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Vizualizar Versão Completa : O Islão e a adopção


maisha
09-09-2009, 22:19
Olá, boa noite a todos!

Tenho uma dúvida/curiosidade.

Qual a posição do Islão face à adopção de crianças?

Peregrino
09-09-2009, 23:11
Olá

Se não erro, não existe problema em adotar crianças. O único "contratempo" é que não se pode dar o apelido dos pais adotivos à criança.

Molana talvez queira explicar melhor.

Tayeb
10-09-2009, 01:09
Não só, os filhos nunca são nossos, mas sim, dos verdadeiros pais biológicos, e na ausêncis destes, os famiiares biológicos.

No caso vertente e recente da guerra nos Balcãs, o governo bósnio, creio eu, recuperou todas as crianças bósnias, que foram adoptadas, e devolvidas aos pai, ou ao parente sobrevivente ou à família imediata.

Os direitos dos parentes biológicos säo assegurados pelo Alcoräo e as tradições do profeta s.a.w.

Era, e considero é, uma posiçäo avançada e moderna. Nós quando adoptamos, temos que dizê à criança adoptada, quando o momento certo, que näo são nossos, quem sãos os verdadeiros pais se soubermos quem sâo, embora devemos amá-los como nossos, e educá-los como o próprio profeta nos ensinou e exemplificou.

Talvez o molana queira acrescentar alguma mais.

Allah sabe melhor.

Ma'a-salaama,

curioso
10-09-2009, 15:49
Tayeb

Existe alguma excepção à prevalencia dos laços biológicos?

Tayeb
11-09-2009, 00:05
Não. não existe, os filhos de outros não podem ser nossos, eles são filhos dos seus pais biológicos, ou ascendência ou a família, e estes últimos têm prevalência. O Alcorão e as tradições do profeta são claros.

molana
11-09-2009, 01:39
O profeta adoptou um rapaz, zaid , mas quando o seu pai biologico, veio pedir o regresso do filho, o profeta deixou o criterio do menino,,,esse recusou e ficou com o profeta. No entanto, para que nao restassem duvidas que um filho adoptivo nao é igual a um biologico (ou seja nao é herdeiro directo, etc), ele, o profeta, casaria mais tarde com a ex-mulher de Zaid. Um casamento esse unico, porque seria anunciado no proprio Alcorao.

maisha
11-09-2009, 14:15
(...)ascendência ou a família, e estes últimos têm prevalência(...)


Mesmo quando são famílias destruturadas (ausência de afecto, maus tratos, desresponsabilização, etc...)?

Peregrino
11-09-2009, 15:03
Sim, e se analisarmos tem uma certa lógica.
1 - Questão de identidade, sempre devemos saber de onde viemos, é egoísmo não o revelar.
2 - É muito raro, mas não seria inédito que dois irmãos acabem por se apaixonar, e isto sem que eles saibam ser irmãos, pois desconhecem seu passado.
3 - O desejo de atribuir um nome ao filho adotivo, dar-lhes de nós mesmos é legítimo, mas um ato de egoísmo, trata-se de tentar perpetuar a nossa existência através de terceiros. Nós necessitamos de possuir, sentir o controlo...Raramente temos a noção de que o simples contato é suficiente para deixar o legado...

4 - Não vejo problema de maior que uma criança adotada tenha conhecimento da sua origem, seja ela qual for. Pode e deve ser previsto como anunciar. Em todo o caso, em determinada idade, deverá ser explicado o conceito de adoção.

Tayeb
11-09-2009, 17:14
Mesmo quando são famílias destruturadas (ausência de afecto, maus tratos, desresponsabilização, etc...)?

Caberá aos tribunais decidir se a criança for menor, ou sem consciência formada. Porém o nome e a identidade dos pais biológicos e a ascendência biológica não pode ser removida. Ele deverá saber quem são so seus pais verdadeiros. Temos o exemplo que o molana indicou em que Hazrat Zaid recusou-se de viver com o seu pai biológico.

Orlando
11-09-2009, 19:36
Pelo que li aqui o Alcorão vai então de acordo com as Leis Europeias

joana
11-09-2009, 21:33
Pelo que li aqui o Alcorão vai então de acordo com as Leis Europeias

A que Leis Europeias se refere Orlando?

Orlando
11-09-2009, 21:59
A que Leis Europeias se refere Orlando?
Referi moas ás leis de adopção praticadas nos países europeus como Portugal.

joana
11-09-2009, 22:07
Referi moas ás leis de adopção praticadas nos países europeus como Portugal.

