Vizualizar Versão Completa : Excelente livro
Anonymous
14-05-2003, 13:44
Salam a todos,
Caros irmãos, leiam esse livro, é relamente muito bom.
http://www.forumnow.com.br/vip/mensagens.asp?topico=1697389&nrpag=1
Anonymous
14-05-2003, 18:45
1. CONCEITOS BÁSICOS DO ALCORÃO
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CONCEITOS BÁSICOS DO ALCORÃO
Por Harun Yahia
INTRODUÇÃO:
IDOLATRIA
OPRESSÃO (FITNAH)
AS DUAS CARACTERÍSTICAS DA ALMA
VALORIZAR DESEJOS E PAIXÕES
ESPÍRITO E ALMA
CORAÇÃO, SABEDORIA E INTELIGÊNCIA
O HOMEM RACIONAL E OS FATOS QUE ENCOBREM A SABEDORIA
SABEDORIA & ROMANTISMO
AS RAÍZES DA SABEDORIA
DISPLICÊNCIA & ATENÇÃO
SEGUIR A CONJETURA
LEALDADE & OBEDIÊNCIA
DETERMINAÇÃO & ESTABILIDADE
PERSEVERANÇA
AS BOAS AÇÕES
AGRADECER A DEUS
NÃO BUSCAR VANTAGENS PESSOAIS
FRATERNIDADE
MODÉSTIA & ARROGÂNCIA
CONFIANÇA EM DEUS & SUBMISSÃO
PERDÃO & ARREPENDIMENTO
ORAÇÃO
"Ó fiéis, se temerdes a Deus, Ele vos concederá discernimento, apagará os
vossos pecados e vos perdoará, porque é Agraciante por excelência." (Alcorão
8:29)
INTRODUÇÃO
Quando lemos o Alcorão, percebemos que muitos conceitos usados em nosso
dia-a-dia são citados e enfatizados frequentemente em seus versículos. Estes
conceitos são decisivos para a compreensão do Alcorão e assim, agirmos de
acordo com os seus postulados. Entre estes conceitos, encontramos sabedoria,
paciência, lealdade, descrença, favores especiais de Allah.
No entanto, muitos deles são usados com um sentido diferente nas conversas
diárias, o que pode induzir as pessoas, principalmente aquelas que estão
lendo o Alcorão pela primeira vez, a um conceito errado do Alcorão.
Tomemos como exemplo a palavra "sabedoria". Sabedoria é comumente utilizada
como sinônimo de inteligência, esperteza, astúcia, etc. Contudo, a
"sabedoria" citada no Alcorão não tem qualquer semelhança com esses
significados. De acordo com o Alcorão, sabedoria é uma qualidade peculiar
aos fiéis, o nível de sabedoria pode aumentar ou diminuir com relação ao seu
comportamento correto. Sabedoria, o modo de compreensão, é uma orientação
divina que capacita o homem a mostrar o comportamento correto e a atitude
com a qual ele espera agradar a Deus e alcançar a Sua justa estima. é a
capacidade de julgar entre o certo e o erro, atingir a mais elevada atitude
moral, tomar as decisões certas para cada situção, e agir, tendo sempre em
mente, a vida após a morte.
Quanto aos infiéis, não importa o quão inteligentes sejam, não possuem
sabedoria. Eles podem mostrar sua inteligência, mas não compreendem o
verdadeiro significado da palavra, ou o significado de uma ação sábia. Acham
que sabedoria é sinônimo de inteligência. E alguns podem até pensar que
sabedoria é dignidade e maturidade, qualidades que se somam à inteligência.
No entanto, mesmo os mais inteligentes, os mais experientes, os mais
maduros, por serem infiéis, não possuem "sabedoria".
Uma pessoa que identifique "sabedoria" com os significados mencionados
acima, pode facilmente chegar a conclusões erradas. Um conceito totalmente
diferente pode surgir em sua mente, que o levará a um pensamento ou crença
herética. De igual modo, isto pode acontecer com outros conceitos do
Alcorão.
Portanto, a fim de compreendermos verdadeiramente o Alcorão e vivenciá-lo em
sua plenitude, é essencial saber em que contexto certos conceitos básicos do
Alcorão são usados e a sabedoria que tais conceitos envolvem. O caminho para
este conhecimento é o próprio Alcorão e o árabe, sua língua original.
Às vezes, é possível que a palavra em árabe seja usada com um significado
especial no Alcorão e de uma forma específica. Assim, é de fundamental
importância conhecer em que sentido aquela palavra foi usada em outros
versículos do Alcorão, a subordinação dos versículos, os versículos
anteriores e os posteriores, além da definição árabe da palavra. Somente se
chega a uma conclusão apropriada após muito esforço e, claro, com a
compreensão e sabedoria que Deus nos concedeu.
Neste livro, tentaremos esclarecer os conceitos mais frequentemente
encontrados no Alcorão, analisando-os dentro dos versículos em que eles
aparecem, tanto no sentido geral como no específico.
IDOLATRIA
A palavra idolatria em árabe é "shirk" e significa "parceria/associação". E
no Alcorão, idolatrar tem o significado de associar a Deus qualquer outro
ser, pessoa ou conceito, considerando-os iguais a Ele. Nas traduções do
Alcorão, idolatria também é citada como "associar um parceiro a Deus".
Também expressa "ter ou adorar um outro deus, além de Deus" .
No sentido mais geral, idolatria significa tomar para si crenças diversas,
julgamentos, estilos de vida e conceitos, diferentemente do que está
prescrito no Alcorão e conceber a vida baseada nestes conceitos. Portanto,
esta pessoa idolatra aquele que legisla sobre tais assuntos. Este pode ser o
pai, o avô, a sociedade em que se vive, os fundadores de várias filosofias
ou ideologias e seus seguidores. Com relação a isto, a pessoa que segue um
caminho diferente do Islam está idolatrando. Esta pessoa pode se dizer ateu,
cristão, judeu, etc. Pode até se dizer muçulmano. Ele pode fazer as preces
regulamentares, jejuar e obdecer as leis do Islam. Contudo, ele é um
idólatra se tiver uma simples interpretação que conflite com o Alcorão,
porque isto significará que ele associou aquele legislador a Deus.
Idolatria não quer dizer descrença absoluta em Deus. Muitos dos idólatras
não aceitam que são idólatras. Eles chegam a negar sua descrença na vida
após a morte por causa de suas almas endurecidas. O Alcorão assim se refere
sobre o assunto:
"Recorda-lhes o dia em que congregaremos todos, e diremos, então, aos
idólatras: Onde estão os parceiros que pretendestes Nos atribuir? Então, não
terão mais escusas, além de dizerem: Por Deus, nosso Senhor, nunca fomos
idólatras." (Alcorão 6:22-23)
Ser idólatra não significa dizer "este é um ser divino", "Estou tomando este
ser como um deus além de Deus e estou adorando-o" ou qualquer outra coisa
semelhante. Antes de mais nada, idolatria está no coração, depois na forma
de pensar e então passa a refletir todo um comportamento. A razão da
idolatria está no fato de que a pessoa prefere um outro ser a Deus. Por
exemplo, preferir a vontade de uma pessoa do que a vontade de Deus, ou temer
uma pessoa mais do que a Deus, ou amar uma pessoa mais do que a Deus, tudo
isso significa associar um parceiro a Deus. Estas são as modalidades de
idolatria que o Alcorão salienta. Como dito antes, a razão mais importante
que leva à idolatria é o sentimento de "amor" dirigido falsamente. Este tipo
de amor dos idólatras está citado nos seguintes versículos:
"Entre os humanos há aqueles que adotam, em vez de Deus, rivais (a Ele) aos
quais professam igual amor que a Ele; mas os fiéis só amam fervorosamente a
Deus. Ah, se os iníquos pudessem ver (a situação em que estarão) quando
virem o castigo (que os espera!), concluirão que o poder pertence a Deus e
Ele é Severíssimo no castigo." (Alcorão 2:165)
Os fiéis dirigem seu amor única e exclusivamente a Deus, ao passo que os
idólatras amam a si mesmos, ou a outras pessoas, porque não têm uma relação
íntima com Deus. Essas pessoas podem ser seus pais, seus filhos, irmãos,
esposas, maridos ou quaisquer outras pessoas. Este amor também pode estar
voltado para objetos inanimados tais como dinheiro, propriedades, casa,
carro. Qualquer coisa, ou posição, ou prestígio pode ser objeto de
idolatria.
As características intrínsecas de cada pessoa ou de cada objeto, na verdade
nada mais é do que um reflexo das caracterísitcas infinitamente superiores
de Deus. A única origem de todas as coisas é Deus. Portanto, Deus é Aquele
que merece todo o nosso amor, porque é Ele quem possui toda a superioridade
e excelência. Consequentemente, quando dedicamos nosso amor a uma pessoa ou
coisa, na verdade estamos transformando aquela pessoa ou coisa em nosso
deus, um falso deus, e adorando-o ao lado de Deus.
Em um outro versículo, Abraão adverte os idólatras que deixam Deus e adoram
falsos deuses, por quem têm profundo amor:
"E lhes disse: Só haveis adotado ídolos em vez de Deus, como vínculo de amor
entre vós, na vida terrena; eis que, no Dia da Ressurreição,
desconhecer-vos-eis e vos amaldiçoareis reciprocamente; e vossa morada será
o fogo, e jamais tereis socorredores. (Alcorão 29:25)
Um exemplo importante de idolatria é a paixão que um homem devota a uma
mulher, seja a esposa, uma mulher querida ou mesmo uma mulher a quem ele
dedica um amor platônico. Se esta é uma espécie de amor que o faz se
esquecer de Deus, e também o sentimento que lhe é mais caro do que o amor a
Deus, fazendo com que seja substituído no coração, tomando seu lugar, este
amor acaba por levar a pessoa à idolatria. Sabemos pelo Alcorão que esta
espécie de sentimento, que é tido como inocente pela sociedade, tem um
significado diferente perante Deus.
"Não invocam, em vez d'Ele, a não ser deidades femininas, e, com isso
invocam o rebelde Satanás." (Alcorão 4:117)
Este risco também se aplica às mulheres, tanto quanto aos homens. Na
sociedade, o amor pagão é apresentado como "amor", "romantismo", "sentimento
puro e inocente" e até mesmo exaltado e encorajado. Esta espécie de
romantismo, que tanto influencia a juventude, atrasa o amadurecimento e
produz uma geração herética, cujos membros desconhecem tudo sobre religião e
estão distanciados da crença em Deus, não entendendo a razão da criação,
desconhecendo o amor e o temor a Deus, e que vê a idolatria como uma coisa
absolutamente normal.
Outra razão importante que leva os homens à idolatria é o sentimento de
"medo". Assim como o amor, o medo também é uma espécie de sentimento que só
deveria ser dirigido a Deus. Quando tememos as criaturas estamos
atribuindo-lhes um poder que só Deus tem, e considerando-as isentas do
destino que Deus traçou para elas. Com os versículos abaixo, vamos perceber
que temer alguém além de Deus é associar parceiros a Deus:
"Deus disse: Não adoteir dois deuses - posto que somos um único Deus! -
Temei, pois, a Mim somente! Seu é tudo quanto existe nos céus e na terra.
Somente a Ele devemos obediência permanente. Temeríeis, acaso, alguém além
de Deus?" (Alcorão 16:51-52)
O Alcorão assim se refere àqueles pagãos que temem outras pessoas:
". Mas, quando lhes foi prescrita a luta, eis que grande parte deles temeu
as pessoas, tanto ou mais que a Deus, dizendo: ó Senhor nosso, por que nos
prescreves a luta? Por que não nos concedes um pouco mais de trégua?..."
(Alcorão 4:77)
Além dos sentimentos de amor e de medo, outros fatores também conduzem à
idolatria, tais como pedir socorro à alguém, ou não se esforçar por agradar
a Deus mas sim aos homens, não confiar em Deus e sim nas criaturas, olhar
para os seres humanos como possuidores de um poder ou vontade que na verdade
não têm.
Conforme podemos notar nos versículos do Alcorão aqui transcritos, seria uma
concepção muito estreita considerar a idolatria apenas como o curvar a
cabeça perante os pequenos ícones. Isto é próprio dos pagãos que reivindicam
a santidade para si mesmos. Estas pessoas até acham que a idolatria foi
totalmente abolida quando aqueles ídolos de pedra da Caaba foram destruídos
depois que o Islam foi revelado, e que as centenas de versículos no Alcorão
definindo a idolatria em detalhe e proibindo-a aos fiéis se referem àquelas
sociedades primitivas. No entanto, o Alcorão contém as diretrizes de Deus
que se aplicam a toda a humanidade até o dia da ressurreição. Portanto, essa
afirmativa não se sustenta diante dos inúmeros exemplos de sabedoria do
Alcorão. Por exemplo:
"Voltai-vos contritos a Ele, temei-O, observai a oração e não vos conteis
entre os que (Lhe) atribuem parceiros, que dividiram a sua religião e
formaram seitas, em que cada partido exulta no dogma que lhe é intrínseco."
(Alcorão 30:3l-32)
Como se vê, uma das caracterísitcas mais importante dos politeístas é
dividir a verdadeira religião de Deus, transformando-a em seitas e cada
grupo exultando com seus próprios dogmas. Portanto, qualquer divisão do
Alcorão, por menor que seja, significa dividir a religião e, por isso, é
politeismo. Aquele que aceita e defende interpretações contrárias ao
Alcorão, ou as dos exegetas, dos sheiks ou dos líderes religiosos incorre em
politeismo e traz opressão à religião.
Nos versículos seguintes, vemos que nenhum ato dos pagãos, nem mesmo suas
orações e adorações, será aceito por Deus:
"Já te foi revelado, assim como a teus antepassados: Se idolatrares,
certamente tornar-se-á sem efeito a tua obra, e te contarás entre os
desventurados." (Alcorão 39:65)
"Do que Deus tem produzido em abundância, quanto às semeaduras e ao gado,
eles Lhe destinam um quinhão, dizem, segundo as suas fantasias; Isto
é para Deus e aquilo é para os nossos parceiros! Porém, o que destinaram
a seus parceiros jamais chegará a Deus; e o destinado a Deus chegará aos
seus (supostos) parceiros. Que péssimo é o que julgam!" (Alcorão 6:136)
Muitos pecados cometidos pelos fiéis não têm uma razão intencional contra
Deus. Contrariamente a outros pecados, a idolatria é, portanto, ter um outro
deus além de Deus e inventar uma mentira contra Ele. Por isso, ela é o maior
pecado contra Ele. Deus fala no Alcorão que Ele perdoará qualquer pecado,
exceto a idolatria.
"Deus jamais perdoará a quem Lhe atribuir parceiros; porém, fora disso,
perdoa a quem Lhe apraz. Quem atribuir parceiros a Deus cometerá um pecado
ignominioso." (Alcorão 4:48)
"Deus jamais perdoará quem Lhe atribuir parceiros, conquanto perdoe os
outros pecados, a quem Lhe apraz. Quem atribuir parceiros a Deus
desviar-se-á produndamente." (Alcorão 4:116)
E assim, muitos versículos do Alcorão advertem os fiéis contra a idolatria e
os previne deste pecado maior. Eis alguns exemplos:
"Ó fiéis, em verdade os idólatras são impuros." (Alcorão 9:28)
"Consagrando-vos a Deus; e não Lhe atribuais parceiros, porque aquele que
atribuir parceiros a Deus, será como se houvesse sido arrojado do céu, como
se o tivessem apanhado as aves, ou como se o vento o lançasse a um
lugarlongíguo." (Alcorão 22:3l)
"Recorda-te de quando Lucman disse ao seu filho, exortando-o: ó filho meu,
não atribuas parceiros a Deus, porque a idolatria é grave iniquidade."
(Alcorão 31:13)
"Dize: Sou tão-somente um mortal como vós, a quem tem sido revelado que o
vosso Deus é um Deus único. Por conseguinte, quem espera o comparecimento
ante seu Senhor que pratique o bem e não associe ninguém ao culto d'Ele."
(Alcorão 18:110)
As coisas que os pagãos associam a Deus não têm, na verdade, qualquer
qualidade divina. Deus informa no Alcorão que tais parceiros que Lhe são
atribuídos não ajudam nem prejudicam (10:18), não criam nada (10:34), não
podem ajudar ou socorrer (7:192) e não conduzem ninguém ao caminho reto
(10:35). Embora pareça claro que tais criaturas são impotentes, a razão pela
qual os pagãos as tomam por parceiros de Deus é o fato de elas possuírem
algumas qualidades de Deus.
Por exemplo, a autoridade, a soberania, a supremacia e prosperidade que um
governante transgressor possui, na verdade pertencem a Deus. Nesta vida na
terra, Deus concede aqueles atributos ao governante até um certo limite. No
entanto, temer aquele governante, afirmando que ele possue aquelas
qualidades e obedecê-lo em suas determinações contra Deus, é transformá-lo
em parceiro de Deus. Esse governante não é nem deus nem possui qualquer
poder sobre coisa alguma. Quem quer que respeite o governante como um ser
divino e o obedeça cegamente, na verdade esta adorando um falso deus criado
por sua imaginação. Assim diz o Alcorão:
"Não é certo que é de Deus aquilo que está nos céus e na terra? Que
pretendem, pois, aqueles que adoram os ídolos em vez de Deus? Não seguem
mais do que a dúvida e não fazem mais do que inventar mentiras!" (Alcorão
10:66)
Aquele que adora alguém além de Deus sofrerá o mais profundo arrependimento
no além, quando descobrir que o objeto de sua adoração, na verdade, não
possuía qualquer qualidade. As coisas que ele prefere ou adora na terra
transformam Deus, o único que tem o poder, a honra e a glória, o único que é
Protetor, em inimigo. Seus ídolos o abandonarão quando se encontrarem
sozinhos no além.
"Um dia em que os congregaremos a todos, diremos aos idólatras: Ficai onde
estais, vós e vossos parceiros! Logo os separaremos, então, seus
parceiros lhes dirão: Não era a nós que adoráveis! Basta Deus por
testemunha entre nós e vós, de que não nos importava a vossa adoração. Aí
toda alma conhecerá tudo quanto tgiver feito e serão devovidos a Deus, seu
verdadeiro Senhor; e tudo quanto tiverem forjado desvanecer-se-á." (Alcorão
10:28-30)
"Então lhes será dito: Onde estão os que idolatráveis, em que lugar de Deus?
Responderão: Desvaneceram-se. E agora reconhecemos que aquilo que antes
invocávamos nada era! Assim, Deus extravia os incrédulos (Alcorão 40:73-749
O Alcorão assim define a situação final dos pagãos:
"E quando presenciaram o nosso castigo, disseram: Cremos em Deus, o único, e
renegamos os parceiros que Lhe atribuíamos. Porém, de nada lhes valerá a
sua profissão de fé quando presenciarem o Nosso castigo. Tal é a Lei de
Deus para com Seus servos. Assim, então perecerão os incrédulos." (Alcorão
40:84-85)
OPRESSÃO (FITNAH)
Em árabe, como em todas as línguas, algumas palavras têm mais de um
significado. Assim acontece com a palavra "fitnah", que tem vários
sentidos.
"Fitnah", basicamente, quer dizer "separar o ouro da jazida através do
calor". Em muitos versículos do Alcorão, "fitnah" é a palavra empregada para
expressar o critério usado para distinguir os fiéis dos que não são fiéis e
dos hipócritas. A importância desse critério está baseada na avaliação das
qualidades perdidas. Se uma pessoa se extraviou da senda reta ou se ela está
no caminho certo, isto vai depender de seu comportamento diante da "fitnah".
A prece de Moisés, a seguir transcrita, nos mostra que a "fitnah" tanto pode
desviar do caminho reto quanto levar a ele:
"E Moisés escolheu setenta homens, dentre seu povo, para que comparecessem
ao lugar por Nós designado; e quando o tremor se apossou deles, disse: ó
Senhor meu, quisesses Tu, tê-los-ias exterminado antes, juntamente comigo!
Porventura nos exterminarias pelo que cometeram os néscios dentre nós? Isto
não é mais do que uma prova Tua, com a qual desvias quem faz isso, e
encaminhas quem Te apraz; Tu és o nosso Protetor. Perdoa-nos e apieda-Te de
nós, porque Tu és o mais equânime dos indulgentes!" (Alcorão 7:155)
O Alcorão menciona em muitos versículos que a terra é um lugar de provas e
que todos serão testados, independentemente da condição de fiéis ou não.
"Porventura, pensam os humanos que serão deixados em paz, só porque dizem:
Cremos!, sem serem postos à prova? Havíamos provado seus antecessores, a
fim de que Deus distinguisse os leais dos impostores." (Alcorão 29:2-3)
Em um outro versículo, o Alcorão diz que o teste será de duas formas
diferentes:
"Toda a alma provará do gosto da morte, e vos provaremos com o mal e com o
bem, e a Nós retornareis." (Alcorão 21:35)
Se um homem for próspero e rico, com muitas ações boas, de acordo com o
Alcorão, sua propriedade o levará para perto de Deus. Mas, se ele usar dessa
propriedade em desacordo com a vontade de Deus, ele se afastará do
verdadeiro caminho. Então terá perdido o teste por causa de sua propriedade
e irá "sofrer uma perda manifesta" na vida depois da morte.
Da mesma forma, a adversidade, a tristeza, a doença, a perda da casa ou de
um ente querido, são exemplos de provas que a pessoa pode enfrentar. Se essa
pessoa se rebelar, se desesperar, se afligir, então aquele teste indica que
ela não crê. Isto não acontece com o fiel, que confia em Deus
incondicionalmente e que sabe que cada espécie de acontecimento é
proveniente d'Ele. Nada nesta vida tem importância maior em seu coração e
assim ele não se aflige por causa de qualquer perda. Ele sabe que esta forma
de pensar é a mais adequada para agradar a Deus.
Alguns versículos do Alcorão nos mostram que Deus cria certas condições para
mostrar quem é o verdadeiro crente.
"Assim, Nós os fizemos testarem-se mutuamente, para que dissessem: São estes
os que Deus favoreceu, dentre nós? Acaso, não conhece Deus melhor do que
ninguém os agradecidos?" (Alcorão 6:53)
E os versículos seguintes mostram que a prosperidade é dada para algumas
pessoas, com o objetivo de testá-las:
"E não cobices tudo aquilo com que temos agraciado certas classes, com o
gozo da vida terrena - a fim de, com isso, prová-las - posto que a mercê do
teu Senhor é preferível e mais persistente." (Alcorão 20:131)
Esta espécie de "fitnah" tem muito mais a finalidade de intensificar a
descrença do que distinguir as pessoas justas das que não o são. Em um outro
versículo, este fato é mencionado:
"Que não te maravilhem os seus bens, nem os seus filhos, porque Deus somente
quer, com isso, atormentá-los na vidaterrena e fazer com que suas almas
pereçam na incredulidade." (Alcorão 9:55)
Deus também diz que Ele permitiu que algumas pessoas se desviassem
conscientemente (de seus propósitos):
"Não tens reparado naquele que idolatrou a sua concupiscência! Deus
extraviou-o com conhecimento, sigilando os seus ouvidos e o seu coração, e
cobriu a sua visão. Quem o iluminará, depois de Deus (tê-lo
desencaminhado)? Não meditais, pois? (Alcorão 45:23)
Não há saída para quem Deus deixou que se extraviasse:
"Por que vos dividistes em dois grupos a respeito dos hipócritas, uma vez
que Deus os reprovou pelo que perpetraram? Pretendeis orientar quem Deus
desvia? Jamais encontrarás senda alguma para aquele a quem Deus desvia."
(Alcorão 4:88)
A "fitnah" como extravio
Como citado acima, inúmeros versículos do Alcorão estão sempre nos lembrando
que "fitnah" pode ser um motivo para o extravio e as antigas sociedades são
bem um exemplo disso. Por exemplo, quando Moisés se afastou de seu grupo,
seus membros passaram a obedecer ao Samaritano, fazendo a imagem de um
bezerro e adorando-o. O Alcorão descreve esse fato como "ser levado para o
extravio":
"Disse-lhe (Deus): Em verdade, em tua ausência, quisemos tentar o teu povo,
e o samaritano logrou desviá-los." (Alcorão 20:85)
"Este forjou-lhes o corpo de um bezerro que mugia e disseram: Eis aqui o
vosso deus, o deus que Moisés esqueceu! Porém, não reparavam que aquele
bezerro não podia responder-lhes, nem possuía poder para prejudicá-los nem
beneficiá-los?Aarão já lhes havia dito: ó povo meu, com isto vós somente
fostes tentados; sabei que vosso Senhor é o Clemente. Segui-me, pois, e
obedecei a minha ordem!" (Alcorão 20:88-90)
Um outro versículo confirma que a "fitnah" pode conduzir ao extravio:
"Logo verás e eles também verão, quem dentre vós é o aflito! Em verdade, teu
Senhor é o mais conhecedor de quem se desvia da Sua senda, assim como é o
mais conhecedor dos encaminhados." (Alcorão 68:5-7)
A "fitnah" como teste
Em alguns versículos, também é mencionado que a "fitnah" torna o fiel mais
forte em sua crença e o aproxima mais de Deus. Por exemplo, uma guerra
empreendida contra os fiéis ou os tempos de guerra intensa são grandes
provas. Apesar de tudo, o fiel crê em Deus e age de acordo com Sua vontade,
qualquer que seja a circunstância.
"E quando os fiéis avistaram as facções, disseram: Eis o que nos haviam
prometido Deus e o Seu Mensageiro; e tando Deus como o Seu Mensageiro
disseram a verdade! E isso não faz mais do que lhes aumentar a fé e
resignação." (Alcorão 33:22)
"São aqueles aos quais foi dito: Os inimigos concentraram-se contra vós;
temei-os! Isso aumentou-les a fé e disseram: Deus nos é suficiente. Que
excelente Guardião!" (Alcorão 3:173)
Não importa quão rigoroso seja o teste, porque o fiel sempre se sairá bem,
porque seu comportamento é sempre no sentido de agradar a Deus.
Um acontecimento, que representa a Misericórida de Deus para com os fiéis e
que fortalece sua crença n'Ele, pode ser uma prova para os infiéis,
levando-os a se desviarem da senda. Os versículos abaixo dizem que o fato de
existirem anjos pela causa do inferno aumenta a descrença nos infiéis, ao
passo que este mesmo fato só fortalece a crença nos fiéis.
"Guardado por dezenove. E não designamos guardiães do fogo, senão os anjos,
e não fixamos o seu número, senão como prova para os incrédulos, para que os
adeptos do Livro se convençam; para que os fiéis aumentem em sua fé e para
que os adeptos do Livro, assim como os fiéis, não duvidem; e para que os
que abrigam a morbidez em seus corações, bem como os incrédulos, digam: Que
quer dizer Deus com esta prova? Assim, Deus extravia quem quer e encaminha
quem Lhe apraz e ninguém, senão Ele, conhece os exércitos do teu Senhor.
Isto não é mais do que uma mensagem para a humanidade." (Alcorão 74:30-31)
O empenho para levar à "fitnah"
Algumas pessoas tentam desviar os fiéis do verdadeiro caminho, do estilo de
vida, da crença, isto é, "da sua religião". O Alcorão nos fala que, através
dos tempos, os fiéis sempre foram expostos a tais ameaças. Sempre houve
pessoas que pretenderam desviar os fiéis do Alcorão e de seus cânones. Deus
diz que os fiéis ter-se-iam desviado se eles consentissem nisso.
"Antes de ti, jamais enviamos mensageiro ou profeta algum, sem que Satanás
o sugestionasse em sua predicação; porém, Deus anula o que aventa Satanás,
e então prescreve as Suas leis, porque Deus é Sapiente, Prudentíssimo. Ele
faz das sugestões de Satanás uma prova, para aqueles que abrigam a morbidez
em seus corações e para aqueles cujos corações estão endurecidos, porque os
iníquos estão em um cisma distante (da verdade)!" (Alcorão 22:52-53)
E no versículo abaixo, está assinalado que a prosperidade é dada para
alguns, a fim de que sejam testados:
"E não cobices tudo aquilo com que temos agraciado certas classes, com o
gozo da vida terrena - a fim de, como isso, prová-los - posto que a mercê de
teu Senhor é preferível é mais persistente." (Alcorão 20:131)
Esta espécie de "fitnah" tem o papel de intensificar muito mais a descrença
do que diferenciar os justos dos que não são. O versículo abaixo, é um
exemplo disso:
"Que não tem maravilhem os seus bens, nem os seus filhos, porque Deus
somente quer, com isso, atormentá-los na vida terrena e fazer com que suas
almas pereçam na incredulidade." (Alcorão 9:55)
Deus nos diz no Alcorão que Ele permitiu que algumas pessoas se desviassem
com conhecimento:
"Não tens reparado naquele que idolatrou a sua concupiscência! Deus
extraviou-o com conhecimento, sigilando os seus ouvidos e o seu coração, e
cobriu a sua visão. Quem o iluminará, depois de Deus (tê-lo
desencaminhado)? Não meditais, pois?" (Alcorão 45:23)
Não há saída para aquele a quem Deus desviou:
"Por que vos dividistes em dois grupos a respeito dos hipócritas, uma vez
que Deus os reprovou pelo que perpetraram? Pretendeis orientar quem Deus
desvia? Jamais encontrarás senda alguma para aquele a quem Deus desvia."
(Alcorão 4:88)
Causar "fitnah"
Na Capítulo A Vaca, versículos 191 e 217, Deus define a "fitnah" como "pior
do que matar". Vejamos, então, qual a pena para o assassino, cujo pecado é
menor do que causar "fitnah".
"Quem matar, intencionalmente, um fiel, seu castigo será o inferno, onde
permanecerá eternamente. Deus o abominará, amaldiçoá-lo-á e lhe
preparará um severo castigo." (Alcorão 4:93)
Neste contexto, "fitnah" abrange o sentido de desviar das atividades e tem
um significado diferente daquele usado para prova, teste, usado
anteriormente neste livro.
O Alcorão fala dos hipócritas como sendo aqueles que provocam "fitnah". Deus
diz nos versículos que os hipócritas tentam impedir os fiéis de lutar no
caminho de Deus, e provocam muitos casos de "fitnah", tais como planejarem
secretamente nas costas do mensageiro e dos fiéis, tentando abalar sua
determinação.
Os hipócritas falsamente interpretam os versículos e acatam aqueles nos
quais há uma concordância com seus interesses particulares e desobedecem os
outros, diferentemente dos fiéis, que se submetem totalmente a tudo quanto
está escrito no Alcorão. Nos versículos a seguir transcritos, Deus declara:
"Ele foi Quem te revelou o Livro; nele há versículos fundamentais, que são a
base do Livro, havendo outros alegóricos. Aqueles cujos corações abrigam a
dúvida, seguem os alegóricos, a fim de causarem dissensões,
interpretando-os capciosamente. Porém, ninguém, senão Deus, conhece a sua
verdadeira interpretação. Os sábios dizerm: Cremos nele (o AlcorãO), tudo
emana do nosso Senhor. Mas ninguém o admite, salvo os sensatos." (Alcorão
3:7)
Provocar a opressão é a característica mais importante dos hipócritas. A
versão árabe para a palavra "hipócrita" é "munafiq", que siginifica "aquele
que provoca a divisão". Provocar a divisão entre os fiéis é um grande pecado
e é uma "fitnah". Há no Alcorão diversos versículos que relatam situações
onde os hipócritas tentam provocar a "fitnah" entre os crentes:
"E se tivessem marchado convosco, não teriam feito mais do que confundir-vos
e suscitar dissensões em vossas fileiras, incitando-vos à rebelião. Entre
vós há quem os escuta. Porém,Deus bem conhece os iníquos." (Alcorão 9:47)
"Porém, se (Madina) houvesse sido invadida pelos seus flancos, e se eles
houvessem sido incitados à intriga, tê-la-iam aceito, mesmo que não se
houvessem deleitado com ela senão temporariamente." (Alcorão 33:14)
"E se tivessem marchado convosco, não teriam feito mais do que confundir-vos
e suscitar dissensões em vossas fileiras, incitando-vos à rebelião. Entre
vós há quem os escuta. Porém, Deus bem conhece os iníquos. J, antes, haviam
tratado de suscitar dissensões e intentado desbaratar os teus planos, até
que chegou a verdade e prevaleceram os desígnios de Deus, ainda que isso os
desgostasse." (Alcorão 9:47-48)
Os hipócritas que fazem planos secretos contra o mensageiro de Deus e contra
os crentes tentam se explicar quando suas verdadeiras intenções são
descobertas. Alguns tentam se mostrar inocentes e, na verdade, não são
hipócritas, porque eles temem os fiéis e também têm medo de serem punidos.
