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Vizualizar Versão Completa : Extremismo cristão


Peregrino
05-11-2009, 23:10
http://www.albatrus.org/english/living/ourtimes/islam_conquer_europe.htm


Como estou feliz por estes doidos não governarem na Europa :lol:

Em nome de Deus, o que eles não fazem...


Passei por esse site, por mero acaso, e é apenas mais um site cristão, que prega contra os muçulmanos. Esses cristãos, em lugar de pregar a sua religião, que parece já nada dizer às pessoas, atacam os outros.
O desespero pela retrocesso constante do cristianismo tem dessas coisas...

Posso estar enganado, continuo a não recordar sites que pregam o Islão, fazerem menção ao cristianismo. Uma religião, confiante em si mesma, não precisa de atacar ninguém, valerá por si.


A Europa será muçulmana:?:
Não faço ideia. Quem olhar a história, verá, nada é eterno:!:

Orlando
06-11-2009, 12:06
http://www.albatrus.org/english/living/ourtimes/islam_conquer_europe.htm


Como estou feliz por estes doidos não governarem na Europa :lol:

Em nome de Deus, o que eles não fazem...


Passei por esse site, por mero acaso, e é apenas mais um site cristão, que prega contra os muçulmanos. Esses cristãos, em lugar de pregar a sua religião, que parece já nada dizer às pessoas, atacam os outros.
O desespero pela retrocesso constante do cristianismo tem dessas coisas...

Posso estar enganado, continuo a não recordar sites que pregam o Islão, fazerem menção ao cristianismo. Uma religião, confiante em si mesma, não precisa de atacar ninguém, valerá por si.


A Europa será muçulmana:?:
Não faço ideia. Quem olhar a história, verá, nada é eterno:!:

O extremismo é perigoso em tudo.
Quanto a uma europa muçulamana... não me parece pelo menos na minha geração

PedroSilva
06-11-2009, 12:21
O tom do texto é, em boa parte, sensacionalista, demagógico e inflamatório, ainda que a maioria dos factos apresentados não me pareça notoria e claramente falsa.

O que eles fazem é distorcer onde convém o seu significado, ampliar à lupa o que convém e ignorar aquilo que lhes estragaria a narrativa que apresentam (o que um observador neutral não faria), descontextualizar as coisas, embrulhando-as nessas narrativa inflamada que procuram, estabelecer intenções e relações de causa-efeito de forma altamente especulativa, pelo menos nas consequências últimas, tremendistas, que tiram, recorrendo mais às emoções (como o medo) do que à lógica e ao bom senso, etc.

Sinceramente, tenho que me perguntar se do lado muçulmano não vemos isso também, incluindo neste mesmo neste site. Por exemplo querendo vincar a suposta superioridade de uma face a outra 'aos pontos', isto é, tentando contar de o lado os supostos ou reais defeitos e virtudes de uma e de outra, fazer as somas e as subtracções que um merceeiro faria para avaliar a conta-corrente com clientes e fornecedores, e no fim ter a sensação de chegar a um resultado tão esclarecedor como o de outra transacção qualquer.

Falando do que agora mais me interessa, que não é tanto de casos mas da situação geral do relacionamento das religiões ( e culturas, e convicções) diferentes num espaço multi-cultural e multi-religioso como Portugal, não me parece que as relegiões caibam em 'contas de merceeiro'.

Mas mesmo que fosse possível tratar as coisas assim, e mesmo que se pudesse concluir que uma 'é melhor que a outra' (quando, na minha opinião, o que deveria contar era se faz ou não sentido para cada um, acreditar no que acredita, e isso é tudo), o perigo de assim pensar é o da intolerância.
Desde logo, a busca da 'melhor' é em si redutora, seja para religião, seja por exemplo para cultura. Não quer dizer que não possam os indivíduos que são confrontados com culturas ou religiões diferentes reconhecer que, para eles, este ou aquele aspecto é 'melhor'. E podem até disso tirar partido (será 'aprender'). Mas estabelecer, por 'comparação aos pontos' (e muitas vezes comparando só o que convém) que uma cultura ou religião é intrínsecamente inferior, dando isso como algo objectivo (já o que é subjectivo é diferente) equivale a dizer que é legítimo suprimir, ou em todo o caso menosprezar a outra cultura ou religião como um todo, recusando ou dificultando até a possibilidade de ela se 'melhorar', se é que de facto umas são melhores que outras. Seria, nesse caso, preferível possibilitar mudanças (mútuas, até) mantendo o que de 'bom' e próprio cada uma tinha, em vez de querer atirar fora o 'bebé com a água do banho'.

