Osama
29-03-2004, 23:45
"A Paixão de Cristo" ? o filme
Por M. Yiossuf Adamgy
(Director da Revista Al Furqán, in edição nº. 138)
Esta é uma análise que tem como objectivo mostar a perspectiva Islâmica a respeito do filme "A Paixão de Cristo", filme esse que se tornou no assunto do dia. O filme em causa pretende retratar as violentas e sangrentas horas relativas à suposta crucificação de Jesus (que a paz esteja com ele), conforme é crença dos Cristãos.
Depois de meses de discussão, especulação e curiosidade, o filme de Mel Gibson, intitulado "A Paixão de Cristo", estreou-se em Portugal. Surgem notícias de Igrejas que promovem debates, de modo a que seja possível às suas congregações assistirem o filme...
No filme "A Paixão de Cristo" não é dita uma única palavra em Inglês; o filme inteiro é falado em Latim e em Aramaico, com legendas em portguês...
A "Time Magazine" (uma unidade da "Time Warner", tal como o é também a CNN) apresenta como subtítulo a crítica feita por Richard Corliss, crítica essa que refere tratar-se da "mais gloriosa história alguma vez contada"; a revista Nova-iorquina de David Denby refere a imensa violência presente no filme. "Um dos mais cruéis filmes alguma vez realizados em toda a história do cinema", refere este autor, apelidando "A Paixão de Cristo" de "uma jornada através de uma morte chocante"...
Agora que sabemos algo a respeito do filme, a questão que se coloca é a seguinte:
Deverão os Muçulmanos ver o filme?
Em princípio NÃO!, a menos que se o faça com a intenção de pesquisar e de avaliar o mesmo. Para começar, a fé Islâmica condena qualquer tentativa de representar um profeta de Deus, seja em quadros, vídeos ou estátuas. Tais formas de arte, filmes e, na realidade, qualquer estátua de uma criatura com vida, são expressamente proibidas pelo Islão. Apresenta-se, a seguir, algo dito pelo Profeta Muhammad (que a paz esteja com ele) a este respeito:
Segundo Ibn Abbas (r.a.): "Quando o Profeta Muhammad (s.a.w.) viu figuras retratadas na Ka'ba, em Meca, recusou-se a entrar, até ao momento em que ordenou que estas fossem apagadas. Quando ele viu as figuras de Abraão e de Ismael a atirarem as setas da divinação, o Profeta disse: "Que Allah os amaldiçoe (i.é., aos Coraichitas)! Por Allah, nunca Abraão, nem Ismael, praticaram a divinação através de setas". (Sahih Bukhari, Volume 4, Livro 55, Número 571).
? No que respeita a crucificação de Jesus, para o Islão, nunca aconteceu! Numa referência aos Judeus, Deus, o Altíssimo, refere o seguinte no Sagrado Alcorão:
«E por dizerem: "Matámos o Messias, Jesus, filho de Maria, o Apóstolo de Deus" ? Não o mataram ou crucificaram, apenas isso lhes foi simulado. E aqueles que discordam quanto a isso, estão na dúvida, pois não possuem conhecimento algum, e apenas fazem conjecturas. Porém, o facto é que não o mataram; outrossim, Deus elevou-o até Ele, o Poderoso, o Sábio». (4:157-158)
? No que respeita a anti-semitismo, tem havido uma certa exaltação por parte dos líderes Judeus, os quais afirmam que este filme pode dar origem a um desenvolvimento do anti-semitismo, visto o filme culpar os Judeus pela crucificação de Jesus. Embora seja verdade que a grande maioria dos Israelitas contemporâneos de Jesus tentaram, de forma agressiva, assassiná-lo, a verdade é que, os Judeus de hoje, não podem ser considerados culpados pelo que então aconteceu. Devemos, pois, apoiar os esforços dos Judeus a este respeito, assim como devemos apoiar a sua causa Um assunto de tal natureza não pode ser encarado de forma leviana, visto que, historicamente, os Judeus sofreram várias perseguições por parte dos Cristãos, perseguições essas que se deveram à suposta crucificação de Jesus.