Por esta razão, eles pedem para não serem considerados da mesma forma que os
outros hipócritas por que não fizeram nada de mal. Pedem, inclusive,
permissão para continuarem junto com os crente.
"E entre eles, há quem te diga: Isenta-me, e não me tentes! Acaso, não
caíram em tentação? Em verdade, o inferno cercará os incrédulos (por todos
os lados)." (Alcorão 9:49)
No versículo está dito que aquelas pessoas mentem e que eles próprios estão
em "fitnah", como qualquer outro hipócrita. Deus adverte os fiéis para não
acreditarem nesta fraude.
Os infiéis e os hipócritas sofrerão a penalidade mais grave no inferno,
porque eles provocaram a opressão.
"(Ser-lhes-á dito): Provai o vosso teste! Eis aqui o que pretendestes
apressar!" (Alcorão 51:14)
Lutar contra os crentes
A maior luta contra a religião e os crentes é o deflagrar de uma guerra. Os
versículos a seguir transcritos, do Capítulo A Vaca, informam que a guerra
contra os crentes é uma "fitnah" muito importante.
"Combatei pela causa de Deus, aqueles que vos combatem; porém, não
pratiqueis agressão,porque Deus não estima os agressores. Matai-os onde quer
que os encontreis e expulsai-os de onde vos expulsaram, porque a perseguição
é mais grave do que o homicídio. Não os combatais nas cercanias da Mesquita
Sagrada, a menos que vos ataquem. Mas, se ali vos combaterem, matai-os. Tal
será o castigo dos incrédulos. Porém, se desistirem, sabei que Deus é
Indulgente, Misericordiosíssimo. E combatei-os até terminar a perseguição e
prevalecer a religião de Deus. Porém, se desistirem, não haverá mais
hostilidades, senão contra os iníquos." (Alcorão 4:190-193)
Conforme está dito no versículo 193, do Capítulo A Vaca, "combatei-os até
terminar a perseguição e prevalecer a religião de Deus", é obrigação dos
crentes lutar numa guerra, que foi iniciada contra eles, até que a vitória
absoluta seja alcançada. Esta regra se aplica somente quando a guerra foi
iniciada contra o Islam, a religião e os fiéis. Nenhuma pressão será
exercida sobre aqueles pessoas que não crêem. O Alcorão proíbe
terminantemente isto e diz quais são os casos onde uma luta pode começar:
"Deus nada vos proíbe, quanto àqueles que não vos combateram pela causa da
religião e não vos expulsaram dos vossos lares, nem que lideis com eles com
gentileza e equidade, porque Deus aprecia os equitativos. Deus vos proíbe
tão-somente entrar em privacidade com aqueles que vos combateram na
religião, vos expulsaram de vossos lares ou que cooperam na vossa expulsão.
Em verdade, aqueles que entrarem em privacidade com eles serão iníquos."
(Alcorão 60:8-9)
A disputa entre os crentes provoca "fitnah"
Deus diz que se os crentes não se tornarem seus próprios protetores e
guardiães, isto significará "fitnah" na terra:
"Quanto aos incrédulos, são igualmente protetores uns dos outros; e se vós
não o fizerdes (protegerdes uns aos outros), haverá intriga e grande
corrupção sobre a terra." (Alcorão 8:73)
Os fiéis evitam causar opressão e se mantêm afastados de qualquer
comportamento que possa provocá-la. No entanto, algumas condutas dos
crentes, embora não intencionais, podem provocar opressão.
Como citado no Capítulo "Os Espólios", versículo 73, acima, se os crentes
não se tornarem protetores e guardiães uns dos outros, e se eles disputarem
entre si, haverá tumulto e opressão sobre a terra. Neste caso, os crentes
serão responsáveis pela opressão (fitnah), portanto, eles devem se esmerar
no papel de protetores e guardiães uns dos outros.
Casos de "fitnah"
Deus, o Criador de todos os homens, ensina, detalhadamente, como os crentes
devem agir sobre a terra. Se uma pessoa se submete aos seus próprios
desejos, isto quer dizer que esta pessoa prefere atender a seus desejos e
expectativas pessoais do que à Vontade de Deus, se descuidando, portanto.
Consequentemente, ela faz o que não é permitido por Deus e se torna um
negligente, o que trará grande sofrimento e luta.
Embora Deus cite que os bens da terra não são permanentes e que aqui é
somente um lugar de teste, aquela pessoa toma a terra como o "lugar
verdadeiro" e rejeita a vida após a morte.
Aquele que não age conforme o Alcorão vive para os bens terrenos e se
esquece que tudo foi criado para servir de prova. No versículo abaixo, Deus
diz que os bens e os filhos são meios de prova.
"Em verdade, os vossos bens e os vossos filhos são uma mera tentação. Mas
sabei que Deus vos reserva uma magnífica recompensa." (Alcorão 64:15)
Embora haja outras palavras com o significado de "prova, teste", em árabe a
palavra "fitnah" é usada nestes versículos. Algumas pessoas esquecendo do
objetivo verdadeiro de suas existências sobre a terra e de suas obrigações
acham que certamente se casarão, terão filhos e possuirão bens e muito mais
além disso. Muitas pessoas, mesmos os fiéis, não prestam a devida atenção e
se casam, fazem dinheiro e se cercam de bens e filhos, como se estivessem
cumprindo os mandamentos de Deus.
Por exemplo, o caso dos filhos também é citado no Alcorão e a prece de Imram
é mostrada como um exemplo para este caso:
"Recorda-te de quando a mulher de Imram disse: ó Senhor meu, é certo que
consagrei a ti, integralmente, o fruto do meu ventre; aceita-o, porque és o
Oniouvinte, o Sapientíssimo." (Alcorão 3:35)
O Alcorão menciona preces semelhantes de alguns profetas e que nos conduz
para o caminho verdadeiro:
"Então, Zacarias rogou ao seu Senhor, dizendo: ó Senhor meu, concede-me uma
ditosa descendência porque és Exorável, por excelência." (Alcorão 3:38)
Ou então, a prece de Abraão:
"Ó Senhor nosso, permite que nos submetamos a Ti e que surja, da nossa
descendência, uma nação submissa à Tua vontade. Ensina-nos os nossos ritos e
absolve-nos, pois Tu és o Remissório, o Misericordiosíssimo." (Acorão 2:128)
Os bens e as posses que uma pessoa possui é por Misericórdia de Deus e lhe
será benéfico depois da morte, se usado de acordo com a vontade de Deus e
por conta da religião. Caso contrário, eles são "fitnah" e conduzirão ao
extravio. Com relação ao comando de Deus sobre os bens e as riquezas, os
fiéis tomam o profeta Salomão como um exemplo para eles mesmos e não evitam
ter posses, mas as recebem, porque vêm de Deus:
"Um dia, ao entardecer, apresentaram-lhe uns briosos corcéis. Ele disse: Em
verdade, amo o amor ao bem, com vistas à menção do meu Senhor. Permaneceu
admirando-os, até que (o sol) se ocultou sob o véu (da noite). (Então,
ordenou): Trazei-os a mim! E se pôs a acariciar-lhes as patas e os
pescoços." (Alcorão 38:3l-33)
A menos que o objetivo seja agradar a Deus, fazer filhos se comportarem de
acordo com os seus próprios desejos, propondo alguns falsos pretextos,
levará a pessoa a "fitnah".
Deus adverte o fiel sobre as posses e os filhos no Alcorão e nos diz para
termos cuidado:
"Ó fiéis, que os vossos bens e os vossos filhos não vos alheiem da
recordação de Deus, porque aqueles que tal fizerem, serão desventurados."
(Alcorão 63:9)
As posses e os filhos não lhe serão de serventia alguma na vida depois da
morte:
"Perante Deus, de nada lhes valerão os seus bens, nem os seus filhos e serão
os condenados ao inferno, no qual permanecerão eternamente." (Alcorão 58:17)
Opressão, tortura e obrigação
O Alcorão define opressão, tortura e obrigação como "fitnah".
"Porém, salvo uma parte do seu povo, ninguém acreditou em Moisés por temor
de que o Faraó e seus chefes os oprimissem, porque o Faraó era um déspota na
terra; era um dos transgressores." (Alcorão 10:83)
"Sabei que aqueles que perseguem os fiéis e as fiéis e não se arrependem,
sofrerão a pena do inferno, assim como o castigo do fogo." (Alcorão 85:10)
"Não julgueis que a convocação do Mensageiro, entre vós, é igual à
convocação mútua entre vós, pois Deus conhece aqueles que, dentre vós, se
esquivam furtivamente. Que temam, aqueles que deseobedecem às ordens do
Mensageiro, que lhes sobrevenha uma provação ou lhes açoite um doloroso
castigo." (Alcorão 24:63)
"Incitamos-te a que julgues entre eles, conforme o que Deus revelou; e não
sigas seus caprichos e guarda-te de que te desviem de algo concernente ao
que Deus te revelou. Se te refutarem, fica sabendo que Deus os castigará por
seus pecados, porque muitos homens são depravados." (Alcorão 5:49)
Nos versículos do Alcorão, abaixo, vemos que, quando os fiéis pedem para
livrá-los da opressão dos infiéis, mencionam "fitnah":
"Disseram: A Deus nos encomendamos! ó Senhor nosso, não permitas que
fiquemos afeitos à fúria dos iníquos." (Alcorão 10:85)
O Alcorão também define aflição, desastres e catástrofes como "fitnah":
"Não reparam, acaso, que são tentados uma ou duas vezes por ano? Porém, não
se arrependem, nem meditam." (Alcorão 9:126)
AS DUAS CARACTERÍSTICAS DA ALMA
Quando lemos no Alcorão a respeito da natureza do homem, frequentemente
encontramos o termo "alma". Alma, em árabe é "nefs" e significa o "eu", "a
personalidade".
O Alcorão diz que a alma do homem tem dois lados: um que governa o mal e o
outro que cuida de evitar este mal. O capítulo "O Sol" diz o seguinte:
"Pela alma e por Quem a aperfeiçoou, e lhe imprimiu o discernimento entre o
que é certo e o que é errado, que será venturoso quem a purificar (a alma),
e desventurado quem a corromper." (Alcorão 91:7-10)
A informação contida nos versículos acima é de suma importância. Quando
criou o homem, Deus inspirou o discernimento para o errado. Errado, isto é,
"fucur" em árabe, quer dizer "romper os limite do certo". No sentido
religioso, quer dizer: "experimentar o pecado e se rebelar, mentira,
desobediência, transgressão, adultério, corrupção moral, etc."
Conforme citado nos versículos acima, Deus inspira o discernimento entre o
bem e o mal. A pessoa que admite o mal em sua alma e que o impede,
obedecendo à inspiração de Deus, e purifica sua alma, será salva. Receber a
vontade de Deus, Sua Misericórdia e Seu Paraíso é a única forma para se
alcançar a salvação, ao passo que a pessoa que esconde sua alma e não a
purifica do mal que nela existe, será levado para a corrupção. Esta
corrupção é a maldição de Deus e o fim é o inferno.
Neste ponto, vemos uma consequência importante: há um lado mau em cada alma
humana. A única forma de se purificar deste mal é aceitar o que Deus ordena
e impedir que este mal encontre abrigo dentro de nós.
Uma das mais importantes diferenças entre os crentes e os incrédulos aparece
justamente aqui. Uma pessoa sabe, e aceita, que sua alma tem um lado mau e
que ela precisa impedí-lo com atitudes morais e com os conhecimentos por ela
adquiridos do Islam. Um dos maiores aspectos da religião, e do mensageiro
que comunica esta religião, é revelar a existência do mal na alma e a forma
de purificá-la. O Capítulo 2:87 assim se dirige aos judeus: ".Cada vez que
vos era apresentado um mensageiro, contrário aos vossos interesses, vós vos
ensoberbecíeis! Desmentíeis uns e assassináveis outros." Os infiéis abrigam
o mal em suas almas e não aceitam o que a religião verdadeira lhe traz, nem
a pessoa que a revela, porque contrariam seus próprios interesses. Tais
pessoas não conseguem purificar suas almas, antes pelo contrário, abrigam
este mal e o mantém lá, conforme mencionado nos versículos.
Portanto, podemos dizer que os infiéis acatam o mal que existe em suas almas
e assim, não têm uma consciência verdadeira. É, de alguma forma, uma vida
instintiva. Neste caso, todos os comportamentos e pensamentos são ditados
pelos instintos emanados do mal existente na alma. Esta é uma das razões
pelas quais o Alcorão define os infiéis como "animais".
Diferentemente dos infiéis, os crentes conhecem Deus, temem-No e evitam
desobedecer às Suas regras. Por isto, os crentes não obedecem àquele lado
mal de suas almas, mas o enfrentam, conforme Deus ordena. No Capítulo 12,
versículo 53, José diz: "Porém, eu não me escuso, porquanto o ser é propenso
ao mal, exceto aqueles de quem o meu Senhor se apiada, porque o meu Senhor é
Indulgente, Misericordiosíssimo." Este versículo nos ensina como devemos
pensar: o crente deve ser cuidadoso e ter em mente que sua alma tentará
desviá-lo do verdadeiro caminho.
Até agora, lemos sobre o lado "mau" da alma. Dentro do mesmo versículo vimos
que também é inspirado à alma impedir o mal. Este lado da alma, que guia o
homem para Deus e para as verdades da religião e para as boas ações, é
comumente chamado de espírito.
Contudo, o sentido que o Alcorão dá para espírito é muito diferente do
sentido comumente conhecido. O significado para espírito mais comumente
conhecido, inclui somente o dar aos pobres ou apoiar os direitos dos
animais, ou amar os animais, etc. Contudo, o espírito do crente faz com que
ele obedeça às regras determinadas pelo Alcorão. É o espírito que o capacita
a compreender os conceitos mencionados no Alcorão de um modo genérico.
O Alcorão, por exemplo, orienta os crentes a gastarem de seus bens mais do
que o necessário. É claro que cada pessoa define esse "mais do que
necessário". Uma pessoa desprovida de um espírito forte não concordará com
esse mandamento de Deus e, portanto, será incapaz de agradá-Lo.
O crente faz muitas escolhas durante a sua vida. Entre as alternativas que
se lhe apresentam, ele é obrigado a escolher aquela que está mais de acordo
com a vontade de Deus e aquela que é mais benéfica para a sua religião.
Quando ele faz sua escolha, em primeiro lugar ele se volta para dentro de
seu espírito, que lhe dirá o que mais agrada a Deus. Em segundo lugar, seus
interesses particulares estarão envolvidos e tentarão desviá-lo para outras
alternativas. Então, a alma lhe susurra as razões e as desculpas adequadas.
O Alcorão, em muitos versículos, chama nossa atenção para essas "desculpas":
"Neste dia, a escusa dos iníquos de nada lhes valerá, nem serão resgatados."
(Alcorão 30:57)
"(Será) o dia em que aos iníquos de nada valerão as suas escusas, senão que
receberão a maldição, e terão a pior morada." (Alcorão 40:52)
O crente não deve dar ouvidos a esta espécie de desculpas e sim ao que o seu
espírito lhe diz para fazer. Os exemplos dados no Alcorão, com relação ao
espírito dos crentes, nos leva a pensar sobre a questão. No caso do crente
que está preocupado porque não encontra um meio de lutar contra, o Alcorão
diz em um dos versículos:
"Estão isentos: os inválidos, os enfermos, os baldos de recursos, sempre que
sejam sinceros para com Deus e Seu Mensageiro.. Não há motivo de queixa
contra os que fazem o bem, e Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo. Assim
como foram considerados (isentos) aqueles que se apresentaram a ti, pedindo
que lhes arranjasses montaria, e lhes dissestes: Não tenho nenhuma para
proporcinar-vos; voltaram com os olhos transbodantes de lágrimas, por pena
de não poderem contribuir." (Alcorão 9:91-92)
Lutar contra os inimigos pode parecer muito perigoso. A pessoa que começa
lutando (numa guerra) sabe que pode morrer ou se ferir. Não obstante, o
crente quer lutar pela causa de Deus e fica triste quando ele não consegue.
Este é um exemplo notável de espírito, a que se refere o Alcorão.
A alma pode não provocar o extravio do crente num primeiro momento, mas
tenta sempre desviá-lo da religião, sugerindo compensações menores. Por
exemplo, ela tenta induzi-lo a adiar alguma coisa que ele teria que fazer
pela causa de Deus. Apresentando algumas razões, a alma tenta abalar a sua
determinação, fazendo algumas pequenas considerações. Neste caso, as
pequenas desculpas da alma são compensadas, seu impacto se torna maior e
pode, mesmo, levar o homem a abandonar sua crença em Deus. O fiel é obrigado
a se comportar de acordo com os mandamentos de Deus em cada caso, e não de
acordo com sua alma, anulando os desejos egoístas de sua alma. Diz o
Alcorão:
"Temei, pois, a Deus, tanto quanto possais. Escutai-O, obedecei-Lhe e fazei
a caridade, que isso será preferível para vós! Aqueles que se preservarem da
avareza serão os bem-aventurados." (Alcorão 64:16)
Neste versículo, os fiéis são orientados a temer a Deus, a obedecê-Lo, a
ouvir Seus conselhos e a gastar por conta Dele, uma vez que isto salva a
pessoa "dos desejos egoistas da sua alma" e o possibilita alcançar a
verdadeira bem-aventurança. Um outro versículo a respeito deste assunto, é o
que se segue:
"Ao contrário, quem tiver temido o comparecimento ante o seu Senhor e tiver
refreado em relação à luxúria, terá o Paraíso por abrigo." (Alcorão
79:40-41)
A alma de uma pessoa que evita os desejos egoístas e, dessa forma a purifica
e obtém a satisfação de Deus, e o Paraíso, é chamada, no Alcorão, de "alma
em completa paz e satisfação."
"E tu, ó alma em paz, retorna ao teu Senhor, satisfeita (com Ele) e Ele
satisfeito (contigo). Entra no número de Meus servos! E entra no Meu
jardim!" (Alcorão 89:27-30)
Se, pelo contrário, uma pessoa só atende aos desejos egoístas de sua alma e
inicia sua vida depois da morte sem a ter purificado, será tomada por um
profundo arrependimento e não usufruirá de qualquer benefício. As almas
arrependidas e autopunitivas de bilhões de infiéis, que viveram ignorando a
necessidade de purificação de suas almas, comporão uma terrível e
desagradável visão. Esta é a grande e inevitável realidade que espera os
infiéis. Portanto, Deus chama para testemunhar "o espírito autopunitivo",
logo após o Dia da Ressureição.
"Juro, pelo Dia da Ressurreição, e juro pela alma que reprova a si mesma."
(Alcorão 75:1-2)
VALORIZAR OS DESEJOS E PAIXÕES
Na parte anterior, analisamos o termo "alma" e vimos que ela tem dois
aspectos, e que Deus inspirou tanto o mal quanto os meios de evitá-lo. No
Alcorão, a palavra original em árabe, que é mais usada para indicar este
lado da alma, é "hewa". "Hewa" é definida como "desejo, paixão, desejo
sexual, luxúria e todos os agentes interiores negativos que arruinam o
homem".
Os infiéis tomam este lado mau e negativo da alma como seu único guia e
objetivo de vida. Toda a sua vida é organizada no sentido de satisfazer a
seus desejos e paixões. Consequentemente, eles não são capazes de
compreender as questões intrínsecas da religião. O Alcorão diz que tais
pessoas são prisioneiras de suas paixões e, por isso, não compreendem a
mensagem nele contida, nem o que os mensageiros dizem:
"E, entre eles, há os que te escutam e, ao se retirarem da tua assembléia,
dizem, àqueles que foram agraciados com a sabedoria: Que é que foi dito
agora? Tais são os que têm os seus corações sigilados por Deus, porque se
entregam às suas luxúrias." (Alcorão 47:16)
A pessoa que não purifica este aspecto mau de sua alma, tê-la-á sempre como
guia, em qualquer condição. Os desejos e paixões serão o critério pelo qual
ela decidirá o que é certo e o que é errado. Assim, a luxúria será a "qibla"
de seu coração. Consequentemente, aquela pessoa adorará somente sua própria
alma, sua própria personalidade. No Alcorão, o mais elevado grau de tal
condição é "tomar seus desejos como seu deus".
"Não tens reparado naquele que idolatrou a sua concupiscência! Deus
extraviou-o com conhecimento, sigilando os seus ouvidos e o seu coração, e
cobriu a sua visão. Quem o iluminará, depois de Deus(tê-lo desencaminhado)?
Não meditais, pois?" (Alcorão 45:23)
A pessoa que age de acordo com suas paixões e desejos, não será capaz de
pensar e distinguir o certo do errado. Esta é a pessoa a quem o Alcorão se
refere como sendo aquela que "não pode ver nem ouvir", ao passo que o
muçulmano sábio tem a compreensão suficiente para discriminar o certo do
errado. Há muitos versículos no Alcorão que falam sobre as pessoas e as
comunidades que perderam essa compreensão, porque elas obedeceram tão
somente às suas paixões, e, por isso, foram desencaminhadas:
"Dize-lhes: Ó adeptos do Livro, não exagereis em vossa religião, profanando
a verdade, nem sigais o capricho daqueles que se extravairam anteriormente,
desviaram muitos outros e se desviaram da verdadeira senda!" (Alcorão
5:77)"Dize: Tem-me sido vedado adorar os que invocais em vez de Deus. Dize
(mais: Não seguirei a vossa luxúria; porque se o fizer, desviar-me-ei e não
me contarei entre os encaminhados." (Alcorão 6:56)
"E que vos impede de desfrutardes de tudo aquilo sobre o qual foi invocado o
nome de Deus, uma vez que Ele já especificou tudo quanto proibiu para vós,
salvo se vos fordes obrigados a tal? Muitos se desviam, devido à luxúria,
por ignorância; porém, teu Senhor conhece os transgressores." (Alcorão
6:119)
"Deste modo to temos revelado, para que seja um código de autoridade, em
língua árabe. E se te renderes às tuas concupiscências, depois de teres
recebido a ciência, não terás protetor, nem defensor, em Deus." (Alcorão
13:37)
"Não tens reparado em quem toma por divindade os seus desejos? Ousarias
advogar por ele?" (Alcorão 25:43)
"Ó fiéis, sede firmes em observardes a justiça, atuando de testemunhas, por
amor a Deus, ainda que o testemunho seja contra vós mesmos, contra os vossos
pais ou contra os vossos parentes, seja o acusado rico ou pobre, porque a
Deus incumbe protegê-los. Portanto, não sigais os vossos caprichos, para não
serdes inustos; e se falseardes o vosso testemunho ou vos recuaardes a
prestá-lo, sabei que Deus está bem inteirado de tudo quanto fazeis."
(Alcorão 4:135)
"Porém, os iníquos se entregam nesciamente às suas luxúrias; mas quem poderá
encaminhar aqueles que Deus tem deixado que se desviem? Esses jamais terão
socorredores!" (Alcorão 30:29)
"Que não te seduza aquele que não crê (a Hora) e se entrega à
concupiscência, porque perecerás!" (Alcorão 20:16)
"E se a verdade tivesse satisfeito os seus interesses, os céus e a terra,
com tudo quanto encerram, transformar-se-iam num caos. Qual! Enviamos-lhes a
Mensagem e assim mesmo a desdenharam." (Alcorão 23:71)
"Em verdade, revelamos-te o Livro corroborante e preservador dos anteriores.
Julga-os, pois, conforme o que Deus revelou e não sigas os seus caprichos,
desviando-te da verdade que te chegou. A cada um de vós temos ditado uma lei
e uma norma; e se Deus quisesse, teria feito de vós uma só nação; porém,
fez-vos como sois, para testar-vos quanto àquilo que vos concedeu.
Emulai-vos, pois, na benevolência, porque todos vós retornareis a Deus, o
Qual vos inteirará das vossas divergências. Incitamos-te a que julques entre
eles, conforme o que Deus revelou; e não sigas os seus caprichos e guarda-te
de que te desviem de algo concernente ao que Deus te revelou. Se te
refutarem, fica sanbendo que Deus os castigará por seus pecados, porque
muitos homens são depravados." (Alcorão 5:48-49)
Aquele que segue a luxúria e os desejos fúteis torna-se um cego. Esta
espécie de gente caminha para o seu próprio desastre. A fonte da palavra
"hewa", traduzida por "paixões, luxúria e desejos fúteis", também significa
fogo e opressão, o que é considerável.
ESPÍRITO E ALMA
E tu, ó alma em paz, retorna ao teu Senhor, satisfeita (com Ele) e Ele
satisfeito (contigo)! (Alcorão 89:27-28)
Sabemos que a alma tem dois aspectos diferentes, conforme mencionado no
Alcorão: um, onde os desejos egoístas e as paixões afastam o homem do
caminho de Deus, e o outro, que o leva a Ele e à retidão da religião,
tornando-o imune ao mal. Este aspecto da alma é chamado de espírito. A fonte
do espírito é o sopro divino vindo de Deus. Na Surata "A Prostração",
encontramos o seguinte:
"Que aperfeiçoou tudo o que criou e iniciou a criação do primeiro homem de
barro. Então, formou-lhe uma prole da essência de sêmem sutil. Depois o
modelou; então, alentou-o com o Seu Espírito. Dotou a todos vós da audição,
da visão e das vísceras. Quão pouco Lhe agradeceis!" (Alcorão 32:7-9)
Quando o homem obedece ao seu espírito, ele recebe alguns dos atributos de
Deus e comeca a ter a moral que o Alcorão ensina e que é semelhante a de
Deus. Deus é o mais Misericordioso; e o fiel, que se submete a Deus, também
é misericordioso. O crente que adora a Deus será um sábio também. Depende de
quão próxima a pessoa está de Deus e o quanto ela se submete a Ele, para ser
dotada da mais elevada moralidade e se tornar "a melhor das criaturas".
(Alcorão 98:7)
Enquanto os desejos convidam o homem para o mal, o seu espírito sempre o
chama para o bem. Não há exceção, seu espírito sempre o convoca para o
caminho certo, sejam quais forem as condições. Se a pessoa responde a este
"chamado de Deus" e age inteiramente de acordo com os princípios básicos
mencionados no Alcorão, ele progredirá sempre no caminho reto.
Na verdade, todos os critérios do Alcorão estão de acordo com a alma do ser
humano. Os dois versículos seguintes mostram isto:
"Porém, os iníquos se entregam nesciamente às suas luxúrias; mas quem
poderá encaminhar aqueles que Deus tem deixado que se desviem? Esses jamais
terão socorredores! Volta o teu rosto para a religião monoteísta. É a obra
de Deus, sob cuja qualidade inata Deus criou a humanidade. A criação feita
por Deus é imutável. Esta é a verdadeira religião; porém, a maioria dos
humanos o ignora." (Alcorão 30:29-30)
De acordo com o mencionado acima, os infiéis se desviam porque obedecem ao
lado errado de suas almas. Os crentes, pelo contrário, devem obedecer à
religião que Deus revelou. Esta religião está de acordo com os padrões do
ser humano, ou seja, de acordo com o espírito que Deus nos alentou.
CORAÇÃO, SABEDORIA E INTELIGÊNCIA
Sabemos que há dois diferentes aspectos no ser humano, ou seja, a luxúria e
a alma. Neste ponto, os conceitos de sabedoria e não-sabedoria têm grande
importância. O Alcorão nos diz que obedecer às paixões leva à não-sabedoria,
enquanto que a obediência à alma traz sabedoria.
Conforme citamos antes, a pessoa que obedece aos seus desejos, esquece-se de
Deus e, em muito pouco tempo, perde sua sabedoria. Quando se refere aos
infiéis, o Alcorão afirma que "eles são um povo destituído de sabedoria"
(Alcorão 59:14). De início, este processo pode não ser muito bem entendido,
porque muitos acham que cada pessoa tem um grau mínimo de sabedoria e que
este grau não varia. Isto é um equívoco, porque confunde sabedoria com
inteligência. Contudo, sabedoria e inteligência são conceitos totalmente
diferentes. Todo mundo pode ser inteligente, no entanto, somente os crentes
são dotados de sabedoria.
A sede da sabedoria, a que se refere o Alcorão, é o "coração". O Alcorão
fala sobre "os corações que aprendem a sabedoria". Portanto, a verdadeira
sabedoria está muito além da inteligência, que nada mais é do que uma função
do cérebro. A sabedoria está colocada no coração, juntamente com a alma. Os
versículos no Alcorão mencionam que o sentido da sabedoria é encontrado no
coração e as pessoas destituídas de sabedoria não podem entender porque seus
corações eatão selados:
"Não percorreram eles a terra, para que seus corações verificassem o
ocorrido? Talvez possam, assim, ouvir e raciocianr! Todavia, a cegueira não
é a dos olhos, mas a dos corações, que estão em seus peitos!" (Alcorão
22:46)
"Temos criado para o inferno numerosos gênios e humanos com corações com
os quais não compreendem, olhos com os quais não vêem, e ouvidos com os
quais não ouvem. São como as bestas, quiçá pior, porque são displicentes."
(Alcorão 7:179).
Preferiram ficar com os incapazes e seus corações foram sigilados; por
isso não compreendem." (Alcorão 9:87)
"E sigilamos os seus corações para que não o compreendessem, e
ensurdecemos os seus ouvidos. E, quando, no Alcorão, mencionas unicamente
teu Senhor, voltam-te as costas desdenhosamente." (Alcorão 17:46)
Algumas pessoas têm o coração que é o centro da sabedoria, o que não
acontece com outras. O Alcorão observa que somente as pessoas que "têm
coração" é que estão atentas e crêem.
"Em verdade, nisso há uma mensagem para aquele que tem coração, que
escuta atentamente e é testemunha (da verdade)." (Alcorão 50:37)
Portanto, a sabedoria mencionada no Alcorão está diretamente relacionada com
o coração e a alma. O ponto interessante é que a sabedoria pode tanto
aumentar como diminuir. A menos que haja uma doença importante, o grau de
inteligência é constante na pessoa. Contudo, o mesmo não se aplica à
sabedoria, porque ela tanto cresce como diminui. E isto está diretamente
relacionado com a alma da pessoa. Se sua alma se fortalece e teme a Deus,
esta pessoa aumenta o seu nível de compreensão capaz de lhe permitir o
discernimento do certo e do errado. Este ponto absolutamente metafísico está
citado nos versículos do Alcorão, abaixo:
Ó fiéis, se temerdes a Deus, Ele vos concederá discernimento, apagará os
vossos pecados e vos perdoará, porque Ele é Agraciante por excelência."
(Alcorão 8:28)
Ao passo que a pessoa que não teme a Deus, falta-lhe o "critério para julgar
entre o certo e o errado". Tal pessoa pode, na verdade, ser muito
inteligente, um físico de renome, um sociólogo ou qualquer outra coisa; ele
pode criar muitas saídas inteligentes, mas, falta-lhe o espírito verdadeiro,
e, portanto, a verdadeira sabedoria. Se fôr um cientista admirável, ele pode
até revelar os mistérios desconhecidos do corpo humano. Mas, não possui o
espírito e a compreensão para conceber o Criador daquele corpo. Tal pessoa
começa por se louvar, ao invés de se voltar a Deus para louvá-Lo. Ele "toma
por seu deus suas paixões e Deus, intencionalmente, permite que ele se
extravie". E seu coração está selado.
