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Vizualizar Versão Completa : O Dia do Nascimento do Último Profeta de Allah


YiossufAdamgy
13-04-2005, 11:49
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O Nascimento do Último Profeta de Allah ? o Selo dos Profetas

Coord. Por: M.Yiossuf Adamgy (Director da Revista Al Furqán - Portugal)

A PROFECIA É CUMPRIDA

Na Segunda feira, 12 de Rabi-al-Awwal ? 570 (Era Cristã) anos depois de Jesus (a.s.) ascender aos céus para esperar o seu regresso antes do fim do mundo ? Hazrat Amina deu à luz o seu filho abençoado na casa de Abu Talib.

Ash-Shaffa, a mãe de Abdul Rahman bin Auf, assistiu o seu nascimento e quando Hazrat Amina estava a dar à luz o seu bebé abençoado, este nasce prostrado sobre as suas pequenas mãos e pés; depois espirrou e disse: "Al Hamdullilah" ? Louvado seja Allah ? enquanto uma voz vinda dos céus respondeu: "Que Allah tenha piedade de vós". Quando Ash-Shaffa olhou para o céu escuro, o horizonte tornou-se tão iluminado que até os distantes castelos da Grécia se tornaram perfeitamente visíveis para ela. Por acaso, "Al Hamdulillah" era a mesma prece que o Profeta Adão (a.s.) proferiu quando espirrou após ter chegado a terra.

O belo bebé nasceu sem o menor traço de poeira sobre ele, e um suave aroma envolvia o seu pequeno e perfeito corpo. Hazrat Amina recordou-se das instruções que tinha recebido na sua visão e sobre elas suplicou a Allah pelo seu pequeno filho e em seguida deu-o a Ash-Shaffa, a mãe de Abdul Rahman, para que o segurasse. Foram imediatamente enviadas notícias a Abdul Muttalib sobre Hazrat Amina ter dado à luz um rapaz. Logo que soube das boas notícias ele apressou-se para ver o seu neto. Quando chegou a casa o seu coração estava cheio de alegria e grande amor. Embalou nos seus braços o doce bebé que estava embrulhado num pano branco e em seguida levou-o à Caaba onde ofereceu uma prece de agradecimento pelo nascimento seguro do seu neto. Antes de devolver o seu neto a Hazrat Amina foi a casa para o mostrar à sua própria família. De pé, junto à porta, esperando pelo regresso de seu pai, estava o seu filho Abbas de três anos de idade. Amorosamente, Abdul Muttalib disse ao seu filho: "Abbas, este é o teu irmão, dá-lhe um beijo"; então Abbas, que na verdade era seu tio, dobrou-se e beijou o seu novo irmão bebé. Depois de toda a gente ter admirado o bebé, Abdul Muttalib regressou a casa de Hazrat Amina e de acordo com a visão dela e uma visão que Abdul Muttalib tinha tido, ao doce bebé foi dado o nome de Muhammad. Quando as pessoas perguntavam porque lhe tinham dado o nome de Muhammad, eles respondiam: "Para ser louvado nos céus e na terra.". Até essa altura o nome Muhammad era desconhecido e nenhuma outra criança tinha jamais tido aquele nome especial. A casa de Abu Talib, a casa onde o Sagrado Profeta (SallAllahu Alaihi Wasallam) nasceu, em Meca, ainda hoje existe e é usada para albergar uma biblioteca Islâmica.

ACONTECIMENTOS ESPECIAIS DURANTE A NOITE SAGRADA

Asha-Shaffa não foi a única pessoa a testemunhar acontecimentos milagrosos nesta noite muito especial de nascimento do Profeta Muhammad (s.a.w.). No reino dos Chosroes, as fortificações abanaram, os varandins ruíram, enquanto as águas do Lago Tiberíades baixaram e a famosa chama da Pérsia, que não se apagava desde que tinha sido acesa mil anos antes, de repente e sem explicação possível, extinguiu-se. Nos céus meteoros foram comandados para estarem de guarda como que para evitarem que os demónios ouvissem as notícias que os anjos traziam acerca dos acontecimentos desta muito abençoada noite.

