RC
24-03-2003, 00:41
Lusa
IRAQUE
Domingo: «o dia mais difícil» para as forças aliadas
O quarto dia de guerra no Iraque ficou hoje marcado pela difusão de imagens de cinco soldados norte-americanos feitos prisioneiros pelas forças iraquianas junto à cidadede Nassiriyah, no sul do país, palco de intensos combates.
As imagens, difundidas ao princípio da tarde pela televisão por satélite do Qatar Al-Jazira, que disse tê-las obtido da televisão iraquiana, mostravam também os corpos ensanguentados de sete soldados norte-americanos estendidos no chão de uma casa.
Na capital iraquiana, a população juntou-se nos cafés para ver as imagens dos prisioneiros norte-americanos que a televisão estatal titulou de «o passeio dos americanos».
«A administração (norte-americana) mostra que não respeita os
seus filhos e que não trabalha para lhes garantir uma vida estável. Ela empurra-os para um holocausto, fazendo-os crer que é um passeio», declarou o apresentador da televisão iraquiana, antes da difusão das
imagens.
O Pentágono, que horas antes dera conta de que 12 soldados norte-americanos envolvidos nos combates naquela zona estavam dados como desaparecidos, confirmou pouco depois da difusão das imagens que os seus militares tinham sido feitos prisioneiros por Bagdad.
Indicou estar a contactar as famílias dos mortos - sem indicar de quantos soldados se trata - e dos prisioneiros e que só depois disso poderá dar a conhecer as suas identidades.
Em Bagdad, um comunicado militar iraquiano indicou hoje que 25 soldados norte-americanos e britânicos tinham sido mortos nos combates junto a Nassiriyah, informação que o exército norte-americano confirma parcialmente, dizendo apenas que houve «menos de dez mortos».
Os prisioneiros, todos feridos e aparentemente entorpecidos, foram entrevistados individualmente por alguém que as imagens não mostravam mas que segurava um microfone com a inscrição «Iraqi TV». A pedido, confirmaram ser norte-americanos, disseram os seus nomes e indicaram a sua cidade de origem: Kansas, Nova Jersey e, dois deles, Texas.
Uma mulher, que se identificou como Shannon, de 30 anos, disse pertencer à 507/a divisão de manutenção do exército dos Estados Unidos, tal como outro dos prisioneiros, que disse ter ido para o Iraque «para reparar coisas estragadas».
A televisão iraquiana tentou ainda entrevistar um dos prisioneiros que, aparentemente ferido com maior gravidade, estava deitado no chão. Um par de mãos chegou mesmo a levantar-lhe a cabeça para que olhasse para a câmara.
Fontes do Pentágono indicaram que as imagens terão sido gravadas por militares iraquianos, que as passaram à televisão iraquiana e esta à Al-Jazira.
Estas imagens, impressionantes, constituíram um duro golpe psicológico para as tropas norte-americanas no Golfo. No comando norte- americano instalado no Qatar, soldados norte-americanos ouvidos pelos jornalistas declararam-se chocados e irritados com a difusão do filme: «É desprezível», comentou o sargento Chris Caulkins.
«É inadmissível que eles mostrem os corpos. Estão a exibi-los. Moralmente isso não está correcto. Nós não exibimos os corpos deles, sobretudo na televisão», declarou por seu lado o sargento John Alleman.
O presidente norte-americano, George W. Bush, reagiu rapidamente às imagens afirmando à sua chegada à Casa Branca, proveniente de Camp David, que os prisioneiros norte-americanos e britânicos terão se der tratados «humanamente» e que todos quantos os maltratem serão considerados «criminosos de guerra».
Pouco depois, um porta-voz do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, disse em Londres que a difusão das imagens dos prisioneiros é, por si só, uma «violação flagrante» das Convenções de Genebra e instou os órgãos de informação de todo o mundo a «não se deixarem manipular» pelo Iraque.
