Angola proporções que as autoridades e o Instituto Nacional da Criança (INAC) admitem como grave.

O fenómeno, segundo vários estudos publicados na área da sociologia, tem origem em questões ancestrais, sendo a sua prática oriunda da tradição Bantu, que integra a quase totalidade do território angolano, onde um dos aspectos mais importantes é a crença de que as crianças encarnam os maus espíritos e são responsáveis pela "má sorte" das famílias.

Mas, a par desta realidade ancestral, há ainda as dificuldades de subsistência das famílias onde o fenómeno ocorre, o que serve de catalisador para o problema porque é uma forma de estas se livrarem de uma boca para alimentar.

As áreas geográficas onde as acusações de feitiçaria a crianças são mais significativas situam-se a norte do país, junto às fronteiras com a República Democrática do Congo e Congo-Brazzaville (países onde o problema é igualmente grave) nomeadamente o Uige, Zaire, as Lundas, Norte e Sul, e Cabinda.

O crescente surgimento de casos em Luanda resulta do facto de a guerra de 27 anos, que até 2002 assolou o país, ter obrigado milhares de famílias destas regiões a procurar refúgio na capital angolana.

Tanto o Governo como as organizações da sociedade civil e as igrejas, com destaque para a Católica, têm apostado no combate a estas práticas através de campanhas de sensibilização, criação de centros de acolhimento e ainda na perseguição aos autores dos crimes perpetrados contra as crianças.

Espancamentos, jejuns prolongados, queimaduras e enclausuramento em espaços exíguos são alguns dos "tratamentos" aplicados que as autoridades detectam quando resgatam crianças acusadas de feitiçaria.
NME/RB.


Lusa/Fim

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
2008-10-23 15:55:02
  #2  
Antigo 23-10-2008, 21:54
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Exclamation E o papel da Igreja católica no passado?...

irmão Tayeb,

Talvez agora só as chamadas igrejas carismáticas fazem caça às bruxas. O actual Papa pertenceu ao órgão sucessor daquele que supervisionava a Inqusição no passado.

Os membros deste espaço de disuccão certamente que acharão interessante o seguinte artigo que encontrei na Internet:

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A caça às bruxas
http://www.spectrumgothic.com.br/ocu...inquisicao.htm

A Santa Inquisição teve seu início no ano de 1184, em Verona, com o Papa Lúcio III. Em 1198, o Papa Inocêncio III já havia liderado uma cruzada contra os albigenses (hereges do sul da França), promovendo execuções em massa. Em 1229, sob a liderança do Papa Gregório IX, no Concílio de Tolouse, foi oficialmente criada a Inquisição ou Tribunal do Santo Ofício. Em 1252, o Papa Inocêncio IV publicou o documento intitulado Ad Exstirpanda, que foi fundamental na execução do plano de exterminar os hereges. O Ad Exstirpanda foi renovado e reforçado por vários papas nos anos seguintes. Em 1320, a Igreja (a pedido do Papa João XXII) declarou oficialmente que a Bruxaria, e a Antiga Religião dos pagãos constituíam um movimento e uma "ameaça hostil" ao cristianismo.

Os inquisidores, cidadãos encarregados de investigar e denunciar os hereges, eram doutores em Teologia, Direito Canônico e Civil. Inquisidores e informantes eram muito bem pagos. Todos os que testemunhassem contra uma pessoa supostamente herege, recebiam uma parte de suas propriedades e riquezas, caso a vítima fosse condenada.

Os inquisidores deveriam ter no mínimo 40 anos de idade. Sua autoridade era outorgada pelo Papa através de uma bula, que também podia incumbir o poder de nomear os inquisidores a um Cardeal representante, bem como a padres e frades franciscanos e dominicanos. As autoridades civis, sob a ameaça de excomunhão em caso de recusa, eram ordenadas a queimar os hereges. Camponeses eram incentivados (ludibriados com a promessa de ascenderem ao reino divino ou através de recompensas financeras) a cooperarem com os inquisidores. A caça às Bruxas tornou-se muito lucrativa.



Geralmente as vítimas não conheciam seus acusadores, que podiam ser homens, mulheres e até crianças. O processo de acusação, julgamento e execução era rápido, sem formalidades, sem direito à defesa. Ao réu, a única alternativa era confessar e retratar-se, renunciar sua fé e aceitar o domínio e a autoridade da Igreja Católica. Os direitos de liberdade e de livre escolha não eram respeitados. Os acusados eram feitos prisioneiros e, sob tortura, obrigados a confessarem sua condição herética. As mulheres, que eram a maioria, comumente eram vítimas de estupro. A execução era realizada, geralmente, em praça pública sob os olhos de todos os moradores. Punir publicamente era uma forma de coagir e intimidar a população. A vítima podia ser enforcada, decapitada, ou, na maioria das vezes, queimada.