O BEM INFORMADO JUDEU

Entre os cidadãos de Meca havia vários Judeus, um dos quais era bom conhecedor das escrituras. Ele sabia através dos seus estudos e dos sinais do tempo que o nascimento de um novo Profeta estava iminente e ansiosamente esperava a sua chegada. Na noite em que o Profeta Muhammad (sallAllhu alaihi wassallam) nasceu, um estranho sentimento apoderou-se dele que o impeliu a apressar-se para a porta de sua casa e a perguntar a alguns homens da tribo Coraixita, que passavam por ali, se eles tinham conhecimento de alguns nascimentos naquela noite. Os homens da tribo responderam que não ti-nham conhecimento de nenhum, por isso ele pediu-lhes que fossem e indagassem e em seguida que lhe mandassem dizer. Ele sentia dentro de si a certeza que esta era a noite na qual o novo Profeta tinha nascido, e se os seus sentimentos estivessem correctos, ele sabia que ele realmente seria capaz de reconhece-lo através de uma marca especial e proeminente na sua pele e que se situava entre os seus ombros. Algum tempo mais tarde, os homens da tribo regressaram junto do Judeu expectante e contaram-lhe que, na realidade, Hazrat Amina, viúva de Abdullah, filho de Abdul Muttalib, tinha tido um filho. O Judeu pediu-lhes que o levassem para ver o recém-nascido e sua mãe, por isso rapidamente se puseram a caminho da casa de Abu Talib. Quando ali chegaram, Hazrat Amina apresentou-lhes o seu querido filho e quando o pano que o cobria foi delicadamente puxado para trás, o Judeu viu a inquestionável marca e desmaiou. Quando recuperou a consciência, ele anunciou que a Profecia tinha sido retirada aos Filhos de Israel e disse: " Ó povo de Coraixe, por Deus, ele conquistar-vos-á de tal modo que as notícias correrão de este a oeste". A marca a que o Judeu se referia era redonda e dizia: "Não há nenhuma outra divindade a não ser Allah e Muhammad é o Seu Profeta", e era a partir desta marca identificadora que se exalava o doce aroma de almíscar.

A DECISÃO DE HAZRAT AMINA E ABDUL MUTTALIB

Abdullah era um homem jovem quando morreu e, portanto, tinha muito pouco para deixar a sua mulher e ao seu filho ainda não nascido. Tudo o que lhes pode deixar foi um criado Abissínio chamado Barakah, que significa bênção, alguns camelos e algumas cabras. Barakah era também conhecido por Umm Ayman. Durante os primeiros dias de vida do nosso amado Profeta, Barakah ajudou a sua mãe a tomar conta dele e Thuwaybah, que assistiu ao seu nascimento, tornou-se a sua primeira ama de leite. Naqueles dias era comum a prática das famílias nobres e com posses entregar os seus bebés recém-nascidos ao cuidado de boas famílias que vivam longe de Meca, onde a criança estivesse menos sujeita a contrair as muitas doenças que demasiadas vezes acompanhavam os peregrinos. Entre as muitas vantagens de mandar um recém-nascido para ser criado no deserto, era porque lá o Árabe era falado na sua mais pura forma, e o facto de falar Árabe puro era uma qualidade muito procurada.
Os jovens também aprendiam a arte essencial da sobrevivência através do amor e carinho mútuos de uns para os outros, o que por sua vez conduzia a excelentes modos e a uma natureza cavalheiresca. Tendo isto em mente, Hazrat Amina e Abdul Muttalib decidiram mandar Muhammad para ser criado no deserto.