Não tens reparado naquele que idolatrou a sua concupiscência! Deus
extraviou-o com conhecimento, sigilando os seus ouvidos e o seu coração, e
cobriu a sua visão. Quem o iluminará, depois de Deus (tê-lo desencaminhado)?
Não meditais, pois?" (Alcorão 45:23)
"Que são fiéis e cujos corações sossegam com a recordação de Deus. Não
é, acaso, certo, que à recordação de Deus sossegam os corações?" (Alcorão
13:28)
O coração dos infiéis é definido nos versículos abaixo:
"Deus selou os seus corações e os seus ouvidos; seus olhos estão velados
e sofrerão um severo castigo." (Alcorão 2:7)
"E também se distinguissem os hipócritas, aos quais foi dito: Vinde
lutar pela causa de Deus, ou defender-vos. Disseram: Se soubéssemos
combater, seguir-vos-íamos! Naquele dia, estavam mais perto da incredulidade
do que da fé, porque diziam, com as suas bocas, o que não sentiam os seus
corações. Porém, Deus bem sabe tudo quanto ocultam." (Alcorão 3:167)
O conceito de "corações para compreender", e o fato de que os olhos do
coração podem se tornar cegos, testemunham que, compreender e conceber, são
funções importantes do coração e não do cérebro. E a sabedoria é inerente
aos fiéis - por isso, os crentes são chamados de "aqueles que são dotados de
compreensão":
"Que escutam as palavras e seguem o melhor (significado) delas! São
aqueles que Deus encaminha, e são os sensatos." (Alcorão 39:18)
A inteligência é desprovida de critérios de certo e errado e não alcança os
aspectos mais complexos dos acontecimentos, que são atributos da sabedoria.
Por consequência, somente os homens dotados de compreensão podem entender o
Alcorão. Constantemente os versículos mencionam que o homem destituído de
entendimento não pode perceber o verdadeiro sentido da mensagem do Alcorão:
"Ele concede sabedoria a quem Lhe apraz e todo aquele que for agraciado
com ela, sem dúvida terá logrado um imenso bem; porém, salvo os sensatos,
ninguém o compreende." (Alcorão 2:269)
A inteligência não ajuda na avaliação e recordação da mensagem, nem no
discernimento do certo e do errado. Uma pessoa inteligente pode criar um
fato científico, ser um homem de negócios vitorioso ou um político. A
questão importante é que ele faz o que faz sem qualquer juízo de valor sobre
os benefícios ou prejuízos de seus atos - como um computador. Ele não tem
resposta para os acontecimentos que ouviu de muitos, como se fosse cego.
Este fato confirma os versículos que dizem que este tipo de gente é cega e
surda e não tem compreensão. Portanto, a declaração de que ".seus corações
estão selados e por isso não compreendem nada" é um exemplo fundamental, que
indica a importância do coração para o entendimento.
"Preferiram ficar com os incapazes e seus corações foram sigilados; por
isso não compreendem." (Alcorão 9:87)
A razão mais importante para que o coração se torne destituído de
compreensão é aquela que o leva a tomar, como seu deus, as paixões e
desejos. Assim, haverá um selo sobre este coração, que perderá completamente
sua capacidade de entendimento, e não será capaz de ouvir ou conceber
coisas. Uma pessoa nessas condições jamais será um sábio, a menos que Deus
assim o deseje:
"Não tens reparado naquele que idolatrou a sua concupiscência! Deus
extraviou-o com conhecimento, sigilando os seus ouvidos e o seu coração e
cobriu a sua visão. Quem o iluminará, depois de Deus (tê-lo desencaminhado)?
Não meditais, pois?" (Alcorão 45:23)
O Alcorão, em inúmeros outros versículos, menciona a relação entre o coração
e o comportamento humano, conforme mostrado a seguir:
A intercessão de Deus entre o homem e o seu coração
"Ó fiéis, atendei a Deus e ao Mensageiro, quando ele vos convocar à
salvação. E sabei que Deus intercede entre o homem e o seu coração, e que
sereis congregados ante Ele." (Alcorão 8:24)
A afeição nos corações
"E foi Quem conciliou os seus corações. E ainda que tivesses despendido
tudo quanto há na terra, não terias conseguido conciliar os seus corações;
porém, Deus o conseguiu, porque é Poderoso, Prudentíssimo." (Alcorão 8:63)
"E apegai-vos, todos, ao vínculo com Deus e não vos dividais;
recordai-vos das mercês de Deus para convosco, porquanto éreis adversários
mútuos e Ele conciliou os vossos corações e, mercê de Sua graça, vos
convertestes em verdadeiros irmãos; e quando estivestes à beira do abismo
infernal, (Deus) dele vos salvou. Assim, Deus vos elucida os Seus
versículos, para que vos ilumineis." (Alcorão 3:103)
Penetrar os corações
"E quando aceitamos o vosso compromisso e elevamos o Monte acima de vós,
dizendo-vos: Recebei com firmeza tudo quanto vos concedermos e escutai!,
disseram: Já escutamos, porém nos rebelamos! E, por sua incredulidade,
imbuíram os seus corações com a adoração do bezerro. Dize-lhes: Quão
destestável é o que vossa crença vos inspira, se é que sois fiéis!" (Alcorão
2:93)
A piedade nos corações
"Tal será. Contudo, quem enaltecer os símbolos de Deus, saiba que tal
(enaltecimento) partirá de quem possuir piedade nos corações." (Alcorão
22:32)
A conquista dos corações
"As esmolas são tão-somente para os pobres, para os necessitados, para
os funcionários empregados em sua administração, para aqueles cujos
Anonymous
14-05-2003, 20:04
continuação ....
A conquista dos corações
"As esmolas são tão-somente para os pobres, para os necessitados, para
os funcionários empregados em sua administração, para aqueles cujos corações
têm de ser conquistados, para a redenção dos escravos, para os endividados,
para a causa de Deus e para o viajante; isso é um preceito emanado de Deus,
porque é Sapiente, Prudentíssimo." (Alcorão 9:60)
A paz dos corações
"Que são fiéis e cujos corações sossegam com a recordação de Deus. Não
é, acaso, certo, que à recordação de Deus sossegam os corações?" (Alcorão
13:28)
"Tornaram a dizer: Desejamos desfrutar dela, para que os nossos corações
sosseguem e para que saibamos que nos tens dito a verdade, e para que
sejamos testemunas disso." (Alcorão 5:113)
"Os fiéis que praticam o bem e se humilham ante seu Senhor serão os
diletos do Paraíso, onde morarão enternamente." Alcorão11:23)
"Quanto àqueles que receberam a ciência, saibam que ele (o Alcorão) é a
verdade do teu Senhor; que creiam nele e que seus corações se humilhem ante
ele, porque Deus guia os fiéis até à senda reta." (Alcorão 22:54)
"Deus não o fez senão como anúncio para vós, a fim de sossegar os vossos
corações. Sabei que o socorro só emana de Deus, o Poderoso, o
Prudentíssimo." (Alcorão 3:126)
Os corações que se firmam
"E tudo o que te relatamos, da história dos mensageiros, é para se
firmar o teu coração. Nesta (surata) chegou-te a verdade, e a exortação e a
mensagem para os fiéis." (Alcorão 11:120)
Corações que estão vazios (vazio nos corações)
"Correndo a toda a brida, com as cabeças hirtas, com os olhares
inexpressivos e os corações vazios." (Alcorão 14:43)
Infundir o terror nos corações
"Infundiremos terror nos corações dos incrédulos, por terem atribuídos
parceiros a Deus, sem que Ele lhes tivesse conferido autoridade alguma para
isso. Sua morada será o fogo infernal. Quão funesta é a morada dos iníquos!"
(Alcorão 3:151)
Corações repletos de repulsa e horror
"E quando é mencionado Deus, o Único, repugnam-se os corações daqueles
que não crêem na outra vida; não obstante, quando são mencionados outras
divindades, em vez d'Ele, ei-los que se regozijam!" (Alcorão 39:45)
Corações que se inclinam
"Que lhes prestem atenção os corações daqueles que não crêem na vida
futura; que se contentem com eles, e que lucrem o que quiserem lucrar."
(Alcorão 6:113)
Angústias e arrependimentos nos corações
"Ó fiéis, não sejais como os incrédulos, que dizem de seus irmãos,
quando estes viajam pela terra ou quando estão em combate: Se tivessem
ficado conosco, não teriam morrido, nem sido assassinados! Com isso, Deus
infunde-lhes angústia nos corações, pois Deus concede a vida e a morte, e
Deus bem vê tudo quanto fazeis." (Alcorão 3:156)
Falar o que o coração não sente
"E também se distinguissem os hipócritas, aos quais foi dito: Vinde
lutar pela causa de Deus, ou defender-vos. Disseram: Se soubéssemos
combater, seguir-vos-íamos! Naquele dia, estavam mais perto da incredulidade
do que da fé, porque diziam, com as suas bocas, o que não sentiam os seus
corações. Porém, Deus bem sabe de tudo quanto ocultam." (Alcorão 3:167)
Manter segredos no coração
"São aqueles, cujos segredos dos corações Deus bem conhece. Evita-os,
porém exorta-os e fala-lhes com palavras que invadam os seus ânimos."
(Alcorão 3:63)
Despedaçar os corações
"A construção dela não cessará de ser causa de dúvidas em seus corações,
a menos que seus corações se depedacem. Sabei que Deus é Sapiente,
Prudentíssimo." (Alcorão 9:110)
Desviar corações
"(Que dizem:) Ó Senhor nosso, não desvies os nossos corações, depois de
nos teres iluminado, e agracia-nos com a tua misericórdia, porque Tu és o
Munificente por excelência." (Alcorão 3:8)
"Sem dúvida que Deus absolveu o Profeta, os migrantes e os socorredores,
que o seguiram na hora angustiosa em que os corações de alguns estavam
prestes a fraquejar. Eles os absolveu, porque é para com eles Compassivo,
Misericordiosíssimo." (Alcorão 9:117)
Corações assemelhados
"Os néscios dizem: 'Por que Deus não fala conosco, ou nos apresenta um
sinal?' Assim falaram, com as mesmas palavras, os seus antepassados, porque
os seus corações se assemelham aos deles. Temos elucidado os versículos para
a gente persuadida." (Alcorão 2:118)
Corações que resistem
"Como pode haver (qualquer tratado) quando, se tivessem a supremacia
sobre vós, não respeitariam parentesco nem compromisso? Satisfazem-vos com
palavras, ainda que seus corações as neguem, e sua maioria é depravada."
(Alcorão 9:8)
Fé que não penetra o coração
"Os beduínos dizem: Cremos! Dize-lhes: Qual! Ainda não credes; deveis
dizer: Tornamo-nos muçulmanos, pois que a fé ainda não penetrou vossos
corações. Porém, se obedecerdes a Deus e ao Seu Mensageiro, em nada serão
diminuídas as vossas obras, porque Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo."
(Alcorão 49:14)
Doença no coração
"Em seus corações há morbidez, e Deus os aumentou em morbidez e sofrerão
um castigo doloroso por suas mentiras." (Alcorão 2:20)
"Verás aqueles que abrigam a morbidez em seus corações apressarem-se em
ter intimidades com eles, dizendo: Tememos que nos açoite uma vicissitude!
Oxalá Deus te apresente a vitória ou algum outro desígnio Seu e, então,
arrepender-se-ão de tudo quanto haviam maquinado." (Alcorão 5:52)
"Ele faz das sugestões de Satanás uma prova, para aqueles que abrigam a
morbidez em seus corações e para aqueles cujos corações estão endurecidos,
porque os iníquos estão em cisma distante (da verdade)!" (Alcorão 22:53)
"Apesar disso, os vossos corações se endurecem; são como as rochas, ou
ainda mais duros. De algumas rochas brotam rios e outras se fendem e delas
mana a água, e há ainda outras que desmoronam, por temor a Deus. Mas Deus
não está destanto a tudo quanto fazeis." (Alcorão 2:74)
"Se ao menos quando Nosso castigo os açoitou, se humilhassem. Não
obstante, seus corações se endureceram e Satanás lhes abrilhantou o que
faziam." (Alcorão 6:43)
"Porventura, aquele a quem Deus abriu o coração ao Islam, e está na Luz
de seu Senhor . (não é melhor do que aquele a quem sigilou o coração)? Ai
daqueles cujos corações estão endurecidos para a recordação de Deus! Estes
estão em evidente erro!" (Alcorão 39:22)
Corações sigilados
"(Porém, fizemo-los sofrer as consequências) por terem quebrado o pacto,
por negarem os versículos de Deus, por matarem iniquamente os profetas, e
por dizerem: Nossos corações estão insensíveis! Todavia, Deus lhes obliterou
os corações, por causa de suas perfídias. Em quão pouco acreditam!" (Alcorão
4:155)
"Não meditam, acaso, no Alcorão, ou que seus corações são insensíveis?"
(Alcorão 47:24)
"Não é, porventura, elucidativo para aqueles que herdaram a terra dos
seus antepassados que, se quiséssemos, exterminá-los-íamos por seus pecados
e selaríamos os seus corações para que não compreendessem?" (Alcorão 7:100)
"Deus selou os seus corações e os seus ouvidos; seus olhos estão velados
e sofrerão um severo castigo." (Alcorão 2:7)
"Ó Mensageiro, que não te atribulem aqueles que se digladiam na prática
da incredulidade, aqueles que dizem com suas bocas: Cremos!, conquanto seus
corações ainda não tenham abraçado a fé. Entre os judeus, há os que
escutarão a mentira e escutarão mesmos outros, que não tenham vindo a ti.
Deturpam as palavras, de acordo com a sua conveniência, e dizem (a seus
seguidores): Se vos julgarem, segundo isto (as palavras deturpadas),
aceitai-o; se não vos julgarem quanto a isso, precavei-vos! Porém, a quem
Deus quiser pôr à prova, nada poderás fazer para livrá-lo de Deus. São
aqueles cujos corações Deus não purificará, os quais terão um aviltamento
neste mundo, e no outro sofrerão um severo castigo." (Alcorão 5:41)
"Logo, depois dele, enviamos mensageiros aos seus povos, os quais lhes
apresentaram as evidências; mesmo assim, não creram no que antes haviam
desmentido. Assim, sigilamos os corações dos transgressores." (Alcorão
10:74)
"Tais eram as cidades, de cujas histórias te narramos algo: sem dúvida
que seus mensageiros lhes haviam apresentado as evidências; porém, era
impossível que cressem no que haviam desmentido anteriormente. Assim, Deus
sigila os corações dos incrédulos." (Alcorão 7:101)
"Serão recriminados aqueles que, sendo ricos, pediram-te para serem
eximidos, porque preferiram ficar com os incapazes. Mas, Deus selou suas
mentes, de sorte que não compreendem." (Alcorão 9:93)
"Dize-lhes: Que vos pareceria se Deus, repentinamente, vos privasse da
audição, extinguisse-vos a visão e vos selasse os corações? Que outra
divindade, além de Deus, poderia restaurá-los? Repara em como lhes expomos
as evidências e, não obstante, as desdenham!" (Alcorão 6:46)
Todos os versículos acima, explicitamente admitem que a fé não é algo
completamente físico, mas que está vinculada ao coração. A pessoa cujo
coração não se endureceu ou não foi sigilado, tem um tendência natural para
conhecer Deus e obedecê-Lo. Quando a religião lhe é transmitida, ela percebe
a verdade com o seu coração e imediatamente crê. Por outro lado, em relação
aos incrédulos, o processo é diferente. Seus corações estão mortos e
selados, estão destituídos de sabedoria porque se endureceram. Portanto, não
há a possibilidade de eles crerem. Alguns versículos do Alcorão fazem
referência aos incrédulos que não crêem no que quer que seus olhos vêem, ou
no que seus ouvidos ouvem, ao passo que outros versículos falam do modo como
os fiéis sabem obedecer:
"A palavra provou ser verdadeira sobre a maioria deles, pois que são
incrédulos. Nós sobrecarregaremos os seus pescoços com correntes até ao
queixo, para que andem com as cabeças hirtas. E lhes colocaremos uma
barreira pela frente e uma barreira por trás, e lhes ofuscaremos os olhos,
para que não possam ver. Tanto se lhes dá que os admoestes ou não; jamais
crerão. Admoestarás somente quem seguir a Mensagem e temer intimamente o
Clemente; anuncia a este, pois, uma indulgência e uma generosa recompensa."
(Alcorão 36:7-11)
"Quanto aos incrédulos, tanto se lhes dá que os admoestes ou não os
admoestes; não crerão. Deus selou os seus corações e os seus ouvidos; seus
olhos estão velados e sofrerão um severo castigo." (Alcorão 2:6-7)
"Certamente, tu não poderás fazer os mortos ouvir, nem fazer-te ouvir
pelos surdos (especialmente) quando fogem, como tampouco és guia dos cegos
em seu erro, porque só podes fazer-te escutar por aqueles que crêem nos
Nossos versículos e são muçulmanos." (Alcorão 27:80-81)
Além dos incrédulos, cujos corações se endureceram e, por isso, perderam a
sabedoria, existem também as pessoas que ainda não conhecem a religião, mas
seus corações estão vivos e elas possuem almas. Quando a religião lhes é
transmitida, elas compreendem que a religião é verdadeira e imediatamente
passam a crer em Deus e em Sua religião. O grande contraste entre estes dois
grupos de pessoas, os incrédulos com os corações endurecidos e aqueles que
não conhecem a religião, é que o primeiro é arrogante e o outro grupo é
modesto, simples e humilde. ( Mais adiante, modéstia e arrogância serão
estudadas mais detalhadamente.) Um exemplo pode ser encontrado no Alcorão, a
respeito dos judeus que são arrogantes e pretenciosos e, consequentemente
"seus corações se endureceram" (Alcorão 5:13) e aqueles que são modestos. O
Alcorão declara:
"Constatarás que os piores inimigos dos fiéis, entre os humanos, são os
judeus e os idólatras. Constatarás que, aqueles que estão mais próximos do
afeto dos fiéis, são os que dizem: Somos cristãos!, porque possuem
sacerdotes e não se ensoberbecem de coisa alguma. E, ao escutarem o que foi
revelado ao Mensageiro, tu vês lágrimas a lhes brotarem nos olhos;
reconhecem naquilo a verdade, dizendo: Ó Senhor nosso, cremos! Inscreve-nos
entre os testemunhadores!" (Alcorão 5:82-83)
Quando a religião é transmitida às pessoas que têm uma natureza mais
parecida com a dos crentes, dizem "Senhor Nosso! Ouvimos um pregoeiro que
nos convoca à fé dizendo: Crede em vosso Senhor! E cremos ." (Alcorão
3:193). Quanto aos incrédulos, estes sempre resistem e mostram um
comportamento contrário. Esta profunda diferença se dá porque os membros
desses dois grupos são de naturezas diferentes. Os incrédulos são
destituídos de sabedoria e alma para compreenderem o Alcorão. Conforme
mencionado em muitos versículos, não há necessidade de sentir tristeza
porque eles não crêem. O único objetivo que eles têm em mente é ganhar
sempre mais em prazer: comer mais e gastar mais. Na verdade, são graças
doadas por Deus, mas que somente os crentes apreciam. Os incrédulos somente
se beneficiam da graça que eles conseguem perceber à volta deles - não
compreendem que são graças dadas por Deus somente. Por isso é que eles podem
pensar como uma espécie inteligente de macaco: no final das contas, somente
um macaco, um animal . (Curioso que muitos deles, ao aceitarem a teoria da
evolução de Darwin, se acham membros de uma espécie mais evoluída de
macaco).
O HOMEM SENSATO E OS FATOS QUE ENCOBREM A SABEDORIA
O fato de que a sabedoria tem sua sede no coração, indica que ela é
totalmente metafísica. A sabedoria é dada por Deus e Ele a retira quando Lhe
apraz. (A inteligência também é dada por Deus, mas o nível de inteligência
não muda através do tempo). O progresso da sabedoria depende do progresso do
coração - que seria um coração repleto da "recordação de Deus".
O coração de uma pessoa que se submete completamente a Deus, ganha em
sabedoria. Assim diz o Alcorão:
"Ele foi Quem te revelou o Livro; nele há versículos fundamentais, que
são a base do Livro, havendo outros alegóricos. Aqueles, cujos corações
abrigam a dúvida, seguem os alegóricos, a fim de causarem dissenções,
interpretando-os capciosamente. Porém, ninguém, senão Deus, conhece a
verdadeira interpretação. Os sábios dizem: Cremos nele (o Alcorão); tudo
emana do nosso Senhor. Mas, ninguém o admite, salvo os sensatos. (Alcorão
3:7)
Em alguns outros versículos é dito que pensar e recordar a mensagem, e
compreendê-la, é uma característica das "pessoas que são sábias".
"Ele concede sabedoria a que Lhe apraz, e todo aquele que for agraciado
com ela, sem dúvida terá logrado um imenso bem; porém, salvo os sensatos,
ninguém o compreende." (Alcorão 2:269)
"Em suas histórias, há um exemplo para os sensatos. É inconcebível que
seja uma narrativa forjada, pois é a corroboração das anteriores, a
elucidaçção de todas as coisas, orientação e misericórdia para os que crêem.
(Alcorão 12:111)
"Esta é uma mensagem para os humanos, a fim de que com ela sejam
admoestados, e saibam que somente Ele é o Deus Único, e para que os sensatos
nela meditem." (Alcorão 14:52)
"Acaso, quem está ciente da verdade que tem sido revelada pelo teu
Senhor é comparável àquele que é cego? Só o entendem os sensatos." (Alcorão
13:19)
Portanto, o que quer dizer "homens sensatos"? Por que uma pessoa é sensata e
o seu coração é puro?
A resposta é facilmente encontrada no Alcorão. Os fatos que encobrem a
compreensão de uma pessoa são seus desejos e paixões. Uma pessoa invejosa,
por exemplo, tem sua capacidade de compreensão prejudicada em grande parte.
A sua inveja a impede de compreender; ela pensa o dia inteiro na pessoa
objeto de sua inveja, ela sente raiva e ódio. Tal pessoa não tem calma e
tranquilidade para analisar os fatos, perdendo, assim, sua capacidade de
entender as coisas.
Da mesma forma, outras paixões também encobrem essa compreensão. A paixão
pelo dinheiro faz com que a pessoa pense apenas em como ganhar mais
dinheiro. Todavia, na maior parte dos casos, essa pessoa não pode sequer
administrar seus bens, porque sua paixão a impede de agir com sabedoria e
tomar as decisões corretas.
Uma característica importante dos incrédulos é o medo contínuo que eles têm
a respeito do futuro. Estão sempre com medo da pobreza, ou de perder o que
possuem, ou de ficarem doentes, etc. Perdem horas pensando na espécie de
vida que os aguarda no futuro. Este medo e ansiedade os perturba e é um
obstáculo para a capacidade de discernimento. Este medo também se aplica ao
"medo da morte"; muitos incrédulos temem e se afligem sempre que pensam na
morte. A morte é um evento de um simples segundo, no entanto os incrédulos
se preocupam com ele por 40 ou 50 anos. (A morte para os crentes não é
motivo de preocupação).
Esses medos e paixões impedem a compreensão. A todo instante, a pessoa age
totalmente sob a influência desses sentimentos e não consegue perceber o que
de fato ela necessita pensar. A coisa mais importante que ela precisa pensar
é sobre a excelência da criação de Deus e que Ele é o mais Exaltado em Poder
e Sabedoria. O homem tem a obrigação de glorificar a Deus e adorá-Lo. No
entanto, isto só é possível se tiver um coração puro, que não esteja fechado
para o entendimento. Somente o homem sensato, que se libertou de seus medos
e desejos egoístas pode conceber Deus e obedecê-Lo.
O Alcorão diz que as evidências de Deus só podem ser entendidas por aqueles
que são sensatos:
"Na criação dos céus e da terra e na alternância do dia e da noite há
sinais para os sensatos." (Alcorão 3:190)
"Tal homem poderá, acaso, ser equiparado àquele que se consagra (ao seu
Senhor) durante as horas da noite, quer esteja prostrado, quer esteja em pé,
que se precata em relação à outra vida e espera a misericórdia do seu
Senhor? Dize: Poderão, acaso, equiparar-se os sábios com os insipientes? Só
os sensatos o acham." (Alcorão 39:9)
"Não reparas, acaso, em que Deus faz descer a água do céu e a transforma
em fontes, na terra? Logo produz, com ela, plantas multicores; logo
amadurecem e, às vezes, amarelam; depois converte (as plantas) em feno. Por
certo que nisto há uma Mensagem para os sensatos." (Alcorão 39:21)
Os sensatos são aqueles que se recordam da mensagem de Deus e aceitam o que
é verdadeiro naquilo que aprenderam de outras pessoas. Não há arrogância em
seus corações e por isso eles podem abandonar facilmente o comportamento
errado. Quando conversam com os outros, seu objetivo é descobrir o que é
certo e não forçar a que aceitem suas opiniões. Deus se refere a essas
pessoas como os "Que escutam as palavras e seguem o melhor (significado)
delas! São aqueles que Deus encaminha, e são os sensatos.". (Alcorão 39:18)
Os incrédulos não possuem sabedoria e compreensão, por isso não percebem os
sinais à sua volta. Embora os céus e a terra estejam repletos de provas da
existência de Deus, os incrédulos não conseguem ver nada, porque não têm a
mente aberta: suas mentes estão embotadas. São como avestruzes, que escondem
a cabeça na areia. Os incrédulos pensam apenas em seus próprios benefícios e
não alcançam as evidências de Deus. E é por isso que Deus chama os
"sensatos" para acreditarem Nele e temê-Lo.
". ó sensatos, temei a Deus, quiçá assim prospereis." (Alcorão 5:100)
Há muitas passagens no Alcorão que mostram a forma como os incrédulos são
informados; Deus e Seus mensageiros os chamam para a sabedoria no primeiro
momento.
"Antes de ti, não enviamos homens que habitavam as cidades, aos quais
revelamos a verdade. Acaso, não percorreram a terra para observar qual foi o
destino dos seus antecessores? A morada da outra vida é preferível, para os
tementes. Não raciocinais?" (Alcorão 12:109)
"Ó adeptos do Livro, por que discutis acerca de Abraão, se a Tora e o
Evangelho não foram revelados senão depois dele? Não raciocinais?" (Alcorão
3:65)
"Enviamos-vos o Livro, que encerra uma Mensagem para vós; não
raciocinais? (Alcorão 21:10)
"Dize (ainda mais): Vinde, para que eu vos prescreva o que vosso Senhor
vos vedou: Não Lhe atribuais parceiros; tratai com benevolência vossos pais;
não sejais filicidas, por temor à miséria - Nós vos sustentaremos, tão bem
quanto aos vossos filhos -; não vos aproximeis das obscenidades, tanto
pública, como privadamente, e não mateis, senão legitimamente, o que Deus
proibiu matar. Eis o que Ele vos prescreve, para que raciocineis." (Alcorão
6:151)
"Sucedeu-lhes uma geração que herdou o Livro, a qual escolheu as
futilidades deste mundo, dizendo: Isto nos será perdoado! E se lhes fosse
oferecido outro igual, tê-lo-iam recebido (e transgredido novamente). Acaso,
não lhes havia sido imposta a obrigação, estipulada no Livro, de não dizer
de Deus mais que a verdade? Não obstante, haviam estudado nele! Sabei que a
morada da outra vida é preferível, para os tementes. Não raciocinais?"
(Alcorão 7:169)
"Dize: Se Deus quisesse, não vo-lo teria eu recitado, nem Ele vo-lo
teria dado a conhecer, porque antes de sua revelação passei a vida entre
vós. Não raciocinais ainda?" (Alcorão 10:16)
"Que é a vida terrena senão jogo e diversão frívola? A morada na outra
vida é preferível para os tementes. Não o compreendeis?" (Alcorão 6:32)
As únicas pessoas que podem alcançar e compreender as evidências da criação
de Deus e a Sua existência são os sensatos:
"E na terra há regiões fronteiriças (de diversas características); há
plantações, videiras, sementeiras e tamareiras, semelhanetes (em espécie) e
diferentes (em variedade); são regadas pela mesma água e distinguimos umas
das outras no comer. Nisto há sinais para os sensatos." (Alcorão 13:4)
"Dize (mais): Ele é capaz de infligir-vos um castigo celestial ou
terreno, ou confundir-vos em seitas, fazendo-vos experimentar tiranias
mútuas. Repara em como dispomos as evidências, a fim de que as compreendam."
(Alcorão 6:65)
"Foi Ele Quem vos produziu de um só ser e vos proporcionou uma estância
para descanso. Temos elucidado os versículos para os sensatos." (Alcorão
6:98)
"Assim, Ele vos elucida os Seus versículos para que raciocineis."
(Alcorão 24:61)
"E dos frutos das tamareiras e das videiras, extraís bebida e
alimentação. Nisto há sinal para os sensatos." (Alcorão 16:67)
"E submeteu, para vós, a noite e o dia; o sol, a lua e as estrelas estão
submetidos às Suas ordens. Nisto há sinais para os sensatos." (Alcorão
16:12)
"Apresenta-vos, ainda, um exemplo tomado de vós mesmos. Porventura,
compartilharíeis daqueles que as vossas mãos direitas possuem parceiros
naquilo de que vos temos agraciado e lhes concederíeis partes iguais às
vossas? Temei-os acaso, do mesmo modo que temeis uns aos outros? Assim
elucidamos os Nossos versículos aos sensatos." (Alcorão 30:28)
"(Moisés) disse: É o Senhor do Oriente e do Ocidente, e de tudo quanto
existe entre ambos, caso raciocineis!" (Alcorão 26:28)
"E entre os Seus sinais, está o fato de os céus e a terra se manterem
sob o Seu Comando, e, quando vos chamar, uma só vez, eis que saireis da
terra." (Alcorão 30:24)
É por intermédio da sabedoria e compreensão que o homem se torna mais nobre
e mais próximo de Deus. Quanto àqueles destituídos de compreensão, inclusive
os incrédulos, não conhecem e não compreendem Deus.
Existem níveis de compreensão. Quanto mais a pessoa se libertar de suas
paixões e egoísmo, mais ela crescerá em sabedoria.
Ou o homem obedece a Deus ou se submete aos seus caprichos. Se ele odedecer
a Deus, será salvo da tirania de suas paixões e se tornará um sensato. No
entanto, se preferir seus desejos e paixões, tomando-os como seu deus,
ficará totalmente destituído de entendimento. Toda a sua vida, seu
comportamento, seus pensamentos, tudo será em função dos desejos e paixóes
ilimitados de sua alma.
Se os desejos governarem a vida da pessoa, seu coração será sigilado,
perdendo, assim, as propriedades de "compreensão" (9:87), e "conhecimento"
(9:93), tornando-se embotado e perdendo a sua sensibilidade. O coração,
então, perde a sua luz e se fecha. Nessas condições, não funciona
adequadamente e se torna destituído de sabedoria.
Além disso, tal pessoa não percebe o que perdeu porque também perdeu os
critérios de julgamento do certo e do errado. Embora aquele que se torna
sensato tenha clara percepção desse estado, o mesmo não se dá com aquele que
perdeu esta capacidade. É como um alienado que não sabe que é alienado.
Somente através do processo de consciência é que ela pode perceber o quanto
era alienada.
A pessoa destituída de sabedoria é como um animal inteligente. Assim diz o
Alcorão:
"O exemplo de quem exorta os incrédulos é semelhante ao daquele que
chama as bestas, as quais não ouvem senão gritos e vozerios. São surdos,
mudos, cegos, porque são insensatos." (Alcorão 2:171)
Esta não é aquela espécie de insanidade típica, comumente conhecida. As
pessoas destituídas de sabedoria não são, na verdade, loucas, mas, apenas
não pensam com a sabedoria de seus corações. "Pensar com a sabedoria do
coração" traz liberdade de ver tudo com o "conhecimento, a concepção e a luz
do coração". Quando a sabedoria está sob a influência dos desejos e paixões,
temos um estado simples e limitado de inteligência e ela agirá apenas como
intermediadora entre os objetos e os acontencimentos. Esta "sabedoria" nunca
será independente, não obstante a pessoa achar que é. Ela se proclamará
independente e agirá como tal, mas, este é o seu grande equívoco, porque, na
verdade, estará sob o domínio de suas paixões e agirá de acordo com as suas
regras.
