Osama
12-04-2004, 12:20
Reconstruir a Paz
Por AUGUSTO JOSÉ MONTEIRO VALENTE
Oficial do exército (major-general) na situação de reserva, licenciado em História e em Ciências Militares
in Jornal "Público" Segunda-feira, 12 de Abril de 2004
(...)
Perante a derrota já clara dos planos norte-americanos e a eminência de uma situação sem retorno, a comunidade internacional terá de rapidamente forçar George Bush devolver à ONU o papel central que lhe tem negado e convencer os países árabes a envolverem contingentes militares seus numa nova força de imposição da paz sob a tutela da ONU, por forma a substituir uma parte significativa das forças invasoras e tentar recuperar a confiança das comunidades iraquianas. Se George Bush persistir na continuação da solução final militar, à comunidade internacional não restará outra alternativa se não obrigá-lo a assumir as responsabilidades e as consequências do genocídio da população iraquiana, repensando uma colaboração com quem até arrogantemente a desprezou no início da guerra e que agora mostra a sua verdadeira face de agressor e ocupante, da qual já resultaram demasiadas humilhações, excessivos ódios e irreparáveis sacrifícios de vítimas inocentes, entre todas as partes em confronto.
O que não poderá acontecer é que Samuel Huntington venha a ter razão e que toda a comunidade internacional se deixe arrastar para uma guerra civilizacional, cuja primeira salva foi disparada por quem agora se arvora em vítima, com a cumplicidade ignorante, irresponsável e submissa daqueles que julgaram poder encontrar nela a força política interna, o prestígio externo ou a visibilidade internacional que não têm ou que perderam por erradas políticas.
Reconstruir a Paz tem de ser possível! Mas uma Paz fundada na ONU, nos Direitos Humanos e no direito internacional e não no belicismo ou no terrorismo, no diálogo de culturas e não no choque de civilizações, na parceria de um mundo de subsistemas e não no poder da hiperpotência mundial, na democratização da globalização e não na ditadura da mundialização, no desenvolvimento global e não na exploração neocolonialista, enfim, na cidadania universal, na liberdade, na dignidade, na justiça e na tolerância e não no nacionalismo, na submissão, na humilhação, na exclusão e na xenofobia.
Será essa a melhor homenagem às vítimas inocentes do terrorismo e da guerra.
Por AUGUSTO JOSÉ MONTEIRO VALENTE
Oficial do exército (major-general) na situação de reserva, licenciado em História e em Ciências Militares
in Jornal "Público" Segunda-feira, 12 de Abril de 2004
(...)
Perante a derrota já clara dos planos norte-americanos e a eminência de uma situação sem retorno, a comunidade internacional terá de rapidamente forçar George Bush devolver à ONU o papel central que lhe tem negado e convencer os países árabes a envolverem contingentes militares seus numa nova força de imposição da paz sob a tutela da ONU, por forma a substituir uma parte significativa das forças invasoras e tentar recuperar a confiança das comunidades iraquianas. Se George Bush persistir na continuação da solução final militar, à comunidade internacional não restará outra alternativa se não obrigá-lo a assumir as responsabilidades e as consequências do genocídio da população iraquiana, repensando uma colaboração com quem até arrogantemente a desprezou no início da guerra e que agora mostra a sua verdadeira face de agressor e ocupante, da qual já resultaram demasiadas humilhações, excessivos ódios e irreparáveis sacrifícios de vítimas inocentes, entre todas as partes em confronto.
O que não poderá acontecer é que Samuel Huntington venha a ter razão e que toda a comunidade internacional se deixe arrastar para uma guerra civilizacional, cuja primeira salva foi disparada por quem agora se arvora em vítima, com a cumplicidade ignorante, irresponsável e submissa daqueles que julgaram poder encontrar nela a força política interna, o prestígio externo ou a visibilidade internacional que não têm ou que perderam por erradas políticas.
Reconstruir a Paz tem de ser possível! Mas uma Paz fundada na ONU, nos Direitos Humanos e no direito internacional e não no belicismo ou no terrorismo, no diálogo de culturas e não no choque de civilizações, na parceria de um mundo de subsistemas e não no poder da hiperpotência mundial, na democratização da globalização e não na ditadura da mundialização, no desenvolvimento global e não na exploração neocolonialista, enfim, na cidadania universal, na liberdade, na dignidade, na justiça e na tolerância e não no nacionalismo, na submissão, na humilhação, na exclusão e na xenofobia.
Será essa a melhor homenagem às vítimas inocentes do terrorismo e da guerra.