A intolerância começa quando se quer matar, nem que seja com a boca, o que é diferente, aquilo que corresponde ao famoso 'outro', em vez de usar a boca para dialogar, ainda que neste dialogar também caiba o criticar.
Pode parecer tudo mais ou menos o mesmo, pode parecer tudo 'dizer mal', mas com algum distanciamento e análise atenta percebe-se onde está a linha além da qual começa a intolerância e 'antes' (espero) da qual está o respeito (que não significa concordância, nem sequer concórdia).

Sobre isto, ainda há pouco li este texto:
http://www.snpcultura.org/vol_danca_dos_demonios.html,

aonde cheguei a partir daqui:
http://tribodejacob.blogspot.com/2009/10/os-demonios-tambem-danca-e-muito.html


A par com esta questão, por vezes coloco-me outra: como podem\devem as religiões referir-se umas às outras e, mais do que isso, como vêr-se a si, como encarar as outras, vêr-se no que vai para além de si e como encarar o posicionamento de si face às outras.
Ficará para outro dia.

PedroSilva
06-11-2009, 12:55
O extremismo é perigoso em tudo.
Quanto a uma europa muçulamana... não me parece pelo menos na minha geração

Concordo, apesar de falar no futuro ser daquelas coisas que valem... o que valem.
Há muitas 'profecias' a respeito disto que me parecem bem tolas... mas posso estar enganado.
Não gosto muito de falar no futuro, uma vez que já tenho dificuldades em entender o passado e o presente. Além de que quem muito fala do futuro normamlmente não se aprecebe de que pode estar na verdade a revelar-se mais a si do que a revelar o futuro.
O futuro tem o irritante hábito de nos surpreender.

De qualquer modo, arrisco esta pergunta: se a Europa se tornar muçulmana, quão (por essa via) europeu se tornará o Islão?
Quando o cobertor é curto, quando se tapa a cabeça destapam-se os pés.

Não sei se é o caso.

AnaClaudia
06-11-2009, 14:14
Concordo, apesar de falar no futuro ser daquelas coisas que valem... o que valem.
Há muitas 'profecias' a respeito disto que me parecem bem tolas... mas posso estar enganado.
Não gosto muito de falar no futuro, uma vez que já tenho dificuldades em entender o passado e o presente. Além de que quem muito fala do futuro normamlmente não se aprecebe de que pode estar na verdade a revelar-se mais a si do que a revelar o futuro.
O futuro tem o irritante hábito de nos surpreender.

De qualquer modo, arrisco esta pergunta: se a Europa se tornar muçulmana, quão (por essa via) europeu se tornará o Islão?
Quando o cobertor é curto, quando se tapa a cabeça destapam-se os pés.

Não sei se é o caso.

s3
Com todo o respeito para os cristãos, acho que muitas pessoas estão a perder o interesse que antes tinham pelo cristianismo. Posso ser muito nova para falar nisto, mas há muito tempo que o cristianismo não me dizia nada e eu comecei a interessar-me pelo Islão.

Já se fala muito sobre o facto de tantos cristãos (e não só) estarem a converter-se, e acredito que no futuro o cristianismo vai perder muita influência. Tive bastante contacto com pessoas de ambas as religiões e notei que, enquanto para os muçulmanos o Islão nunca parece perder a "magia" (tanto para os mais velhos como para os mais novos), são principalmente os cristãos mais velhos que cultivam a sua religião.

Existe uma certa rivalidade entre as religiões que não devia existir, mas infelizmente é assim. As rivalidades acontecem em todo o lado e em todas as ocasiões. Durante a guerra fria cada uma das potências tentava ridicularizar e ganhar mais popularidade, para se tornar a "melhor". Nas campanhas políticas cada um dos partidos tenta tirar crédito aos partidos rivais para obter mais votos. Uma religião sentiu a sua influência ameaçada e alguém quis persuadir as pessoas de que a religião que está a ganhar influência está cheia de defeitos (mas nem sempre é mau, foi esse tipo de "publicidade" que me fez procurar, conhecer o Islão e converter-me). Até no dia-a-dia isto acontece. É mau, mas faz parte da própria natureza humana.

Quanto à Europa tornar-se islâmica, acho que se iam perder bastantes costumes islâmicos, mas de qualquer modo ganhar-se-iam outros. Quem sabe? Só vendo.

Peregrino
06-11-2009, 20:37
"recorrendo mais às emoções (como o medo) do que à lógica e ao bom senso, etc."

Medo é uma arma poderosa.

"respeito (que não significa concordância, nem sequer concórdia)."

Mesmo tendo retirado este trecho do contexto, penso que não perde o seu significado. Sempre afirmei por demais, especialmente em fóruns ateus cheio de intolerantes, que respeito jamais significou aceitação.
Sou apologista do vive e deixa viver, obviamente que terei minhas falhas, mas quando as pessoas vivem de um modo que não me afecta, nada contra terei a dizer...