As paixões também são ídolos, conforme Abraão perguntou a seu pai, "Ó meu
pai, por que adoras quem não ouve, nem vê, ou que em nada pode valer-te?"
(19:42). Os desejos comandam a pessoa. Só há uma coisa que torna o homem
livre: adorar e obedecer a seu verdadeiro Deus - Alá.
SABEDORIA E ROMANTISMO
Um dos fatos mais importantes que encobrem a sabedoria, é o sentimentalismo,
ou seja, o romantismo. Ele é um estado perigoso e daninho da personalidade,
que impede a pessoa de compreender.
O sentimentalismo pode ser definido como as emoções que escapam do controle
da sabedoria, deixando a pessoa totalmente ao sabor de suas emoções. A
pessoa sentimental e comporta de forma irracional porque está sob a
influência de suas emoções. O crente, ao contrário, guia suas emoções com
sabedoria e age de acordo.
O amor, por exemplo, pode ser tanto emocional como racional. A pessoa
sentimental ama as pessoas e objetos que, na verdade, não mercem ser amados.
As pessoas amam coisas que lhes causam sofrimento ou que não as respeitam.
O amor dos crentes é totalmente sensato. Os crentes amam as pessoas por suas
caracterísitcas de correção, que também são os sinais de sua fé, conforme
mencionado no Alcorão. Os crentes não amam as pessoas que não merecem ser
amadas.
Frequentemente, o Alcorão adverte os crentes para evitarem o amor emocional:
"Ó fiéis, não tomeis por confidentes os Meus e os vossos inimigos,
demonstrando-lhes afeto, posto que renegam tudo quanto vos chegou da
verdade, e expulçam de (Makka) tanto o Mensageiro, como vós mesmos, porque
credes em Deus, vosso Senhor! Quando sairdes para combater pela Minha causa,
procurando a Minha complacência (não os tomeis por confidentes),
confiando-lhes as vossas intimidades, porque Eu, melhor do que ninguém, sei
tudo quanto ocultais, e tudo quanto minifestais. Em verdade, quem de vós
assim proceder, desviar-se-á da verdadeira senda.
Se lograssem tirar o melhor de vós, mostrar-se-iam vossos inimigos,
estenderiam as mãos e as línguas contra vós, desejando fazer-vos rejeitar a
fé.
De nada vos valerão os vossos parentes ou os vossos filhos, no Dia da
Ressurreição. Ele vos separará; sabei que Deus bem vê tudo quanto fazeis.
Tivestes um excelente exemplo em Abraão e naqueles que o seguiram,
quando disseram ao seu povo: Em verdade, não somos responsáveis por vossos
atos e por tudo quanto adorais, em lugar de Deus. Renegamos-vos e
iniciar-se-á uma inimizade e um ódio duradouros entre nós e vós, a menos que
creiais unicamente em Deus! Todavia, as palavras de Abraão para o pai: -
Implorarei o perdão para ti, embora nada venha a obter de Deus em teu
favor - foram uma exceção. (Dizei, ó crentes): Ó Senhor nosso, a Ti nos
encomendamos e a Ti nos voltamos contritos, porque para Ti será o retorno."
(Alcorão 60:1-4)
Nos versículos "Ó fiéis, não tomeis por confidentes os Meus e os vossos
inimigos, demonstrando-lhes afeto, posto que renegam tudo quanto vos chegou
da verdade, e expulçam de (Makka) tanto o Mensageiro, como vós mesmos,
porque credes em Deus, vosso Senhor!", Deus diz que amar pessoas que, na
verdade, são nossas inimigas é totalmente irracional. Devotar o nosso amor a
tais pessoas depende única e exclusivamente da emoção.
Há, também, outras passagens no Alcorão que chamam nossa atenção para os
mesmo riscos. Noé, por exemplo, pediu perdão a Deus para seu filho por não
ter pedido para ser salvo da enchente. E Deus disse a Noé que seu filho
estave entre os incrédulos e que ele (Noé) não deveria oferecer-lhe o seu
amor.
"E ela navegava com eles por entre ondas que eram como montanhas, e Noé
chamou seu filho, que permanecia afastado, e disse-lhe: Ó filho meu, embarca
conosco e não fiques com os incrédulos! Porém, ele disse: Refugiar-me-ei em
um monte, que me livrará da água. Retrucou-lhe Noé: Não há salvação para
ninguém, hoje, do desígnio de Deus, salvo para aquele de quem Ele se apiade.
E as ondas os separaram, e o filho foi um dos afogados.E Noé clamou ao seu
Senhor, dizendo: Ó Senhor meu, meu filho é da minha família; e Tua promessa
é verdadeira, pois Tu és o mais equânime dos juízes! Respondeu-lhe: Ó Noé,
em verdade ele não é da tua família, porque sua conduta é injusta; não Me
perguntes, pois, acerca daquilo que ignoras; exorto-te a que não sejas um
dos insipientes! Disse: Ó Senhor meu, refugio-me em Ti por perguntar acerca
do que ignoro e, se não me perdoares e Te compadeceres de mim, serei um dos
desventurados." (Alcorão 11:42-47)
A ordem de Deus, nestes versículos, é de uma clareza cristalina. Os crentes
não podem amar os incrédulos, ainda que sejam membros de sua família. A
sabedoria mostra que devemos amar aqueles que merecem. Portanto, não há a
menor chance de os crentes amarem pessoas que não obedecem aos mandamentos
de Deus e esse tipo de amor é um amor emocional, e que é típico das
comunidades de ignorantes.
As esposas de Noé e de Lot também eram infiéis e foram punidas por Deus. A
comunidade de Lot havia se desviado e, por isso, foi destruída. No dia
anterior à destruição, os anjos vieram até Lot e disseram-lhe para abandonar
a cidade, mas que deixasse sua esposa lá. Sem hesitação, Lot obedeceu,
porque o seu amor por ela não era emocional.
"Disseram-lhe (os anjos): Ó Lot, somos os mensageiros do teu Senhor;
eles jamias poderão atingir-te. Sai, pois, com a tua família, no decorrer da
noite, e que nenhum de vós olhe para trás. À tua mulher, porém, acontecerá o
mesmo que a eles. Tal senteça se executará ao amanhecer. Acaso, não está
próximo o amanhecer?" (Alcorão 11:81)
Da mesma forma que Lot, não há um sequer, entre os crentes, que ofereça o
seu amor a pessoas que desobedecem a Deus:
"Não encontrarás povo algum que creia em Deus e no Dia do Juízo Final,
que tenha relações com aqueles que contrariam Deus e o Seu Mensageiro, ainda
que sejam seus pais ou seus filhos, seus irmãos ou parentes. Para aqueles,
Deus lhes firmou a fé nos corações e os confortou com o Seu Espírito, e os
introduzirá em jardins, abaixo dos quais correm os rios, onde morarão
eternamente. Deus se comprazerá com eles e eles se comprazerão n´Ele. Estes
formam o partido de Deus. Acaso, não é certo que os que formam o partido de
Dues serão os bem-aventurados?" (Alcorão 58:22)
A razão para este comportamento racional dos crentes é a "compreensão do
amor". Diz o Alcorão, no que se refere à diferença na compreensão do amor:
"Entre os humanos, há aqueles que adotam, em vez de Deus, rivais (a
Ele), aos quais professam igual amor que a Ele; mas os fiéis só amam
fervorosamente a Deus. Ah, se os iníquos pudessem ver (a situação em que
estarão) quando virem o castigo (que os espera!), concluirão que o poder
pertence a Deus e Ele é Severíssimo no castigo. (Alcorão 2:165)
Conforme mencionado nos versículos acima, os crentes, na verdade, amam Deus.
O amor que devotam aos homens, nada mais é do que o reflexo do seu amor por
Deus, e é por isso que eles amam aqueles que são fiéis também. Quanto aos
incrédulos, estes só obedecem a seus desejos e paixões, razão por que se
afastaram de Deus. O seu comportamento e modos lembram os de Satanás. Por
isso, é impossível para o crente amá-los. Os incrédulos consideram cada
criatura apartada de Deus e por isso, os ama separadamente. Esta espécie de
amor "é atribuir parceiro a Deus" - ou seja, isto é idolatria.
O comportamento oposto à emoção, a que se refere o Alcorão, não consiste
apenas no amor. Há muitos exemplos de comportamentos racionais no Alcorão:
na relação de Moisés com um dos servos de Deus, a quem Ele agraciou com a
Sua Misericórdia e a quem deu o conhecimento de Sua própria Presença, os
prejuízos menores são considerados benefícios maiores (18:65-82); com
relação ao papel do sacrifício, Ismael disse a seu pai "Ó meu pai, faze o
que te foi ordenado! Encontrar-me-ás, se Deus quiser, entre os
perseverantes!" (37:102); e a mãe de Moisés, assim que recebe a inspiração
de Deus, coloca o filho no rio sem hesitação (28:7); e os crentes sufocam
sua raiva e perdoam os homens (3:134); e não se desesperam com relação a
coisas que estão além de sua compreensão (57:23); e gastam daquilo que eles
mais apreciam (3:92).
No entanto, há um ponto importante que não deve ser compreendido
erradamente. Não ser possuído pela emoção não quer dizer que a pessoa seja
insensível ou indelicado. O Alcorão diz que "Sabei que Abraão era
sentimental, tolerante." (9:114) O que está errado com a emoção é que ela se
origina de uma convicção ignorante. As emoções são fruto da alma e não no
espírito.
AS RAÍZES DA SABEDORIA
Uma vez que a sabedoria está relacionada com a metafísica, alcançar a
sabedoria está também relacionada a essa ciência. Encontramos, no Alcorão,
os caminhos para se alcançar a sabedoria; a sabedoria começa com o temor a
Deus.
"Ó fieis, se temerdes a Deus, Ele vos concederá discernimento, apagará
os vossos pecados e vos perdoará, porque é Agraciante por excelência."
(Alcorão 8:29)
O temor a Deus faz com que o homem compreenda os atributos de Deus e entenda
o dia do julgamento, e, numa etapa posterior, ele terá a capacidade de
julgar o certo do errado. Esta espécie de entendimento é o resultado do fato
de que o temor a Deus suaviza o coração da pessoa.
"Deus revelou a mais bela Mensagem: um Livro homogêneo (com estilo e
eloquência), e reiterativo. Por ele, arrepiam-se as peles daqueles que temem
seu Senhor; logo, suas peles e corações se apaziguam, ante a recordação de
Deus. Tal é a orientação de Deus, com a qual encaminha quem Lhe apraz. Por
outra, quem Deus desviar não terá orientador algum." (Alcorão 39:23)
O homem deve tentar aumentar o seu temor a Deus. Deve orar, e tentar
compreender os atributos de Deus melhor e que Ele é Poderoso e Exalatado.
"Temei, pois, a Deus, tanto quanto possais. Escutai-O, obedecei-Lhe e
fazei a caridade, que isso erá preferível para vós! Aqueles que se
preservarem da avareza serão os bem-aventurados." (Alcorão 64:16)
O homem de discernimento tem uma profunda concepção dos atributos de Deus e
da religião, ao passo que os homens destituídos de entendimento são citados
no Alcorão como tendo "cobertas sobre os corações (e mentes) a fim de que
não possam entender o Alcorão".
"E sigilamos os seus corações para que não o compreendessem, e
ensurdecemos os seus ouvidos. E, quando, no Alcorão, mencionas unicamente
teu Senhor, voltam-te as costas desdenhosamente." (Alcorão 17:46)
O Alcorão, em muitas passagens, se refere aos incrédulos que não entendem e
nem concebem as verdades. Percebem as realidades ditas a eles através dos
sentidos físicos; ouvem e vêm, mas não compreendem o significado. É uma
espécie de estado de embriaguês e perda da consciência e isto á alguma coisa
metafísica. Deus diz que Ele coloca véus sobre seus corações:
"E haverá alguém mais iníquo do que quem, ao ser exortado com os
versículos do seu Senhor, logo os desdenha, esquecendo-se de tudo quanto
tenha cometido? Em verdade, sigilamos as suas mentes para que não os
compreendessem e ensurdecemos os seus ouvidos; e ainda que os convides à
orientação, jamais se encaminharão." (Alcorão 18:57)
Os incrédulos algumas vezes, até, confessam que não compreendem a verdadeira
religião que lhes foi comunicada. Da mesma forma que o povo de Madian ao
dizer a Xuaib, "Ó Xuaib, não compreendemos muito do que dizes e, para nós,
és incapaz; se não fosse por tua família, ter-te-íamos apedrejado, porque
não ocupas grande posição entre nós." (Alcorão 11:91)
Quando o coração do homem é encoberto por um véu e Deus tira toda a sua
compreensão, não há a menor possibilidade de ele seguir o caminho
verdadeiro, a menos que Deus assim o queira.
"Entre eles, há os que te escutam. Poderias fazer ouvir os surdos, uma
vez que não entendem? E há os que te perscrutam; acaso, poderias fazer ver
os cegos, uma vez que não enxergam?" (Alcorão 10:42-43)
Portanto, somente as pessoas que possuem a fé e agem corretamente são
capazes de compreender. Além disso, os crentes também estão obrigados a
transmitir a verdadeira religião:
"Dize: Esta é a minha senda. Apregôo Deus com lucidez, tanto eu como
aqueles que me seguem." (Alcorão 12:108)
"Já vos chegaram as evidências do vosso Senhor! Quem as observar será em
benefício próprio; quem se obstinar (em negá-las) será igualmente em seu
prejíxo, e eu não sou vosso guardião." (Alcorão 6:104)
Uma vez que os incrédulos são destituídos de compreensão, eles pensam que
lhes é benéfico se desviarem. Escolheram o inferno e estão satisfeitos com a
escolha.
"Depois da partida do Mensageiro de Deus, os que permaneceram
regozijavam-se de terem ficado em seus lares e recusado sacrificar os seus
bens e pessoas pela causa de Deus; disseram: Não partais durante o calor!
Dize-lhes: O fogo do inferno é mais ardente ainda! Se o compreendessem.!
(Alcorão 9:81)
"E se for revelada uma surata que lhes prescreva: Crede em Deus e lutai
junto ao Seu Mensageiro! Os opulentos, entre eles, pedir-te-ão para serem
eximidos e dirão: Deixa-nos com os isentos! Preferiram ficar com os
incapazes e seus corações foram sigilados; por isso não compreendem.
(Alcorão 9:86-87)
DISPLICÊNCIA E ATENÇÃO
Em muitas passagens, o Alcorão diz que os incrédulos destituídos de
compreensão também reconhecem que estão em estado de displicência.
;Temos criado para o inferno numerosos gênios e humanos com corações com os
quais não compreendem, olhos com os quais não vêem, e ouvidos com os quais
não ouvem. São como as bestas, quiçá pior, porque são displicentes.(Alcorão
7:179)
São aqueles aos quais Deus selou os corações, os ouvidos e os olhos; tais
são os desatentos. (Alcorão 16:108)
Além de não perceberem seus próprios comportamentos e critérios errados, as
pessoas que são displicentes também esperam parecer inocentes e tentam
diminuir o grau de suas iniquidades. Contudo, não é possível libertarem-se
das faltas, através de desculpas posteriores, conforme mencionado no
Alcorão:
Mais, ainda, o homem será a evidência contra si mesmo, ainda que apresente
quantas escusas puder. (Alcorão 75:14-15)
Apresentar desculpas é apenas uma forma de encobrir o estado causado pelos
desejos e paixões. O Alcorão se refere a essas escusas como:
Porém, se quando se depararem com o comércio ou com a diversão, se
dispersarem, correndo para eles e te deixarem a sós, dize-lhes: O que será
relacionado com Deus é preferível à diversão e ao comércio, porque Deus é o
melhor dos provedores. (Alcorão 62:11)
E se aproximar a verdadeira promessa. E eis os olhares fixos dos incrédulos,
que exclamarão: Ai de nós! Estivemos desatentos quanto a isto; qual, fomos
uns iníquos!" (Alcorão 21:97)
Sê paciente, juntamente com aqueles que pela manhã e à noite invocam seu
Senhor, anelando contemplar Seu Rosto. Não negligencies os fiéis, desejando
o encanto da vida terrena e não escutes aquele cujo coração permitimos
negligenciar o ato de se lembrar de Nós, e que se entregou aos seus próprios
desejos, excedendo-se em suas ações.(Alcorão 18:28)
Ao invés de apresentar alguma forma de desculpa, seria mais sábio para ele
tentar compreender sua iniquidade. Somente esta atitude salvá-lo-á do estado
de desatenção e de extravio em que ele se encontra.
Aproxima-se a prestação de contas dos homens que, apesar disso, estão
desdenhosamente desatentos. (Alcorão 21:1)
Enquanto o descrente está desatento, o crente está alerta, consciente e
atento. Os crentes têm consciência de que Deus conhece tudo sobre os homens
e de que Ele está em toda a parte. Sabe, também, que na outra vida, Ele
chamará cada um de nós para a prestação de contas. O crente atento está
sempre alerta sobre tudo o que o rodeia. Deus registra e anota de tudo, sem
exceção de um único acontecimento. Na verdade, cada evento e cada objeto
tem um grande propósito e está além da sabedoria. Os crentes, permanecendo
alertas e atentos, entendem cada detalhe específico.
Por outro lado, os incrédulos são negligentes. Como não imaginam que os
eventos estão todos vinculados a um objetivo maior, eles estão num estado de
desatenção e negligência. Só prestam atenção aos seus próprios interesses.
Portanto, eles estão interessados somente em certos aspectos de certos
acontecimentos e, por isso, não podem perceber as relidades que os rodeiam
e optam por resultados falsos.
Existem vários aspectos de atenção. Prestar atenção aos acontecimentos,
ponderar e compreender, perceber as evidências à sua volta, pensar sobre
algumas ações, são sinais de atenção. O Alcorão cita muitos exemplos de
comportamentos atentos dos crentes. Moisés, por exemplo, reconhece o fogo
perante todas as pessoas em volta dele, e na verdade ele descobre que não
era um fogo comum. Então, perto do fogo, Deus comunica a Moisés: (Alcorão
20:10-16)
Além do fato de que os crentes são cuidadosos individualmente, também é
importante que a comunidade de crentes esteja vigilante e seja precavida. A
regra do "ser perseverante", contida na Surata 3, versículo 200, é um
exemplo disto. Desta forma, enquanto alguns crentes lidam com situações
diferentes, outros devem esperar vigilantemente e em estado de alerta.
Um estado de fadiga, indiferença, despreocupação e insensibilidade, de não
cuidar as coisas, são traços característicos dos incrédulos. Portanto, os
crentes devem sempre ser extremamente cuidadosos, vigilantes e alertas. Os
crentes são animados, vivos, fortes, ávidos e entusiastas e além disso, eles
também tornam os outros crentes entusiastas.
SEGUIR A CONJECTURA
Quando um homem vive em estado de desatenção ele não compreende e não pode
perceber nada, ele não possui critérios para fazer julgamentos verdadeiros.
Tal pessoa naturalmente se comporta de forma ilógica e desarrazoada. Toda a
sua vida é baseada em conceitos ilógicos mas ele não percebe isto.
O princípio essencial da sabedoria é não acreditar em uma presunção, até
que ela seja provada definitivamente. Ninguém que seja inteligente e
razoável baseia sua vida em alguma coisa que não esteja provada. Por
exemplo, ninguém toma um medicamento que não seja totalmente conhecido,
achando que talvez ele seja bom. Cada ação deve ser baseada em verdades
certas.
No entanto, os incrédulos baseiam suas vidas em meras suposições. Eles não
acham que viverão uma vida após a morte. Não imaginam que pagarão pelo que
tiverem feito ou acham que não serão inculpados, mesmo que exista um acerto
final. Todo sistema e ideologia que eles admitem estão baseados em algumas
espécies de conjecturas e, assim, sua visão de mundo não depende de uma base
verdadeira e correta.
Na Surata 18, temos o caso dos dois fazendeiros, um deles descrente e o
outro um crente. Conforme mencionado acima, o descrente neste caso, baseou
sua vida em algumas suposições e conjeturas falsas:
Expõe-lhes o exemplo de dois homens: a um deles concedemos dois parreirais,
que rodeamos de tamareiras e, entre ambos, dispusemos plantações. Ambos os
parreirais frutificaram, sem em nada falharem, e no meio deles fizemos
brotar um rio. E abundante era a sua produção. E disse ao seu vizinho: Sou
mais rico do que tu e tenho mais poderio. Entrou em seu parreiral num estado
(mental) injusto para com a sua alma. Disse: Não creio que (este parreiral)
jamais pereça, como tampouco creio que a Hora chegue! Porém, se retornar ao
meu Senhor, serei recompensado com outra dádiva melhor do que esta." (Acorão
18:32-36)
As afirmações feitas nesses versículos são importantes. O descrente diz que
não acredita que seu pomar se acabe e nem que a hora do julgamento virá.
Esta é uma simples suposição e não há prova concreta em relação a isso. No
entanto, o proprietário considera essa suposição falsa e inverídica como
fundamento. A conclusão leva-o a total destruição, como o resto da história
nos mostra:
Seu vizinho lhe disse, argumentando: Porventura negas Quem te criou,
primeiro do pó, depois, de esperma e logo te moldou como homem? Quanto a
mim, Deus é meu Senhor e jamais associarei ninguém ao meu Senhor. Por que
quando entrastes em teu parreiral não dissestes: Seja o que Deus quiser, não
existe poder senão em Deus! Mesmo que eu seja inferior a ti em bens e
filhos, é possível que meu Senhor me conceda algo melhor do que o teu
parreiral e que, do céu, desencadeie sobre o teu uma centelha, que o
converta em um terreno de areia movedça. Ou que a água seja totalmente
absorvida e nunca possas recuperá-la. E foram arrasadas as suas
propriedades; e (o incrédulo, arrependido) retorcia, então, as mãos, pelo
que nelas havia investido, e, vendo-as revolvidas, dizia: Oxalá não tivesse
associado ninguém a meu Senhor! E não houve ajuda que o defendesse de Deus,
nem pôde salvar-se. Assim, a proteção só incumbe ao Verdadeiro Deus, porque
Ele é o melhor Recompensador e o melhor Destino.(Alcorão 18:37:44)
Assim, todos os incrédulos se submetem a conjeturas e não à verdadeira
sabedoria. O conhecimento que é verdadeiro, com a certeza exata, é o
conhecimento que vem de Deus, que é inspiração- Se o homem quiser basear sua
vida no conhecimento que é verdadeiro e com certeza exata, ele deve ter o
Alcorão como seu livro e padrão de julgamento. Quanto ao homem que julga com
base na ideologia, na filosofia, no sistema, na metodologia ou na ciência,
não chegará ao conhecimento preciso, porque todas essas correntes de
pensamento não provêm da fonte divina, não passando de simples suposições.
Conforme mencionado no Alcorão "Embora careçam de todo o conhecimento a esse
respeito. Não fazem senão seguir conjeturas, sendo que a conjetura jamais
prevaleceu, em nada, sobre a verdade.(Alcorão 53:28)
O Alcorão define as pessoas que descartam o caminho de Deus como submissos
a simples suposições:
Que pereçam os inventores de mentiras! Que estão descuidados, submersos na
confusão! Perguntam: Quando chegará o Dia do Juízo? (Será) o dia em que
serão testados no fogo! (Ser-lhes-á dito): Provai o vosso teste! Eis aqui o
que pretendestes apressar!(Alcorão 51:10-14)
Aqueles que associam outros deuses a Deus são, na verdade, todos submissos a
suposições. No Alcorão está dito:
"Tais (divindades) não são mais do que nomes, com que as denominastes, vós e
vossos antepassados, acerca do que Deus não vos conferiu autoridade alguma.
Não seguem senão as suas próprias conjeturas e as luxúrias das suas almas,
não obstante ter-lhes chegado a orientação do seu Senhor!" (Alcorão 53:23)
Não é certo que é de Deus aquilo que está nos céus e na terra? Que
pretendem, pois, aqueles que adoram os ídolos em vez de Deus? Não seguem
mais do que a dúvida e não fazem mais do que inventar mentiras!" (Alcorão
10:66)
Se obedeceres à maioria dos seres da terra, eles desviar-te-ão da senda de
Deus, porque não professam mais do que a conjetura e não fazem mais do que
inventar mentiras." (Alcorão 6:116)
Sua maioria não faz mais do que conjeturar, e a conjetura jamais prevalecerá
sobre a verdade; Deus bem sabe tudo quanto fazem!(Alcorão 10:36)
Aqueles que se submetem às suposições acham que podem criar e oferecer
algumas simples desculpas a Deus para salvaguardá-los. Na verdade, isto é
mera conjetura e contradiz a realidade. Suas escusas não serão aceitas
perante Deus.
Os idólatras dirão: Se Deus quisesse, nem nós, nem nossos pais, jamais
teríamos idolatrado, nem nada nos seria vedado! Assim, seus antepassados
desmentiram os mensageiros, até que sofreram o Nosso castigo. Dize: Tereis,
acaso, algum argumento a nos expor? Qual! Não seguis mais do que conjeturas
e não fazeis mais do que inventar mentiras!" (Alcorão 6:148)
LEALDADE & OBEDIÊNCIA
Cada tipo humano é descrito detalhadamente no Alcorão, inclusive todas as
caracterísitcas corruptas dos incrédulos.
Além do caráter dos incrédulos, o Alcorão também nos fala sobre as
propriedades características dos crentes. Os fiéis que crêem em Deus, que
receberam o alento de Sua alma e que obedecem a Ele, têm suas
características baseadas em elevados valores morais.
Quando comparamos os dois lados, isto é, crentes e incrédulos, torna-se
evidente que seus comportamentos são definitivamente opostos. Os crentes,
por exemplo, são leais e sinceros, enquanto os incrédulos são hipócritas e
desleais. Os crentes são generosos, bravos e modestos, enquanto que os
incrédulos são arrogantes, amedrontados e egoístas.
Uma outra diferença importante entre eles é o conceito de lealdade. Os
incrédulos jamais são verdadeiramente leais. Tendo em vista que eles sempre
preferem seus próprios interesses, podem facilmente enganar a seus amigos
a quem juram amor e podem se comportar deslealmente. De igual modo,
abandonam o caminho que aceitaram como verdadeiro e deixam de lutar por
aquilo que, até há pouco tempo atrás, lutavam com intensidade.
Os crentes, no entanto, são totalmente diferentes. Não almejam qualquer
benefício egoísta senão a Vontade de Deus. Todo o seu comportamento está de
acordo com a Vontade de Deus - assim, não há possibilidade de eles
abandonarem àqueles a quem amam, os outros crentes, por qualquer razão e
porque não podem deixar o verdadeiro caminho (lutar pela causa de Deus). São
profundamente leais com os crentes e, em especial com o profeta ou líder.
Deus assim se refere à lealdade no Alcorão:
Entre os fiéis, há homens que cumpriram o que haviam prometido, quando da
sua comunhão com Deus; há-os que o consumaram (ao extremo), e outros que
esperam, ainda, sem violarem a sua comunhão, no mínimo que seja." (Alcorão
33:23)
Com lealdade, os fiéis todos lutam pelo mesmo objetivo e isto, que é o
principal sinal de estabilidade e determinação, impede dúvidas e estimas
frívolas. Esta é uma das características vitais dos fiéis, uma vez que a
menor instabilidade na lealdade e na autenticidade provocará a perda do
auto-respeito. Portanto, a pessoa que perde o auto-respeito, evolui na
fraude, perde a fé e, consequentemente, se comporta da mesma forma que um
descrente ou um hipócrita. É por isso que a infidelidade conduz a um
resultado importante. A pessoa infiel, tentando esconder este comportamento
dos crentes, é levado a uma falsificação. A uma mentira segue-se outra, e,
assumindo que ele ilude o crente, começa então uma nova maneira de viver. E
é uma maneira distante dos crentes e com o objetivo de se beneficiar dos
fiéis, sem qualquer sentimento de amor. Este homem não age pela causa da
Vontade de Deus, mas pela vontade do homem e mente para manter seu crédito
perante os crentes. Tentando encontrar desculpas para a sua infidelidade,
ele se pretende inocente, mas isto não faz bem.
Os fatos aqui mencionados comprovam que o comportamento infiel acaba por
transformar a crença em descrença. Quanto aos crentes, esses são leais até a
morte e se comportam assim porque a sua lealdade é, na verdade, a lealdade
para com Deus. Dentro desse raciocínio, o comportamento desleal significa,
na verdade, a deslealdade para com Deus. Lealdade e obediência são
unicamente para com Deus
Quem obedecer ao Mensageiro obedecerá a Deus; mas quem se rebelar, saiba
que não te enviamos para lhes seres guardião. (Alcorão 4:80)
A lealdade é um dos tópicos mais importantes, para o qual os fiéis devem
estar bem atentos. O Alcorão fala sobre os hipócritas que esperam escapar da
luta, embora jurem ser leais e que este é um acordo fundamental
Tinham prometido a Deus que não fugiriam (do inimigo). Terão que responder
pela promessa feita a Deus! (Alcorão 33:15)
Não negocieis o pacto com Deus a vil preço, porque o que está ao lado de
Deus é preferível para vós; se o soubésseis!" (Alcorão 16:95)
Não há dúvida de que a obediência é o sinal mais importante da lealdade e
ela é mencionada em muitos versículos do Alcorão. Conforme diz o Alcorão, a
obediência é a chave para a Misericórdia e o Paraíso, e a vitória contra os
incrédulos.
Obedecei a Deus e ao Mensageiro, a fim de que sejais compadecidos.(Alcorão
3:132)
Tais são os preceitos de Deus. Àqueles que obedecerem a Deus e ao Seu
Mensageiro, Ele os introduzirá em jardins, abaixo dos quais correm os rios,
onde morarão eternamente. Tal será o magnífico benefício." (Alcorão 4:13)
Ó fiéis, obedecei a Deus, ao Mensageiro e às autoridades, dentre vós! Se
disputardes sobre qualquer questão, recorrei a Deus e ao Mensageiro, se
crerdes em Deus e no Dia do Juízo Final, porque isso vos será preferível e
de melhor alvitre. (Alcorão 4:59)
Jamais enviaríamos um mensageiro que não devesse ser obedecido, com a
anuência de Deus. Se, quando se condenaram, tivessem recorrido a ti e
houvessem implorado o perdão de Deus, e o Mensageiro tivesse pedido perdão
por eles, encontrariam Deus, Remissório, Misericordiosíssimo. Qual! Por teu
Senhor, não crerão até que te tomem por juiz de suas dissensões e não
objetem ao que tu tenhas sentenciado. Então submeter-se-ão a ti
espontaneamente." (Alcorão 4:64-65)
Aqueles que obedecem a Deus e ao Mensageiro, contar-se-ão entre os
agraciados por Deus: profetas, verazes, mártires e virtuosos. Que excelentes
companheiros serão! (Alcorão: 4:69)
A obediência é para ser aplicada em todas as ocasiões, independentemente de
qualquer obstáculo ou complicação. A obediência sob dificuldades e problemas
é peculiar aos crentes. Os hipócritas, no entanto, apenas obedecem quando
não há muitas dificuldades a serem vencidas, e por isso o Alcorão diz que
eles obedecerão se "houver ganhos imediatos e jornada fácil.
Quer estejais leve ou fortemente (armados), marchai (para o combate) e
sacrificai vossos bens e pessoas pela causa de Deus! Isso será preferível
para vós, se quereis saber. Se o ganho fosse imediato e a viagem fácil,
ter-te-iam seguido; porém a viagem pareceu-lhes penosa. E ainda jurariam por
Deus: Se tivéssemos podido, teríamos partido convosco! Com isso se
condenaram, porque Deus bem sabia que eram mentirosos. (Alcorão 9:41-42)
Os crentes obedecem sob qualquer condição e se comprometem, ainda que tenham
seus interesses contrariados. Esta é uma das principais diferenças entre os
fiéis e os hipócritas.
