omarkhatib
23-04-2004, 05:02
Caros irmãos
Salam Aleikoum
Gostaria de saber a opinião de vocês sobre as inovações do Islam, como, por exemplo, a celebração de Mawlid. Infelizmente não se encontra nem em livros e nem em páginas da internet nada sobre o assunto.
Conto a ajuda de vocês
Salam Aleikoum
Omar Khatib
Wa-alaikum as-salaam:
Bem-vindo a www.myciw.org.
Ficar de pé e saudar o nosso Mestre Raçulullah (s.a.w.) é um sinal de respeito e permissível.
Contudo, não concordo com o método adoptado por alguns muçulmanos de hoje em dia. O que fazem não é autorizado por Shariah. O desacordo acerca do mawlid é utilizado para dividir os muçulmanos e beneficia os inimigos do Islão.
No "site" www.ask-imam.com, do Mufti Ibrahim Desai, responde sucintamente toda a questão do mawlid. Veja o URL:
http://www.islam.tc/ask-imam/view.php?q=1021
Infelizmente está em inglês, talvez possa usar algum tradutor online.
Ma'a-salaama,
Tayeb
Prezado irmão Omar Khatib
Assalamu Alaikum
Tal como o irmão Tayeb, bem-vindo seja ao Fórum.
E curiosamente, vem logo com uma questão deveras polémica, a da inovação ligada com a "Celebração de Maulid", ou seja a celebração do dia do nascimento do Profeta Muhammad (s.a.w.), sobretudo porque divide a nossa Ummah, devido a ignorância e exageros de alguns nossos irmãos, e cá para mim, sem necessidade nenhuma.
Como disse o nosso irmão Tayeb há métodos exagerados. E tudo o que é exegerado sai dos limites. E tudo o que for fora de limites, torna-se incorrecto.
Bom, não perdendo mais tempo, vou directo à explicação, (embora seja cumprido, espero que seja útil para todos, sobretudo para os recém-convertidos, e despidos de tudo o que seja fanatismo) socorrendo-me do editorial da única Revista Oficial Islâmica Portuguesa Al Furqán - nº. 115 de Maio/Junho. de 2000 - subscrito pelo seu director Yiossuf Adamgy, intitulado, precisamente, de:
MOULUDUN-NABI
(Aniversário do Profeta [s.a.w.])
(Intervenção de M. Yiossuf M. Adamgy proferida a
14.Junho.2000/11.Rabial-Awwal.1421, pelas 21 horas, depois da oração de Maghrib, no Darul 'Ulum de Odivelas).
«Prezados Irmãos, Assalamu Alaikum:
Inicio a minha intervenção, hoje, neste Darul 'Ulum Cadria Ashrafia de Odivelas, com o celebérrimo Ayat 56 do Alcorão, da Sura Al Ahzab que é o seguinte:
In nal lá ha wa malá ikatahu yussal-lu na alan nabiy yá ay yuhal lazina a manu sal-lu alaihi wa sal-limu taslima
«Na verdade, Allah (Deus) e Seus anjos abençoam o Profeta. Ó crentes: pedi bençãos para ele e saudai-o respeitosamente!»
Hoje, em todo o Mundo, e sobretudo no Mundo Muçulmano, Rabi-al-Awwal é o mês que enche os corações dos Muçulmanos de imensa alegria; é o mês de ressurgimento da fé Islâmica; é o mês em que todo o coração do crente aspira receber a generosidade, a misericórdia e a protecção de Deus Todo-Poderoso. Em suma, é o mês do nascimento do sagrado Profeta Muhammad (s.a.w.), a personificação do bem e a resplandecente luz do Universo.
Uma vista superficial à Arábia antes do nascimento do último e querido Mensageiro de Deus (s.a.w.) revela um cenário de sinistro desespero. A sociedade árabe estava profundamente mergulhada na idolatria. As pessoas estavam imersas na ignorância, entregues a rituais obscenos, dadas a superstição e marginalidades. O jogo, a bebida e os prazeres ilícitos eram a ordem do dia. Enterravam vivas as suas próprias filhas.
Foi para uma tal sociedade bárbara que este maior benemérito da humanidade desencadeou uma revolução, sem pararelo, na História da Humanidade. Num curto espaço de tempo, ele transformou a Arábia numa nação forte, compacta e invencível, baseada no fervor e entusiamo religioso jamais antes conhecido, e implantou, com a inspiração de Deus, um sistema de religião e um código de moralidade marcadas por uma grande sabedoria.
