RC
03-04-2003, 09:30
Um oásis de tolerância em Israel
Famílias palestinas e israelenses convivem em paz mantendo as tradições em pequena comunidade no centro do país
JULIA SANTANNA
Num dia de violência no Oriente Médio, uma menina judia chegou à escola e contou para a professora preferida o quanto achava os palestinos maus e não-confiáveis. Ela nem se dava conta de que estava falando com um deles. A cena, difícil de imaginar nos dias de hoje no Oriente Médio, se passou em uma pequena comunidade encravada no meio de Israel, entre Jerusalém e Tel Aviv. No vilarejo, fundado há quase 30 anos, 20 famílias palestinas e 20 israelenses dividem o mesmo espaço, o mesmo templo religioso e a mesma escola, e convivem em harmonia, como num oásis em um deserto de violência - onde mais de 650 pessoas foram mortas em dez meses de confrontos. Trezentas outras famílias estão na lista de espera para fazer parte da comunidade e há cinco em processo de adaptação.
Neve Shalom / Wahat al-Salam - que significa ''Oásis da Paz'' em hebraico e árabe, respectivamente - é pouco conhecida fora do país, mas sobrevive à nova Intifada mostrando que não é impossível haver entendimento entre os dois povos. A vila tem cerca de 50 moradias, uma escola primária, um templo ecumênico e um hotel, que recebe turistas curiosos em conhecer a convivência espontânea e pacífica entre israelenses e palestinos.
Educação - Respeito e cooperação são ensinados desde cedo às crianças. Árabes e judeus nascidos em Neve Shalom têm atividades e aulas bilíngües. Aprovada em 1997 pelo Ministério da Educação, a escola primária deu tão certo que atualmente 90% dos 250 alunos são crianças de fora da comunidade.
''Tentamos criar uma situação onde as crianças consigam usar o outro idioma [que não o de seus pais]. Os meninos que crescem na comunidade, desde o maternal, entendem muito bem o outro idioma quando chegam ao primário, mas as crianças que vêm de fora às vezes têm dificuldades'', explicou por telefone ao Jornal do Brasil Howard Shippin, que desde 1984 vive em Neve Shalom, onde trabalha no Departamento de Relações Públicas. As turmas, normalmente compostas por 12 palestinos e 12 israelenses, aprendem a somar em árabe e até os mais novinhos têm na ponta da língua cantigas em hebraico.
O idealismo da comunidade já ultrapassou as fronteiras de Israel. Moradores voluntários já estiveram em Kosovo e na Irlanda do Norte, assessorando a implantação de sistemas educacionais semelhantes. ''Assim como as organizações terroristas têm ligação entre si, as instituições pela paz também aprendem umas com as outras. Esperamos que a nossa mensagem tenha ajudado'', conta Shippin.
Preconceito - A comunidade, que já chegou a ser vista como ''um amontoado de loucos vivendo em uma colina'', ganhou prestígio com a visita de Hillary Clinton, em dezembro de 1998. ''As crianças em Israel deveriam aprender a respeitar suas próprias tradições e entender as tradições alheias'', discursou a então primeira-dama americana, que assistiu à iluminação simbólica da árvore de Natal, da hannukia [candelabro judeu]e da lanterna de Ramadã por um menino palestino e uma menina judia.
''Sempre fomos um pouco marginalizados por ambos os lados. Do lado judeu, freqüentemente somos vistos como ingênuos e sujeitos à cultura árabe. Do lado árabe, normalmente pensam que os palestinos que vivem aqui colaboram com os judeus. Nada disto é verdade. Nós vivemos juntos, mas mantemos nossas identidades'', explica Shippin.
Estas diferenças culturais são relevadas, e não anuladas. O dia 14 de maio é um bom exemplo disto. No aniversário da declaração do Estado de Israel - data de festa para os judeus e dor para os palestinos - enquanto uns fazem uma festa no colégio, os outros vão visitar ruínas.
Debate - Na Escola pela Paz, criada em 1979, jovens dos dois povos dividem suas preocupações e discutem as divergências. Cerca de 25 mil pessoas já passaram por este programa, também reconhecido pelo Ministério da Educação. ''Através destes workshops, eles tentam entender o que significa ser um judeu e ou um palestino'', diz Grace Feuerverger, professora do Instituto de Estudos em Educação da Universidade de Toronto, que acabou de lançar o livro Oasis of Dreams [oásis de sonhos], após dez anos de pesquisa e seis viagens à vila.
''Estas pessoas estão tentando, e penso que já encontraram um caminho para a paz. Elas realmente desejam um futuro melhor para as suas crianças'', acredita Feuerverger.
http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/internacional/2001/08/04/jorint20010804004.html
artigo postado por Ellen strausz em:
http://www.forumnow.com.br/vip/mensagens.asp?topico=1605215&pag=1&v=1&a=0#bottom
Bem infelizmente casos destes são raros, devido a esse facto quando existem merecem ser amplamente divulgados, para que no futuro desapareça o ódio irracional de alguns seres humanos.
como disse em cima deve ser divulgado por isso decidi submeter neste forum em Portugal.
