Osama
02-04-2004, 21:48
Para leitura digital dos frequentadores deste Fórum:
Terrorismo
Por Luis Carvalho
O sinal dado por Luís Delgado, num seu extenso artigo de 15 de Março no Diário Digital, maldosamente intitulado ?Saddam ao poder?, é bem a evidência destes dias que correm nervosos no pós-atentado de Madrid.
Quebrando uma longa tradição de textos curtos e directos, Luís Delgado não resiste a verberar longamente sobre os atentados de Madrid e as suas consequências nas eleições espanholas e no puzzle político da Europa e do mundo. Emaranhado nas suas próprias contradições, bem visíveis no título do artigo de 14 de Março (?Espanha sem medo?) em que ainda alimentava a ideia de que ?uma maioria? ia dar ?uma lição inequívoca? aos que ?nunca aceitaram a decisão do Governo de apoiar os EUA e aliados na luta contra o terrorismo?, e em que enaltece ?os espanhóis que não vergaram ao terror?, perante o resultado eleitoral já fala do ?medo e cedência ao terror? da maioria dos espanhóis. E tudo isto em menos de 24 horas. Esta facilidade para falar por falar, do dizer por dizer, sem o cuidado de conhecer minimamente o assunto, é bem o estilo dos Luíses Delgados que por aí abundam. A quantidade de asneiras que se tem ouvido e lido nestes últimos dias é de bradar aos céus.
Caricato foi o programa ?prós e contras? da RTP sobre o Terrorismo. Fátima Campos Ferreira, outra que não percebe metade do que diz e que tanto está num programa de ?grande informação? como a apresentar o ?Quem quer ser milionário? que ninguém percebia a diferença, reuniu à sua volta um conjunto de personalidades cuja maioria não percebia patavina do que é o terrorismo no século XXI. O painel de convidados, composto por um Adriano Moreira reformado, um Almirante (de que Marinha? Desta nossa Marinha de cacilheiros?) que apresentava estatísticas, um poeta, um presidente de uma fábrica de sumos e um intelectual de pacote mascarado de agente da CIA, é a mais evidente prova da ignorância que grassa neste país quanto a questões do terrorismo. Salvou-se um Rui Pereira que ainda tentou remar contra a maré de palavras tão esbeltas quanto ocas.
Nos outros canais lá se recorre aos Nunos Rogeiros de serviço que sempre mandam umas patacoadas para o ar, mas com uma cara tão séria que até parece que acabaram há poucochinho uma relação amorosa com a mais esbelta agente do MI-5. São os James Bond à portuguesa.
No meio de toda esta libertinagem opinativa ninguém parece perceber que quem sabe destes assuntos a fundo não pode, nem quer, dar entrevistas. O sub-mundo dos serviços secretos vive num patamar totalmente inacessível para a jocosa imprensa nacional.
Olhar para os nossos governantes borrados de medo não de perderem a vida mas de perderem as eleições, é de ir às lágrimas. Olhar para o Ministro Arnaut, na sua leveza intelectual, ou para o Ministro Lopes, a falarem do combate ao terrorismo, destilando a sua mais que absoluta ignorância sobre o tema, é confrangedor.
Ontem o primeiro-ministro, cuja experiência em questões de terrorismo é ter ido a Madrid a uma manifestação, lá chamou a S. Bento várias individualidades, dando a aparência de que tudo está controlado.
O nosso embaixador no Iraque, o inenarrável Lamego, multiplica-se, por cá, como convém, em declarações inócuas.
O Aeroporto de Lisboa está num sorumbático e misterioso ?Alerta 3? e duas das nossas muitas fronteiras têm uns empenhados GNR?s a vasculharem os carros dos cidadãos não europeus que pretendem entrar em Portugal.
Daqui a uns anos, se nada tiver acontecido, haverá quem pretenda fazer crer que foram todos estes protagonistas que evitaram o desastre do terrorismo em Portugal. Mas se até lá uma tragédia, como a de Madrid, assolar Lisboa lá teremos o primeiro-ministro a dizer que não foi possível, apesar de todos os esforços, combater o inevitável. Lá decretará o luto nacional e convocará uma manifestação para a Avenida da Liberdade. Lá falará dos criminosos raivosos sem pátria e reforçará a ideia de que é preciso estar com os EUA e com Bush na sua impiedosa luta contra o terrorismo islamita. E, no entanto, foi Bush, Blair, Aznar e Durão que trouxeram o terrorismo para dentro das nossas casas.