Peregrino
06-11-2009, 20:52
O cristianismo esvaziou-se de sentido espiritual. Não admira, muitos se dizem cristãos, poucos se dão ao trabalho de ir sequer, na igreja.
Não existe coisa mais tosca que dizer-se cristão não praticante, não tenho qualquer respeito por este comodismo.
Pessoalmente, tenho uma grande dificuldade dizer, sou desta ou daquela religião, por precisamente ter vivido dentro desta lógica de religião sem espiritualidade. Sou honesto, não vou dizer ser o que não consigo ou entendo...

Vimos o testemunho da Ana Cláudia que encontrou a espiritualidade no Islão.
É isso que tem acontecido na Europa, as pessoas não querem ser não praticantes, pretendem empenharem-se em algo que tenha sentido nas suas vidas.

Eu deixei de procurar entender ou tentar ser, vivo, espero que a vida me ensine e esclareça o que ainda não sei.

El Cairo
06-11-2009, 22:26
In extremis, é o que me ocorrer dizer, levamos a vida em caso extremo e desta forma, caminhamos para os últimos momentos da vida...

PedroSilva
07-11-2009, 01:41
s3
.

Existe uma certa rivalidade entre as religiões que não devia existir, mas infelizmente é assim. As rivalidades acontecem em todo o lado e em todas as ocasiões. Durante a guerra fria cada uma das potências tentava ridicularizar e ganhar mais popularidade, para se tornar a "melhor". Nas campanhas políticas cada um dos partidos tenta tirar crédito aos partidos rivais para obter mais votos. Uma religião sentiu a sua influência ameaçada e alguém quis persuadir as pessoas de que a religião que está a ganhar influência está cheia de defeitos (mas nem sempre é mau, foi esse tipo de "publicidade" que me fez procurar, conhecer o Islão e converter-me). Até no dia-a-dia isto acontece. É mau, mas faz parte da própria natureza humana.



AnaCláudia, acho que são bons pontos esses. São mais ou menos esses argumentos que usaria para rebater o que disse, mais outros que têm que ver com os benefícios da discussão e liberdade de pensamento e expressão em geral (que usaria e que uso, quando penso sobre a coerência do que disse no post face ao que defendo genericamente ou em relação a alguns casos particulares).
E até não diria que 'é mau, mas faz parte da natureza humana'. Lá isso faz, mas será 'mau'?... nem sempre, no mínimo.

Eu inclusivamente disse que havia espaço para a crítica. E há espaço até para a asneira, e até para a ofensa (este termo é ambíguo, digamos que nem sempre que o visado se sente ofendido há, por exemplo, ofensa com relevância jurídica). Falo de haver espaço no campo dos direitos (e do 'direito'), no sentido em que não penso que se deva por exemplo proibir ou coisa parecida essas... manifestações.

No campo mais 'moral', é já mais duvidoso que a asneira seja algo exemplar (mas nem pensar em censurá-la, proibir, ou seja o que for) , sobretudo se for repetida depois de verificados os factos ou se for baseada mais no preconceito do que numa inocente ignorância.
A crítica é até em princípio uma virtude moral, - e não falo só da politicamente correcta 'crítica construtiva' -, o problema pode estar em querer usar a crítica como forma não de dizer 'não gosto, ou não aceito essa tua particularidade, ou mesmo esse teu defeito' mas de dizer 'eu não te aceito como alguém cuja dignidade é intrinsecamente equivalente à minha'. Muitas vezes, inclusivamente, é mesmo apenas 'eu não te aceito como alguém', embora quem o 'diz', não usando estas palavras, possa nem se aperceber.
Claro que por exemplo os partidos políticos se apresentam como os que têm as melhoores soluções, e naturalmente acham que a sua política é a melhor. O problema da auto-proclamada superioridade (que 'toda a gente' defende para o que pensa, de uma forma ou outra) não é esse. O problema são os que sugerem que quem não pensa como eles não é, por exemplo, bom português. Não são já as minhas ideias que eu, certo ou errado, acho que são melhores, tolerando no entanto as outras, mas a minha qualidade intrínseca (de 'bom português') que está em causa. Sou eu Exemplos disto? Agora não há muitos (porque desde 1974 a tolerância ganhou), mas antes era assim. Quem não pensava como o partido único era de alguma forma intrinsecamente maléfico para o país (em Cuba ainda não há muito ensinavam os jovens a dizer que quem tivesse ideias anti-revolucionárias era um VERME, é outro exemplo).
Não sei se estes são os melhores exemplos, mas não me lembro agora de outros. Muitas vezes isto não chega a este extremo, é uma intolerância mais subtil, mas que continua a querer pintar de determinada maneira certas pessoas ou grupos mais do que dizer que discorda ou se sente mal com algumas das suas acções ou pensamentos.
Mas não retiro em princípio a ninguém o direito de mostrar as suas intolerâncias, apenas digo que ao fazer isso se escolhe um caminho, um posicionamento. E isso, nas religiões pode ser especialmente delicado (nas 'religiões', talvez não necessariamente entre os seguidores, ou alguns dos seus seguidores, mas isso é outra discussão ainda).