HALIMA

Logo após o seu nascimento, várias famílias Beduínas fizeram a sua jornada bianual a Meca à procura de uma criança para criar. Não era necessário nenhum imposto por parte dos pais adoptivos como se poderia supor, mas antes, a intenção era fortificar os laços entre os nobres e as famílias ricas e talvez receber algum favor dos seus pais ou parentes. Entre as possíveis mães adoptivas estava uma senhora chamada Halima, filha de Abdullah Al Sadiyyah, da tribo de Banu Hawazin. A família de Halima sempre tinha sido pobre e esse ano tinha sido particularmente difícil para eles devido à seca que devastou a área. Halima tinha um bebé seu. Um dia, ela, juntamente com o seu marido Abi Kabshah e o bebé viajou na companhia de outras famílias da sua tribo até Meca. Halima transportava o seu filho montada no burro deles, enquanto o seu marido caminhava ao seu lado e as ovelhas corriam ao lado deles. Quando viajavam, o leite das ovelhas tinha sido sempre uma fonte constante de alimentação mas a dificuldade da jornada levou a melhor e o leite das ovelhas secou. O próprio leite de Halima era insuficiente para satisfazer o seu bebé que, muitas vezes, chorava de fome até adormecer. Ainda antes de alcançarem Meca, houve outro contratempo, o burro de Halima começou a mostrar sinais de coxear e, portanto, eles continuaram lentamente no seu próprio ritmo enquanto os outros continuaram o seu caminho. Devido ao atraso, Halima e a sua família foram os últimos candidatos a pais adoptivos a chegarem a Meca. Quando chegaram, cada uma das outras candidatas a mães adoptivas tinha já visitado as casas dos pais que desejavam mandar os seus recém-nascidos para a segu-rança do deserto, e tinham já escolhido um bebé. Porém, o plano de Allah era que todos declinassem a oferta de levarem o bebé de Hazrat Amina por causa de ele ser órfão, e assim quando Halima chegou ele era o único disponível. Quando Halima entrou na casa de Hazrat Amina ela encontrou o pe-queno bebé a dormir embrulhado num xaile de lã branca, debaixo do qual tinha sido colocada um pedaço de seda verde. Instantaneamente, apenas com um olhar, da mesma maneira que o coração da mulher do Faraó se enchera de amor para com o bebé Moisés, Allah encheu o coração de Halima com um amor extremo. Halima ficou extasiada com a beleza do bebé e, à medida que se dobrava para pegar nele, sentiu o cheiro da delicada fragrância do almíscar. Com medo de o perturbar, ela colocou a sua cabeça sobre o peito dela e, enquanto o fazia, ele sorriu, em seguida abriu os olhos e deles irradiava uma luz maravilhosa. Gentil e amorosamente ela beijou-o entre os olhos e ofereceu-lhe o seu seio direito e imediatamente sentiu uma golfada de leite; ele aceitou o seu seio e avidamente mamou. Passado algum tempo ela ofereceu-lhe o seu seio esquerdo, mas mesmo nesta tenra idade a justiça era-lhe inerente à sua natureza, e ele recusou deixando o seio para o seu recém irmão de leite. Mais tarde nesse dia, Halima regressou para junto do seu marido e contou-lhe que não tinha dúvida na sua mente que ela queria adoptar o bebé de Hazrat Amina ? não importava para ela que o bebé fosse órfão, ou que futuros favores não pudessem ser possíveis.
O bebé tinha cativado completamente o seu coração.

A LIGAÇÃO

É através do leite alimentício que uma mãe adoptiva transmite a força e que o bebé ganha uma família alargada, na qual o casamento entre filhos dos mesmos pais não é permitido. E foi assim que a criança adoptiva de Halima se referiria a ela, alguns anos mais tarde, como sua mãe, e aos seus filhos como seus irmãos e irmãs.

Logo desde o inicio que a ligação entre Halima e o seu filho adoptivo provou ser uma grande bênção não só para a sua família mas também para toda a tribo. E foi devido a esta es-treita relação que o seu povo foi nos anos seguintes protegido e conduzido ao Paraíso.

A NOITE DE PAZ

Enquanto Halima alimentava o bebé de Hazrat Amina, o seu marido, Abi Kabshah, foi vigiar as suas ovelhas e ficou muito surpreendido ao encontrar as suas tetas cheias de leite. Quando as mugiu havia tanto leite que foi mais que suficiente para alimentar toda a família, pois que nessa noite eles be-beram a sua parte e dormiram calmamente. Quando acordaram, Abi Kabshah exclamou: "Halima, eu vejo que escolheste um espírito abençoado; reparaste como passamos uma noite abençoada e estamos a desfrutar dos seus benefícios? "

Wassalam

RC
13-04-2005, 15:08
salaam


Deve-se comemorar o nascimento do profeta, não é esse um costume estranho ao islão?

omarkhatib
14-04-2005, 05:10
Assalamu Aleikoum, irmão Ricardo

Alguns ulemás islâmicos, talvez a maioria, são totalmente contra a comemoração do nascimento do Profeta Mohamad (S). Segundo esses ulemás, não existe nenhuma justificativa, nem no Alcorão e nem na Sunnah, para a comemoração do nascimento de nenhum Profeta, inclusive Mohamad (S).