Dizem: Cremos em Deus e no Mensageiro, e obedecemos. Logo, depois disso, uma
parte deles volta as costas, porque não é fiel. E quando são convocados ante
Deus e Seu Mensageiro, para que julguem entre eles, eis que um grupo deles
desdenha. Porém, se a razão está do lado deles, correm a ele, obedientes.
Abrigam a morbidez em seus corações; duvidam eles, ou temem que Deus e Seu
Mensageiro os defraudem? Qual!É que eles são uns iníquos! A resposta dos
fiéis, ao serem convocados ante Deus e Seu Mensageiro, para que julguem
entre eles, será: Escutamos e obedecemos! E serão venturosos. Aqueles que
obedecerem a Deus e ao Seu Mensageiro e temerem a Deus e a Ele se
submeterem, serão os ganhadores! Juraram solenemente por Deus que se tu
lhes ordenasses (marcharem para o combate) iriam. Dize-lhes: Não jureis! É
preferível uma obediência sincera. Sabei que Deus está bem inteirado de tudo
quanto fazeis. Dize-lhes (mais): Obedecei a Deus e obedecei ao Mensageiro.
Porém, se vos recusardes, sabei que ele (o Mensageiro) é só responsável
pelo que lhe está encomendado, assim como vós sereis responsáveis pelo que
lhe está encomendado, assim como vós sereis encaminhar-vos-eis, porque não
incumbe ao Mensageiro mais do que a proclamação da lúcida Mensagem. (Alcorão
24:47-54)
A obediência ao mensageiro deve ser do fundo do coração e com compromisso
pleno. Os fiéis sabem que a decisão do mensageiro é certa e, por isso, não
abrigam a suspeita em seus corações. Isto é extremamente importante porque
obedecer com relutância e de má vontade é considerado com um sinal de
descrença, conforme descreve o Alcorão:
Qual! Por teu Senhor, não crerão até que te tomem por juiz de suas
dissenções e não objetem ao que tu tenhas sentenciado. Então, submeter-se-ão
a ti espontaneamente. (Alcorão 4:65)
A obediência é o indício cristalino que afirma que ele crê em Deus e obedece
para servi-Lo. Que, o que levará o homem à salvação eterna e verdadeira é a
simples obediência. Conforme afirma a Surata 24: Ó fiéis, atendei a Deus e
ao Mensageiro, quando ele vos convocar à salvação. o mensageiro convoca os
homens para a salvação. Em um outro versículo, está dito que o Mensageiro
chama os fiéis para a salvação, liberdade e alegria e para evitar o mal.
São aqueles que seguem o Mensageiro, o Profeta iletrado, o qual encontram
mencionado em sua Tora e no Evangelho, o qual lhes recomenda o bem e lhes
proíbe o ilícito, prescreve-lhes todo o bem e veda-lhes o imundo, alivia-os
dos seus fardos e livra-os dos grilhões que os deprimem. Aqueles que nele
creram, honraram-no, defenderam-no e seguiram a Luz que com ele foi enviada,
são os bem-aventurados.(Alcorão 7:157)
O que determina a vitória dos fiéis sobre os infiéis é o fato de eles serem
completamente obedientes ao Mensageiro e àqueles que têm a autoridade para
governar. Neste caso, eles obedecem. Deus os apóia e lhes dá a vitória. Na
verdade, também há o caso oposto para ser meditado, ou seja: se eles não
obedecerem ao mensageiro, eles perdem sua autoridade e força.
Deus cumpriu a Sua promessa quando, com a Sua anuência, aniquilastes os
incrédulos, por terem atribuído parceiros a Deus, sem que Ele lhes tivesse
conferido autoridade alguma para isso. Sua morada será o fogo infernal. Quão
funesta é a morada dos iníquos. (Alcorão 3:152)
A salvação só é alcançada através da obediência. Aqueles que desobedecem e
seguem um caminho diferente daquele indicado pelo Mensageiro não encontrará
lugar algum exceto o inferno, confome mencionado no Alcorão:
A quem combater o Mensageiro, depois de haver sido evidenciada a Orientação,
seguindo outro caminho que não o dos fiéis, abandoná-lo-emos em seu erro e o
introduziremos no inferno. Que péssimo destino!(Alcorão 4:115)
DETERMINAÇÃO & ESTABILIDADE
Uma das características mais importantes dos fiéis é que eles são
extremamente equilibrados. Jamais perdem o entusiasmo, o amor, a lealdadde e
a devoção. Os fiéis se contêm apenas pela Vontade de Deus. Portanto, nenhuma
dificuldade ou obstáculo pode desviá-los do verdadeiro caminho. Para eles
não importa o que os outros pensam deles. Seu único objetivo é atender à
Vontade de Deus. Assim, ele molda toda sua vida nesse sentido.
Deus testa a firmeza dos fiéis de diversas maneiras. Deus pode permitir que
sobrevenham a tristeza e algumas dificuldades por um certo período de tempo,
apenas para treiná-los. No Alcorão, está dito o seguinte:
Certamente que vos poremos à prova mediante o temor, a fome, a perda dos
bens, das vidas e dos frutos. Mas tu (ó Mensageiro), anuncia (a
bem-aventurança) aos perseverantes.(Alcorão 2:155)
Os fiéis que são firmes enfrentarão essas dificuldades com total paciência:
Quantos profetas e, com eles, quantos grupos lutaram pela causa de Deus, sem
desanimarem com o que lhes aconteceu; não se acovardaram, nem se renderam!
Deus aprecia os perseverantes. Eles nada disseram, além de: Ó Senhor nosso,
perdoa-nos por nossos pecados e por nossos excessos; firma os nossos passos
e concede-nos a vitória sobre os incrédulos! (Alcorão 3:146-147)
Assim, a dúvida não é o comportamento que os fiéis devem adotar.
Pedir-te-ão isenção só aqueles que não crêem emDeus, nem noDia do Juízo
Final, cujos corações estão em dúvida e em sua dúvida vacilam. (Alcorão
9:45)
Havíamos firmado o pacto com Adão, porém, ele esqueceu-se dele; e não vimos
nele firme resolução. (Alcorão 20:115)
Além das dificuldades e tristezas, a prosperidade e abundância também podem
provocar nos homens a perda de suas convicções e resoluções, na medida em
que seus corações possam ficar balançados. O consolo e a prosperidade
reduzem a devoção e o entusiasmo de muita gente. Na verdade, esta é uma
característica dos infiéis: ficam exultantes e arrogantes quando recebem as
bênçãos depois de terem enfrentado a adversidade. Também isto é mencionado
no Alcorão, conforme a seguir:
E se o infortúnio açoita o homem, ele Nos implora, quer esteja deitado,
sentado ou em pé. Porém, quando o libertamos de seu infortúnio, ei-lo que
caminha, como se não Nos tivesse implorado quando o infortúnio o açoitava.
Assim foram abrilhantados os atos dos transgressores (por Satanás). (Alcorão
9:12)
No entanto, este não é o caso dos fiéis. A prosperidade não os faz perder a
firmeza de seus corações porque eles sabem que todas as graças vêm de Deus e
Deus pode tomá-las de volta a qualquer momento que Ele queira. Assim, os
fiéis jamais são arrogantes ou insolentes.
Ter uma atitude séria, evitar transgressão e jamais perder a serenidade,
estes são sinais de equilíbrio e determinação que identificam os fiéis. No
Alcorão é-nos dito para "esforçarmo-nos com todo o devido esforço"
Aqueles que anelarem a outra vida e se esforçarem por obtê-la, e forem
fiéis, terão os seus esforços retribuídos. (Alcorão 17:19)
Quê! Porventura, tramaram alguma artimanha? Sabei que a desbarataremos!
(Alcorão 43:79)
Portanto, nenhuma hesitação, porque o que está citado acima é a qualidade
dos crentes. Além do mais, uma atitude de devoção consistente e de
entuasismo é a regra baixada por Deus.
Não desanimeis, nem vos aflijais, porque sempre saireis vitoriosos, se
fordes fiéis. (Alcorão 3:139)
O homem alcançará sua meta quando perceber que ele foi criado por alguma
razão e que ele voltará para o lugar ao qual realmente pertence. Se ele
quiser viver este grande objetivo e agir em conformidade com ele, então
alcançará a verdadeira salvação. Da mesma forma que o sol, a lua, as
estrelas e todas as criaturas foram criadas com um destino divino, o homem
também foi criado para um determinado fim.
Portanto, o equilíbrio e a determinação são as duas características vitais
dos crentes. Ter por único objetivo "o ganho imediato e a jornada fácil"
(Alcorão 9:42) não necessita de equilíbrio. Enquanto isso, os crentes têm
sempre a mesma determinação e o mesmo equilíbrio até o dia de sua morte,
porque essa é a vontade de Deus, conforme mencionado no Alcorão 33:23:
"Entre os fiéis, há homens que cumpriram o que haviam prometido, quando da
sua comunhão com Deus; há-os que o consumaram (ao extremo), e outros que
esperam, ainda, sem violarem a sua comunhão, no mínimo que seja." As pessoas
de natureza hipócrita mostram atitudes e temperamento eminentemente
instáveis. O fato de dizerem "nós estávamos com você" sempre que os fiéis
alcançam um sucesso é o traço mais marcante desta hipocrisia.
A comunidade de Cahf, a quem "Nós (Allah) fortalecemos seus corações"
(Alcorão 18:14) é um dos mais importantes exemplos de determinação. O
conceito do "caminho que é íngreme" (Alcorão 90:11) ilustra melhor a
importância do equilíbrio e da determinação. Estabilidade e determinação são
propriedades dos crentes até a sua morte e eles vivem com paciência essas
características até que ela chegue.
Em verdade, aqueles que te juram fidelidade, juram fidelidade a Deus. A Mão
de Deus está sobre as suas mãos; porém, quem perjurar, perjurará em prejuízo
próprio. Quanto àquele que cumprir o pacto comDeus, Ele lhe concederá uma
magnifíca recompensa. (Alcorão 48:10)
PERSEVERANÇA
Organizar a vida de acordo com o Islam e afastar-se de situações que
contrariem o Islam é a adoração a qual o fiel desempenhará por toda a sua
vida. E ele somente conseguirá isso se persistir na perseverança e
paciência.
Portanto, perseverar e suportar alguma coisa são conceitos totalmente
diferentes. Su
Anonymous
14-05-2003, 20:10
continuação ...
PERSEVERANÇA
Organizar a vida de acordo com o Islam e afastar-se de situações que
contrariem o Islam é a adoração a qual o fiel desempenhará por toda a sua
vida. E ele somente conseguirá isso se persistir na perseverança e
paciência.
Portanto, perseverar e suportar alguma coisa são conceitos totalmente
diferentes. Suportar alguma coisa significa resistir à tristeza ou à
dificuldade que seenfrenta com um estado desagradável de conduta. Contudo,
em relação ao fiel, é completamente diferente porque ele não sente nem
desprazer ou desconforto frente às dificuldades, pelo contrário, ele se
aproxima mais de Allah e sua devoção e entusiasmo aumentam. Muitos
versículos do Alcorão nos ensinam sobre a perseverança:
Sê perseverante, porque a promessa de Deus é inexorável. Que não te abalem
aqueles que não crêem (na tua firmeza). (Alcorão 30:60)
Ó fiéis, perseverai, sede pacientes, estai sempre vigilantes e temei a Deus,
para que prospereis. (Alcorão 3:200)
Sê paciente, que a tua paciência será levada em conta por Deus; não te
condoas deles, nem te angusties por suas conspirações. (Alcorão 16:127)
O Alcorão também diz que os fiéis serão inspecionados em relação à sua
paciência:
Sabei que vos provaremos, para certificar-Nos de quem são os combatentes e
perseverantes, dentre vós, e para provarmos a vossa reputação. (Alcorão
47:31)
Sem dúvida que sereis testados quanto aos vossos bens e pessoas e também
ouvireis muitas blasfêmias daqueles que receberam o Livro antes de vós, e
dos idólatras; porém, se perseverardes pacientemente e temerdes a Deus,
sabei que isso é um fator determinante, em todos os assuntos. (Alcorão
3:186)
A perseverança também é a chave da vitória a ser alcançada sobre os
incrédulos. Deus fortalece os fiéis quando eles perseveram pacientemente,
enquanto que aqueles que nãoperseveram não têm Seu amparo.
... e se entre vós houvesse cem perseverantes, venceriam duzentos; e se
houvesse mil, venceriam dois mil, com o beneplácito de Deus, porque Ele está
com os perseverantes. (Alcorão 8:66)
E obedecei a Deus e ao Seu Mensageiro e não disputeis entre vós, porque
fracassaríeis e perderíeis o vosso valor. E perseverai, porque Deus está com
os perseverantes. (Alcorão 8:46)
A perseverança é uma das mais importantes características para merecermos a
Vontade de Deus e os céus. No Alcorão os crentes são mencionados como "
aqueles que perseveram e se encomendam ao seu Senhor." (Alcorão 16:42)
O que possuís é efêmero; por outra, o que Deus possui é eterno. Em verdade,
premiaremos os perseverantes com uma recompensa, de acordo com a melhor das
suas ações. (Alcorão 16:96)
Tais serão recompensados, por sua perseverança, com o empíreo, onde serão
recebidos com saudação e paz. (Alcorão 25:75)
É ademais, contar-se entre os fiéis, que recomendam mutuamente a
perseverança e se encomendam à misericórdia. (Alcorão 90:17)
Os crentes pedem a Deus em suas orações por perseverança e constância:
E quando se defrontaram com Goliase com o seu exército,disseram: Ó Senhor
nosso, infunde-nos constância, firma os nossos passos e concede-nos a
vitória sobre o povo incrédulo! (Alcorão 2:250)
AS BOAS AÇÕES
O conceito de "boas ações" é frequentemente citado no Alcorão e representa
todas as espécies de atos e comportamentos que estão de acordo com a
religião e com aVontade de Deus
A salvação do homem não é alcançada só por intermédio da fé mas, também,
pelas boas ações, que são sinais de Fé. Dizer simplesmente "Eu creio" não é
suficiente para se conseguir a salvação. Com relação a isso, assim diz o
Alcorão:
Porventura, pensam os homens que serão deixados em paz, só porque dizem:
Cremos!, sem serem postos à prova? Havíamos provado seus antecessores, a fim
de que Deus distinguisse os leais dos impostores. (Alcorão 29:2-3)
Este teste se dá através das boas ações, porque são as ações que indicam a
perseverança, a firmeza, a determinação, a lealdade, isto é, a força da fé.
São diversas as espécies de ações a que o Alcorão se refere. Divulgar a
religião às pessoas, esforçar-se pela prosperidade e benefício dos
muçulmanos, tentar a melhor compreensão do Alcorão, resolver qualquer tipo
de problema, seja pessoal ou social, dos muçulmanos, manter as mesquitas de
Deus, tudo isso são boas ações importantes. As adorações islâmicas como a
oração, o jejum, gastar pela causa de Deus, a peregrinação são todas ações
importantes.
A virtude não consiste só em que orienteis vossos rostos até ao levante ou
ao poente. A verdadeira virtude é a de quem crê em Deus, no Dia do Juízo
Final, nos anjos, no Livro e nos Profetas; de quem distribui seus bens em
caridade por amor a Deus, entre parentes, órfãos, necessitados, viajantes,
mendigos e em resgate de cativos (escravos). Aqueles que observam a oração,
pagam o zakat, cumprem os compromissos contraídos, são pacientes na miséria
e na adversidade, ou durante os combates, esses são os verazes, e esses são
os tementes (a Deus). (Alcorão 2:177)
No entanto, existe um ponto importante a ser observado: o que tornam as boas
ações válidas não são o resultado propriamente e sim a intenção por trás
delas, que é sempre no sentido de se agradar a Deus. Nesse sentido, o
conceito de "boas ações" é diferente do de caridade, conforme entendido
pelos incrédulos. As boas ações são sempre pela causa de Deus, ao passo que
as atitudes caritativas visam à cooperação social e aos elogios mundanos.
Os versículos abaixo demonstram por que os crentes estão tão distantes do
conceito de "filantropia".
Porque cumprem os seus votos e temem o dia em que o mal estará espalhado, e
porque, por a Ele, alimentam o necessitado, o órfão e o cativo. (Dizendo):
Certamente vos alimentamos por amor a Deus; não vos exigimos recompensa,
nemgratidão. Em verdade, tememos, da parte do nosso Senhor, o dia da
afilição calamitosa. (Alcorão 76:7-10)
Se as "boas ações" não são empreendidas pela causa de Deus, então elas não
são boas ações. Por conseguinte, isto quer dizer que essas pessoas buscam a
vontade dos outros, o que é paganismo, conforme informado pelo Alcorão, e um
grande pecado.
Ai, pois, dos praticantes das orações, que são negligentes em suas orações,
que as fazem por ostentação. (Alcorão 107:4-6)
Da mesma forma, se uma pessoa gasta do seu pela causa de outros e não pela
de Deus, isto não tem valor. No Alcorão está dito assim:
Ó fiéis, não desmereçais as vossas caridades com exprobação ou agravo, como
aquele que gasta os seus bens, por ostentação, diante das pessoas e não crê
emDeus, nem no Dia do Juízo Final. O seu exemplo é semelhante ao de uma
rocha coberta por terra que, ao ser atingida por um aguaceiro, fica a
descoberto.Emnada se beneficiará,de tudo quanto fizer, porque Deus não
ilumina os incrédulos. Por outra, exemplo de que gasta os seus bens
espontaneamente, aspirando à complacência de Deus para fortalecer a sua
alma,é como um pomar emuma colina que, ao cair a chuva, tem os seus frutos
duplicados; quando a chuva não o atinge, basta-lhe o orvalho. E Deus bem vê
tudo quanto fazeis. (Alcorão 2:265-265)
(Tampouco Deus aprecia) os que distribuem ostensivamente os seus bens e não
crêem em Deus, nem no Dia do Juízo Final, além de terem Satanás por
companheiro.Que péssimo companheiro! Que teriam eles a temer, se cressem em
Deus e no Dia do Juízo Final, e fizessem caridade, com aquilo com que Deus
os agraciou, uma vez que Deus bem os conhece? (Alcorão 4:38-39)
Há,também, um exemplo de caridade, ou seja, os atos que na verdade não
intencionados a Deus, eque são mencionados no Alcorão: é o caso dos homens
que mantêm a Caaba e ajudam os peregrinos, e que são tratados como iníquos:
Considerais, acaso, os que fornecem água aos peregrinos e os guardiães da
Sagrada Mesquita iguais aos que crêem em Deus e no Dia do Juízo Final, e
lutam pela causa de Deus? Aqueles jamais se equipararão a estes, ante Deus.
Sabei que Deus não ilumina os iníquos. (Alcorão 9-19)
As boas ações são única e exclusivamente para agradar a Deus. Mesmo que o
resultado pretendido não seja alcançado, continua sendo uma boa ação, porque
sua intenção é justa. Por exemplo, a pessoa pode esforçar-se ao máximo para
fazer alguma coisa que agrade a Deus. Não importa qual seja o resultado,
pois ele sempre será merecedor da Vontade de Deus.Todo muçulmano deve saber
que há uma grande sabedoria quando alguma coisa não se concretiza da forma
como ele esperava. Conforme citado no Alcorão, Deus sabe bem se o resultado
pretendido é bom ou não:
É possível que repudieis algo que seja um bem para vós e, quiçá, gosteis de
algo que vos seja prejudicial; todavia, Deus sabe e vós ignorais. (Alcorão
2:216)
Conforme o grande comandante muçulmano, Salahudin Ayoubi, disse, "somos
responsáveis pela expedição e não pela vitória", toda a tarefa deve ter a
intenção de agradar a Deus, mas o seu resultado pertence a Deus, somente.
Ele está acima de tudo e o homem é o pobre que precisa d'Ele. Sim, Deus está
acima de tudo, não necessita do que quer que seja e é isento de qualquer
defeito. Deus não necessita das boas ações e das orações dos crentes.
Ó humanos, sois vós que necessitais de Deus, porque Deus é, por Si, o
Opulento, o Laudabilíssimo. Se quisesse, poderia fazer-vos desaparecer e
apresentaria uma nova criação, porque isso não é difícil a Deus. (Alcorão
35:17-17)
Deus faz tudo o que Ele quer. Ele não precisa do empenho dos fiéis melhorar
a Sua religião. Conforme citado na Surata Ar-Rad 31: Não reparam os fiéis
que seDeus quisesse, teria encaminhado todos os humanos?
Consequentemente, cumprir as decisões de Deus e praticar boas ações são, na
verdade, para o benefício da própria pessoa e para garantir-lhe o Paraíso.
Conforme citado no Alcorão, quanto àquele que lutar pela causa de Deus, o
fará em benefício próprio; porém, sabei que Deus pode prescindir de toda a
humanidade. (Alcorão 29:6)
Da mesma forma, a pessoa que faz as suas orações, ou o jejum, ou gasta pela
causa de Deus, ou apoia o Islam, o faz em seu próprio benefício. É ele quem
necessita dessas adorações.
Nem suas carnes, nem seu sangue chegam até Deus; outrossim, alcança-O a
vossa piedade. Assim vo-los sujeitou, para que O glorifiqueis, por haver-vos
encaminhado. Anuncia, pois, a bem-aventurança aos benfeitores. (Alcorão
22:37)
Uma vez que a intenção é fundamental, o crente deve louvar a Deus e pedir
Sua aprovação enquanto estiver praticando as boas ações. A oração de Abraão
e Ismael é um bom exemplo para todos os crentes:
E quando Abraão e Ismael levantaram os alicerces da Casa, exclamaram: Ó
Senhor nosso, aceita-a de nós pois Tu és Oniouvinte, Sapientíssimo. Ó Senhor
nosso, permite que nos submetamos a Ti e que surja, da nossa descendência,
uma nação submissa à Tua vontade. Ensina-nos os nossos ritos e absolve-nos,
pois Tu és o Remissório, o Misericordiosíssimo. (Alcorão 2:127-128)
Quando uma pessoa diz "Eu creio", esta é uma bela declaração, que o
fortalecerá, juntamente com as boas ações, perante Deus: Até Ele ascendem as
puras palavras e as nobres ações. (Alcorão 35:10)
O crente que tem fé em Deus e pratica boas ações por toda a sua vida,
entrará nos jardins dos céus e alcançará a suprema conquista, conforme
mencionado no versículo abaixo:
Quanto aos fiéis que praticam o bem - jamais impomos a alguém uma carga
superior às suas forças - saibam que serão os diletos do Paraíso, onde
morarão eternamente. Extinguiremos todo o rancor de seus corações.A seus pés
correrão os rios e dirão: Louvado seja Deus, que nos encaminhou até aqui;
jamais teríamos podido encaminhar-nos, se Ele não nos tivesse encaminhado.
Os mensageiros de nosso Senhor nos apresentaram a verdade. Então, ser-lhes-á
dito: Eis o Paraíso que herdastes emrecompensa pelo que fizestes. (Alcorão
7:42-43)
AGRADECER A DEUS
Allah é o único Senhor de todas as espécies de bênçãos e dar graças a Ele
significa, sabiamente, expressar satisfação e gratidão, seja de corpo ou
de alma. O oposto de dar graças a Deus é a ingratidão, que é descrita como a
rejeição da Fé. Isto mostra a importância de sermos gratos, porque
representa adoração a Deus e a sua falta representa riscos.
Ser grato a Deus é um dos aspectos que o Alcorão mais enfatiza.
Aproximadamente, setenta versículos citam a importância de sermos gratos a
Deus e nos adverte para essa prática. Estes versículos mencionam também
exemplos daqueles que são gratos e dos que não são e as respectivas
conseqüências. Uma das razões de tal ênfase é porque se trata de um dos
maiores sinais de se tomar Deus como o Único. O Alcorão diz que dar graças a
Deus mostra que só servimos a Ele.
Ó fiéis, desfrutai de todo o bem com que vos agraciamos e agradecei a
Deus,se só a Ele adorais. (Alcorão 2:172)
Em um outro versículo do Alcorão, agradecer a Deus é mencionado como o
oposto de idolatria:
Já te foi revelado,assim como aos teus antepassados: Se idolatrares,
certamente tornar-se-á sem efeito a tua obra, e te contarás entre os
desventurados. (Alcorão 39:65-66)
A expressão do Mal, conforme observado no Alcorão, assinala a importância de
se dar graças a Deus:
Disse: Juro que, por me teres extraviado, desviá-los-ei da Tua senda reta.
E, então, atacá-los-ei pela frente e por trás, pela direita e pela esquerda
e não acharás, entre eles, muitos agradecidos! (Alcorão 7:16-17)
Conforme citado no versículo acima, Satanás, que se dedicou a desviar os
homens por causa de sua inveja, luta, com todo o seu poder e energia, para
fazer com que os homens se esqueçam de agradecer a Deus. A hereditariedade
de uma pessoa assim, é melhor compreendida quando sabe que o objetivo maior
de Satanás é impedir os homens de agradecerem a Deus,
Ser grato é parte do teste de Deus. Ele nos concede inúmeros favores e nos
informa a maneira de agir. Assim Ele testa nossas atitudes. Por conseguinte,
somos gratos ou ingratos. Este fato é mencionado no Alcorão como se segue:
Em verdade, criamos o homem, de esperma misturado, para prová-lo, e o
dotamos de ouvidos e vistas.Em verdade, assinalamos-lhe uma senda, quer
fosse agradecido, quer fosse ingrato. (Alcorão 76:2-3)
Nos versículos acima, é dito que o homem escolherá ser agradecido ou não.
Portanto, ser grato é um sinal de fé e ser ingrato é um sinal de descrença.
Por conseguinte, Deus declara que não haverá punição para aqueles que têm fé
e são agradecidos:
Que interesse terá Deus em castigar-vos, se sois agradecidos e fiéis? Ele é
Retribuidor, Sapientíssimo. (Alcorão 4:147)
Existem muitos outros versículos como os acima, onde Deus afirma que
premiará o agradecido e suas bênçãos sobre ele aumentarão. A seguir, alguns
exemplos:
E de quando o vosso Senhor vos proclamou: Se Me agradecerdes,
multiplicar-vos-ei; se me desagradecerdes, sem dúvida que o Meu castigo será
severíssimo. (Alcorão 14:7)
Isso é o que Deus anuncia aos Seus servos fiéis, que praticam o
bem.Dize-lhes:Não vos exijo recompensa alguma por isto, senão o amor aos
vossos parentes. E a quem quer que seja que conseguir uma boa ação,
multiplicar-lha-emos; sabei que Deus é Compensador, Indulgentíssimo.(Alcorão
42:23)
O povo de lot desmentiu os seus admoestadores. Sabei que desencadeamos sobre
eles uma chuva de pedras,exceto sobre a família de Lot, a qualsalvamos na
hora da alvorada, por Nossa graça. Assim, recompensamos os agradecidos.
(Alcorão 54:33-35)
Conforme mencionado no Alcorão, "Se pretenderdes contar as mercês de Deus,
jamais podereis enumerá-las. Sabei que Deus é Indulgente,
Misericordiosíssimo." (Alcorão 16:18), não podemos contar as mercês de Deus,
seja no todo, seja uma por uma. Uma vez que não há limites para as bênçãos
de Deus, também não há limites para a nossa gratidão. Por isso é que o homem
deve expressar constantemente sua gratidão e agir de acordo, lembrando-se
sempre de Suas mercês e falando delas.
Algumas pessoas acham que deveriam receber bênçãos especiais ou terem seus
problemas importantes resolvidos e só assim dar graças a Deus. No entanto,
cada momento de nossa vida é, na verdade, repletodas bênçãos e favores de
Deus. A própria vida, a saúde, a sabedoria, a inteligência, a consciência,
os sentidos, etc., são bênçãos consistentes de Deus e devemos agradecer por
cada uma delas. As pessoas que louvam a Deus e que não consideram isso, não
sabem o valor e o mérito dessas bênçãos, não dão graças a Deus, e somente
alcançam o seu valor quando são privadas dessas mercês.
O Alcorão fala dos muitos favores que foram concedidos por Deus, e pelos
quais devemos agradecer. Alguns deles são os seguintes: ter sido criado
saudável; os sentidos da audição e da visão; como Deus purifica os crentes
de seus pecados e do mal, o perdão de Deus; a facilidade para a prática das
orações;a vitória sobre os incrédulos; todas as coisas que nos foram
concedidas para a satisfação da vida; a água para beber, a safra agrícola,
os animais que estão a nosso serviço, o mar, os navios, o dia e a noite ...
Não pode haver desculpas do tipo "Eu não agradeço a Deus, mas pratico boas
ações e me comporto corretamente". E isto porque um ingrato, na verdade, não
louva a Deus e, além do mais, é negligente com Ele. Diante de Deus, de nada
valem as ações que são praticadas displicentemente. Não é possível que uma
pessoa, que não aprecia de alguma maneira as bênçãos de Deus mas que se
beneficia com elas, sem pensar ou sequer se lembrar da Misericórdia de Deus,
em suma, um ingrato, anseie e espere pela satisfação de Deus e por uma vida
agradável depois da morte, a menos que essa pessoa mude seu comportamento.
Portanto, o crente não deve jamais deixar de graças a Deus.
Existem muitos versículos no Alcorão que declaram que somente as pessoas
agradecidas serão capazes de compreender as evidências de Deus, seja no
Alcorão, seja na terra. Eis alguns desses versículos:
Da terra fértil brota a vegetação, com o beneplácito do seu Senhor; da terra
estéril, porém, nada brota, senão escassamente. Assim elucidamos os
versículos para os agradecidos. (Alcorão 7:58)
Enviamos Moisés com os Nossos sinais, (dizendo-lhe): Transporta o teu povo
das trevas para a luz, e recorda-lhe os dias de Deus! Nisso há sinais para
todo o perseverante, agradecido. (Alcorão 14:5)
Porém disseram: Ó Senhor nosso, prolonga a distância entre os nossos
estágios de viagem! E se condenaram. Então os convertemos em lenda (a ser
marrada) para os povos e os dispersamos por todas as partes. Nisto há sinais
para todo o perseverante, agradecido." (Alcorão 34:19)
As bênçãos e as provas de Deus só podem ser compreendidas pelos agradecidos.
Os ingrados não entendem a grande razão por trás delas e muito menos
entendem os sinais de Deus. Em muitos versiculos do Alcorão, Deus informa a
Seus mensageiros para serem agradecidos e até Moisés está entre eles.
Disse-lhe: Ó Moisés, tenho-te preferido aos (outros) homens, revelando-te as
Minhas mensagens e as Minhas palavras! Recebe, pois, o que te tenho
concedido e sê um dos agradecidos. (Alcorão 7:144)
Na surata Al-Ahkaf, é-nos dito que o crente com a idade de 40 anos, que é a
idade da maturidade, pede para ser uma pessoa que dá graças pelos favores
recebidos de Deus, enfatizando, assim, a importância de se agradecer a Deus.
E recomendamos ao homem benevolência para com os seus pais. Com dores,sua
mãe o carrega durante a sua gestação e, posteriormente, sofre as dores do
seu parto. E de sua concepção até à sua ablactação, há um espaço de trinta
meses, quando alcança a puberdade e, depois, ao atingir quarenta anos, diz:
Ó Senhor meu, inspira-me, para agradecer-Te as mercês com que me agraciaste,
a mim e aos meus pais, para praticar o bem que Te compraz e faze com que
minha prole seja virtuosa. Em verdade, converto-me a Ti, e me conto entre os
muçulmanos. (Alcorão 46:15)
NÃO BUSCAR VANTAGENS PESSOAIS
O critério importante que indica que a pessoa é sincera em sua fé e que só
procura a satisfação de Deus é o de não buscar qualquer tipo de conquista ou
vantagens para si nesta vida terrena, e sim empenhar-se pela Vontade de
Deus. O crente que verdadeiramente sabe que todas as espécies de bênçãos têm
origem divina e além disso é temente e pede a Ele, jamais pensará em seus
próprios interesses.