Mais tarde, o próprio Blair afirmou que o tratamento dado aos prisioneiros pelo Iraque justifica a intervenção militar contra este país.
Reacção semelhante foi expressa pelo Comité Internacional da Cruz Vermelha, organização que é o garante do respeito das Convenções de Genebra, cuja porta-voz, Nada Dumani, afirmou que a exposição pública dos prisioneiros de guerra é uma violação do artigo 13 da III Convenção que determina, entre outros aspectos, que os prisioneiros de guerra devem ser protegidos da curiosidade pública.
No Cairo, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraquiano, Naji Sabri, disse que as imagens dos cadáveres de soldados norte-americanos são uma prova da resistência iraquiana à invasão norte-americano-britânica: «O que aconteceu hoje demonstra que não nos vamos render facilmente. É a prova de que somos fortes».
Mas, em Bagdad, o ministro da Defesa iraquiano, Sultan Hachem Ahmed, garantiu que os prisioneiros, estes e outros, serão tratados «de acordo com as Convenções de Genebra», cujos termos são coincidentes com «os valores e cultura» iraquianos.
As polémicas imagens foram objecto de tratamento diferente nas estações de televisão de todo o mundo. Nos Estados Unidos, à excepção da CBS, todas os canais televisivos optaram por não difundir as imagens por recearem desencadear a crítica da opinião pública.
No caso da CBS, a difusão terá sido de improviso, quando entrevistava o secretário da Defesa norte-americano, Donald Rumsfeld.
Questionado, Rumsfeld, denunciou a exploração mediática da situação e
acusou Bagdad de estar a violar as Convenções de Genebra.
Daí para a frente, a CBS optou por não voltar a passar as imagens.
A CNN, por seu lado, anunciou ter decidido não difundir as imagens, reservando-se a possibilidade de difundir algum plano geral que não permita identificar os soldados norte-americanos mortos: «Informamos os telespectadores que as imagens e as declarações (dos prisioneiros) são extremamente perturbadoras. A CNN decidiu não difundir as imagens dos mortos e utilizará apenas uma fotografia», precisou o jornalista Wolf Blitzer.
Mensagens semelhantes foram anunciadas pelas televisões Fox e
MSNBC.
Na Europa, a maioria das televisões optou por mostrar as imagens, incluindo os canais portugueses e espanhóis, que consideraram importante o seu «interesse informativo».
Na Grã-Bretanha, o canal de informações em contínuo Sky News, controlado pelo magnata da imprensa Rupert Murdoch, foi o primeiro a difundir as imagens. A partir do princípio da noite, no entanto, esta estação optou por distorcer a imagem dos rostos dos prisioneiros para impedir a sua identificação.
A ITV, por seu lado, difundiu apenas «imagens fixas», «sem passagens de vídeo ou audio», segundo explicou um porta-voz.
Em França, a TF1, televisão generalista privada, indicou que mostraria apenas imagens breves dos prisioneiros «com a cara distorcida» para abrir a entrada em directo do seu correspondente em Washington sobre a discussão suscitada pelas imagens nos Estados Unidos.
A entidade reguladora da comunicação social em França, a CSA, anunciou ter convocado o representante da Al-Jazira em Paris para explicar a difusão das imagens e dos testemunhos, que considera contrários às Convenções de Genebra.
As televisões alemãs, públicas e privadas, transmitiram as imagens, tanto dos prisioneiros como dos mortos, e as entrevistas.
Segundo a redactora-chefe dos canais privados N24, ProSieben, Kabell e Sat1, as imagens foram difundidas «desde que foram recebidas».
O artigo 13 da III Convenção de Genebra indica que «os prisioneiros de guerra devem ser permanentemente protegidos, particularmente de actos de violência ou de intimidação, de insultos e da curiosidade do público».