Outros ulemás aceitam a comemoração e inclusive a recomendam, pois, seria a festa do nascimento do nosso grande Profeta (S) e o cumprimento de uma profecia Divina.

Já outros ulemás aceitam, mas recomendam moderação nessa comemoração para que não seja como o Natal Cristão.
Durante a celebração do Mawlid (Nascimento - Aniversário), na hora em que se declama o nascimento do Profeta Mohamad (S) e as pessos presentes na celebração se levantam, existe um mito difundido entre alguns muçulmanos "desinformados" de que o Profeta (S) estaria presente no local neste momento. Isso é "shirk". Devemos tomar muito cuidado com isso.

Contudo, na minha humildíssima opinião, não vejo mal algum em se lembrar do nascimento do Profeta (S) que, sem dúvida alguma mudou o rumo da humanidade e selou uma profecia, por exemplo, reunindo a comunidade islâmica local e recitando versículos do Sagrado Alcorão e celebrando o Mawlid de uma maneira moderada, cantando hinos islâmicos e glorificando Deus Todo Poderoso.

Se nós nos lembramos de nosso aniversário, de nossos irmãos, pais e filhos, por que não lembrar do nascimento do nosso querido Profeta Mohamad (S) que foi uma dádiva para a humanidade?

Espero mais opiniões dos participantes do fórum.

Wassalam

sacoor
18-04-2005, 00:14
Caros irmãos e amigos,
assalamu aleikum wa rehmatul aleihi wabarakatuhu,

Em primeiro lugar gostaria de expressar a m/ satisfação em relação à busca do conhecimento que se verifica actualmente nas pessoas com o intuito de se auto-esclarecerem sobre as mais variadas temáticas, que neste caso se refere a um dos mais proeminentes acontecimentos da história da humanidade - O Abençoado Nascimento do Querido Profeta de Deus - Hazrat Muhammad Mustafa (que a paz e as bençãos de Allah estejam c/ ele).

Po outro lado, acho bastante elucidativo o artigo submetido pelo Director da revista islâmica Al Furqan ? Sr. Yossuf Adamgy àcerca do Abençoado Nascimento do Profeta de Deus ? Hazrat Muhammad (que a paz e as bençãos de Allah estejam c/ ele).

Em relação à explicação do colega e irmão islâmico, concordo que existem diferentes opiniões de variadíssimos ulemas(teólogos) em relação à celebração do Nascimento do Profeta de Deus.
E nesse contexto gostaria de clarificar o conceito de shirk que é bastante comprometedor na produção do conteúdo explicativo que foi referido.

Por shirk, entende-se ?espírito de idolatria?, normalmente se relaciona com o facto de se associarem parceiros a Deus ou mesmo se considerar que algo ou alguém pode ser adorado, que não Deus.
Como por exemplo, o caso das pessoas que seguiam o zoroastrismo, que adoravam o fogo, ou no tempo do Profeta Moisés, (que a paz esteja c/ele), em que o seu povo durante um certo período, começou a adorar um bezerro de ouro ou mesmo no tempo do Profeta Muhammad (que a paz e as bençãos de Allah estejam c/ ele) quando as pessoas de Meca adoravam os ídolos, na Caaba.
Creio que não deve de haver grandes discussões em relação a este ponto.

Sendo assim, nas comemorações do Nascimento do Profeta de Deus ? Hazrat Muhammad Mustafa (que a paz e as bençãos de Allah estejam c/ ele) as opiniões dos ulemás que defendem este ponto de vista, realizam encontros, palestras, debates em mesquitas onde desde o 1º dia do mês de Rabiul-Awwal se colocam enfeites, se embelezam as casas das pessoas, realizam-se sessões de ?naats?, em que através de versos e poemas se eleva a Personalidade Bela E Elevada do Querido Profeta de Deus ? Hazrat Muhammad Mustafa (que a paz e as bençãos de Allah estejam c/ ele).
O facto de haverem pessoas que ao enaltecerem a personalidade do Profeta de Deus (que a paz e as bençãos de Allah estejam c/ ele), com o maior respeito, com a maior humildade e, com um amor verdadeiro por essa mesma Personalidade que sacrificou a sua vida inteira por uma causa tão nobre, não faz com que sejam idólatras ou que estejam a praticar idolatria.