Portanto, a busca da auto-satisfação ou não na verdade depende da fé. O
homem que verdadeiramente concebe Deus e a vida depois da morte, é claro que
não pensa na satisfação pessoal e se empenhará para que as paixões egoístas
não o dominem, conforme citado no Alcorão. Ao passo que, para o homem que
não concebe verdadeiramente Deus e a vida depois da morte, é fácil não
compreender os sinais de Deus e buscar vantagens menores.
O Alcorão recomenda aos crentes nunca esperarem qualquer benefício em
razão de seus atos e de sua fé. E nos versículos alcorânicos é narrado que
os mensageiros jamais esperam qualquer "recompensa" pelo fato de terem
transmitido a religião e lutado pela causa de Deus.
"E (enviamos) ao povo de Ad seu irmão Hud, o qual lhes disse: 'O povo meu,
adorai a Deus, porque não tereis outra divindade além d'Ele. Sabei que não
sois mais do que forjadores (quanto a outros deuses. 'O povo meu, não vos
exijo, por isso, recompensa alguma, porque minha recompensa só procede de
Quem me criou. Não raciocinais?" (Alcorão 11:50-51)
"Dize-lhes: Não vos exijo, por isso, recompensa alguma, além de pedir, a
quem quiser encaminhar-se até a senda do seu Senhor, que o faça."(Alcorão
25:57)
"Quando o irmão deles, Noé, lhes disse: Não temeis (a Deus)? Em verdade sou
para vós um fidedigno mensageiro. Temei, pois, a Deus, e obedecei-me! Não
vos exijo, por isso, recompensa alguma, porque a minha recompensa virá do
Senhor do Universo." (Alcorão 26:106-109)
Conforme mencionado nos versículos acima, os crentes não anseiam por
qualquer vantagem nesta vida terrena. A vantagem acima citada não é só a
monetária, mas também o reconhecimento, as honrarias prestadas pelos outros.
O único apreço que eles esperam é a satisfação de Deus. Se Deus quiser Ele
também recompensará neste mundo com muitas bênçãos, vitória, conforto, etc.
Portanto, o critério para os atos e para o serviço não é a aprovação dos
outros e sim o prazer de Deus. Houve mensageiros que não foram estimados nem
acatados. Além do mais, esses mensageiros encontraram muita oposição. No
entanto, isto de maneira nenhuma significa que eles "fracassaram". Na
verdade, eles não pensavam assim porque sua intenção não era granjear a
estima ou o apreço dos outros e, sim, o prazer de Deus. Os crentes são
obrigados a se conduzirem no caminho de Deus, a pedirem e a servirem a Ele.
Deus é quem dá a vitória e o sucesso neste mundo, desde que Ele assim o
deseje.
Esperar por uma recompensa pelo serviço prestado é uma atitude dos infiéis,
como no caso dos mágicos que ajudaram o Faraó, conforme relatado no Alcorão.
"Quando os magos se apresentaram ao Faraó, disseram: É de se supor que
teremos uma recompensa se sairmos vencedores." (Alcorão 7:113)
O melhor meio de se alcançar a satisfação de Deus é a adoração. Uma vez que
o brilho desta vida não é o objetivo do crente, qualquer coisa nesse sentido
não o impressiona. Além do mais, está ordenado no Alcorão "que seus olhos
não passem a deles"
"Sê paciente, juntamente com aqueles que pela manhã e à noite invocam seu
Senhor, anelando contemplar Seu Rosto. Não negligencies os fiéis, desejando
o encanto da vida terra e não escutes aquele cujo coração permitimos
negligenciar o ato de se lembrar de Nós, e que se entregou aos seus próprios
desejos, excedendo-se em suas ações." (Alcorão 18:28)
Aqui, temos uma questão muito importante: quando estiver meditando sobre a
religião, a pessoa não deve pensar em seus interesses particulares e sim
imaginar como pode servir a Deus mais e melhor. A atitude contrária é a
hipocrisia. Essa espécie de gente é do tipo que tenta se mostrar sincera
porque tem outros interesses que não agradar a Deus e os hipócritas serão
aqueles que irão para o mais baixo estágio do inferno. O Alcorão se refere a
essas pessoas assim:
"Dizem: Cremos em Deus e no mensageiro, e obedecemos. Logo, depois disso,
uma parte deles volta as costas, porque não é fiel. E quando são convocados
ante Deus e Seu Mensageiro, para que julguem entre eles, eis que um grupo
deles desdenha. Porém, se a razão está do lado deles, correm a ele,
obedientes." (Alcorão 24:47-49)
Conforme mencionado nos versículos acima, os hipócritas só aceitam o
julgamento da religião naquilo que esteja de acordo com os seus próprios
interesses, negando, por outro lado, tudo o que os contrarie. Essas pessoas
podem parecer muito religiosas, mas apenas por um certo período de tempo. Na
verdade, de acordo com o Alcorão, são como "os alicerces fincados à beira de
um penhasco minado, pronto a se desmoronar em pedaços".
"Quem é melhor: o que alicerçou o seu edifício, fundamentado no temor a
Deus, esperançoso de Seu beneplácito, ou que o construiu à beira do abismo
e, em seguida, se arrojou com ele no fogo do inferno? Sabei que Deus não
ilumina os iníquos." (Alcorão 9:109)
A seguir, alguns versículos alcorânicos que falam da importância da
satisfação de Deus:
"Equiparar-se-á quem tiver seguido o que apraz a Deus com quem tiver
suscitado a Sua indigação, e cuja morada será o inferno? Que funesto
destino!" (Alcorão 3:162)
"Pela mercê e pela graça deDeus, retornaram ilesos.Seguiram o que apraz a
Deus; sabei que Deus é Agreaciante por excelência." (Alcorão 3:174)
"Não há utilidade alguma na maioria dos seus colóquios, salvo nos que
recomendam a caridade, a benevolência e a concórdia entre os homens. A quem
assim proceder, com intenção de agradar a Deus, agraciá-lo-emos com uma
magnífica recompensa." (Alcorão 4:114)
"Pelo qual Deus conduzirá aos caminhos da salvação aqueles que procurem a
Sua complacência e, por Sua vontade, tirá-los-á das trevas e os levará para
a luz, encaminhando-os para a senda reta." (Alcorão 5:16)
"Deus prometeu aos fiéis e às fiéis jardins, abaixo dos quais correm os
rios, onde morarão eternamente, bem como abrigos encantadores, nos jardins
do Éden; e a complacência de Deus é ainda maior do que isso.Tal é o
magnífico benefício." (Alcorão 9:72)
"E que perseveram na busca do semblante de seu Senhor, observam a oração e
fazem caridade, privativa ou manifestamente, daquilo com que os agraciamos,
e retribuem o mal com o bem; estes obterão a última morada."(Alcorão 13:22)
O objetivo dos fiéis é a busca do prazer de Deus, da Sua Misericórdia e do
paraíso. Portanto, Deus, quando se dirige aos crentes, declara
"escolhemo-los por um propósito: a proclamação da Mensagem da morada
futura." (Alcorão 38:46)
As bênçãos e graças verdadeiras são as que nos aguardam depois da morte.
Esta vida é passageira e carece de muitas coisas. Ela foi criada apenas como
um exemplo das verdadeiras bênçãos que encontraremos na vida futura, no
paraíso.
"Aos homens foi abrilhantado o amor à concupiscência relacionada às
mulheres, aos filhos, ao entesouramento do ouro e da prata, aos cavalos de
raça, ao gado e às sementeiras. Tal é o gozo da vida terrena: porém, a
bem-aventurança está ao lado de Deus." (Alcorão 3:14)
"Sabei que a vida terrena é tão-somente jogo e diversão, veleidades, mútua
vanglória e rivalidade, com respeito à multiplicação de bens e filhos; é
como a chuva, que compraz aos cultivadores, por vivificar a plantação; logo,
completa-se o seu crescimento e a verás amarelada e transformada em feno. Na
outra vida haverá castigos severos, indulgência e complacência de Deus. Que
é a vida terrena, senão um prazer ilusório?" (Alcorão 57:20)
O crente se utiliza de todas as bênçãos e favores desta vida mas jamais ses
esquece de Deus, da vida depois da morte e de seu objetivo verdadeiro.
Qualquer atitude contrária a isto é rigorosamente proibida e, nesse
sentido, somos advertidos por Deus muito severamente.
"Dize-lhes: Se vossos pais, vossos filhos, vossos irmãos, vossas esposas,
vossa tribo, os bens que tenhais adquirido, o comércio, cuja estagnação
temeis, e as casas nas quais residis, são-vos mais queridos do que Deus e
Seu Mensageiro, bem como a luta por Sua causa, aguardai, até que Deus venha
cumprir os Seus desígnios. Sabei que Ele não ilumina os depravados."(Alcorão
9:24)
"Porém, se quando se depararem com o comércio ou com a diversão, se
dispersarem, correndo para eles e te deixarem a sós, dize-lhes: O que está
relacionado com Deus é preferível à diversão e ao comércio, porque Deus é o
melhor dos provedores." (Alcorão 62:11)
FRATERNIDADE
Uma outra característica dos crentes, que é tão importante quanto a lealdade
e a simples adoração, é a fraternidade e união entre eles. O Alcorão diz que
todos os crentes são irmãos uns dos outros. Eles têm os mesmo objetivos e as
mesmas intenções, sentem as mesmas coisas e, em decorrência, desfrutam de
uma grande amor e solidariedade entre si. Assim diz o Alcorão a respeito:
"Em verdade, Deus aprecia aquelesque combatem em fileiras, por Sua causa,
como se fossem uma sólida muralha." (Alcorão 61:4)
"E apegai-vos, todos, ao vínculo com Deus e não vos dividais; recordai-vos
das mercês de Deus para convosco, porquanto éreis adversários mútuos e Ele
conciliou os vossos corações e , mercê de sua graça, vos convertestes em
verdadeiros irmãos; e quando estivestes à beira do abismo infernal, (Deus)
dele vos salvou. Assim, Deus vos elucida os Seus versículos, para que vos
ilumineis." (Alcorão 3:103)
Os crentes possuem valores morais elevados e se comportam de acordo com
esses valores; eles são respeitosos e modestos. É dessa forma que uma
fraternidade se forma. No entanto, também existem aspectos que os crentes
devem observar, porque, algumas vezes, os erros provocados por eles podem
prejudicar a irmandade.
A explicação para isto é que a alma que orienta o comportamento dos
crentes deixou de estar alerta. Embora os crentes sejam generosos e
tolerantes, a alma de cada a pessoa tem um lado fraco e, por isso, deve
acautelar-se para não perder o controle. No caso de uma alma egoísta,
invejosa e apaixonada, é ela quem assume o controle e esses aspectos ruins
afetarão o comportamento dos crentes.
Por isso que o Alcorão adverte acerca da fraternidade. Uma vez que o lado
ruim da alma pode desviar o homem, os crentes não devem jamais se comportar
de uma forma que possa, de alguma forma, provocar os outros crentes.
"E dize aos Meus servos que digam sempre o melhor, porque Satanás causa
dissensões entre eles, pois Santanás é um inimigo declarado do homem."
(Alcorão 17:53)
No Alcorão, os crentes são informados de que devem se relacionar da melhor
maneira possível. Oversículo acima também nos diz que Satanás tenta destruir
a fraternidade entre os homens, principalmente entre os crentes. Quando em
estado de descuido, o crente pode passar por cima de seus irmãos e, por
consequência, sentir inveja dos irmãos que deveriam ser prioritários para
eles. Este tipo de comportamento só acontece em estado de descuido e é, na
verdade, um insurreição contra Deus. Conforme mencionado no Alcorão "ou
invejam seus semelhantes por causa do que Deus lhes concedeu de Sua
graça?..." (Alcorão 4:54), todos os favores concedidos aos homens vêm
somente de Deus e a Ele pertencem. Ter inveja deles é questionar o plano de
Deus e, além do mais, provoca nos crentes a perda do valor, uma vez que os
crentes devem evitar, rigorosamente, a inveja.
"E obedecei a Deus e a Seu mensageiro e não disputeis entre vós, porque
fracassaríeis e perderíeis o vosso valor. E perseverai, porque Deus está com
os perseverantes." (Alcorão 8:46)
Por conseguinte, os crentes devem ser cautelosos, evitando não só a inveja
como também qualquer situação que possa provocar esse estado. A sinceridade
e a modéstia podem acabar com o perigo da competição. Um outro critério
importante que o Alcorão menciona é a penitência, que deverá ser praticada
com alegria.
"Os que antes deles residiam (em Medina) e haviam adotado a fé, mostram
afeição por aqueles que migraram para junto deles e não nutrem inveja alguma
em seus corações, pelo que (tais migrantes) receberam (de despojos); por
outra, preferem-nos, em detrimento de si mesmos. Sabei que aqueles que se
preservarem da avareza serão os bem-aventurados." (Alcorão 59:9)
A inveja, a competição e a disputa, são os três obstáculos mais importantes
que impedem a fraternidade e a união entre os crentes. Toda a espécie de
competição provocada pelas paixões diminue o amor e a devoção. Tal
comportamento que contradiz o Alcorão, prejudica o espírito dos crentes.
Existem muitas formas pelas quais os crentes podem ganhar a satisfação de
Deus para com eles. Portanto, não faz qualquer sentido entrar numa
competição injusta e despropositada, ou sentir inveja. Uma vez que o
verdadeiro objetivo do crente deve ser o de agradar a Deus, não deveria
haver qualquer tipo de competição porque todos podem ganhar o prazer de Deus
sem que seja necessário confrontar-se com os outros. Assim, os crentes não
devem se esquecer de que são aliados, protetores e socorredores uns dos
outros, da mesma forma que os órgãos do corpo, e por isso devem olhar parsa
o sucesso do irmão como se fosse o seu próprio. Existem muitos versículos no
Alcorão que falam sobre a união e fraternidade entre os crentes.
"E aqueles que os seguiram dizem: Ó Senhor nosso, perdoa-nos, assim como
também aos nossos irmãos, que nos precederam na fé e não infundas em nossos
corações rancor algum pelos fiéis.Ó Senhor nosso, certamente Tu és
Compassivo, Misericordiosíssimo." (Alcorão 59:10)
A discórdia e a controvérsia entre os crentes mostram a dissenção entre
eles, destróem a força deles e fortalecem os infiéis. No Alcorão está dito
que, quando os crentes não se apoiam uns nos outros, surge a tirania.
"Os infiéis são, igualmente, protetores uns dos outros; e se vós não o
fizerdes (protegerdes uns aos outros), haverá intriga e a opressão sobre a
terra." (Alcorão 8:73)
Em muitas passagens, o Alcorão faz considerações a respeito da fraternidade
e união entre os crentes:
"Não sejais como aqueles que se dividiram e discordaram, depois de lhes
terem chegado as evidências, porque esses sofrerão um severo castigo."
(Alcorão 3:105)
"Perguntar-te-ão sobre os espólios. Dize: Os espólios pertencem a Deus e ao
Mensageiro. Temei, pois, a Deus, e resolvei fraternalmente as vossas
querelas; obedecei a Deus e ao Seu Mensageiro, se sois fiéis." (Alcorão 8:1)
"Não és responsável por aqueles que dividem a sua religião e formam seitas,
porque sua questão depende de só de Deus, o Qual logo os inteirará de tudo
quanto houverem veito." (Alcorão 6:159)
Os crentes são obrigados a ter misericórdia e clemência para com os outros
crentes e a serem extremamente modestos. Qualquer outro comportamento
diferente disso, decididamente não é característica do verdadeiro fiel. A
arrogância, a inveja, a discórdia pertencem aos infiéis. Portanto, o crente
que aje assim por causa do lado ruim de sua alma, deve pedir a proteção de
Deus, arrepender-se e corrigir-se. Do contrário, conforme citado no
versículo abaixo, Deus os substituirá por um grupo superior de pessoas .
"Ó fiéis, aqueles dentre vós que renegarem a sua religião, saibam que Deus
os suplantará por outras pessoas, às quais amará, as quais O amarão, serão
compassivas para com os fiéis e severas para com os incrédulos; combaterão
pela causa de Deus e não temerão censura de ninguém. Tal é a graça de Deus,
que a concede a quem Lhe apraz, porque Deus é Munificente,Sapientíssimo.
(Alcorão 5:54)
Anonymous
14-05-2003, 20:13
continuação ...
MODÉSTIA E ARROGÂNCIA
A modéstia é um dos tópicos mais importantes e dos mais citados no Alcorão.
Ser modesto e humilde é sinal de fé, enquanto que a arrogância é a
característica peculiar da descrença.
A razão para a modéstia estar em pé de igualdade com a fé, e a arrogância
com a descrença, é porque a fé traz a compreensão e a sabedoria, enquanto
que a descrença evita o entendimento. Ninguém pode ser fiel e arrogante ao
mesmo tempo, porque o fiel compreende e concebe Deus através da razão e da
sabedoria e sabe que Deus tem o controle de todas as coisas e que, ele
próprio, também foi criado por Deus. Um homem de compreensão sabe que Deus é
o mais Forte e Poderoso, e que ele é fraco e pobre. Ele é fraco porque fica
doente, sofre, necessita do alimento para sobreviver e não pode impedir
nada disso. Ele nada possui e sequer pode determinar o dia em que morrerá.
Viverá sua vida por um período certo e determinado e, então, será enterrado
e voltará para Deus. Nada existe nele que possa provocar uma tal arrogância,
porque ele possui apenas o que lhe é concedido por Deus. E por isso, ele
deve graças a Deus e não ser arrogante. Este fato, ou seja, de que ele deve
ter consciência de sua fraqueza diante de Deus, moldará seu comportamento.
Ele tem consciência de sua fraqueza diante de Deus, mas não age como um
fraco diante dos outros e sim com dignidade e honradez.
Diferentemente dos crentes, os infiéis estão sempre num estado de arrogância
e altivez. Uma vez que eles não concebem Deus verdadeiramente, acham-se
independentes e livres de Deus e não sabem que, na verdade, são uns pobres.
Eles tentam se exaltar o máximo que podem. Por outro lado, alardear seus
bens terrenos como inteligência, riqueza, beleza, reputação, etc., como se
isso pertencesse a eles, é incorrer num grande erro, porque tudo o que
possuem pertence a Deus e Ele pode tirar a qualquer momento que queira.
Quando se vangloriam do que têm, também sentem falta do que não possuem. Não
sabem submeter-se a Deus, confiar n'Ele, e, por isso, são arrogantes e
complexados. O Alcorão mostra inúmeros exemplos de pessoas assim:
"Aqueles que disputam sobre os versículos de Deus, sem autoridade concedida,
não abrigam em seus peitos senão a soberbia, com a qual jamais lograrão o
que quer que seja: ampara-te, pois, em Deus, porque é o Oniouvinte, o
Onividente." (Alcorão 40:56)
"Aqueles que disputam acercados versículos de Deus, sem autoridade
concedida, não abrigam em seus peitos senão a soberbia, com a qual jamais
lograrão o que quer que seja: ampara-te, pois, em Deus, porque é o
Oniouvinte, o Onividente." (Alcorão 40:56)
Uma pessoa assim, como mencionada no versículo acima, se vê tão importante
que não consegue perceber as coisas em seu verdadeiro sentido. Pensa que
tudo que existe é um instrumento para a satisfação de seu ego. Ela se louva
a si própria e jamais admite que comete erros. Quando chega a esse ponto,
começa a sentir ódio da religião, uma vez que ela ensina que o homem nada
mais é do que um pobre servo de Deus. Ela não admite a verdade dos
ensinamentos por causa de sua arrogância. Essas pessoas são apresentadas no
Alcorão da seguinte forma:
"E os negaram, por iniquidade e arrogância, não obstante estarem deles
convencidos. Repara, pois, qual foi o destino dos corruptores." (Alcorão
27-14)
Os extremamente arrogantes são, na verdade, os verdadeiros responsáveis pela
perversidade e corrupção na terra.
"Entre os homens há aqueles que, falando da vida terrena, te encanta,
invocando Deus por Testemunha de tudo quanto encerra o seu coração, embora
seja o mais encarniçado dos inimigos d'Ele. E quando se retira, eis que a
sua intenção é percorrer a terra para causar a corrupção, devastar as
semeaduras e o gado, mesmo sabendo que a Deus desgosta a corrupção. Quando
lhe é dito que tema a Deus, apossa-se dele a soberbia, induzindo-o ao
pecado. Mas o inferno ser-lhe-á suficiente castigo. Que funesta morada."
(Alcorão 2:204-206)
Em um outro versículo, os arrogantes são assim reconhecidos:
"Que escuta os versículos de Deus, quando lhe são recitados, e se obstina,
ensoberbecido, como se não os tivesse ouvido! Anuncia-lhe um doloroso
castigo." (Alcorão 45-8)
Rejeitar a verdade, muito embora a alma esteja convencida dela, indica o
significado que a arrogância assume no espaço que vai da crença à descrença.
Nada, a não ser a arrogância, leva o homem a escolher o tipo de vida que o
conduzirá ao fracasso e à dor, seja nesta vida como na outra. Portanto, o
maior inimigo do homem é a arrogância.
O desvio e a rebeldia de Satanás estão baseados em sua arrogância. Existe no
Alcorão um exemplo muito importante, que enfatiza a importância da
arrogância. Este exemplo é assim relatado:
"Recorda-te de quando o teu Senhor disse aos anjos: De barro criarei um
homem.Quando o tiver plasmado e alentado com Meu Espírito, prostrai-vos ante
ele. E todos os anjos se prostraram, unanimemente, menos Lúcifer, que se
ensoberbeceu e se contou entre os incrédulos. (Deus) perguntou: Ó Lúcifer, o
que te impede de te prostrares ante o que criei com as Minhas Mãos? Acaso,
estáis ensoberbecido ou é que te contas entre os altivos? Respondeu: Sou
superior a ele; a mim me criaste de fogo, e a ele de barro. (Deus lhe)
disse: Vai-te daqui, porque és maldito, e a Minha maldição pesará sobre ti,
até ao Dia do Juízo! (Alcorão 38:71-78)
As afirmações de Satanás, mencionadas no Alcorão são muito interessantes e
mostram a sua maneira de ser, o seu complexo de inferioridade. O Alcorão nos
diz que Satanás se declara especial e superior a Adão. Mas, o único que
pode exaltar, dignificar ou degradar é Deus, somente. Ao ordenar que Satanás
se prostrasse ante Adão, Deus enalteceu Adão. Quem quer que tenha
discernimento pode resistir a uma ordem de Deus. Satanás ousou fazê-lo e,
por isso, sofrerá a maldição de Deus até o dia do Juízo.
O desvio de Santanás é um exemplo do desvio daqueles que o seguem. De acordo
com os versículos de Deus, devemos avaliar o comportamento de Santanás para
sabermos como somos levados ao extravio.
Satanás se revoltou contra Deus e, não satisfeito, quis que os outros se
rebelassem também. Este evento é relatado na surata Al-Hijr, conforme se
segue:
"Então, (Deus) disse: Ó Lúcifer, que foi que te impediu de seres um dos
prostrados? Respondeu: É inadmissível que me prostre ante um ser que criaste
de argila, de barro modelável. Disse-lhe Deus: Vai-te daqui (do Paraíso),
porque és maldito! E a maldição pesará sobre ti até ao Dia do Juízo. Disse:
Ó Senhor meu, tolera-me até ao dia em que forem ressuscitados! Disse-llhe:
Serás, pois, dos tolerados, até ao dia do término prefixado. Disse: Ó
Senhor meu, por me teres colocado no erro, juro que os alucinarei na terra e
os colocarei, a todos, no erro." (Alcorão 15: 32-39)
Mas, Satanás não quer ficar sozinho e fará de tudo para desviar as pessoas.
Num certo sentido, trata-se de uma satisfação psicológica. Da mesma forma
que Satanás, os homens também querem que os outros pratiquem os mesmos
pecados e cometam os mesmos erros para que não sejam os únicos a incorrerem
no erro, na falsa suposição de que a punição não será severa porque são
erros praticados por muitos. A expectativa básica daqueles que rejeitam a
fé e a religião, e desobedecem aos mandamentos de Deus, é a de que as
pessoas ao seu redor também fazem o mesmo. Portanto, a afirmação de que
"todos fazem assim", "se todas essas pessoas vão para o inferno, então eu
também irei", revelam esse tipo de raciocínio.
Satanás conhece Deus e aceita a existência e até o poder de Deus, mas,
ainda tem a falsa presunção de que é superior e, por isso, espera usufruir
de algumas prioridades. Esta é a razão pela qual ele se extravia quando
ordenado a se prostrar diante de Adão.
Esta é também a razão do extravio de muitas pessoas. A maior parte dos
infiéis citados no Alcorão admitem a existência de Deus, mas, acham que têm
algumas características superiores e, por isso, tornam-se arrogantes. Esta
também é a razão pela qual as pessoas que se desviaram se dizem "as
prediletas de Deus". O Alcorão frequentemente fala sobre isso e quando
judeus e cristãos se dizem "Somos os filhos de Deus e seus preferidos" obtêm
como resposta: "Por que,então, Elevos castiga por vossos pecados? Qual! Sois
tão somente seres humanos,como os outros! Ele perdoa a quem Lhe apraz e
castiga quem Ele quer. Só a Deus pertence o reino dos céus e da terra e tudo
quanto há entre ambos, e para Ele será o retorno." (Alcorão 5:18)
O sentimento de prioridade pode revelar-se de diversas formas. No entanto, o
Islam ensina ao homem que ele é pobre e nada possui além do que Deus lhe
concedeu. Muitas pessoas rejeitam esta verdade. Assim como Satanás que diz
"eu fui criado do fogo", muitas pessoas acham que pertencer a uma família
nobre, ser rico ou bonito, são características superiors e por isso,
permanecem insistentemente arrogantes. Há no Alcorão exemplos significativos
deste tipo. O caso de Qarun, um homem do povo de Moisés, é um exemplo
notável.
"Em verdade, Carun era do povo de Moisés e o envergonhou. Havíamos-lhe
concedido tantos tesouros, que as suas chaves constituíam uma carga para um
grupo de homens robustos. Recorda quando o seu povo lhe disse: Não exultes,
porque Deus não aprecia os exultados. Mas procura, com aquilo com que Deus
te tem agraciado, a morada do outro mundo; não te esqueças da tua porção
neste mundo, e sê amável, como Deus tem sido para contigo, e não semeies a
corrupção na terra, porque Deus não aprecia os corruptores. Respondeu: Isto
me foi concedido, devido a certo conhecimento que possuo! Porém, ignorava
que Deus já havia exterminado tantas geraões, mais vigorosas e mais
opulentas do que ele. Em verdade, os pecadores não serão interrogados
(imediantamente) sobre os seus pecados. Então apresentou-se seu povo com
toda a sua pompa. Os que ambicionavam a vida terrena disseram: Oxalá
tivéssemos o mesmo que foi concedida a Carun! Quão afortunado é! Porém, os
sábios lhes disseram: Ai de vós! A recompensa de Deus é preferível para o
fiel que pratica o bem. Porém, ninguém a obterá, a não ser os perseverantes.
E fizemo-lo ser tragado, juntamente com sua casa, pela terra, e não teve
partido algum que o defendesse de Deus, e não se contou entre os defendidos.
E aqueles que, na véspera, cobiçavam a sua sorte, disseram: Ai de nós! Deus
prodigaliza ou restringe as Suas mercês a quem Lhe apraz, dentre os Seus
servos! Se Deus não nos tivesse agraciado, far-nos-ia sermos tragados pela
terra. Em verdade, os incrédulos jamais prosperarão. Destinamos a morada,
no outro mundo, àqueles que não se envaidecem nem fazem corrupção na terra;
e a recompensa será dos tementes." (Alcorão 28:76-83)
Conforme dito acima, Qarun e as pessoas semelhantes a ele, acham que a
riqueza e todas as espécies de bênçãos concedidas a eles são o resultado de
uma característica particular deles e se esquecem, e até negam, que tudo foi
concedido por Deus. A declaração de Qarun "Isto me foi concedido, devido a
certo conhecimento que possuo!" é esclarecedor desse raciocínio. Essas
pessoas logo "exultarão", conforme citado nos versículos acima. Esta também
é a razão pela qual as pessoas se mostram arrogantes, desrespeitosas e
agressivas depois que alcançam o sucesso, a riqueza ou o poder. Elas têm a
plena convicção de que são "as favoritas de Deus" e alegam que detêm a
superioridade perante Deus.
"O homem não se farta de implorar o bem; mas, quando o mal o açoita, ei-lo
desesperado, desalentado. Todavia, se depois de tê-lo açoitado a
adversidade, o agraciarmos com a Nossa misericórdia, dirá: Isto é (mérito)
meu e não creio que a Hora chegue; e se retornar ao meu Senhor, certamente
obterei a Sua bem-aventurança. Porém, interaremos os incrédulos de tudo
quanto tiverem cometido e lhes infligiremos um severo castigo." (Alcorão
41:49-50)
O Alcorão também se refere àqueles que tentam se purificar:
"Não reparaste naqueles que se vangloriam de ser puros? Qual! Deus purifica
quem Lhe apraz e não os frustra, no mínimo que seja." (Alcorão 4:49)
Os crentes, por seu turno, jamais têm a certeza de que irão para o céu.
Invocam Deus "com temor e esperança" (Alcorão 32:16). Pedem a Deus que os
"defenda do tormento do Fogo!" (Alcorão 2:201); "Não permita que nossos
corações se desviem depois de nos teres iluminado" (Alcorão 3:8); "faze
com que morramos muçulmanos" (Alcorão 7:126). A única razão para que alguém
tenha a certeza de que irá para o céu é a sua própria arrogância. No
entanto, essa mesma arrogância, na verdade, impedirá a sua salvação porque
"Deus não aprecia arrogante e jactancioso algum" (Alcorão 57:23).
O Alcorão está sempre mostrando que a "arrogância" é um dos aspectos mais
importantes na religião.
"E não te conduzas com jactância na terra, porque jamaispoderás fendê-la,
nem te igualar, emaltura às montanhas." (Alcorão 17:37)
"E não vires o rosto às gentes, nem andes insolentemente pela terra, porque
Deus não estima arrogante e jactancioso algum." (Alcorão 31:18)
"Para que vos não desespereis, pelos (prazeres) que vos foram omitidos, nem
vos exulteis por aquilo com que vos agraciou, porque Deus não aprecia
arrogante e jactancioso algum." (Alcorão 57:23)
"Adorai a Deus e não Lhe atribuais parceiros. Tratai com benevolência vossos
pais e parentes, os órfãos, os necessitados, o vizinho próximo, o vizinho
estranho, o companheiro, o viajante e os vossos servos, porque Deus não
estima arrogante e jactancioso algum." (Alcorão 4:36)
O Alcorão ordena que os crentes sejam modestos e moderados e adverrte que os
arrogantes não comparecerão perante Deus. Só isso é mais do que suficente
para que os crentes se eximam do comportamento insolente. Além disso, o
Alcorão ensina que a moderação é um dos aspectos básicos dos crentes.
"Vosso Deus é Único; consagrai-vos, pois, a Ele. E tu (ó Mensageiro),
anuncia a bem-aventurança aos que se humilham." (Alcorão 22:34)
"E os servos do Clemente são aqueles que andam pacificamente pela terra e,
quando os insipientes lhes falam, dizem: Paz!" (Alcorão 25:63)
"Destinamos a morada, no outro mundo, àqueles que não se envaidecem nem
fazem corrupção na terra; e a recompensa será dos tementes." (Alcorão 28:83)
"Somente crêem em nossos versículos aqueles que, quando eles lhos são
recitados, se prostram em adoração e celebram os louvores do seu Senhor,
sem, contudo, se encoberbecerem." (Alcorão 32:15)
Esta é uma consideração muito importante porque ser crente ou não vai
depender do fato de a pessoa ser insolente ou moderada. No Alcorão, Deus nos
diz que Ele não permitirá que os arrogantes percebam Seus sinais e, por
isso, serão os extraviados.