Que presidente que envia os seus soldados estupidamente para a morte
e envia com ordens de assassinar um povo que tal como eles no fundo não têm culpa nenhuma.
resposta: um arbusto sem cerebro
saudações
Ricardo Correia
IRAQUE
Domingo: «o dia mais difícil» para as forças aliadas
O quarto dia de guerra no Iraque ficou hoje marcado pela difusão de imagens de cinco soldados norte-americanos feitos prisioneiros pelas forças iraquianas junto à cidadede Nassiriyah, no sul do país, palco de intensos combates.
As imagens, difundidas ao princípio da tarde pela televisão por satélite do Qatar Al-Jazira, que disse tê-las obtido da televisão iraquiana, mostravam também os corpos ensanguentados de sete soldados norte-americanos estendidos no chão de uma casa.
Na capital iraquiana, a população juntou-se nos cafés para ver as imagens dos prisioneiros norte-americanos que a televisão estatal titulou de «o passeio dos americanos».
«A administração (norte-americana) mostra que não respeita os
seus filhos e que não trabalha para lhes garantir uma vida estável. Ela empurra-os para um holocausto, fazendo-os crer que é um passeio», declarou o apresentador da televisão iraquiana, antes da difusão das
imagens.
O Pentágono, que horas antes dera conta de que 12 soldados norte-americanos envolvidos nos combates naquela zona estavam dados como desaparecidos, confirmou pouco depois da difusão das imagens que os seus militares tinham sido feitos prisioneiros por Bagdad.
Indicou estar a contactar as famílias dos mortos - sem indicar de quantos soldados se trata - e dos prisioneiros e que só depois disso poderá dar a conhecer as suas identidades.
Em Bagdad, um comunicado militar iraquiano indicou hoje que 25 soldados norte-americanos e britânicos tinham sido mortos nos combates junto a Nassiriyah, informação que o exército norte-americano confirma parcialmente, dizendo apenas que houve «menos de dez mortos».
Os prisioneiros, todos feridos e aparentemente entorpecidos, foram entrevistados individualmente por alguém que as imagens não mostravam mas que segurava um microfone com a inscrição «Iraqi TV». A pedido, confirmaram ser norte-americanos, disseram os seus nomes e indicaram a sua cidade de origem: Kansas, Nova Jersey e, dois deles, Texas.
Uma mulher, que se identificou como Shannon, de 30 anos, disse pertencer à 507/a divisão de manutenção do exército dos Estados Unidos, tal como outro dos prisioneiros, que disse ter ido para o Iraque «para reparar coisas estragadas».
A televisão iraquiana tentou ainda entrevistar um dos prisioneiros que, aparentemente ferido com maior gravidade, estava deitado no chão. Um par de mãos chegou mesmo a levantar-lhe a cabeça para que olhasse para a câmara.
Fontes do Pentágono indicaram que as imagens terão sido gravadas por militares iraquianos, que as passaram à televisão iraquiana e esta à Al-Jazira.
Estas imagens, impressionantes, constituíram um duro golpe psicológico para as tropas norte-americanas no Golfo. No comando norte- americano instalado no Qatar, soldados norte-americanos ouvidos pelos jornalistas declararam-se chocados e irritados com a difusão do filme: «É desprezível», comentou o sargento Chris Caulkins.
«É inadmissível que eles mostrem os corpos. Estão a exibi-los. Moralmente isso não está correcto. Nós não exibimos os corpos deles, sobretudo na televisão», declarou por seu lado o sargento John Alleman.
O presidente norte-americano, George W. Bush, reagiu rapidamente às imagens afirmando à sua chegada à Casa Branca, proveniente de Camp David, que os prisioneiros norte-americanos e britânicos terão se der tratados «humanamente» e que todos quantos os maltratem serão considerados «criminosos de guerra».
Pouco depois, um porta-voz do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, disse em Londres que a difusão das imagens dos prisioneiros é, por si só, uma «violação flagrante» das Convenções de Genebra e instou os órgãos de informação de todo o mundo a «não se deixarem manipular» pelo Iraque.
Mais tarde, o próprio Blair afirmou que o tratamento dado aos prisioneiros pelo Iraque justifica a intervenção militar contra este país.