Isto porque, essas pessoas não estão a adorar o Profeta de Deus(que a paz e as bençãos de Allah estejam c/ ele). Estão sim a respeitá-lo, a elevar a sua Personalidade e, também a agradar a Deus.

Se há pessoas que adoram o profeta de Deus(que a paz e as bençãos de Allah estejam c/ ele), eu sou o primeiro a criticá-los, mas se as pessoas o fazem com o objectivo de elogiarem e, elevarem a Sua Personalidade então eu acho que são pessoas verdadeiramente afortunadas.

No decurso deste mesmo modesto esclarecimento, posso afirmar que o Profeta de Deus, é inquestionávelmente AyatuNabi. Significa que tem a capacidade para estar onde quiser, a sua Presença em locais onde é expressa a Sua Personalidade se justifica porque Deus, Todo Poderoso lhe facultou essa capacidade.
Senão... sejamos lógicos.

Deus criou o Satanás. E pés embora seja o maior dos pecadores, consegue estar em toda a parte.

Então o Profeta, que é Profeta de Deus e, simultâneamente o Mais Elevado Dos Profetas, não consegue ter essa capacidade?????

Caros irmãos, no mundo inteiro se celebra, se comemora, se aclama este abençoado Acontecimento.
Há teólogos que defendem que Allah celebra o Nascimento do Profeta de Deus (que a paz e as bençãos de Allah estejam c/ ele), enfeitando os céus neste altura do ano, ordenando os anjos a aumentarem as suas preces de enaltecimento (bençãos ? salams) ao Querido Profeta de Deus(que a paz e as bençãos de Allah estejam c/ ele) e, também recompensando meritóriamente os crentes que o fazem.

Por isso caros irmãos na minha modesta e humilde opinião a celebração do Nascimento do Profeta de Deus(que a paz e as bençãos de Allah estejam c/ ele) deve ser realizada, mas com moderação e, no maior respeito Pela Mais Mediática e Mais Elevada de Todas as Criações ? Hazrat Muhammad Mustafa (que a paz e as bençãos de Allah estejam c/ ele).


Wassalam

YiossufAdamgy
21-04-2005, 14:04
A Celebração do Nascimento do Profeta Muhammad (s.a.w.)

Uma Inovação da Orientação

Entre as grandes inovações da orientação, encontra-se a celebração anual do nascimento do Profeta (Mawlid un-Nabiyy). Este acontecimento é celebrado por Muçulmanos de todas as partes do Mundo, os quais se reúnem para a realização de actos dignos de recompensa, como é o caso da recitação do Alcorão, o cântico de louvores Islâmicos, a narração da história do nascimento do Profeta (s.a.w.), a transmissão do Conhe-cimento Religioso, o abate de animais para saciar a fome aos pobres, e agradecer e dar graças a Allah, pedindo-Lhe que seja exaltada, no seio da Ummah, a recordação da vida do Profeta Muhammad (sallAllahu^alayhi wa sallam).

O ilustre, sábio e justo governante al-Mudhaffar, Rei de Irbil (hoje Iraque) , deu início a esta prática há cerca de 900 anos atrás, e foi elogiado pelos eruditos Muçulmanos do Islão ? entre os quais Ibn Hajar al-Asqalaniyy e Jalal ud-Din as-Suyutiyyi. O famoso sábio dos ahadice, Abdul-Khattab Ibn Dihyah, escreveu um livro para o Rei, livro esse destinado a ser lido especialmente aquando da celebração do mawlid, e não existe erudito Muçulmano algum de renome que desaprecie a introdução desta nova celebração.

A base para a comemoração de acontecimentos honrososos encontra-se evidenciada na Sunna do Profeta (s.a.w.). Conforme referido por al-Bukhariyy, quando o Profeta (s.a.w.) emigrou para Medina (ár al-Madinah), os Judeus estavam a jejuar, o que o levou a perguntar-lhes porque motivo jejuavam eles no 10º dia de Muharram , ao que responderam que o faziam para celebrar o dia em que Allah havia salvo o Profeta Moisés (Mussa a.s.) e as tribos de Israel (Isra?il) da tirania do Faraó. Foi revelado ao Profeta (s.a.w.) que, aquilo que os Judeus diziam, correspondia à verdade; assim sendo, o Profeta Muhammad (s.a.w.) respondeu-lhes: ?Nós somos mais merecedores de Moisés (Mussa a.s.) do que vós?. Ele disse isto porque o Profeta Moisés era submisso à Vontade de Allah (ár. Muçlim). O Profeta Muhammad (s.a.w.) ordenou, então, aos Muçulmanos que jejuassem nos dias 9 e 10 de Muharram, e esta Sunna é ainda hoje praticada.