As suas palavras de amor refrescaram (e refrescam) os corações tristes; o esplendor do seu nome desanuviou os pecados e vícios; e o seu magnífico e incomparável esforço contra a ignorância levaram a humanidade ao auge da glória.
E é por isso que Deus, a respeito da sua mais querida criatura, Muhammad Mustufa (a paz esteja com ele) diz o seguinte no Sagrado Alcorão (21:107):
Wa ma_ arsalna_ka il la_ rahmatal lil'a_lamin
E Nós não te enviamos senão como uma misericórdia para toda a humanidade
E por isso, Deus ainda diz no Alcorão (4:80):
Mãy yuti'ir rassu_la fa qad ata_'alla_h(a)
Quem quer que obedeça ao Mensageiro, obedece a Deus.
E é baseando-se neste panorama histórico e nestes versículos do sagrado Alcorão, que sábios poetas muçulmanos, de vários pontos do mundo, nomeadamente da Arábia, da Pérsia, da Àsia, da África, etc., dedicaram vários versos poéticos a esta temática.
MOULUD, literalmente, significa aniversário. Assim, Moulud-un-Nabi significa o aniversário do Profeta (s.a.w.). O glorioso Mensageiro de Deus nasceu no dia 12 de Rabi-al-Awwal, numa segunda-feira, sendo esta data celebrada no Mundo Islâmico com grande fervor, como se fosse um dia de Ide. As celebrações do Moulud não são apenas comemoradas numa atmosfera de alegria e festa mas, também, é sobretudo ocasião importante para recordar, enaltecer e educar a Ummah Muçulmana a respeito da vida, da personalidade, da Sunnah, da nobre Mensagem e valiosa missão do último Profeta ? Muhammad (s.a.w.).
Hazrat Urwa (r.a.) narra que quando a escrava de Abu Lahab, de nome Chuwaiba, trouxe-lhe a notícia do nascimento de Muhammad (s.a.w.), Abu Lahab ficou tão alegre que, apontando o seu dedo para a escrava, libertou-a por ter trazido notícia tão agradável. Depois da morte de Abu Lahab, o seu irmão Hazrat Abbas (r.a.) viu-o em sonho, num estado terrível, sequioso, apenas recebendo algumas gotas de água através do dedo indicador, por ter libertado a escrava Thuwaiba. (Bukhari Charif, Vol. 2, pág. 764). Abu Lahab ainda afirmara: "Todas as segundas-feiras, o meu castigo é diminuido". Hazrat Abbas (r.a.) diz que isto era porque o Profeta (s.a.w.) nasceu numa segunda-feira.
Ó Muçulmanos! Reflecti! Abu Lahab era um descrente, nós somos crentes; ele era inimigo do Profeta, nós somos seus dedicados; ele rejubilou com o nascimento de um sobrinho, nós estamos a expressar alegria pela criatura que Allah nos mandou como uma misericórdia para a humanidade inteira (21:107). Se um descrente pode receber bençãos por ter libertado a sua escrava que lhe trouxe uma boa nova (o nascimento de Muhammad (s.a.w.), certamente que os que celebram o Moulud para expressarem a sua íntima alegria e recordarem a sua vida, para porem em prática as suas acções, receberão bençãos e recompensas sem conta por este acto piedoso. A celebração de Mouludun Nabi é um sinal de respeito para com o Profeta (s.a.w.) e um acto Mustahab.
Celebrar o dia nascimento do Pofeta (s.a.w.) é, portanto, recordar e tentar viver a vida de Muhammad Mustafa (s.a.w.).
A sua vida, como é revelada através das tradições, é um brilhante exemplo para seguirmos. "Têm na verdade no Apóstolo de Deus um modelo esplêndido", assegura-nos o Alcorão. A sua vida, nos seus desafios, triunfos e tragédias é um livro de regras de ouro para serem seguidas por todos nós para nos assegurar sucesso nesta vida e na outra.