É possível registar na história outros momentos negros, igualmente dominados por perseguições devidas a estereótipos. Por exemplo, referimo-nos à perseguição de que foram alvo os Japoneses Americanos durante a II Guerra Mundial. As tragédias ocorridas no dia 11 de Setembro de 2001 e 11 de Março de 2004 contribuiram para a difamação do Islão, sendo que, todos os Muçulmanos, foram classificados de terroristas e, consequentemente, vítimas de perseguições. Esperamos e rezamos que parem estas espécies de perseguição. Também ezamos e temos esperança de que, Judeu algum, seja vítima de maus tratos físicos ou de insultos verbais devidos a este filme. No que respeita a esta questão, e de acordo com os princípios Islâmicos, é esta a única posição justa que podemos adoptar, embora tenhamos que pensar que, para além de serem anti-Muçulmanos, muitos Judeus encontram-se, directa ou indirectamente, envolvidos nas perseguições de que são vítimas os Palestinianos.
? Quanto ao papel de Jesus Cristo no Islão, Jesus (que a paz esteja com ele) foi um profeta e um mensageiro de Deus, enviado à presença dos Judeus, isto para os convidar a regressarem ao caminho da submissão e da obediência a Deus. Nasceu da virgem Maria (que a paz esteja com ela), sem a intervenção de um homem, ou seja, não teve pai. O seu nascimento é similar à criação de Adão, o qual veio ao mundo sem a intervenção de um pai ou de uma mãe. Jesus falou ainda quando era apenas um bebé e, evidentemente, falou também quando cresceu. Segundo o que nos é revelado pelos versículos do Sagrado Alcorão atrás citados, Jesus não foi nem crucificado, nem assassinado. Foi elevado aos céus. Ele era filho de Maria, e não filho de Deus; Jesus não era Deus, mas sim um ser humano. Acreditar que mais alguém, para além do único Deus, o Todo-Poderoso e Criador de todas as coisas, é também um Deus, constitui um pecado imperdoável no Islão.
Por M. Yiossuf Adamgy
(Director da Revista Al Furqán, in edição nº. 138)
Esta é uma análise que tem como objectivo mostar a perspectiva Islâmica a respeito do filme "A Paixão de Cristo", filme esse que se tornou no assunto do dia. O filme em causa pretende retratar as violentas e sangrentas horas relativas à suposta crucificação de Jesus (que a paz esteja com ele), conforme é crença dos Cristãos.
Depois de meses de discussão, especulação e curiosidade, o filme de Mel Gibson, intitulado "A Paixão de Cristo", estreou-se em Portugal. Surgem notícias de Igrejas que promovem debates, de modo a que seja possível às suas congregações assistirem o filme...
No filme "A Paixão de Cristo" não é dita uma única palavra em Inglês; o filme inteiro é falado em Latim e em Aramaico, com legendas em portguês...
A "Time Magazine" (uma unidade da "Time Warner", tal como o é também a CNN) apresenta como subtítulo a crítica feita por Richard Corliss, crítica essa que refere tratar-se da "mais gloriosa história alguma vez contada"; a revista Nova-iorquina de David Denby refere a imensa violência presente no filme. "Um dos mais cruéis filmes alguma vez realizados em toda a história do cinema", refere este autor, apelidando "A Paixão de Cristo" de "uma jornada através de uma morte chocante"...
Agora que sabemos algo a respeito do filme, a questão que se coloca é a seguinte:
Deverão os Muçulmanos ver o filme?