"Afastarei dos Meus versículos aqueles que se envaidecem sem razão, na terra
e, mesmo quando virem todo o sinal, nele não crerão; e, mesmo quando virem a
senda da retidão, não a adotarão por guia. Isso porque rejeitaram os Nossos
sinais e os negligenciaram." (Alcorão 7:146)
Em um outro versículo alcorânico, Deus informa que a característica comum a
todos os incrédulos que nos antecederam é que todos eram arrogantes.
"(Deus lhe replicará): Qual! Já te haviam chegado os meus versículos. Porém,
tu os desmentistes e te ensoberbeceste e fostes um dos incrédulos!" (Alcorão
39:59)
"Quando lhe é dito que tema a Deus, apossa-se dele a soberbia, induzindo-o
ao pecado. Mas o inferno ser-lhe-á suficiente castigo. Que funesta morada!"
(Alcorão 2:206)
"Concedemos o Livro a Moisés, e depois dele enviamos muitos mensageiros, e
concedemos a Jesus, filho de Maria, as evidências, e o fortalecemos com o
Espírito da Santidade. Cada vez que vos era apresentado um mensageiro,
contrário aos vossos interesses, vós vos ensoberbecíeis! Desmentíeis uns e
assassináveis outros." (Alcorão 2:87)
Conforme declarado no Alcorão, os arrogantes são aqueles que entrarão no
inferno e lá ficarão para sempre.
"Aqueles que desmentirem os Nossos versículos e se ensoberbecerem, jamais
lhes serão abertas as portas do céu, nem entrarão no Paraíso, até que um
camelo passe pelo buraco de uma agulha. Assim castigamos os pecadores. Terão
o inferno por leito, cobertos com mantos de fogo. Assim castigamos os
iníquos." (Alcorão 7:40-41)
"Aqueles que desmentirem os Nossos versículos e se ensoberbecerem serão
condenados ao inferno, onde permanecerão eternamente." (Alcorão 7:36)
Aqueles que se opõem e se rebelam contra os mensageiros e lutam contra eles
sempre foram arrogantes. As pessoas definidas no Alcorão como os "chefes dos
incrédulos", ou "o grupo arrogante", não concordaram em obedecer ao
mensageiro por causa de seu orgulho e arrogância e, conseqüentemente, não
aceitaram que um outro homem pudesse guiá-los para o verdadeiro caminho. A
descrença dos chefes das comunidades é frequentemente mencionada no Alcorão.
"Porém, os chefes dos que se ensoberbeceram, dentre seu povo, perguntaram
aos fiéis submetidos: Estais seguros de que Sáleh é um mensageiro do seu
Senhor? Responderam: Nós cremos em sua missão. Mas, os que se ensoberbeceram
lhes disseram: Nós negamos o que credes." (Alcorão 7:75-76)
"Os chefes que se ensoberbeceram, dentre o seu povo, disseram-lhe: Juramos
que te expulsaremos da nossa cidade, ó Xuaib, juntamente com aqueles que
contigo crêem, a menos que retorneis ao nosso credo.(Xuaib) retrucou: Ainda
que o deploremos?" (Alcorão 7:88)
Os líderes das comunidades infiéis são arrogantes por causa de sua condição
social e financeira e não conseguem admitir que uma pessoa, a quem falta
tais atributos, possa ser um mensageiro, e, por consequência, liderá-los.
Por isso, não aceitam o que as pessoas escolhidas por Deus para serem Seus
mensageiros dizem. No Alcorão, a revolta dos Filhos de Israel contra Talut,
que havia sido enviado a eles como um líder, está assim relatada:
"Então, seu profetalhes disse: Deus vos designou Talut por rei. Disseram:
Como poderá ele impor a sua autoridade sobre nós, uma vez que temos mais
direito do que ele à autoridade, e já que ele nem sequer foi agraciado com
bastantes riquezas? Disse-lhes: É certo que Deus o elegeu sobre vós,
concedendo-lhe superioridade física e moral. Deus concede a Sua autoridade a
quem Lhe apraz, e é Magnificente, Sapientíssimo." (Alcorão 2:247)
Os proeminentes da sociedade, durante a época de Mohammad, igualmente se
opuseram a ele dizendo, "por que o Alcorão não foi revelado a um dos
notáveis de uma das duas cidades?" (Alcorão 43:31). A razão deste falso
raciocínio é porque os incrédulos dão mais valor às pessoas de reputação.
Nesse caso específico, se o mensageiro fosse "um notável de uma das duas
cidades", eles, então, não hesitariam em obedecê-lo. Foi por este mesmo
motivo que o povo de Tamud se opôs a Sáleh.
"Dizendo: Quê! Acaso, haveremos de seguir um homem solitário, surgido dentre
nós? Cairíamos, então, em extravio e na loucura! Acaso, foi a Mensagem
revelada só a ele, dentre nós? Qual! É ummentiroso, insolente!" (Alcorão
54:24-25)
Na surata Al-Mudáscir (74), encontramos versículos notáveis para que se
compreenda como a arrogância desvia os homens. Um deles cita um homem que
tinha recebido muitas bênçãos de Deus e que era arrogante quando o Alcorão
era lido para ele. Ele ouve e compreende as palavras de Deus, mas sua
arrogância o impede de aceitar. Em decorrência de sua arrogância, esta
pessoa será punida como inferno.
"Deixa por Minha conta aquele que criei solitário, que depois agraciei com
infinitos bens, e filhos, ao seu lado, e que agraciei liberalmente, e que
ainda pretende que lhe sejam acrescentados (os bens)! Qual! Por ter sido
insubmisso quanto aos Nossos versículos, infligir-lhe-ei um acúmulo de
vicissitudes, porque meditou e planejou. Que pereça, pois, por planejar, uma
vez mais, que pereça por planejar! Então, refletiu; Depois, tornou-se
austero e ameaçador; Depois, renegou e se ensoberbeceu; E disse: Este
(Alcorão não é mais do que magia, oriunda do passado; esta não é mais do que
a palavra de um mortal!Por isso, introduzi-lo-ei no tártaro! E o que te fará
compreender o que é o tártaro? Nada deixa perdurar e nada deixa a sós!
Carbonizador dos humanos." (Alcorão 74:11-29)
Em um outro versículo alcorânico, a situação de uma pessoa arrogante no
inferno é descrita como se segue:
"(E será dito aos guardiães): Agarrai o pecador e arrastai-o até ao centro
da fogueira! Então, atormentai-o, derramando sobre a sua cabeça água
fervente. Prova o sofrimento, já que tu és o poderoso, o honorável!"
(Alcorão 44:47-49)
O homem não deve se esquecer que, diante de Deus, é desprovido e que é o Seu
servo. Ao se lembrar disto, ele compreenderá que não é o verdadeiro
possuidor das coisas e sim que Deus as concedeu e, portanto, deve agradecer
a Ele sempre. No entanto, se ele se tornar arrogante por causa dos favores
que lhe foram concedidos, logo não terá mais satisfação com essas bênçãos e,
em seguida, as perderá também. O ponto crucial é saber que ele é o servo de
Deus. Aquele que se comporta como servo de Deus terá as Suas bênçãos
aumentadas. Mas, o comportamento contrário só pode terminar em tristeza.
Aqueles que são arrogantes na adoração a Deus, serão reunidos diante d'Ele e
punidos, conforme nos diz o Alcorão: "... aqueles que desdenham Sua adoração
e são arrogantes, Ele os castigará dolorosamente e não acharão, além de
Deus, protetor, nem defensor algum." (Alcorão 4:172)
"Aqueles que desmentirem os Nossos versículos e se ensoberbecerem serão
condenados ao inferno, onde permanecerão eternamente." (Alcorão 7:36)
No entanto, aqueles que não são arrogantes e são moderados, são os
verdadeiros servos de Deus e terão seu lugar garantido no céu.
"Destinamos a morada, no noutro mundo, àqueles que não se envaidecem nem
fazem corrupção na terra; e a recompensa será dos tementes." (Alcorão 28:83)
CONFIANÇA EM DEUS & SUBMISSÃO
Um dos poucos sinais de fé mais importantes é a confiança em Deus e a
submissão a Ele, e que também é uma das diferenças mais relevantes entre os
crentes e os incrédulos.
Para um incrédulo, a vida é caótica porque ele acha que está neste mundo por
acaso e que tudo que está à sua volta funciona assim. Ele jamais confia
verdadeiramente em qualquer coisa porque a toda hora ele enfrenta um
problema que lhe traz dor e sofrimento. Existem centenas, e até milhares, de
fatos que interferem em sua felicidade, desde um, que pode ser "fortuito",
que se transforma num acontecimento indesejado e provoca a ruína em sua
vida. Por exemplo, ele perde seu emprego, um amigo próximo morre, etc. Como
ele pensa que esses fatos são isolados, ele precisa se preocupar com cada
um deles separadamente. Com isso, na verdade, o que ele faz é transformar
cada evento num deus, porque, de acordo com o Alcorão, temer ou confiar em
alguma coisa significa tomar aquela coisa como um ídolo, além de Deus.
Quanto aos crentes, estes têm consciência do segredo desta vida: Este
segredo é que tudo, cada criatura, cada ser animado ou inanimado está sob o
controle de Deus e nada acontece que não seja com a Sua permissão e
conhecimento. Este segredo é citado no Alcorão como "... sabei que não
existe criatura que Ele não possa agarrar pelo topete. Meu Senhor está na
senda reta." (Alcorão 11:56), e "A Ele pertence tudo que existe no céu e na
terra: tudo se submete a Ele devotadamente." (Alcorão 30:26) e o Alcorão só
pode ser compreendido por "aqueles que são perspicazes." (Alcorão 15:75)
Os crentes sabem que tudo funciona de acordo com um destino determinado por
Deus. Por isso, para eles nada é "ruim" ou "mau". Algumas vezes, algo pode
ser visto como não sendo bom, mas é, na verdade, benéfico, e por isso bom,
para os crentes. Portanto, os crentes são pacientes em relação às coisas que
possam ser vistas como ruins e confiam em Deus. Certamente que Deus
transforma as coisas más em boas e benéficas para os crentes.
Quando lemos o Alcorão, vemos que todos os mensageiros, e os crentes que os
seguiram, enfrentaram muitas dificuldades durante toda a vida. Foram
ameaçados de morte, torturados, insultados e alguns até foram mortos. No
entanto, apesar de todas as dificuldades, jamais perderam a calma e a
confiança. E isto porque os crentes têm como certo que qualquer
acontecimento provém de Deus somente, e que deve haver um bom motivo por
trás de todos eles. Deus jamais deixa os crentes desamparados, jamais impõe
um peso maior do que a capacidade de suportá-lo e a recompensa pelas
dificuldades desta vida será obtida na outra.
"Dize: Jamais nos ocorrerá o que Deus não nos tiver predestinado! Ele é
nosso Protetor.Que os fiéis se encomendem a Deus!" (Alcorão 9:51)
A palavra em árabe para "confiar em Deus" é "tevekkül", que significa "tomar
como guardião e socorredor". No sentido mais comum, confiar em Deus
significa "fazer o máximo possível e deixar o resultado por conta de Deus".
No entanto, "tomar como guardião e socorredor", na verdade significa alguma
coisa a ser feita diretamente a Deus e confiar totalmente nele.
A esse respeito, temos aqui uma coisa importante que precisa ser
esclarecido. Deixar algo única e exclusivamente por conta de Deus não quer
dizer que devemos nos eximir da responsabilidade dos acontecimentos e dos
aspectos inerentes a eles. Pelo contrário, o crente toma toda a
responsabilidade para si. Este é o verdadeiro significado de "confiar em
Deus" - "tevekkül", portanto. O crente sabe que o que ele faz é, na verdade,
criado por Deus, e que sua própria existência é devida a Ele, que exerce o
mais absoluto controle. Por isso, elefaz o que faz "tendo Deus por guardião
e socorredor".
Alguns dos casos relatados no Alcorão, nos levam a entender a importância
deste tópico. Na surata Al-Naml (27), diz Salomão: "Ó Senhor meu,
inspira-me, para eu Te agradecer a mercê com que me agraciaste, a mim e aos
meus pais, e para que pratique o bem que Te compraz e admite-me na Tua
misericórdia, juntamente com os Teus servos virtuosos." (Alcorão 27:19) Esta
prece indica que Salomão sabia que todas as suas atitudes estavam sob o
controle de Deus e ele pede para ser capaz de praticar o bem que satisfaz a
Deus.
O crente sabe que toda a criatura, inclusive ele próprio, está sob o
controle de Deus e que Ele tem autoridade sobre todas as coisas. Então ele
confia em Deus, observando o que acontece na terra e em sua alma, e toma
Deus como seu guardião e protetor. Como resultado, surge a pessoa mais
corajosa, mais confiante e mais forte da terra. O crente que confia em Deus
é corajoso o suficiente para se opor ao mundo todo e saber que não há um
perigo verdadeiro. São muitos os casos no Alcorão, que nos informam acerca
da confiação dos mensageiros e Noé também está entre os mensageiros.
"Narra-lhes a história de Noé, quando disse ao seu povo: Ó povo meu, se a
minha permanência entre vós e minha exortação, referentes aos versículos de
Deus, vos ofendem, a Deus me encomendo. Decidi-vos, vós e vossos ídolos, e
não oculteis vossa decisão; então, hostilizai-me e não me poupeis." (Alcorão
10:71)
Xuaib também teve a mesma atitude:
"Respondeu: Ó povo meu, não vedes que possuo a evidência de meu Senhor e Ele
me agraciou generosamente ...? Não pretendo contrariar-vos, a não ser no que
Ele vos vedou; só desejo a vossa melhoria, de acordo com a minha capacidade;
e meu êxito só depende de Deus, a Quem me encomendo e a Quem retornarei,
contrito." (Alcorão 11:88)
Em muitos outros versículos, o Alcorão enfatiza a confiança em Deus e a
perseverança:
"Mas, se te negam, dize-lhes: Deus me basta! Não há mais divindade além
d'Ele! A Ele me encomendo, porque é o Soberano do Trono Supremo." (Alcorão
9:129)
"Só são fiéis aqueles cujos corações, quando lhes é mencionado o nome de
Deus estremecem e, quando lhes são recitados os Seus versículos, é-lhes
acrescentada a fé, e se encomendam ao Seu Senhor." (Alcorão 8:2)
"A Deus pertence o mistério dos céus e da terra, e a Ele retornarão todas as
coisas. Adora-O, pois, e encomenda-te a Ele, porque teu Senhor não está
desatento de tudo quanto fazeis!". Alcorão 11:123)
"Assim te enviamos a um povo, ao qual precederam outros, para que lhes
recites o que temos revelado, apesar de negarem o Clemente. Dize-lhes: Ele é
o meu Senhor! Não há mais divindade além d'Ele! e a Ele retornarei."
(Alcorão 13:30)
"Seus mensageiros lhes asseveraram: Não somos mais do que mortais como vós;
porém, Deus agracia quem Lhe apraz, dentre Seus servos, e ser-nos-á
impossível apresentar-vos uma autoridade, a não ser com a anuência de Deus.
Que os fiéis se encomendem a Deus! E que escusa teremos para não nos
encomendarmos a Deus, sendo que Ele nos mostrou os caminhos? Nós
suportaremos as vossas injúrias, e que a Deus se encomendemos que n'Ele
confiam!" (Alcorão 14:11-12)
"Dize-lhes (mais): Ele é o Clemente, no Qual cremos e ao Qual nos
encomendamos. Logo sabereis quem está em erro evidente!" (Alcorão 67:29)
A pessoa que confia em Deus e O toma por guardião e protetor deve saber que
não existe ninguém em quem possa depositar a sua confiança e tomar como
guardião. Não há porque preocupar-se, porque ele implora a Deus e confia
n'Ele. Deus, certamente, saberá o que é melhor para o crente. O Alcorão nos
diz "encomenda-te a Deus, porque basta Ele por Guardião." (Alcorão 33:3)
Em um outro versículo, o Alcorão declara que:
"... e para aqueles que temem a Deus, Ele lhe apontará uma saída, e o
agraciará, de onde menos esperar. Quanto àquele que se encomendar a Deus,
saiba que Ele lhe será Suficiente, porque Deus cumpre o que promete.
Certamente, Deus predestinou uma proporção para cada coisa." (Alcorão
65:2-3)
Ninguém pode prejudicar um crente, a menos que Deus o permita. Ninguém pode
matar um crente, a menos que Deus o permita. Somente Deus põe um fim à vida,
portanto, não teria qualquer sentido temermos a alguém ou a alguma coisa, e
isto é frequentemente mencionado no Alcorão:
"Sabei que a confabulação emana de Satanás, para atribular os fiéis. Porém,
ele em nada poderá prejudicá-los sem o beneplácito de Deus. Que os fiéis se
encomendem a Deus!" (Alcorão 58:10)
"E não obedeças aos incrédulos, nem aos hipócritas, e não faças caso de suas
injúrias; encomenda-te a Deus, porque Ele te basta por Guardião." (Alcorão
33:48)
"E se lhes perguntares quem criou os céus e a terra, seguramente dirão:
Deus! Dize-lhes: Tereis reparado nos que invocais, em vez de Deus? Se Deus
quisesse prejudicar-me, poderiam, acaso,impedi-Lo? Ou, então, se Ele
quisesse favorecer-me com alguma graça, poderiam eles privar-me dela?
Dize-lhes (mais): Deus me basta! A Ele se encomendam aqueles que estão
confiantes." (Alcorão 39:38)
A pessoa que confia em Deus e se submete a Ele, e que toma Deus por seu
verdadeiro guardião e protetor, será, então, salva das falsas acusações de
Satanás. No Alcorão isto é dito da seguinte forma: "Porque ele não tem
qualquer autoridade sobre os fiéis, que confiam em seu Senhor." (Alcorão
16:99). Também é-nos dito que estarão perante Deus aqueles que confiaram
n'Ele e se submeteram a Ele.
"Tudo quanto vos foi concedido (até agora) é o efêmero gozo da vida terrena;
no entanto, o que está junto a Deus é preferéivel e mais perdurável, para os
fiéis que se encomendam a seu Senhor." (Alcorão 42:36)
Não existe mais ninguém em quem confiar e de quem esperar socorro, senão
Deus. Como disse Jacó: "... Ninguém pode ordenar exceto Deus. A ele me
encomendo, e que a Ele se encomendem os que (n'Ele) confiam."(Alcorão
12:67), somente a Deus devemos confiar-nos e tomá-Lo como guardião e
protetor. Não existe outro deus senão Deus, portanto, Ele é o único guardião
e protetor.
"Deus, não há mais divindade além d'Ele! Que a Deus se encomendem, pois, os
crentes!" (Alcorão 64:13)
"E encomenda-te ao Vivente, Imortal, e celebra os Seus louvores; e basta Ele
como Sabedor dos pecados dos Seus servos." (Alcorão 25:58)
PERDÃO E ARREPENDIMENTO
Existem pessoas que se pretendem destituídas de faltas ou erros. Elas tentam
se mostrar como se nunca tivessem cometido um erro porque acham que isto os
denigre e, portanto, os sujeita a alguns embaraços. De acordo com elas, a
pessoa ideal seria a perfeita, que nunca comete faltas.
No entanto, isto não possível. O homem comete erros durante toda a sua vida
porque ele é destituído perante Deus. Portanto, a intenção de nunca errar é
infundada e, na verdae, não pode realizar-se nunca. De acordo com o
Alcorão, os crentes também cometem suas faltas. Existe um ponto importante a
esse respeito: é verdade que eles devem prestar atenção e se esforçarem para
não cometer erros ou pecados, mas também é certo que eles não são capazes de
lidar com isto. O Alcorão nos diz que o homem tem suas faltas e comete seus
pecados para com Deus, conforme nos versículos abaixo:
"Se Deus tivesse castigado os homens pelo que cometeram, não teria deixado
sobre a face da terra um só ser; porém, tolera-os até um término prefixado.
E quando esse tempo expirar, certamente constatarão que Deus é Observador de
Seus servos." (Alcorão 35:45)
De acordo com essa sentença alcorânica, Deus espera pelo pedido de perdão e
pelo arrependimento. Ele sabe que o ser humano não é destituído de falta ou
de pecado.
Este também é um dos aspectos mais importantes que diferenciam os crentes
dos incrédulos. Estes tentam se mostrar aos outros como seres perfeitos,
isentos de erros, no entanto, os crentes não têm tal pretensão. É claro que
eles prestam uma grande atenção e se esforçam para evitar os erros e pecados
contra Deus e contra Seus mandamentos. No entanto, o homem pode, algumas
vezes, render-se aos desejos de sua alma e cometer pecados. Algumas vezes,
não estando atento, ele pode fraquejar em obedecer a Deus. Mas, existe um
ponto importante: se ele se arrepender de seus pecados diante de Deus, então
seus pecados não terão mais importância. Quando lemos o Alcorão, percebemos
que pedir perdão e arrepender-se diante de Deus, é um dado significante dos
crentes, que dura por toda a suas vidas. No versículo transcrito abaixo, o
arrependimento é um dos aspectos proeminentes dos crentes:
"Os arrependidos, os adoradores, os agradecidos, os viajantes (pela causa de
Deus), os genuflexos e os prostrados são aqueles que recomendam o bem,
proíbem o ilícito e se conservam dentro dos limites da lei de Deus. Anuncia
aos fiéis as boas novas!" (Alcorão 9:112)
Com relação a isso, os conceitos de arrependimento e perdão devem ser
considerados com muito cuidado. Pedir perdão a Deus é um ato de adoração
importante para os crentes. O homem pede perdão a Deus durante todo o dia,
por todos os pecados praticados, que tanto podem ser propositais como
inconscientes. Além do mais, como ele pode pedir perdão para si, ele também
pode pedir pelos ouros crentes, conforme mencionado no Alcorão. Em árabe, a
palavra para "pedir perdão" é "istgfar", que significa "pedir Gafur em nome
de Deus. (Gafur [G-F-R], em árabe quer dizer, cobrir, proteger, ocultar
completamente, recobrir).
Consequentemente, pedir o perdão de Deus significa que o crente pede a Deus
para ser salvo de seus pecados e busca refúgio na Misericórdia e Clemência
de Deus. No Alcorão, os crentes oram dizendo: "Ó Senhor nosso, ouvimos o
pregoeiro que nos convoca à fé dizendo: Crede em vosso Senhor! e cremos.Ó
Senhor nosso, perdoa as nossas falatas, redime-nos das nossas más ações e
acolhe-nos entre os virtuosos." (Alcorão 3:193). E a sentença de Deus em
relação a isso é a seguinte:
"Estarei convosco se observardes a oração, pagardes o zakat, crerdes nos
Meus mensageiros, socorrerde-los e emprestardes espontaneamente a Deus;
absolverei as vossas faltas e vos introduzirei em jardins, abaixo dos quais
correm os rios. Mas quem de vós pecar, dpois disto, desviar-se-á da
verdadeira senda." (Alcorão 5:12)
Conforme dito acima, pedir o perdão de Deus pode ser tanto pelos pecados
conhecidos ou não, e, também, pelos pecados dos outros crentes. Esta também
é a diferença mais importante entre o perdão e o arrependimento. Embora
implorar pelo perdão seja um pedido comum entre os crentes, o arrependimento
é a atitude concreta para o seu pecado particular. O arrependimento é a
busca de refúgio em Deus para o seu pecado, jurando a Ele não repetir o
mesmo pecado de novo e implorando pela ajuda de Deus a esse respeito. O
significado exato dessas palavras é "retroceder". Portanto, o arrependimento
indica a firme decisão de se afastar do pecado.
"A intenção por trás do arrependimento não deve ser a repetiçãodo mesmo
pecado. Na verdade, Deus ordena "ó fiéis,voltai, sinceramente arrependidos,
a Deus; é possível que o vosso Senhor absolva as vossas faltas e vos
introduza em jardins, abaixo dos quais correm os rios ..." (Alcorão 66:8)
Além do mais, isto não quer dizer que a pessoa se arrependerá apenas uma
vez. El pode arrepender-se pela primeira vez, e, então, esquecer-se e
arrepender-se pelo mesmo pecado praticado num momento de desatenção.
Contudo, ainda há a Misericórdia de Deus sobre ela. Por isso, ela pode
arrepender-se mais uma vez e, mais uma vez, buscar refúgio n'Ele. A grande
Misericórdia e Clemência de Deus sobre os homens é citada no Alcorão, como
se segue:
"Dize: Ó servos meus, que se excederam contra si próprios, não desespereis
da misercórdia de Deus; certamente, Ele perdoa todos os pecados, porque Ele
é o Indulgente, o Misericordiosíssimo. E voltai, contritos, ao vosso Senhor,
e submetei-vos a Ele, antes que vos açoite o castigo, subitamente, sem o
perceberdes." (Alcorão 39:53-54)
Mas, existe uma coisa que Deus não aceita, que é o arrependimento dos
insinceros quando a morte se aproxima, conforme mencionado nos versículos
abaixo:
"A absolvição de Deus recai tão-somente sobre aqueles que cometem um mal,
por ignorância, e logo se arrependem. A esses, Deus absolve, porque é
Sapiente, Prudentíssimo. A absolvição não alcançará aqueles que cometerem
obscenidades até à hora da morte, mesmo que nessa hora alguém, dentre eles,
diga: Agora me arrependo. E tampouco alcançará os que morrerem na
incredulidade, pois para eles destinamos um doloroso castigo." (Alcorão
4:17-18)
O Alcorão nos dá um exemplo incisivo quanto ao "arrependimento de última
hora". O Faraó seguiu Moisés e os crentes para matá-los, e termina
arrependendo-se porque ele está sendo tragado pelo mar que havia sido
afastado, como um milagre de Deus, para que Moisés e seu povo passasse.
Conforme mencionado no Alcorão "... estando a ponto de afogar-se, o Faraó
disse: Creio agora que não há mais divindade além do Deus em que crêm os
israelistas, e sou um dos submissos". (Alcorão 10:90). No entanto, a
resposta de Deus para ele foi "... Agora crês, ao passo que antes te havias
rebelado e eras um dos corruptores.!" (Alcorão 10:91)
Considerando que o arrependimento é um tremendo ato de adoração e que tem
grande relevância para a salvação do homem, ele jamais deve descuidar-se de
sua importância. Uma pessoa pode ter cometido grandes pecados, pode ter-se
desviado, ter-se rebelado contra Deus e não cumprido os Seus mandamentos.
Mas, não obstante, Deus possui grande Misericórdia e Clemência e, portanto,
o arrependimento sincero pode salvá-lo na vida futura. A Misericórdia de
Deus, que chega com o arrependimento, é mostrada no Alcorão, conforme se
segue:
"Quando te forem apresentados aqueles que crêem nos Nossos versículos,
dize-lhes: Que a paz esteja convosco! Vosso Senhor impôs a Si mesmo a
clemência, a fim de que aqueles dentre vós que, por ignorância, cometerem
uma falta e logo se arrependerem e se encaminharem, venham a saber que Ele é
Indulgente, Misericordiosíssimo." (Alcorão 6:54)
Cabe ressaltar que Deus nos informa que até os incrédulos e hipócritas que
lutaram contra Ele e Seu Mensageiro, serão perdoados, caso eles retornem
a Deus arrependidos, sincera e verdadeiramente.
"Os hipócritas ocuparão o ínfimo piso do inferno e jamais lhes encontrarás
socorredor algum, salvo aqueles que se arrependerem, se emendarem, se
apegarem a Deus e consagrarem a sua religião a Ele; estes contar-se-ão,
assim, entre os fiéis, e Deus lhes concederá uma magnífica recompensa."
(Alcorão 4:145-146)
"Aqueles que ocultam as evidências e a Orientação que revelamos, depois de
as havermos elucidado aos humanos, no Livro, serão malditos por Deus e pelos
imprecadores, salvo os que se arrependeram, emendaram-se e delcararam (a
verdade); a estes absolveremos, porque somos o Remissório, o
Misericordiosíssimo." (Alcorão 2:159-160)
Estes versículos de Deus indicam que o arrependimento é a chave para a
salvação e que o homem deve retornar a Deus e nunca se desesperar por causa
dos pecados cometidos. Mas, há uma questão importante a esse respeito: a
interpretação e a prática erradas, com uma intenção que não corresponde à
realidade, trará resultados desastrosos. A pessoa que, embora conhecendo os
mandamentos de Deus, ainda assim permanece em pecado, não contará com o
apreço de Deus, porque Ele não estima esta esta espécie de atitude pérfida.
Essas pessoas são referidas como aquelas que "rejeitam a fé, depois de tê-la
aceitado e, então, continuam o desafiando sua fé." Embora o arrependimento
daqueles que, por ignorância ou por vontade, cometem pecados, seja aceito, o
mesmo não se dará com aqueles que pecam deliberadamente e afirmam que são
livres para praticar pecados. O seu arrependimento não será aceito. No
Alcorão está dito que: "quanto àqueles que descrerem, após terem
acreditado, imbuindo-se de incredulidade, jamais lhes será aceito o
arrependimento e serão os desviados." (Alcorão 3:90)
Aqui temos uma questão que deve ser cuidadosamente investigada: uma pessoa
pode pecar por causa de sua ignorância ou porque se extraviou, mas
arrepende-se e se comporta de acordo com os mandamentos de Deus. Esta pessoa
é sincera e Deus pode perdoar seus pecados. No entanto, aquelas que pecam,
mesmo conhecendo os mandamentos de Deus, pensando "serei perdoado de
qualquer maneira", são, na verdade, enganadores. Por isso que o seu
arrependimento não sincero e não pode ser aceito por Deus. Deve-se ressaltar
que, tanto a prece pelo perdão como a do arrependimento exigem intenção
sincera e honesta. E isto é mencionado no Alcorão: "Invocai vosso Senhor
humílima e intimamente ... (Alcorão 7:55) e também se aplica ao perdão e ao
arrependimento. Principalmente o remorso profundo e sincero é muito
importante na hora do arrependimento. No Alcorão, o arrependimento de três
muçulmanos que abandonaram o caminho de Deus, e, portanto, cometeram um
grande pecado, é assim relatado:
"Sem dúvida que Deus absolveu o Profeta, os migrantes e os socorredores, que
o seguiram na hora angustiosa em que os corações de alguns estavam prestes a
fraquejar. Ele os absolveu, porque é para com eles Compassivo,
Misericordiosíssimo. Também absolveu os três que se omitiram (na expedição a
Tabuk), quando a terra, com toda a sua amplitude, lhes parecia estreita, e
suas almas se constrangeram, e se compenetraram de que não tinham mais o
amparo senão em Deus. E Ele os absolveu, a fim de que se arrependessem,
porque Deus é Remissório, o Misericordiosíssimo." (Alcorão 9:117-118)
Pedir perdão a Deus e arrepender-se dos pecados são indicativos do serviço a
Deus. O crente deve saber que ele não está isento de faltas e que deve
evitar toda a espécie de erros e faltas.Além disso, não necessidade de se
preocupar ou sentir pesar pelos pecados cometidos antes do arrependimento. O
homem deve considerar que os mensageiros cometeram algumas faltas mas
prosseguiram após o arrependimento sncero e a confiança no perdão de Deus.
No Alcorão é dito que perdir perdão e arrepender-se são o melhor caminho
para a salvação:
"Se não fosse pela graça de Deus e pela Sua Misericórdia para convosco, e
Deus é Remissório, Prudentíssimo. (Alcorão 24:10)
Anonymous
14-05-2003, 20:19
continuação ...
"Se não fosse pela graça de Deus e pela Sua Misericórdia para convosco, e
Deus é Remissório, Prudentíssimo. (Alcorão 24:10)
A ORAÇÃO
A oração é um dos sinais de fé. O homem que reza sabe que ele nada mais é do
que um pobre servo de Deus e que ele não consegue atender ao que Deus
pretende dele a não ser que conte com a Sua ajuda. A oração é o gesto mais
puro e sincero de servir a Deus. No Alcorão, está dito que um dos sinais
básicos é "invocar Deus de manhã e de noite".