Parece-me que está a falar no direito à prevalência na família. Se Sim, este direito é preponderante nos processos de promoção e protecção e não na adopção. Mas não sei se é disto que está a falar....

Orlando
11-09-2009, 22:09
Parece-me que está a falar no direito à prevalência na família. Se Sim, este direito é preponderante nos processos de promoção e protecção e não na adopção. Mas não sei se é disto que está a falar....

Estão relacionados

joana
11-09-2009, 22:18
Estão relacionados

Os PPP e processos de adopção nem sempre estão relacionados. Há crianças que passam directamente por processos Tutelares Cíveis com vista à adopção sem PPP's prévios.

Quando se adopta uma criança esta pode conservar os seus apelidos, se for uma adopção restrita. A adopção plena só é concretizada a pedido da família adoptante.

Muito sinceramente, não concordo com o Direito à prevalência da família biológica em situações de famílias desestruturadas e multiproblemáticas. Nem concordo com a visão do Islão obre a adopção. Esta é um acto de amor. E, sinceramente, Pai é quem cria, não quem porcria.

Orlando
11-09-2009, 22:20
E, sinceramente, Pai é quem cria, não quem porcria.

Pura verdade

Peregrino
11-09-2009, 23:05
Prevalência da família biológica no Islão não significa o mesmo que pensamos em Portugal.
Não tem nada a ver com a impossibilidade da criança ser retirada dos pais biológicos ou não, e isto aos tribunais cabe decidir.
No Islão, é importante saber-se a origem nada mais do que isto.
Considero o Islão perfeitamente em fase com a realidade e como referi, impede situações de incesto entre pessoas que pensavam não ter laços biológicos próximos.

Quem conhecer a história do Islão sabe que as adoções foram comuns e o próprio profeta, um orfão, sempre foi sensível a esta realidade.
O próprio caso do filho adotivo do profeta, lembrado por Molana.

Peregrino
11-09-2009, 23:05
Adotar é um ato de amor, e não dar um apelido...

Peregrino
11-09-2009, 23:20
Em questões de herança, se os pais adotivos decidirem legal sua herança ao filho adotivo, como é que isto se processa :?:
E se existirem filhos biológicos a quem os pais queiram deserdar, outros membros da família próxima, é possível :?:

maisha
12-09-2009, 00:39
Muito sinceramente, não concordo com o Direito à prevalência da família biológica em situações de famílias desestruturadas e multiproblemáticas. Nem concordo com a visão do Islão obre a adopção. Esta é um acto de amor. E, sinceramente, Pai é quem cria, não quem porcria.


Também concordo que pai e mãe é quem cria e dá amor e não aqueles que se limitam a ter filhos por aí sem terem preocupação com eles.

Sou da opinião que essas crianças devem saber que são adoptadas. Quanto ao facto de saberem de onde provêm isso cabe a elas decidir (enquanto adultos e se tiverem curiosidade)...e muitas nem pretendem saber.

Também quem é que vai ter interesse por alguém que o abandonou ou maltratou?!

Peregrino
12-09-2009, 10:24
Também quem é que vai ter interesse por alguém que o abandonou ou maltratou?!

Sendo honestos, não sabemos, imaginamos.


Minha opinião pessoal, sendo prático, vivendo na Europa.
Siga-se as nossas normas, só em casos extremos como relatei e de uma raridade tão grande que pergunto se não existem só nos livros ( incesto involuntário), podemos dizer ser importante saber a origem.
Nos restantes, fique-se ao critério individual.

Existe o que o Islão diz, pela voz dos seus sábios, existe a nossa opinião.
Considero que a religião é a referência, mas, sempre caberá a cada individuo apreciar como bem entende. Sou um maldito liberal, anti-conservadorismo :lol:

maisha
12-09-2009, 13:58
Obrigada pelas vossas respostas! Fiquei esclarecida.

Orlando
12-09-2009, 18:43
Também concordo que pai e mãe é quem cria e dá amor e não aqueles que se limitam a ter filhos por aí sem terem preocupação com eles.

Sou da opinião que essas crianças devem saber que são adoptadas. Quanto ao facto de saberem de onde provêm isso cabe a elas decidir (enquanto adultos e se tiverem curiosidade)...e muitas nem pretendem saber.

Também quem é que vai ter interesse por alguém que o abandonou ou maltratou?!

Questoes finaceiras: abono, rendimento minimo etc

Marta Beatriz
30-09-2009, 17:29
olá

Pelo que sei da lei portuguesa os pais nunca podem deserdar os deus filhos, sendo adoptivos ou não, perante a lei se são filhos adoptivos sendo registados como filhos do casal , mesmo havendo filhos biologicos nenhum pode ser deserdado.