17-03-2004 13:57:18
in www.diariodigital
Terrorismo
Por Luis Carvalho
O sinal dado por Luís Delgado, num seu extenso artigo de 15 de Março no Diário Digital, maldosamente intitulado ?Saddam ao poder?, é bem a evidência destes dias que correm nervosos no pós-atentado de Madrid.
Quebrando uma longa tradição de textos curtos e directos, Luís Delgado não resiste a verberar longamente sobre os atentados de Madrid e as suas consequências nas eleições espanholas e no puzzle político da Europa e do mundo. Emaranhado nas suas próprias contradições, bem visíveis no título do artigo de 14 de Março (?Espanha sem medo?) em que ainda alimentava a ideia de que ?uma maioria? ia dar ?uma lição inequívoca? aos que ?nunca aceitaram a decisão do Governo de apoiar os EUA e aliados na luta contra o terrorismo?, e em que enaltece ?os espanhóis que não vergaram ao terror?, perante o resultado eleitoral já fala do ?medo e cedência ao terror? da maioria dos espanhóis. E tudo isto em menos de 24 horas. Esta facilidade para falar por falar, do dizer por dizer, sem o cuidado de conhecer minimamente o assunto, é bem o estilo dos Luíses Delgados que por aí abundam. A quantidade de asneiras que se tem ouvido e lido nestes últimos dias é de bradar aos céus.
Caricato foi o programa ?prós e contras? da RTP sobre o Terrorismo. Fátima Campos Ferreira, outra que não percebe metade do que diz e que tanto está num programa de ?grande informação? como a apresentar o ?Quem quer ser milionário? que ninguém percebia a diferença, reuniu à sua volta um conjunto de personalidades cuja maioria não percebia patavina do que é o terrorismo no século XXI. O painel de convidados, composto por um Adriano Moreira reformado, um Almirante (de que Marinha? Desta nossa Marinha de cacilheiros?) que apresentava estatísticas, um poeta, um presidente de uma fábrica de sumos e um intelectual de pacote mascarado de agente da CIA, é a mais evidente prova da ignorância que grassa neste país quanto a questões do terrorismo. Salvou-se um Rui Pereira que ainda tentou remar contra a maré de palavras tão esbeltas quanto ocas.
Nos outros canais lá se recorre aos Nunos Rogeiros de serviço que sempre mandam umas patacoadas para o ar, mas com uma cara tão séria que até parece que acabaram há poucochinho uma relação amorosa com a mais esbelta agente do MI-5. São os James Bond à portuguesa.
No meio de toda esta libertinagem opinativa ninguém parece perceber que quem sabe destes assuntos a fundo não pode, nem quer, dar entrevistas. O sub-mundo dos serviços secretos vive num patamar totalmente inacessível para a jocosa imprensa nacional.
Olhar para os nossos governantes borrados de medo não de perderem a vida mas de perderem as eleições, é de ir às lágrimas. Olhar para o Ministro Arnaut, na sua leveza intelectual, ou para o Ministro Lopes, a falarem do combate ao terrorismo, destilando a sua mais que absoluta ignorância sobre o tema, é confrangedor.
Ontem o primeiro-ministro, cuja experiência em questões de terrorismo é ter ido a Madrid a uma manifestação, lá chamou a S. Bento várias individualidades, dando a aparência de que tudo está controlado.
O nosso embaixador no Iraque, o inenarrável Lamego, multiplica-se, por cá, como convém, em declarações inócuas.
O Aeroporto de Lisboa está num sorumbático e misterioso ?Alerta 3? e duas das nossas muitas fronteiras têm uns empenhados GNR?s a vasculharem os carros dos cidadãos não europeus que pretendem entrar em Portugal.
Daqui a uns anos, se nada tiver acontecido, haverá quem pretenda fazer crer que foram todos estes protagonistas que evitaram o desastre do terrorismo em Portugal. Mas se até lá uma tragédia, como a de Madrid, assolar Lisboa lá teremos o primeiro-ministro a dizer que não foi possível, apesar de todos os esforços, combater o inevitável. Lá decretará o luto nacional e convocará uma manifestação para a Avenida da Liberdade. Lá falará dos criminosos raivosos sem pátria e reforçará a ideia de que é preciso estar com os EUA e com Bush na sua impiedosa luta contra o terrorismo islamita. E, no entanto, foi Bush, Blair, Aznar e Durão que trouxeram o terrorismo para dentro das nossas casas.
17-03-2004 13:57:18
in www.diariodigital