Reacção semelhante foi expressa pelo Comité Internacional da Cruz Vermelha, organização que é o garante do respeito das Convenções de Genebra, cuja porta-voz, Nada Dumani, afirmou que a exposição pública dos prisioneiros de guerra é uma violação do artigo 13 da III Convenção que determina, entre outros aspectos, que os prisioneiros de guerra devem ser protegidos da curiosidade pública.
No Cairo, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraquiano, Naji Sabri, disse que as imagens dos cadáveres de soldados norte-americanos são uma prova da resistência iraquiana à invasão norte-americano-britânica: «O que aconteceu hoje demonstra que não nos vamos render facilmente. É a prova de que somos fortes».
Mas, em Bagdad, o ministro da Defesa iraquiano, Sultan Hachem Ahmed, garantiu que os prisioneiros, estes e outros, serão tratados «de acordo com as Convenções de Genebra», cujos termos são coincidentes com «os valores e cultura» iraquianos.
As polémicas imagens foram objecto de tratamento diferente nas estações de televisão de todo o mundo. Nos Estados Unidos, à excepção da CBS, todas os canais televisivos optaram por não difundir as imagens por recearem desencadear a crítica da opinião pública.
No caso da CBS, a difusão terá sido de improviso, quando entrevistava o secretário da Defesa norte-americano, Donald Rumsfeld.
Questionado, Rumsfeld, denunciou a exploração mediática da situação e
acusou Bagdad de estar a violar as Convenções de Genebra.
Daí para a frente, a CBS optou por não voltar a passar as imagens.
A CNN, por seu lado, anunciou ter decidido não difundir as imagens, reservando-se a possibilidade de difundir algum plano geral que não permita identificar os soldados norte-americanos mortos: «Informamos os telespectadores que as imagens e as declarações (dos prisioneiros) são extremamente perturbadoras. A CNN decidiu não difundir as imagens dos mortos e utilizará apenas uma fotografia», precisou o jornalista Wolf Blitzer.
Mensagens semelhantes foram anunciadas pelas televisões Fox e
MSNBC.
Na Europa, a maioria das televisões optou por mostrar as imagens, incluindo os canais portugueses e espanhóis, que consideraram importante o seu «interesse informativo».
Na Grã-Bretanha, o canal de informações em contínuo Sky News, controlado pelo magnata da imprensa Rupert Murdoch, foi o primeiro a difundir as imagens. A partir do princípio da noite, no entanto, esta estação optou por distorcer a imagem dos rostos dos prisioneiros para impedir a sua identificação.
A ITV, por seu lado, difundiu apenas «imagens fixas», «sem passagens de vídeo ou audio», segundo explicou um porta-voz.
Em França, a TF1, televisão generalista privada, indicou que mostraria apenas imagens breves dos prisioneiros «com a cara distorcida» para abrir a entrada em directo do seu correspondente em Washington sobre a discussão suscitada pelas imagens nos Estados Unidos.
A entidade reguladora da comunicação social em França, a CSA, anunciou ter convocado o representante da Al-Jazira em Paris para explicar a difusão das imagens e dos testemunhos, que considera contrários às Convenções de Genebra.
As televisões alemãs, públicas e privadas, transmitiram as imagens, tanto dos prisioneiros como dos mortos, e as entrevistas.
Segundo a redactora-chefe dos canais privados N24, ProSieben, Kabell e Sat1, as imagens foram difundidas «desde que foram recebidas».
O artigo 13 da III Convenção de Genebra indica que «os prisioneiros de guerra devem ser permanentemente protegidos, particularmente de actos de violência ou de intimidação, de insultos e da curiosidade do público».
Que presidente que envia os seus soldados estupidamente para a morte
e envia com ordens de assassinar um povo que tal como eles no fundo não têm culpa nenhuma.
resposta: um arbusto sem cerebro
saudações
Ricardo Correia