Obrigada

Tayeb
01-10-2009, 18:23
Os filhos adoptivos no Islão não têm direito â herança dos pais adoptivos. Serão parte interessada em qualquer herança dos seus familiares biológicos.

Os filhos biológicos nunca podem ser deserdados.

Peregrino
01-10-2009, 19:54
Não é preciso complicar. A lei portuguesa é a que o português muçulmano ( ou residentes em Portugal) segue e pronto. Só devemos ter em conta o que o Islão indica.
Se não erro, o próprio Islão indica que devemos respeitar a lei do país em que vivemos. Alguns acrescentam, desde que esta não esteja em contradição com o Islão. A solução também é dada pelo Islão, o muçulmano deve imigrar ou considerar que a contradição não o afeta na sua vida de muçulmano...

Orlando
01-10-2009, 20:32
A lei portuguesa não permite deserdar até uma certa percentagem mínima da herança que não sei qual é.

molana
02-10-2009, 12:57
Em questões de herança, se os pais adotivos decidirem legal sua herança ao filho adotivo, como é que isto se processa :?:
E se existirem filhos biológicos a quem os pais queiram deserdar, outros membros da família próxima, é possível :?:

Duas Perguntas...

1- Os pais podem, basta para isso fazerem um testamento.

2- Os pais nao podem deserdar os filhos bilogicos, porque eles ja sao pelo Alcorao, herdeiros legitimos. Sim, os pais podem, entregar uma parte maxima de um terço dos seus bens a aquela pessoa que a partida nao faz parte dos herdeiros directos. Para mais info, vejam capitulo 4, verso 11.

molana
02-10-2009, 13:00
Também concordo que pai e mãe é quem cria e dá amor e não aqueles que se limitam a ter filhos por aí sem terem preocupação com eles.

Sou da opinião que essas crianças devem saber que são adoptadas. Quanto ao facto de saberem de onde provêm isso cabe a elas decidir (enquanto adultos e se tiverem curiosidade)...e muitas nem pretendem saber.

Também quem é que vai ter interesse por alguém que o abandonou ou maltratou?!


Nao dizemos que a criança é obrigada a voltar aos pais biologicos, mas sim....ate a puberdade o estado tem de zelar por ela,,,,e depois da puberdade, ela escolhe com que quer ficar. So ela saberá, quem mais lhe deu amor, sim.

El Cairo
29-10-2009, 12:00
Salam,

Aqui há uns dias atrás nas minhas pesquisas profissionais, encontrei estas informações abaixo sobre o termo em árabe de adopção. Com certeza que não será novidade para os membros que saibam a língua árabe, mas achei interessante e por isso decidi colocar aqui.

«Kafala» é um termo islâmico jurídico e significa adopção legal1.

Jamila Bargach (2002:29) descreve da seguinte forma o seu significado e uso (tradução e parêntesis nossos):
«A etimologia da palavra kafala tem dois significados distintos em árabe clássico: garantir (daman) e tomar conta de (da raíz verbal ka-fa-la). Na sua primeira acepção, garantir, a palavra kafala tem sido principalmente usada no domínio do comércio e das transações comerciais. A kafala legal aproxima-se do conceito ocidental de "caução". [...] Contudo, o sentido de kafala como adopção parcial ou consensual, conferindo uma oferta e uma responsabilidade, é predicado nas implicações semânticas do verso do Corão "E o seu senhor aceitou-a completamente, e reservou-lhe um bom crescimento; e fez de Zakariah o guardião dela" (wa kafalaha Zakariah, Surut Al Imran, 3:36).
O campo semântico de kafala difundido nestes dois âmbitos ? contrato e garantia ? é depois utilizado para descrever, e parte, o comportamento de adopção de um menor por parte de adultos. Ao contrário do entendimento euro-americano da plena adopção na criação da família, a kafala não implica automaticamente que a pessoa levada na kakala viva conjuntamente com aqueles que lhe ofereceram a kafala, poderá antes funcionar como diversas provisões, tais como a protecção financeira, a guarda moral ou física, ou a combinação dos dois. É uma oferta de protecção, independentemente de como é implantada» (Bargach, Jamila, 2002. Orphans of Islam: Family, Abandonment, and Secret Adoption in Morocco. Rowman & Littlefield. p. 29).

Fonte: http://www.ciberduvidas.com/

Peregrino
31-10-2009, 13:49
Acredito que muitos dos desentendimentos entre os povos se devem à linguagem.