A comemoração do nascimento do Profeta Muhammad (s.a.w.), realizando actos dignos de serem recompensados ? o que pode ser feito em qualquer altura do ano ? é tida como uma prática inovadora, visto não ser efectuada aquando da época do Profeta (s.a.w.). Não obstante o facto desta inovação ser elogiada pelos eruditos Muçulmanos do Islão, existem pessoas que consideram que, qualquer que seja a inovação, é uma inovação errónea, que conduz a uma má orientação, ao mau caminho. Aqueles que assim pensam, foram induzidos em erro, visto existirem dois ahadice sahih que confirmam a celebração de tal acontecimento. O Imame Muslim refere o hadice em que o Profeta (s.a.w.) disse: ?Aquele que introduzir uma inovação boa no Islão, obterá a sua recompensa e uma recompensa igual à daqueles que o seguirem no seu feito ? até ao Dia do Juízo Final ? sem que isso diminua em nada a recompensa destes últimos. Aquele que introduzir uma má inovação, que conduza a um mau caminho, estará a pecar por o fazer, e os seus pecados serão os mesmos que os daqueles que o seguirem ? até ao Dia do Juízo Final ? sem que isto diminua em nada os pecados destes últimos?.

Existem dois tipos de inovações referidas neste hadice: as inovações que orientam e as inovações que desorientam, que conduzem ao mau caminho.

Aquilo que obedece ao Alcorão, à Sunna, ao Ijma (consenso sapiente) e aos ditos e feitos dos Companheiros do Profeta (s.a.w.), é tido como uma inovação que orienta e, aquilo que se opõe ao Alcorão, à Sunna, ao Ijma e aos ditos e feitos dos Companheiros do Profeta (s.a.w.), é uma inovação que desorienta. Esta definição dos dois tipos de inovações que existem, foi dada por vários eruditos do Islão, sábios e fiáveis, entre os quais constam o Imame ash-Shafiiyy, o Imame an-Nawawiyy, al-Bayhaqiyy e o Hafidh Ibn Hajar al-Asqalaniyy.

Assim sendo, e tendo em conta o supracitado hadice, é, pois, notório que, os Muçulmanos que celebram o nascimento do Profeta (s.a.w.), não se desviam do bom caminho por o fazerem. Isto porque, os actos praticados durante este acontecimento, são considerados actos dignos de serem recompensados, se se considerarem as normas da Religião, e estão de acordo com a definição de inovações que orientam.
Infelizmente, determinadas pessoas interpretaram mal um hadice sahih, referido por Abu Dawud, que diz: ?A grande maioria das inovações introduzidas são inovações que desorientam, que conduzem ao mau caminho?. Aqueles que se encontram mal orientados, interpretam a palavra kul como ?todas? e, por conseguinte, reivindicam que este hadice tem o seguinte significado: ?Toda a inovação é uma inovação que desorienta, que conduz ao mau caminho?. Contudo, aquilo que eles reivindicam não tem qualquer fundamento, e por duas razões: linguisticamente, este hadice é similar ao hadice referido por al-Bayhaqiyy: ?Todos contemplam o adúltero?. Significa, sim: ?A grande maioria das pessoas é culpada de olhar para onde é proibido olhar?. Com toda a certeza, as pessoas, cegas de nascença não vêem o que é proibido ver, e, é bem sabido que, os Profetas, nunca cometeram semelhante e tão abjecto pecado. A palavra kul, conforme usada em ambos os hadices, refere-se à ?grande maioria?. Embora o seu significado possa também ser o de ?todos?, tal significado não se aplica a todos os casos.

De facto, na explicação do hadice sahih de Muslim, an-Nawawiyy diz o seguinte: ?Aquilo que foi dito pelo Profeta, sallAllahu alayhi wa sallam, encontra-se entre os ditos considerados am makhsus, i.e., uma declaração geral a que se confere um significado específico; o que é uma área conhecida do Islão, e o significado atribuído ao hadice é o de que: ?a grande maioria das inovações são inovações que desorientam, que conduzem ao mau caminho?.