Num ambiente social em que a moralidade perdeu a favor do lucro e do prazer, Muhammad (p.e.c.e.) salientou-se como um carácter excepcional. Ficou conhecido como Al-Amim, o digno de confiança. Era o homem escolhido pelas pessoas de Meca para lhe deixarem os seus valores para guardar. Não deve haver outra altura na história em que um homem tenha arriscado a sua vida para devolver cada coisa que lhe tinham entregue às pessoas que conjuravam o seu assassínio. Foi o que o Profeta (a paz e as bençãos de Deus estejam com ele) fez antes de ter saído de Meca para Medina.
Como cresceu orfão ? o seu pai Abdullah morreu antes de ele nascer e a sua mãe Amina seis anos depois ? ele começou a observar, ouvir e aprender com o seu avô Abdul Muttalib e com o seu tio Abu Talib. Quando veio a revelação de Allah S.T. ele começou a pregar. Muitos notáveis de Meca se enraiveceram contra este jovem que desafiava os seus mitos e maneiras de há muitos séculos.
O Profeta (p.e.c.e.) não se deteve por ameaças e perseguições. Nem se distraiu da sua missão por ter sido seduzido. "Se me oferecerem o sol na minha mão direita e a lua na esquerda, nem assim me deterei", foi a sua resposta. Isto não foi nenhuma fanfarronice, mas sim uma firme declaração de empenhamento e convicção, e uma aceitação calma dos desafios que encontraria durante a sua missão.
No entanto, o objectivo desta minha intervenção não é dar uma perspectiva histórica da vida do Profeta, até porque não haveria tempo para isso. Mas o objectivo é, sim, focar a necessidade de tentarmos seguir o seu exemplo. O amado Profeta (s.a.w.) foi a melhor das pessoas. A sua preocupação pelos que o rodeavam e pelos que lhe faziam mal deu brilhantes exemplos de nobreza. Quando uma vizinha sua, que era uma das suas mais ferozes oponentes e tinha a reputação de arranjar novas maneiras de o perseguir, ficou doente, o Profeta (s.a.w) surpreendeu-a e ao povo de Meca com a sua preocupação solícita pela sua saúde.
O seu amor pelos orfãos era profundo. Exemplificando a mensagem de várias passagens do Alcorão: "Não trateis os orfãos com rispidez.", "Não vos aproximeis dos bens dos orfãos a não ser para os melhorar." Conta-se que ele disse, em várias ocasiões, que os que se preocupam com os orfãos, serão seus companheiros no céu.
O Profeta (s.a.w.) era bom para todos, mas sobretudo para os necessitados e para os humildes. Visitava os pobres e os doentes. Ele mostrava compaixão e misericórdia. Era bom para as mulheres. "Os melhores de entre vós são os que são melhores para as suas mu- lheres", disse ele. O seu sermão na Montanha da Misericórdia, dirigido à multidão, que participava na Peregrinação da Despedida, reunida no planalto de Arafat, foi uma carta de direitos do Homem e um documento dos deveres do homem para com o seu semelhante.
Esse sermão foi citado e tornado a citar, estudado, discutido e admirado. Mas a questão que se põe é: temos nós, cada um de nós, posto este sermão em prática e medido as nossas acções diárias de acordo com o exemplo dado por ele? As palavras do Último dos Mensageiros, lem- bremo-nos, não foram ditas para serem admiradas pelo seu sonoro efeito. O Alcorão diz que ele não foi enviado como um "poeta" ou um "adivinho" mas sim como "uma misericórdia do vosso Senhor para avisar as pessoas para as quais não tinha havido nenhum aviso antes de vós, para que possam receber conselho".
A questão que devemos pôr a nós próprios é: Recebemos as suas palavras como deve ser, como aviso de um apóstolo enviado para que "possa conduzir os que crêem e praticam boas acções das profundezas da escuridão para a luz?" Recebemos? Ou pelo contrário, não o fizemos, preocupados com a obtenção de ganhos materiais, esquecemo-nos dos seus ensinamentos?
À medida que nos precipitamos para um novo século com os seus desafios e perigos, faríamos bem em nos apegarmos às tradições do nosso líder e guia Profeta Muhammad (p.e.c.e.).
É triste ver-se de que maneira muitos de nós tratam os menos privilegiados entre nós.
É doloroso ver que nada é feito pelos esfomeados e os orfãos que colocam a sua fé e esperança em nós, querendo que tomemos conta deles.
É agonizante notar como as viúvas e outras são tratadas.
Como alguém que tem orgulho no facto de ser seguidor de um Profeta cuja bondade para as mulheres era conhecida, é importante que cuidemos delas e façamos com que a sociedade as proteja.