Malleus Maleficarum

Em 1486 foi publicado um livro chamado Malleus Maleficarum (Martelo das Bruxas) escrito por dois monges dominicanos, Heinrich Kramer e James Sprenger. O Malleus Maleficarum é uma espécie de manual que ensina os inquisidores a reconhecerem as bruxas e seus disfarces, além de identificar seus supostos malefícios, investigá-las e condená-las legalmente. Além disso, também continha instruções detalhadas de como torturar os acusados de bruxaria para que confessassem seus supostos crimes, e uma série de formalidades para a execução dos condenados. Ainda, o tratado afirmava que as mulheres deveriam ser as mais visadas, pois são naturalmente propensas à feitiçaria. O livro foi amplamente usado por supostos "caçadores de bruxas" como uma forma de legitimar suas práticas.


Alguns itens contidos no Malleus Maleficarum que tornavam as pessoas vulneráveis à ação da Santa Inquisição:
  • Difamação notória por várias pessoas que afirmassem ser o acusado um Bruxo.
  • Se um Bruxo desse testemunho de que o acusado também era Bruxo.
  • Se o suspeito fosse filho, irmão, servo, amigo, vizinho ou antigo companheiro de um Bruxo.
  • Se fosse encontrada a suposta marca do Diabo no suspeito.
Hecatombe

Gradativamente, contando com o apoio e o interesse das monarquias européias, a carnificina se espalhou por todo o continente. Para que se tenha uma idéia, em Lavaur, em 1211, o governador foi enforcado e a esposa lançada num poço e esmagada com pedras; além de quatrocentas pessoas que foram queimadas vivas. No massacre de Merindol, quinhentas mulheres foram trancadas em um celeiro ao qual atearam fogo. Os julgamentos em Toulouse, na França, em 1335, levaram diversas pessoas à fogueira; setecentos feiticeiros foram queimados em Treves, quinhentos em Bamberg. Com exceção da Inglaterra e dos EUA, os acusados eram queimados em estacas. Na Itália e Espanha, as vítimas eram queimadas vivas. Na França, Escócia e Alemanha, usavam madeiras verdes para prolongar o sofrimento dos condenados. Ainda, a noite de 24 de agosto de 1572, que ficou conhecida como "A noite de São Bartolomeu", é considerada "a mais horrível entre as ações inquisidoras de todos os séculos". Com o consentimento do Papa Gregório XIII, foram eliminados cerca de setenta mil pessoas em apenas alguns dias.

Além da Europa, a Inquisição também fez vítimas no continente americano. Em Cuba iniciou-se em 1516 sob o comando de dom Juan de Quevedo, bispo de Cuba, que eliminou setenta e cinco hereges. Em 1692, no povoado de Salem, Nova Inglaterra (atual E.U.A.), dezenove pessoas foram enforcadas após uma histeria coletiva de acusações. No Brasil há notícias de que a Inquisição atuou no século XVIII. No período entre 1721 e 1777, cento e trinta e nove pessoas foram queimadas vivas.

No século XVIII chega ao fim as perseguições aos pagãos, sendo que a lei da Inquisição permaneceu em vigor até meados do século XX, mesmo que teoricamente. Na Escócia, a lei foi abolida em 1736, na França em 1772, e na Espanha em 1834. O pesquisador Justine Glass afirma que cerca de nove milhões de pessoas foram acusadas e mortas, entre os séculos que durou a perseguição.

Última edição por soli; 23-10-2008 às 21:57.
  #3  
Antigo 23-10-2008, 22:12
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Tayeb Tayeb está offline
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Diz a Wikipédia:

O fenômeno da caça às bruxas, que ocorreu tanto em países protestantes como católicos, vitimou muito mais pessoas do que a própria Inquisição. As bruxas eram queimadas por Tribunais Civis, que as utilizavam como bodes-expiatórios para todos os problemas da comunidade. Casos como os das bruxas de Salem, nos EUA (país onde nunca houve a Inquisição) e o de Joana D'Arc heroína francesa queimada em Ruão na França. Por outro lado, no Território Papal (que ficava no centro da Itália, sendo hoje o Vaticano seu estado-herdeiro), a autoridade civil, o Papa, era de fato responsável pelos processos envolvendo bruxaria e heresia.
  #4  
Antigo 24-10-2008, 11:19
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soli soli está offline
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Joseph Ratzinger, agora papa Bento XVI, esteve à frente, por 24 anos, da Congregação para a Doutrina da Fé -- a versão "modernizada" do Tribunal do Santo Ofício, ou seja, da Inquisição. Ratzinger foi responsável direto pela crescente "linha dura" nas questões doutrinárias da Igreja durante o papado de João Paulo II
  #5  
Antigo 24-10-2008, 13:58
PedroSilva PedroSilva está offline
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Concordo, em geral, coma condenação feita pelo Soli e Tayeb a esses actos inqualificáveis, tanto os recentes como os antigos (o que qualquer pessoa decente fará, evidentemente), mas queria chamar a atenção para o facto de a Congregação para a doutrina da fé ser, ao que sei, em termos formais e de algumas das competências, a sucessora da 'inquisição', mas isso não significa que seja a sua sucessora nos objectivos (ou em alguns), nos fundamentos e, sobretudo, nas práticas.

É certo que não foi dito que era isso que acontecia, mas para melhor esclarecimento, pareceu-me importante fazer esta referência.
(Mas eu nem sequer sou católico).

Em todo o caso, certamente que há muita coisa que pode ser criticada na tal 'Congregação'.
  #6  
Antigo 24-10-2008, 14:19
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Tayeb Tayeb está offline
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Caro Pedro,

Agradeço-o pelo esclarecimento. É claro que a Congregação não faz nada igual ao que a original Inqusição fazia.

É notório que o órgão de Santo Ofício - acusado de tantos crimes contra a humanidade - continue a existir com outro nome.

Alega-se que, por exemplo, a Congregação na pessoa de cardeal Radzinger, agora Papa Bento XVI, impediu a punição de padres e bispos pedófilos.

Não vamos perder o enfoque que o tópico aqui é crianças, algumas igrejas africanas e acusações obscurantista de bruxaria.

Ma'a-salaama,
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Tayeb
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  #7  
Antigo 24-10-2008, 19:26
curioso curioso está offline
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Tayeb

E que tal não perdermos o enfoque de que misturar o que aconteceu em Angola com o a Inquisição é inaceitável.

Caro Pedro Silva

Mas qual condenação do Soli é que V/ subscreve?

O homem não disse uma palavra sobre este acontecimento.

Agarrou num texto sobre a inquisição e colocou no forum. Depois acusou o Papa de ser uma especie de inquisidor mor.

Bem andou o Tayeb quando não entrou por ai e colocou a questão no seu devido lugar.

Quanto à inquisição:

Por mais violenta que tenha sido, e foi, só atingiu o poder que atingiu porque usada pelos Reis e Portugal e de Espanha (com menos intencidade cá do que lá, mas em ambos os casos pior no que no resto da Europa) para atacar:

- Inimigos politicos;

- Judeus para lhes sacar o dinheiro;

Mais do que um fenómeno religioso foi um fenómeno politico.

Mas tudo isso seria uma conversa muito interessante, mas que não deve ser tida com quem olha com a intolerância que acusa os outros de terem em relação a si!

Caro Tayeb

Apenas uma precisão em relação à Joana D Arc.

O processo dela não é equiparavel a um mero julgamento por bruxaria como o de Salem.

Ela foi julgada pela Inquisição, verdade que por bruxaria, mas foi julgada na senda de outros que por poderem ser poderosos e afrontar a ordem instituida não interessava nem ao poder politico nem ao poder eclesiastico a sua existência.
  #8  
Antigo 25-10-2008, 13:14
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soli soli está offline
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A Igreja católica não está isenta de ser objecto de discussão nestes casos relacionados com "bruxaria". As vítimas do catolicismo são inúmeras.

A Espanha vai reabrir os processos de repressão franquista em que a Igreja católica também tem as mãos ensaguentadas e isto foi há pouco anos relativamente à época da Inquisição e das Cruzadas.

Os judeus acusam o Papa Pio XI de ter colaborado com os nazis. Este último facto tem sido objecto de controvérsia porque o Papa Bento XVI irá visitar o Museu de Holocausto em Israel onde estão imagens do Papa Pio XXI e alusões sobre a sua colaboração com o fascismo alemão.

Os judeus não são as vítimas da Inquisição, o curioso esqueceu-se dos moçarabes, árabes, pagãos e os chamados "hereges". Não devemos esquecer ainda das Cruzadas. Uma das Cruzadas visou os cristãos ortodoxos, com o saque de Constantinopla (do qual nunca mais recuperou).