"Sê paciente, juntamente com aqueles que pela manhã e à noite invocam seu
Senhor, anelando contemplar Seu Rosto. Não negligencies os fiéis, desejando
o encanto da vida terrena e não escutes aquele cujo coração permitimos
negligenciar o ato de se lembrar de Nós, e que se entregou aos seus próprios
desejos, excedendo-se em suas ações." (Alcorão 18-28)
O verdadeiro significado da oração deve ser cuidadosamente examinado, uma
vez que a sua compreensão, que foi ensinada por outras fontes que não o
Alcorão, não alcançam o verdadeiro sentido da oração, conforme informado no
Alcorão.
Um dos aspectos da oração, mencionado no Alcorão, é o que se refere à
"humildade. No Alcorão não existe esta descrição de que ela deve ser feita
de qualquer jeito e em voz alta. E, além do mais, quando o crente se dirige
a Deus, ele sabe que é ínfimo diante de d'Ele e, por isso, ele anseia e
pede. Desta forma, a prece estará em concordância com a definição de "com
humildade e na intimidade.":
"Invocai vosso Senhor humílima e intimamente, porque Ele não aprecia os
transgressores." (Alcorão 7:55)
A prece dos crentes, conforme orienta o Alcorão, são na intimidade e
extremamente sinceras. Zacarias também está entre eles.
"Eis o relato da misericórdia de teu Senhor para com o Seu servo Zacarias.
Ao invocar, intimamente, seu Senhor, dizendo: Ó Senhor meu, os meus ossos
estão debilitados, o meu cabelo embranqueceu; mas nunca fui desventurado em
minhas súplicas a Ti, ó Senhor meu! Em verdade, temo pelo que farão os meus
parentes, depois da minha morte, visto que minha mulher é estéril.
Agracia-me, de tua parte, com um sucessor!" (Alcorão 19:2-5)
Em outro versículo alcorânico, é dito que a prece deve ser "com temor e
esperança".
"São aqueles, cujos corpos não relutam em se afastar dos leitos para
invocarem seu Senhor com temor e esperança, e que fazem caridade daquilo com
que os agraciamos." (Alcorão 32:16)
Os crentes temem a Deus com respeito sincero e verdadeiro e também esperam a
clemência e misericórdia d'Ele.
"Quando Meus servos te perguntarem de Mim, dize-lhes que estou próximo e
ouvirei o rogo do suplicante quando a Mim se dirigir. Que atendam o Meu
apelo e que creiam em Mim, a fim de que se encaminhem." (Alcorão 2:186)
"E o vosso Senhor disse: Invocai-me, que vos atenderei! Em verdade, aqueles
que se ensoberbeceram, ao Me invocarem, entrarão, humilhados, no inferno."
(Alcorão 40:60)
Quando estiver orando, o homem deve ter a certeza de que Deus responderá à
sua invocação. Ele deve ter consciência de que Deus é o dono de tudo, e que
está em todos os lugares. A pessoa que tem essa certeza e que acredita
nisso, pede a Deus, sabendo que Ele a tudo vê e ouve. Ele espera
ansiosamente, nunca se desespera, porque sabe que Deus responderá ao seu
chamado. Como ele acredita inteiramente na Justiça de Deus, ele evita entrar
em desespero. O crente que toma o Alcorão como seu guia tem a mais absoluta
certeze de que a resposta virá. O crente não pode duvidar que obterá uma
resposta de Deus. Aquele que se dirige a Deus com desconfiança, contraria as
verdades do Alcorão desde o começo. Por trás da essência da prece está uma
aproximação sincera e uma fé profunda em Deus, como o profeta Sáleh disse
"... meu Senhor está próximo, pronto a responder." (Alcorão 11:61)
Contudo, esta aceitação de Deus não significa que receberemos o que quer que
desejemos. E isto porque, algumas vezes, o homem pede por alguma coisa que
não seria benéfica para ele. Neste caso, Deus não concede o que foi pedido e
sim algo mais belo e mais benéfico.
Apenas para exemplificar, lembramos um caso ilustrado pelo famoso exegeta
muçulmano, Nursi: o médico se aproxima da criança doente. A criança pede a
ele para lhe "dar um certo remédio". No entanto, aquele "certo remédio" não
lhe fará bem e o médico receita um outro, completamente diferente. Ao final,
o tratamento deu resultado. Da mesma forma, Deus sempre atende a uma
invocação sincera, embora a Sua concordância nem sempre esteja de acordo
com aquilo que desejamos. Porque, conforme mencionado no versículo "... É
possível que repudieis algo que seja um bem para vós e, quiçá, gosteis de
algo que vos seja prejudicial; todavia, Deus sabe e vós ignorais." (Alcorão
2:216). Da mesma forma, no caso da criança acima referida, ela não sabe o
que é bom ou ruim para ela. E, por esta razão, pode estar pedindo algo que
possa prejudicá-la, conforme o versículo "O homem impreca pelo mal, ao invés
de suplicar pelo bem, porque ele é impaciente." (Alcorão 17:11)
Portanto, em primeiro lugar, devemos pedir o que for da vontade de Deus.
Devemos pedir a Ele que nos ensine a disciplina e a moldar-nos de acordo com
o Alcorão. Deus sabe o melhor. Por isso, a prece dos profetas, como a de
Salomão ... "Ó meu Senhor! Inspira-me, para eu Te agradecer a mercê com que
me agraciaste, a mim e a meus pais, e para que pratique o bem que Te compraz
e admite-me na Tua misericórdia, juntamente com os Teus servos virtuosos. "
(Alcorão 27:19)
Além do mais, os crentes devem pedir conforme estabelecido no Alcorão e
mostrado como objetivo a ser seguido. Eles devem ser sinceros e honestos em
suas preces e não devem deixar de pedir por algo que queiram
verdadeiramente. Deus é Aquele que modifica aquele desejo,o pedido sincero
do coração e o anseio por uma bênçao.
Ele aceita as preces, responde às preces sinceras dos crentes. Deus pode, se
quiser, destruir toda uma sociedade de incrédulos se for uma prece dos
crentes.
"Então (eles) imploraram a vitória e a decisão, e eis que fracassou o plano
do poderoso opressor obstinado." (Alcorão 14:15)
No Alcorão encontramos muitos exemplos como esses. Deus recompensou os
mensageiros e os crentes com muitas graças:
"E (recorda-te) de quando Jó invocou seu Senhor (dizendo): Em verdade, a
adversidade tem-me açoitado; porém,Tu és o mais clemente dos
misericordiosos! E o atendemos e o liberamos do mal que o afligia;
restituímos-lhe a família, duplicando-a, como acréscimo, em virtude da Nossa
misericórdia, e para que servisse de mensagem para os adoradores. E
(recorda-te) de Ismael, de Idris (Enoc) e de Dulkifl, porque todos se
contavam entre os perseverantes. Amparamo-los em Nossa misericórdia, porque
se contavam entre os virtuosos. E (recorda-te) de Dun-Nun quando partiu,
bravo, crendo que não poderíamos controlá-lo. Clamou nas trevas: Não há mais
divindade do que Tu! Glorificado sejas! É certo que me contava entre os
iníquos! E o atendemos e o libertamos da angústia. Assim salvamos os fiéis.
E (recorda-te) de Zacarias, quando implorou ao Seu Senhor: Ó Senhor meu, não
me deixes sem prole, não obstante seres Tu o melhor dos herdeiros! E o
atendemos e o agraciamos com Yahia (João), e curamos sua mulher (da
esterilidade); um procurava sobrepular o outro nas boas ações, recorrendo a
Nós com afeição e temor, e sendo humildes a Nós." (Alcorão 21:83-90)
Aquele que implora, sabendo que Deus a tudo vê e ouve, respeita-O e O teme;
aceita que é o servo de Deus. Portanto, a prece é uma adoração importante e
não apenas um meio para se conseguir alguma coisa; na verdade, é muito mais
importante do que isso. Considerando que sempre necessitamos de algma coisa
e estamos sempre pedindo algo, também a nossa prece deve ser consistente.
Podemos fazer nossas orações nos horários mais adequados, como por exemplo,
à noite, e depois da oração regular da manã, confome mencionado no Alcorão.
No entanto, devemos nos dirigir a Deus consistentemente durante todo o dia.
Podemos pedir tudo a Deus, desde que saibamos que tudo, cada evento, está na
dependência de Sua autoridade. Os crentes podem pedir também enquanto
estiverem em adoração, a fim de que tenham êxito e obtenham a satisfação de
Deus. A prece de Abraão é um exemplo:
"E quando Abraão e Ismael levantaram os alicerces da Casa, exclamaram: Ó
Senhor nosso, aceita-a pois Tu és Oniouvinte, Sapientíssimo." (Alcorão
2:27).
A Surata Al-Imram mostra todas as condições em que os crentes podem implorar
a Deus, "que mencionam Deus, estando empé,sentados ou deitados ..."(Alcorão
3:191). Na verdade, o Alcorão elogia os crentes por este comportamento.
"Sabei que Abraão era tolerante,sentimental, contrito." (Alcorão 11:75)
"Abraão era Imam e monoteísta, consagrado a Deus, e jamais se contou entre
os idólatras." (Alcorão 16:120)
"Tolera o que dizem e recorda-te do Nosso servo,Davi, o vigoroso, que foi
contrito!" (Alcorão 38:17)
"E apanha um feixe de capim e golpeia com ele; e não perjures! Em verdade,
encontramo-lo perseverante - que excelente servo! - Ele foi contrito."
(Alcorão 38:44)
Os versículos alcorânicos abaixo, bastam para uma compreensão melhor da
importância da oração:
"Dize (àqueles que rejeitam): Meu Senhor não Se importará convosco, se não O
invocardes. Mas desmentistes (a verdade), e por isso haverá um (castigo)
inevitável." (Alcorão 25:77)
Há uma questão vital a esse respeito e que está mencionada no Alcorão: os
pagãos também imploram a Deus de tempos em tempos. No entanto, há uma grande
diferença entre a prece deles e a dos crentes. Os crentes se voltam para
Deus sob qualquer condição e a toda hora. Seu comportamento não sofre
alteração em razão de tristezas ou alegrias, ou conforto; eles sabem que
nada podem contra Deus e por isso invocam-no consistentemente. Quanto aos
pagãos, a maioria de esquece de Deus e se afasta d'Ele. Nesses períodos,
eles associam seus deuses a Deus, o Único. Este tipo de pessoa só se lembra
de Deus quando enfrentam alguma dificuldade e aí se voltam para Ele
correndo. A prece feita sob as condições penosas dos tempos difíceis é
sincera, embora sejam esquecidos assim que chega a bonança. Retornam à
antiga condição, esquecendo-se de que eles imploraram pela clemência de
Deus, e sendo ingratos.
O Alcorão se refere frequentemente a este comportamento pagão, dando muitos
exemplos:
"E se o infortúnio açoita o homem, ele Nos implora, quer esteja deitado,
sentado ou em pé. Porém, quando o livramos de seu infortúnio, ei-lo que
caminha como se não Nos tivesse implorado quando o infortúnio o açoitava.
Assim foram abrilhantados os atos dos transgressores (por Satanás)" (Alcorão
9:12)
"Mas quando agraciamos o homem, ele desdenha e se envaidece; em troca,
quando o mal o açoita, eis que não cessa de Nos suplicar!" (Alcorão 41:51)
"E quando a adversidade açoita o homem, este suplica contrito ao seu Senhor;
então, quando Ele o agracia com a Sua mercê, este esquece o qua antes
suplicava e atribui rivais a Deus, para desviar outros da Sua senda.
Dize-lhe: Desfruta, transitoriamente, da tua blasfêmia, porque te contarás
entre os condenados ao inferno!" (Alcorão 39:8)
"Quando a adversidade açoita o homem, eis que Nos implora; então, quando o
agraciamos com as Nossas mercês, diz: Certamente que as logrei por meus
próprios méritos! Qual! É uma prova! Porém, a maioria dos humanos o ignora."
(Alcorão 39:49)
"Quando a adversidade açoita os humanos, suplicam contritos ao seu Senhor;
mas, quando os agracia com a Sua misericórdia, eis que alguns deles atribuem
parceios ao seu Senhor." (Alcorão 30:33)
Alguns versículos alcorânicos citam como exemplo o caso do navio: os homens
imploram sinceramente num navio que está perto de se afundar, arrependem-se
e pedem para serem salvos. Esta prece deles é sincera porque eles
compreenderam que nenhuma outra criatura que eles adoravam (por exemplo,
seus familiares, líderes, a sociedade em que vivem, etc.) pode salvá-los e
aí se volta para Deus. No entanto, quando Deus os salva do naufrágio e os
coloca em terra firma, de novo repetem o comportamento pagão e se esquecem
de Deus. Este é um grande extravio:
"Ele é Quem vos encaminha na terra e no mar. Quando se acham em naves e
estas singram o oceano ao sabor de um vento favorável, regozijam-se. Mas,
quando os açoita uma tormenta e as ondas os assaltam por todos os lados, e
crêem naufragar, então imploram sinceramente a Deus: Se nos salvares deste
perigo, contar-nos-emos entre os agradecidos! Mas,quando os salva, eis que
causam, injustamente, iniquidade na terra. Ó humanos, sabei que a vossa
iniquidade só recairá sobre vós; isso é somente um entretenimento na vida
terrena. Logo retornareis a Nós e, então, vos inteiraremos de tudo quanto
tiverdes feito." (Alcorão 10:22-23)
"Dize: Quem vos liberta das trevas da terra e do mar, embora deprequeis
ostensiva ou humildemente? dizendo: Se nos livrares disso, contar-nos-emos
entre os agradecidos! Dize(ainda): Deus vos liberta disso e de toda angústia
e, sem dúvida, Lhe atribuís parceiros!" (Alcorão 6:65-64)
O que os crentes devem fazer é firmemente orar a Deus, confiar n'Ele,
sabendo que não há outro guardião e socorredor.
"Suplicai, pois, a Deus, com devoção, ainda que isso desgoste os
incrédulos." (Alcorão 40:14)
"Dize-lhes: Invoco tão-somente o meu Senhor, a Quem não atribuo parceiro
algum." (Alcorão 72:20)
A oração não pode ser para o crente um inconveniente ou um grande peso, pelo
contrário, o crente deve sentir verdadeira satisfação e gratificação
porque está implorando pelo socorro de Deus. Sabendo que sua própria
capacidade não lhe é suficiente, e que Deus, o provedor de todas as coisas,
olha por ele, o crente sente o máximo de felicidade e prazer. Por isto, a
oração é um prazer e também algo que continua no céu. No Alcorão, os crentes
são cientificados de que também existe oração no céu:
"Quanto aos fiéis que praticam o bem, seu Senhor os encaminhará, por sua fé,
aos jardins do prazer, abaixo dos quais correm os rios, onde sua prece será:
Glorificado sejas, ó Deus! Aí sua mútua saudação será: Paz! E o fim de sua
prece será: Louvado seja Deus, Senhor do Universo! (Alcorão 10:9-10)
As orações citadas no Alcorão
"Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso. Louvado seja Deus, Senhor do
Universo, o Clemente, o Misericordios, Soberano do Dia do Juízo. Só a Ti
adoramos e só de Ti imploramos ajuda! Guia-nos à senda reta, à senda dos que
agraciastes, não à dos abominados, nem à dos extraviados." (Alcorão 1:1-7)
"Lembrai-vos de quando Abraão implorou: Ó Senhor meu, faze com que esta
cidade seja de paz, e agracia com frutos os seus habitantes que crêem em
Deus e no Dia do Juízo Final! Deus respondeu: Quanto aos incrédulos
dar-lhes-ei um desfrutar transitório e depois os condenarei ao tormento
infernal. Que funesto destino!" (Alcorão 2:126)
"E quando Abraão e Ismael levantaram os alicerces da Casa, exclamaram: Ó
Senhor nosso, aceita-a de nós pois Tu és Oniouvinte, Sapientíssimo. Ó Senhor
nosso, permite que nos submetamos a Ti e que surja, da nossa descendência,
uma nação submissa à Tua vontade. Ensina-nos os nossos ritos e absolve-nos,
pois Tu és o Remissório, o Misericordiosíssimo. Ó Senhor nosso, faze surgir,
dentre eles, um Mensageiro, que lhes transmita as Tuas leis e lhes ensine o
Livro, e a sabedoria, e os purifique, pois Tu és o Poderoso, o
Prundentíssimo." (Alcorão 2:127-129)
"Outros dizem: Ó Senhor nosso, concede-nos a graça deste mundo e do futuro,
e preserva-nos do tormento infernal! Estes, sim, lograrão a porção que
tiverem merecido, porque Deus é Destro em ajustar contas." (Alcorão
2:201-202)
"E quando se defrontaram com Golias e seu exército, pediram: Senhor nosso!
Infunde-nos a constância, firma os nossos passos e concede-nos a vitória
sobre o povo incrédulo!" (Alcorão 2:250)
"Deus não impõe a nenhuma alma uma carga superior às suas forças.
Beneficiar-se-á com o bem quem o tiver feito e sofrerá o mal quem o tiver
cometido. Ó Senhor nosso, não nos condenes, se nos esquecermos ou nos
equivocarmos! Ó Senhor nosso, não nos imponhas carga, como a que impusestes
a nossos antepassados! Ó Senhor nosso, não nos sobrecarregues com o que não
podemos suportar! Tolera-nos! Perdoa-nos! Tem misericórdia de nós! Tu és
nosso Protetor! Concede-nos a vitória sobre os incrédulos!" (Alcorão 2:286)
"(Que dizem:) Ó Senhor nosso, não desvies os nossos corações, depois de nos
teres iluminado, e agracia-nos com a Tua misericórdia, porque Tu és o
Munificente por excelência. Ó Senhor nosso, Tu congregarás os humanos para
um dia indubitável, e Deus não faltará com a promessa." (Alcorão 3:8-9)
"Que dizem: Ó Senhor nosso, cremos! Perdoa os nossos pecados e preserva-nos
do tormento infernal." (Alcorão 3:16)
"Recorda-te de quando a mulher de Imran disse: Ó Senhor meu, é certo que
consagrei a ti, integralmente, o fruto do meu ventre; aceita-o, porque és o
Oniouvinte, o Sapientíssimo." (Alcorão 3:35)
"Então, Zacarias rogou ao seu Senhor, dizendo: Ó Senhor meu, concede-me uma
ditosa descendência, porque és Exorável, por excelência." (Alcorão 3:38)
"Ó Senhor nosso, cremos no que tens revelado e seguimos o Mensageiro;
inscreve-nos, pois, entre os testemunhadores." (Alcorão 3:53)
"Eles nada disseram, além de: Ó Senhor nosso, perdoa-nos por nossos pecados
e por nossos excessos; firma os nossos passos e concede-nos a vitória sobre
os incrédulos!" (Alcorão 3:147)
"Que mencionam Deus, estando em pé, sentados ou deitados, e meditam na
criação dos céus e da terra, dizendo: Ó Senhor nosso, não criaste isto em
vão. Glorificado sejas! Preserva-nos do tormento infernal! Ó Senhor nosso,
quanto àquele a quem introduzirás no fogo, Tu o aviltarás! Os iníquos não
terão socorredores! Ó Senhor nosso, ouvimos um pregoeiro que nos convoca à
fé, dizendo: Crede em vosso Senhor! e cremos. Ó Senhor nosso, perdoa as
nossas faltas, redime-nos das nossas más ações e acolhe-nos entre os
virtuosos. Ó Senhor nosso, concede-nos o que prometeste, por intermédio dos
Teus mensageiros, e não nos aviltes no Dia da Ressurreição. Tu jamais
quebras a promessa." (Alcorão 3:191-194)
"E, ao escutarem o que foi revelado ao Mensageiro, tu vês lágrimas a lhes
brotarem nos olhos; reconhecem naquilo a vedade, dizendo: Ó Senhor nosso,
cremos! Inscreve-nos entre os testemunhadores!" (Alcorão 5:83)
"Disseram: Ó Senhor nosso, nós mesmos nos condenamos e, se não nos perdoares
e Te apiedares de nós, seremos desventurados!" (Alcorão 7:23)
"... Ó Senhor nosso, decide com eqüidade entre nós e o nosso povo, porque Tu
és o mais equânime dos juízes." (Alcorão 7:89)
"Então (Moisés) disse: Ó Senhor meu, perdoa-nos, a mim e ao meu irmão, e
ampara-nos em Tua misericórdia, porque Tu és o mais clemente dos
misericordiosos!" (Alcorão 7:151)
"...Ó Senhor nosso, concede-nos paciência e faze com que morramos
muçulmanos." (Alcorão 7:126)
"... Tu és o nosso protetor. Perdoa-nos e apieda-Te de nós, porque Tu és o
mais equânime dos indulgentes! Concede-nos uma graça, tanto neste mundo como
no outro, porque a Ti nos voltamos contritos. Disse: Com Meu castigo açoito
quem quero e Minha clemência abrange tudo, e a concederei aos tementes que
pagam o zakat e crêem nos Nossos versículos." (Alcorão 7:155-156)
"Disseram: A Deus nos encomendamos! Ó Senhor nosso, não permitas que
fiquemos afeitos à fúria dos iníquos: e com a Tua misericórdia salva-nos do
povo incrédulo." (Alcorão 10:85-86)
"E Moisés disse: Ó Senhor nosso, tens concedido ao Faraó e aos seus chefes
esplendores e riquezas na vida terrena e assim, ó Senhor nosso, puderam
desviar os demais da Tua senda. Ó Senhor nosso, arrasa as suas riquezas e
oprime os seus corações, porque não crerão até verem o doloroso castigo."
(Alcorão 10:88)
"Ó Senhor meu, já me agraciaste com a soberania e me ensinaste a
interpretação dos sonhos e acontecimentos! Ó Criador dos céus e da terra, Tu
és o meu Protetor neste mundo e no outro. Faze com que eu morra muçulmano, e
junta-me aos virtuosos!" (Alcorão 12:101)
"Ó Senhor nosso, estabeleci parte da minha descendência em um vale inculto
perto da Tua Sagrada Casa para que, ó Senhor nosso, observem a oração; faze
com que os corações de alguns humanos os apreciem, e agracia-os com os
frutos, a fim de que Te agradeçam. Ó Senhor nosso,Tu sabes tudo quanto
ocultamos e tudo quanto manifestamos, porque nada se oculta a Deus, tanto na
terra como no céu." (Alcorão 14:37-38)
"E estende sobre eles a asa da humildade, e dize: Ò Senhor meu, tem
misericórdia de ambos, como elestiveram misericórida de mim, criando-me
desde a infância." (Alcorão 17:24)
"E dize: Ó Senhor meu, faze com que eu entre com honradez e saia com
honradez; concede-me, de Tua parte, uma autoridade para socorrer(-me)."
(Alcorão 17:80)
"Recorda de quando um grupo de jovens se refugiou na caverna, dizendo: Ó
Senhor nosso, concede-nos Tua misericórdia, e reserva-nos um bom êxito em
nossa empresa!" (Alcorão 18:10)
"Eis o relato da misericórdia de teu Senhor para com o Seu servo, Zacarias.
Ao invocar, intimamente, seu Senhor, dizendo: Ó Senhor meu, os meus ossos
estão debilitados, o meu cabelo embranqueceu; mas nunca fui desventurado em
minhas súplicas a Ti, ó Senhor meu! Em verdade, temo pelo que farão os meus
parentes, depois da minha morte, visto que minha mulher é estéril.
Agracia-me, de tua parte, com um sucessor! Que represente a mim e à família
de Jacó; e faze, ó meu Senhor, com que ele seja complacente! Ó Zacarias,
alvissaramos-te o nascimento de uma criança, cujo nome será Yahia (João).
Nunca denominamos, assim, ninguém antes dele. Disse (Zacarias): Ó Senhor
meu, como poderei ter um filho, uma vez que minha mulher é estéril e eu
cheguei à velhice?" (Alcorão 19:2-8)
"Ó Senhor nosso, faze-me observante da oração, assim como à minha prole! Ó
Senhor nosso, escuta minha súplica! Ó Senhor nosso, perdoa-me a mim, aos
meus pais e aos fiéis, no Dia do Acerto de Contas!" (Alcorão 14:40-41)
"Suplicou-lhe: Ó Senhor meu, dilata-me o peito; facilita-me a tarefa; e
desata o nó de minha língua, para que compreendam a minha fala. E concede-me
um vizir dentre os meus, meu irmão Aarão, que poderá me fortalecer. E
associa-o à minha missão, para que Te glorifiquemos intensamente. E para
mencionar-Te constantemente. Porque só Tu és o nosso Velador." (Alcorão
20-25-35)
"E (recorda-te) deDun-Nun quando partiu, bravo, crendo que não poderíamos
controlá-lo. Clamou nas trevas: Não há mais divindade do que Tu! Glorificado
sejas! É certo que me contava entre os iníquos! E o atendemos e o libertamos
da angústia. Assim salvamos os fiéis." (Alcorão 21:87-88)
"E (recorda-te) de Zacarias, quando implorou a seu Senhor. Ó Senhor meu, não
me deixes sem prole, não obstante seres Tu o melhor dos herdeiros!" (Alcorão
21:89)
"Dize: Ó Senhor meu, se me fizeres ver (em vida) aquilo quanto ao que são
admoestados ... Ó Senhr meu, não me contes entre os iníquos!" (Alcorão
23:93-94)
"Disse (Noé): Ó Senhor meu, socorre-me, pois me acusam de falsidade!"
(Alcorão 23:26)
"E quando estiveres embarcado na arca,junto àqueles que estão contigo, dize:
Louvado seja Deus, que nos livrou dos iníquos! E dize: Ó Senhor meu, permita
que desembarque em lugar abençoado: porque Tu és o melhor para (nos)
desembarcar."(Alcorão 23:28-29)
"Disse (o profeta):Ó Senhor meu, socorre-me, pois que me desmentem!"
(Alcorão 23:39)
"E dize: ÓSenhor meu, em Ti me amparo contra as insinuações dos demônios. E
em Ti me amparo, ó Senhor meu, para que não se aproximem (de mim). (Alcorão
23:97-98)
"E dize (ó Mohammad): Ó Senhor meu, concede-me perdão e misericórdia, porque
Tu és o melhor dos misericordiosos!" (Alcorão 23:118)
"E aqueles que disserem: Ó Senhor nosso, faze com que as nossas esposas e
nossa prole sejam o nosso consolo, e designa-nos imames dos devotos."
(Alcorão 25:74)
"Ó Senhor meu, concede-me prudência e junta-ne aos virtuosos! Concede-me a
boa reputação na posteridade. Conta-me entre os herdeiros do Jardim do
Prazer. Perdoa meu pai, porque foi um dos extraviados. E não me aviltes, no
dia em que (os homens forem ressuscitados." (Alcorão 26:83-87)
"Exclamou: Ó Senhor meu, certamente meu povo me desmente. Julga-nos
eqüitativamente e salva-me, juntamente com os fiéis que estão comigo!"
(Alcorão 26:117-118)
"(Salomão) sorriu das palavras dela e disse: Ó Senhor meu, inspira-me para
eu Te agradecer a mercê com que me agraciaste, a mim e aos meus pais, e para
que pratique o bem que Te compraz, e admite-me na Tua misericórdia,
juntamente com os Teus servos virtuosos." (Alcorão 27:19)
"Disse (ainda): Ó Senhor meu, certamente me condenei! Perdoa-me, pois! E
(Deus) o perdoou, porque é o Indulgente, o Misericordiosíssimo. Disse
(mais): Ó Senhor meu, posto que me tens agraciado, juro que jamais ampararei
os criminosos!" (Alcorão 28:16-17)
"Saiu então de lá temeroso e receoso; disse: Ó Senhor meu, salva-me dos
iníquos." (Alcorão 28-21)
"Assim, ele deu de beber ao rebanho, e logo, retirando-se para uma sombra,
disse: Ó Senhor meu, em verdade, estou necessitado de qualquer dádiva que me
envies!" (Alcorão 28:24)
"Disse: Ó Senhor meu, concede-me a vitória sobre o povo dos corruptores!"
(Alcorão 29:30)
Disse: Ó Senhor meu, perdoa-me e concede-me um império que ninguém, além de
mim, possa possuir, porque Tu és o Agraciante por excelência!" (Alcorão
38:35)
"Os (anjos) que carregam o Trono de Deus, e aqueles que o circundam,
celebram os louvores do seu Senhor; crêem n'Ele e imploram-Lhe o perdão para
os fiéis, (dizendo): Ó Senhor nosso, Tu, Que envolves tudo com a Tua
misericórdia e a Tua ciência, perdoa os arrependidos que seguem Tua senda, e
preserva-os do suplício da fogueira! Ó Senhor nosso, introduze-os nos
jardins do Éden que lhes prometestes, assim como os virtuosos dentre os seus
pais, as suas esposas e a sua prole, porque és o Poderoso, o Prudentíssimo!
E preserva-os das maldades, porque àquele que preservares das maldades,
nesse dia terás mostrado, certamente, misericórdia; isso será o magnífico
benefício." (Alcorão 40:7-9)
"E recomendamos ao homem benevolência para com os seus pais. Com dores, sua
mãe o carrega duante a sua gestação e, posteirormente, sofre as dores do seu
parto. E de sua concepção até a sua ablactação há um espaço de trinta meses,
quando alcança a puberdade e, depois, ao atingir quarenta anos, diz: Ó
Senhor meu, inspira-me, para agradecer-Te as mercês com que me agraciaste, a
mim e aos meus pais, para praticar o bem que Te compraz, e faze com que
minha prole seja virtuosa. Em verdade, converto-me a Ti, e me conto entre os
muçulmanos. Tais são aqueles dos quais aceitamos o melhor do que têm feito,
e lhes absolvemos as faltas, (contando-os) entre os diletos do Paraíso,
porque é uma promessa verídica, que lhes foi anunciada." (Alcorão
46:15-16)(Alcorão 59:10)
"... Ó Senhor nosso, a Ti nos encomendamos e a Ti nos voltamos contritos,
porque para Ti será o retorno: Ó Senhor nosso, não faça de nós um escarmento
para os incrédulos e perdoa-nos, ó Senhor nosso, porque és o Poderoso, o
Prudentíssimo." (Alcorão 60:4-5)
"E Deus dá como exemplo aos fiéis, o da mulher do Faraó, que disse: Ó Senhor
meu, constrói-me, junto a Ti, uma morada no Paraíso, e livra-me do Faraó e
das suas ações, e salva-me dos iníquos!" (Alcorão 66:11)
"E Noé disse: Ó Senhor meu, não deixes sobre a terra nenhum dos incrédulos.
Porque, se deixares, eles extraviarão os Teus servos, e não gerarão senão os
libertinos, ingratos." Alcorão 71:26-27)
"Ó Senhor meu, perdoa-me a mim, aos meus pais e a todo fiel que entrar em
minha casa, assim como também aos fiéis e às fiéis, e não aumentes em nada
os iníquos, senão em perdição." (Alcorão 71:28)
"Admoestarás somente quem seguir a mensagem e temer intimamente o Clemente;
anuncia a este, pois, uma indulgência e uma generosa recompensa." (Alcorão
36:11)
Anonymous
15-06-2003, 18:21
:cry: QUE?? Não vou poder fazer ídolos ao Diabo?? Isso é horrível! E já agora, podia-me explicar essa de islão e sabedoria. Aquele que não é muçulmano, não é sabio, certo? Sabia que esses budistas estavam cheios de peneiras!
Anonymous
16-06-2003, 14:52
Caro Sr. Caleidoscopio :?: ...
Primeiramente, eu postei esse livro aqui para os irmãos muçulmanos ... segundo, vc leu o livro antes de postar seu pobre comentário? ... terceiro, muçulmanos escrevem para muçulmanos (ou para quem tem a sabedoria de tentar entender a religião), cada religião escreve livros para quem acredita em seus principios.
Se vc não é muçulmano, não aceita os principios islâmicos..não venha discutir sobre o que vc não entende.
Adriana
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