Não é só um segmento dos desprivilegiados da nossa sociedade que deve ser protegido, mas todos. Há hoje milhões de pessoas em todo o lado que necessitam da nossa ajuda e assistência.
Em vez de oferecermos palavras e mais palavras, mergulhemos as mãos nos bolsos e façamos o que o Alcorão chama "um esplêndido empréstimo" a Allah: "E façam a Deus um esplêndido empréstimo. E o bem que enviardes adiante para as vossas almas o encontrareis na presença de Deus ? ainda melhor e maior, como recompensa."
Passaram mil e quatrocentos anos desde que o Profeta nos deixou. Mas a sua mensagem permanece. O seu exemplo continua, para nos conduzir da escuridão à luz.
"Oh Allah! Mostra a Tua misericórdia a Muhammad e aos seguidores de Muhammad, como tens mostrado a Tua misericórdia a Ibrahim e aos seguidores de Ibrahim.
Todas as saudações, devoções, orações e bons actos são dedicados a Deus. ... Presto testemunho de que não há outra divindade além de Deus e de que Muhammad é Seu (último) servo e Mensageiro".
Wa má alaináa il-lal balágul mubin. (E não nos cabe mais do que transmitir claramente a Mensagem). »
Saudações Fraternais
OSAMA
omarkhatib
24-04-2004, 21:47
Querido irmão Osama, muito obrigado por ter esclarecido minhas dúvidas. Você me ajudou muito.
É claro que podemos e devemos celebrar o nascimento do Profeta que, indiscutivelmente, mudou o curso da História da Humanidade, mas, como foi citado, sem exageros e tomando o devido cuidado para não associá-lo a Allah, como fazem os irmãos cristãos com Jesus Cristo.
Gostaria, se não for pedir muito, que você me indicasse um site onde eu possa baixar no formato mp3, para poder fazer CDs, a surat Al Baqara fragmentada e alguma celebração do Mawlid.
Já tentei vários sites mas não consegui nada.
Alguns tem a surat Al Baqara, mas é impossível fazer o download.
Ficaria muito grato se você(s) me ajudasse.
Allah maak (Que Deus esteja contigo)
Omar Khatib
Prezado Omarkhatib
Assalamu Alaikum
Infelizmente não sei, de momento, indicar-lhe o site que me pede. terei que investigar ... Mas creio que o irmão Tayeb poderá ajudá-lo nesse campo ...
Salam,
OSAMA
Querido irmão Osama, muito obrigado por ter esclarecido minhas dúvidas. Você me ajudou muito.
É claro que podemos e devemos celebrar o nascimento do Profeta que, indiscutivelmente, mudou o curso da História da Humanidade, mas, como foi citado, sem exageros e tomando o devido cuidado para não associá-lo a Allah, como fazem os irmãos cristãos com Jesus Cristo.
Gostaria, se não for pedir muito, que você me indicasse um site onde eu possa baixar no formato mp3, para poder fazer CDs, a surat Al Baqara fragmentada e alguma celebração do Mawlid.
Já tentei vários sites mas não consegui nada.
Alguns tem a surat Al Baqara, mas é impossível fazer o download.
Ficaria muito grato se você(s) me ajudasse.
Allah maak (Que Deus esteja contigo)
Omar Khatib
Entre outros pode fazer o download do seguintec site:
http://www.ahlanbi.com/quran_mp3.htm
Ma'a-salaama,
Tayeb
omarkhatib
27-04-2004, 04:28
Querido irmão Tayeb, muito obrigado pela ajuda, mas gostaria de saber de um site em que tenha as Suras grandes do Alcorão divididas em várias partes, como por exemplo a Surat Al Baqara.
Ela é muito extensa. Não dá pra fazer um cd de áudio.
Exemplo: eu visitei o site http://www.madressa.net/fx/quran.html mas, infelizmente não consegui fazer o download...
E assim são todos os sites que eu tento fazer o download.
Eu tenho o Alcorão Completo em mp3, mas existem Suras que não podem ser gravadas no formato de Cd de áudio.
Ficaria muito grato se vocês pudessem me ajudar.
Também gostaria de fazer downloads de Hinos Islâmicos (Anashid ou Tawashih Dinnyah)
Desde já agradeço muito pela atenção
Muitos abraços
Allah Maakoum
Omar Khatib
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