Saudações
Ricardo Correia
Famílias palestinas e israelenses convivem em paz mantendo as tradições em pequena comunidade no centro do país
JULIA SANTANNA
Num dia de violência no Oriente Médio, uma menina judia chegou à escola e contou para a professora preferida o quanto achava os palestinos maus e não-confiáveis. Ela nem se dava conta de que estava falando com um deles. A cena, difícil de imaginar nos dias de hoje no Oriente Médio, se passou em uma pequena comunidade encravada no meio de Israel, entre Jerusalém e Tel Aviv. No vilarejo, fundado há quase 30 anos, 20 famílias palestinas e 20 israelenses dividem o mesmo espaço, o mesmo templo religioso e a mesma escola, e convivem em harmonia, como num oásis em um deserto de violência - onde mais de 650 pessoas foram mortas em dez meses de confrontos. Trezentas outras famílias estão na lista de espera para fazer parte da comunidade e há cinco em processo de adaptação.
Neve Shalom / Wahat al-Salam - que significa ''Oásis da Paz'' em hebraico e árabe, respectivamente - é pouco conhecida fora do país, mas sobrevive à nova Intifada mostrando que não é impossível haver entendimento entre os dois povos. A vila tem cerca de 50 moradias, uma escola primária, um templo ecumênico e um hotel, que recebe turistas curiosos em conhecer a convivência espontânea e pacífica entre israelenses e palestinos.
Educação - Respeito e cooperação são ensinados desde cedo às crianças. Árabes e judeus nascidos em Neve Shalom têm atividades e aulas bilíngües. Aprovada em 1997 pelo Ministério da Educação, a escola primária deu tão certo que atualmente 90% dos 250 alunos são crianças de fora da comunidade.
''Tentamos criar uma situação onde as crianças consigam usar o outro idioma [que não o de seus pais]. Os meninos que crescem na comunidade, desde o maternal, entendem muito bem o outro idioma quando chegam ao primário, mas as crianças que vêm de fora às vezes têm dificuldades'', explicou por telefone ao Jornal do Brasil Howard Shippin, que desde 1984 vive em Neve Shalom, onde trabalha no Departamento de Relações Públicas. As turmas, normalmente compostas por 12 palestinos e 12 israelenses, aprendem a somar em árabe e até os mais novinhos têm na ponta da língua cantigas em hebraico.
O idealismo da comunidade já ultrapassou as fronteiras de Israel. Moradores voluntários já estiveram em Kosovo e na Irlanda do Norte, assessorando a implantação de sistemas educacionais semelhantes. ''Assim como as organizações terroristas têm ligação entre si, as instituições pela paz também aprendem umas com as outras. Esperamos que a nossa mensagem tenha ajudado'', conta Shippin.
Preconceito - A comunidade, que já chegou a ser vista como ''um amontoado de loucos vivendo em uma colina'', ganhou prestígio com a visita de Hillary Clinton, em dezembro de 1998. ''As crianças em Israel deveriam aprender a respeitar suas próprias tradições e entender as tradições alheias'', discursou a então primeira-dama americana, que assistiu à iluminação simbólica da árvore de Natal, da hannukia [candelabro judeu]e da lanterna de Ramadã por um menino palestino e uma menina judia.
''Sempre fomos um pouco marginalizados por ambos os lados. Do lado judeu, freqüentemente somos vistos como ingênuos e sujeitos à cultura árabe. Do lado árabe, normalmente pensam que os palestinos que vivem aqui colaboram com os judeus. Nada disto é verdade. Nós vivemos juntos, mas mantemos nossas identidades'', explica Shippin.
Estas diferenças culturais são relevadas, e não anuladas. O dia 14 de maio é um bom exemplo disto. No aniversário da declaração do Estado de Israel - data de festa para os judeus e dor para os palestinos - enquanto uns fazem uma festa no colégio, os outros vão visitar ruínas.
Debate - Na Escola pela Paz, criada em 1979, jovens dos dois povos dividem suas preocupações e discutem as divergências. Cerca de 25 mil pessoas já passaram por este programa, também reconhecido pelo Ministério da Educação. ''Através destes workshops, eles tentam entender o que significa ser um judeu e ou um palestino'', diz Grace Feuerverger, professora do Instituto de Estudos em Educação da Universidade de Toronto, que acabou de lançar o livro Oasis of Dreams [oásis de sonhos], após dez anos de pesquisa e seis viagens à vila.
''Estas pessoas estão tentando, e penso que já encontraram um caminho para a paz. Elas realmente desejam um futuro melhor para as suas crianças'', acredita Feuerverger.
http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/internacional/2001/08/04/jorint20010804004.html
artigo postado por Ellen strausz em:
http://www.forumnow.com.br/vip/mensagens.asp?topico=1605215&pag=1&v=1&a=0#bottom
Bem infelizmente casos destes são raros, devido a esse facto quando existem merecem ser amplamente divulgados, para que no futuro desapareça o ódio irracional de alguns seres humanos.
como disse em cima deve ser divulgado por isso decidi submeter neste forum em Portugal.
Saudações
Ricardo Correia