Aceitar como certo o significado de que ?Toda a inovação é uma inovação que desorienta, que conduz ao mau caminho?, conforme o significado do hadice sahih referido por Abu Dawud, nega o hadice sahih referido pelo Imame Muslim, o qual especifica a existência de dois tipos de inovações: as inovações que orientam e as inovações que desorientam. Tendo em conta as regras da Religião, é estritamente proibido interpretar dois ahadice sahih de maneira contraditória.

Assim sendo, sabemos bem qual o verdadeiro significado do hadice.

Não obstante o facto de muitas das inovações introduzidas serem inovações que desorientam, que conduzem ao mau caminho, são vários os exemplos existentes de inovações religiosamente aceitáveis. Senão vejamos: aquando do Califado de Umar Ibn al Khattab (r.a.), este deu início ao ajuntamento das pessoas, durante o Ramadão, para que a Oração de Tarawih fosse feita em congregação. Quando ele disse ao povo para que procedessem à concretização desta oração em congregação, disse: ?Que boa é, esta nova inovação!?. É bem sabido o elevado estatuto que detinha Umar Ibn al Khattab; assim sendo, é importante realçar que Umar usou explicitamente o termo inovação, neste seu louvor. Se todas as inovações conduzissem ao mau caminho ? como alguns reivindicam ? Umar não teria dado origem à introdução desta nova prática, nem exprimido este louvor, embora tanto al-Bukhariyy e Muslim refiram este episódio.

Durante a era dos seguidores dos Companheiros do Profeta (s.a.w.), outras inovações dignas de louvor foram introduzidas. Inicialmente, letras como ba, ta, tha e ya não possuíam pontos por cima ou por debaixo delas. Esta prática de distinção entre as letras, recorrendo a esta notação, teve início após a época do Profeta (s.a.w.).

Após a época do Profeta (s.a.w.), muitas outras inovações, através da concretização de actos dignos de serem recompensados, tiveram lugar e foram inovações dignas de louvor.

Trata-se de um acontecimento especial e ilustre para os Muçulmanos de todo o Mundo. Alegra-nos pertencer à grandiosa nação que é o Islão ? a nação de Muhammad (s.a.w.), o qual foi o selo dos Profetas e a melhor das Criaturas de Allah. Na Sura Al Imran, Ayah 110, Allah diz o seguinte: ?Sois a melhor nação (a hummah de Muhammad) que surgiu na humanidade, porque recomendais o bem, proibis o ilícito e credes em Allah?.

Este versículo significa que esta é a melhor das nações, em virtude do seu Profeta, conforme explicado pelos eruditos do Islão. Os Muçulmanos estão gratos a Allah, por Ele lhes ter oferecido a bênção do Islão, e por se encontrarem entre os seguidores de Muhammad (s.a.w.).

Ainda na Sura Al Imran, Ayah 31, Allah diz: ?Dize: se verdadeiramente amais a Allah, então, segui-me?.
A Mawlid (a celebração do seu nascimento) trata-se de uma bênção, pois inspira os corações a possuírem um maior e mais profundo amor pelo Profeta (s.a.w.).

NOTA: Quanto a considerarem o Profeta Muhammad (s.a.w.) como AyatuNabi , não é correcto, embora todos os Profetas estão vivos no seu túmulo. Não se deve esquecer que o próprio Profeta disse que ele, não obstante ser Mensageiro de Deus, era um simples mortal. Aquando da sua morte, em Medina, Hazrat Aboobakar (r.a.) recitou o célebre versículo do Sagrado Alcorão, relembrando ao povo, mais ou menos nestes termos: "se adoráveis o Profeta Muhammad (s.a.w.) sabeis que ele está morto; se adoráveis a Allah, sabei que Ele é Eterno e Ominipresente".

Por outro lado, fazer a analogia de omnipresente com o "Diabo" (ou Satanás), também é incorrecto, visto que Satánas foi um anjo, a quem Deus deu-lhe esse poder, e estará vivo até ao Dia de "Quiyamat".

Wassalam e Eid Miladun Nabi Mubarak a todos os muçulmanos.

Yiossuf Adamgy
Director da Revista Al Furqán, in sua alocução na noite de Miladun Nabi, no Darul-Ulum de Odivelas