À partida esse caminho ou posicionamento que se escolhe é... válido com algumas... reticências (se fosse só 'crítica' nem tanto, ou muito menos). Ainda que possa não ser o mais saudável, e era para isso que eu tentava chamar a atenção. A não ser que possa ser considerado ofensa. Pela comunidade, não pelo(s) próprio(s) (e daí a importância da 'ofensa com significado jurídico', que decorre das leis dessa comunidade, e não dos sentimentos de cada um, embora uma coisa e outra possam coincidir frequentemente).

PedroSilva
07-11-2009, 01:56
O cristianismo esvaziou-se de sentido espiritual. Não admira, muitos se dizem cristãos, poucos se dão ao trabalho de ir sequer, na igreja.
Não existe coisa mais tosca que dizer-se cristão não praticante, não tenho qualquer respeito por este comodismo

Isto é verdade, mas... em parte. Para muita gente é assim.
Mas penso que muitos cristão (enfim, alguns) vivem agora o cristianismo com mais intensidade e consciência do que a maior parte das pessoas há cem anos.
Nessa altura a vida estava impregnada de religiosidade, mas ela tinha muito de ritual, de repetição daquilo que imensas gerações haviam feito antes, de assimilação acrítica.

Não há uma direcção só no mundo da religião, parece-me. Há muitos que se afastam lentamente e se tornam cada vez mais indiferentes, os que se a dada altura se afastam de forma decidida e clara, há os que fazem o caminho inverso... há os que descobrem novas religiões, como o Islão...
Mas não só, muitos passam do catolicismo para outra igreja cristã que lhes dá mais 'pica', outros procuram o budismo, e há imensas 'coisas' a que me apetece chamar realidades 'para-religiosas', como as crenças mais ou menos pagãs em certas 'forças', ou no para-normal, enfim, coisas que se afastam do que tradicionalmente se considerava ser o domínio do religioso, mas que em muitos aspectos o substitui. Há de tudo, e ainda bem.

E ainda há a nova fé no Benfica :lol:, que pode vir a ser a mais milagrosa nos próximos tempos (oxalá:lol:)

PedroSilva
07-11-2009, 02:02
s3
Com todo o respeito para os cristãos, acho que muitas pessoas estão a perder o interesse que antes tinham pelo cristianismo. Posso ser muito nova para falar nisto, mas há muito tempo que o cristianismo não me dizia nada e eu comecei a interessar-me pelo Islão.

Já se fala muito sobre o facto de tantos cristãos (e não só) estarem a converter-se, e acredito que no futuro o cristianismo vai perder muita influência

É mais a igreja católica, talvez. Pelo menos durante... muito tempo. A influência do cristianismo é 'matricial', está inscrita nas mentalidades, no modo de pensar o mundo, nos valores.
Mas tudo muda. E uma coisa leva a outra.

AnaClaudia
07-11-2009, 13:05
AnaCláudia, acho que são bons pontos esses. São mais ou menos esses argumentos que usaria para rebater o que disse, mais outros que têm que ver com os benefícios da discussão e liberdade de pensamento e expressão em geral (que usaria e que uso, quando penso sobre a coerência do que disse no post face ao que defendo genericamente ou em relação a alguns casos particulares).
E até não diria que 'é mau, mas faz parte da natureza humana'. Lá isso faz, mas será 'mau'?... nem sempre, no mínimo.

Não sei se a minha opinião tem algo de correcto, mas é aquela que tenho ganho ao longo dos últimos meses. Também não faço ideia se percebi correctamente o que você queria dizer, até porque devo ter idade de ser filha de qualquer um de vocês e as minhas ideias podem não estar completamente... maduras. :D

Não fiz nenhuma referência à liberdade do pensamento, até porque nunca me passou sequer pela cabeça «proibi-la». Se há coisa que eu sou é bastante tolerante.

Quanto a ser mau ou não (o facto de tentar prejudicar os outros para ficar melhor), depende da opinião de cada um, não existe a resposta certa. Na minha, a ambição é uma coisa boa, mas não acho justo ver alguém sair magoado ou prejudicado quando a razão é uma mentira inventada propositadamente pelos outros.

:)