Em princípio NÃO!, a menos que se o faça com a intenção de pesquisar e de avaliar o mesmo. Para começar, a fé Islâmica condena qualquer tentativa de representar um profeta de Deus, seja em quadros, vídeos ou estátuas. Tais formas de arte, filmes e, na realidade, qualquer estátua de uma criatura com vida, são expressamente proibidas pelo Islão. Apresenta-se, a seguir, algo dito pelo Profeta Muhammad (que a paz esteja com ele) a este respeito:
Segundo Ibn Abbas (r.a.): "Quando o Profeta Muhammad (s.a.w.) viu figuras retratadas na Ka'ba, em Meca, recusou-se a entrar, até ao momento em que ordenou que estas fossem apagadas. Quando ele viu as figuras de Abraão e de Ismael a atirarem as setas da divinação, o Profeta disse: "Que Allah os amaldiçoe (i.é., aos Coraichitas)! Por Allah, nunca Abraão, nem Ismael, praticaram a divinação através de setas". (Sahih Bukhari, Volume 4, Livro 55, Número 571).
? No que respeita a crucificação de Jesus, para o Islão, nunca aconteceu! Numa referência aos Judeus, Deus, o Altíssimo, refere o seguinte no Sagrado Alcorão:
«E por dizerem: "Matámos o Messias, Jesus, filho de Maria, o Apóstolo de Deus" ? Não o mataram ou crucificaram, apenas isso lhes foi simulado. E aqueles que discordam quanto a isso, estão na dúvida, pois não possuem conhecimento algum, e apenas fazem conjecturas. Porém, o facto é que não o mataram; outrossim, Deus elevou-o até Ele, o Poderoso, o Sábio». (4:157-158)
? No que respeita a anti-semitismo, tem havido uma certa exaltação por parte dos líderes Judeus, os quais afirmam que este filme pode dar origem a um desenvolvimento do anti-semitismo, visto o filme culpar os Judeus pela crucificação de Jesus. Embora seja verdade que a grande maioria dos Israelitas contemporâneos de Jesus tentaram, de forma agressiva, assassiná-lo, a verdade é que, os Judeus de hoje, não podem ser considerados culpados pelo que então aconteceu. Devemos, pois, apoiar os esforços dos Judeus a este respeito, assim como devemos apoiar a sua causa Um assunto de tal natureza não pode ser encarado de forma leviana, visto que, historicamente, os Judeus sofreram várias perseguições por parte dos Cristãos, perseguições essas que se deveram à suposta crucificação de Jesus.
É possível registar na história outros momentos negros, igualmente dominados por perseguições devidas a estereótipos. Por exemplo, referimo-nos à perseguição de que foram alvo os Japoneses Americanos durante a II Guerra Mundial. As tragédias ocorridas no dia 11 de Setembro de 2001 e 11 de Março de 2004 contribuiram para a difamação do Islão, sendo que, todos os Muçulmanos, foram classificados de terroristas e, consequentemente, vítimas de perseguições. Esperamos e rezamos que parem estas espécies de perseguição. Também ezamos e temos esperança de que, Judeu algum, seja vítima de maus tratos físicos ou de insultos verbais devidos a este filme. No que respeita a esta questão, e de acordo com os princípios Islâmicos, é esta a única posição justa que podemos adoptar, embora tenhamos que pensar que, para além de serem anti-Muçulmanos, muitos Judeus encontram-se, directa ou indirectamente, envolvidos nas perseguições de que são vítimas os Palestinianos.
? Quanto ao papel de Jesus Cristo no Islão, Jesus (que a paz esteja com ele) foi um profeta e um mensageiro de Deus, enviado à presença dos Judeus, isto para os convidar a regressarem ao caminho da submissão e da obediência a Deus. Nasceu da virgem Maria (que a paz esteja com ela), sem a intervenção de um homem, ou seja, não teve pai. O seu nascimento é similar à criação de Adão, o qual veio ao mundo sem a intervenção de um pai ou de uma mãe. Jesus falou ainda quando era apenas um bebé e, evidentemente, falou também quando cresceu. Segundo o que nos é revelado pelos versículos do Sagrado Alcorão atrás citados, Jesus não foi nem crucificado, nem assassinado. Foi elevado aos céus. Ele era filho de Maria, e não filho de Deus; Jesus não era Deus, mas sim um ser humano. Acreditar que mais alguém, para além do único Deus, o Todo-Poderoso e Criador de todas as coisas, é também um Deus, constitui um pecado imperdoável no Islão.