Quanto à bruxaria as vítimas do Cristianismo (católico e protestante) são o que se já se sabe pelos estudos que se têm feito. O actual Papa representa a ala mais conservadora do catolicismo, e foi por causa dele que muitos padres e bispos pedófilos não foram punidos atempadamente.
  #9  
Antigo 25-10-2008, 15:15
PedroSilva PedroSilva está offline
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Citação:
Postado Originalmente por curioso Ver Post

Caro Pedro Silva

Mas qual condenação do Soli é que V/ subscreve?

O homem não disse uma palavra sobre este acontecimento.

Agarrou num texto sobre a inquisição e colocou no forum. Depois acusou o Papa de ser uma especie de inquisidor mor.
Curioso, a frase não me saiu bem. Eu queria dizer que condenava os actos descritos nos textos, evidentemente (e isso era uma introdução para o que realmente motivou a minha mensagem).

Não sei se isto é fugir ao tópico, mas não fui eu que o desviei para aqui, portantanto: penso que houve, realmente, falta de rigor na maneira como se estabeleceu a associação entre coisas diferentes, diferentes épocas, diferentes abordagens, etc., mas todos os dogmatismos se devem questionar sempre (nem que seja para que tudo fique na mesma), e parece-me que é legítimo (e mesmo 'normal') que neste espaço se questione a igreja católica.

Também aqui o Islão (ou certas práticas) é questionado, e muito. Frequentemente pelos próprios muçulmanos.

Claro que quanto mais rigorosa e factual for a base que sustenta a crítica (que não tem de ter uma conotação negativa), mais credível se torna, e mais se livra de ser, ela própria, criticada.

Sobre a 'Congregação', deixo mais um exemplo de uma crítica, ou dúvida: não é este o órgão responsável pela rejeição de teologias como a Teologia da Libertação e muitas outras?
E com a teologia rejeita-se o teólogo.

Claro que a igreja tem o direito de aceitar ou rejeitar o que quer, mas eu também tenho o direito de falar sobre o conservadorismo que move essas opções, por exemplo. Especialmente quando está em causa uma instituição que sempre se resrvou o direito de se pronunciar sobre tudo, e ainda que a minha opinião seja pouco informada e não conte para nada.

Ou seja, se é importante haver rigor, é importantíssimo que, à partida, o direito a todas as opiniões, o aclarar das visões de cada um, seja um dado adquirido, ainda que não coincidam com as nossas. Isto porque não me parece que a falta de rigor que terá havido se possa considerar uma flagrante 'intolerância'.

A opinião é valiosa. Os erros - SE OS HOUVER -podem corrigir-se.
Peço desculpa por dizer o óbvio, e por estar a 'discutir a discussão' ('moralisticamenete'), fugindo ao tópico.

Última edição por PedroSilva; 25-10-2008 às 15:23.
  #10  
Antigo 27-10-2008, 22:03
curioso curioso está offline
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Caro Soli

As vitimas do catolicismo são inumeras, assim como as vitimas do protestantismo, do islamismo, e de outros ismos que tais.

Não conheço um ismo que não tenha provocado vitimas.

Ai a ICAR, enquanto corpo organizativo, tem que ser discutida, deve ser discutida e é discutida todos os dias pelos seus fieis.

Discutir a Inquisição misturando esta com um problema que ocorre todos os dias em Africa, que tem mais relação com crendice do que com a religião é de uma má fé intelctual grotesca.

Não faz justiça nem à gravidade de uma nem de outra questão.

Visa apenas disparar contra a ICAR.

Pedro Silva

Desculpe mas não vejo porque motivo a teologia da ICAR eve ser discutida por não crentes.

Eu não discuto a teologia do Islamismo. Era o que faltava, eu um não crente no Islão, discutir sobre o que esta bem ou mal no Islão.

Se o objectivo for discutir o papel da ICAR na história do mundo, ai poderemos discutir todos, crentes ou não crentes. Discutir a sua teologia é nem sequer perceber que a religião é acreditar não é raciocinar.

Ou se acredita ou não se acredita.

Quanto à inquisição; para se discutir a Inquisição temos que falar no seu papel politico e não religioso, porque de religião aquilo não teve nada.

Veja em que reinos a inquisição teve mais poder e onde foi mais brutal, e quem solicitou a sua presença lá. No caso portugues o papa até recusou inicialmente mas o Rei ameaçou com a criação de uma inquisção régia. Depois enquadre na geo-politica da época.

Em suma: Era um tribunal eclesiastico brutal, que se tornou uma enormidade nas mãos dos monarcas da epoca.

É algo de que não me orgulho mas é parte da minha história.
 
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