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Osama
29-03-2004, 22:42
A ti, xeque Ahnad Yassine, nosso dirigente

Por Raghida Ousseiran - França, 23 de Março de 2004 - oumma.com


Assassinaram-no, por fim, cobardemente. Há já muito que o desejavam fazer. Mas Deus não permitirá que nos deixes. Caso Deus o permita, transformar-te-ás agora num mártir, será a Sua imensa Sabedoria que assim o decidirá. Porque, por detrás de tudo o que acontece, há um saber. Tal como nós, também tu o sabes.

Assassinaram-te, mas, nos nossos corações, estás vivo. Estás vivo nos corações de milhões de Palestinianos, de Árabes, de Muçulmanos e de homem e mulheres livres por esse mundo fora.

Ao assassinarem-te, precipitaram a sua própria ruína, a ruína do seu funesto Estado, de um Estado homicida que, desde que foi criado, semeou a morte em seu redor. De facto, trata-se de um Estado que nada mais fez, para além de semear a morte...é um Estado lúgubre e mortal!

Xeque Yassine, nós sabemos quem são os responsáveis pelo teu assassinato. Em primeiro lugar, temos o governo Israelita e o seu primeiro-ministro criminoso, Sharon. Mas também o são o governo Americano, especialmente Bush, que declarou o movimento por ti dirigido como tratando-se de um movimento terrorista. Qualificar de terrorista a resistência, é o mesmo que dar luz verde ao assassinato de todos os resistentes, e és tu o pai de todos os resistentes.

Mas são também responsáveis os dirigentes da União Europeia, os quais adoptaram a opinião Americana, qualificando de terrorista a resistência. Protestam, agora, contra o teu assassinato, mas isso é fácil de fazer, demasiado fácil até. Presentemente, receiam ?uma fogueira ou uma espiral de violência?, mas receiam-na por si mesma, e não pelo gesto que a possa ter motivado.

São igualmente responsáveis todos aqueles que, nos últimos anos, procuraram denegrir o teu movimento, qualificando-o de terrorista, integralista e obscuro, apesar do movimento por ti criado nada mais ser do que um movimento de resistência à ocupação do nosso país.

Todos aqueles que te amaram, defenderam, inclusivamente, aqueles que se recusaram a denunciar o teu movimento, foram igualmente acusados de integralistas, de acordo com a denominação por eles usada.
Devido à sua cegueira, contribuíram igualmente para o teu assassinato. Possa, agora, o teu martírio abrir-lhes os olhos, a eles, que dizem apoiar o povo Palestiniano.

Mas, acima de tudo, são responsáveis pela tua morte os dirigentes Árabes, os quais permitiram que o nosso povo lutasse sozinho. Os dirigentes Árabes que reprimiram qualquer expressão de solidariedade para com a nossa luta heróica. Estes dirigentes fizeram crer a todos os criminosos mundiais que, o caminho para o teu assassinato e para o assassinato dos nossos dirigentes, estava livre.

Presentemente, estes dirigentes vertem lágrimas de crocodilo, denunciam o sucedido, para fazer crer que compreendem os nossos sentimentos e os sentimentos de cólera dos seus próprios povos, mas nós aprendemos a não mais confiar neles, a não mais prestar atenção aos seus gestos.

Os assassinos pensam que, matando-te, deter-nos-ão, que conseguirão silenciar-nos. Pensam poder pôr fim à nossa resistência. Mas eles nada sabem.

Todos os criminosos e colonizadores nada sabem a respeito do significado de uma luta que visa a liberdade, da vontade de um povo de viver livre. Pelo contrário, o teu martírio alimenta-nos, alimenta a nossa determinação de seguir em frente, a não mais pararmos, senão quando tivermos a nossa pátria, toda a nossa pátria.

Políticos e jornalistas dizem que Israel ultrapassou o sinal vermelho.
Mas o sinal vermelho foi ultrapassado em 1948, aquando da fundação do Estado Sionista sobre o nosso sangue, a nossa expulsão e a destruição das nossas aldeias e casas. Não se tratava, então, de um sinal vermelho?
Todos os dias, desde 1948, há um sinal vermelho que é transposto. Toda a nossa vida é um sinal vermelho, um sinal vermelho do sangue que vertemos desde que os Britânicos roubaram a nossa terra para a darem.
Xeque Yassine, choramos a tua morte, mas estamos determinados. Sobre o teu sangue, sobre o sangue dos mártires, prometemos consagrar todos os nossos esforços e cada segundo da nossa vida à libertação do nosso país, a Palestina. Entristece-nos o teu martírio; mas o teu martírio deixa-nos ainda mais determinados.

Xeque Yassine, a nossa unidade e a nossa força ressentem-se com o teu martírio. Sabemos que este Estado criminoso não existirá por muito mais tempo, que assinou a sua própria sentença de morte ao assassinar-te. Actualmente, milhões de Palestinianos, Árabes e Muçulmanos saem às ruas, para gritarem a sua cólera, para chorarem, para afirmarem a sua determinação em continuarem. E nós continuaremos.

Ninguém mais, força alguma, regime ou país, nos deterá. Seguiremos, sem medo, todos os nossos dirigentes, os quais afirmarem hoje que a nossa luta prosseguirá, até ao momento em que se dê a libertação total da Palestina.

Porquê? Porque motivo nos sentimos tão encolerizados e tão determinados e, ao mesmo tempo, tão tristes, quando sabemos que todos os dias morrem mártires?
Todos os dias, por cada mártir que morre, prometemos seguir o caminho banhado pelo seu sangue. Mas, a ti, que habitas o coração de milhões, a ti, que muito nos deste e que muito nos ensinaste, nós prometemos solenemente que nada mais, a não ser a morte, nos deterá.

Prosseguiremos a luta sem misericórdia alguma contra os espoliadores e os seus aliados.

Xeque Ahmad Yassine, nós estamos tristes, profundamente tristes. Choramos o teu martírio, mas estamos ainda mais determinados do que antes. Não é de agora que estamos determinados. Mas o teu martírio impedir-nos-à de baixar os braços, de nos sentirmos cansados, de sentirmos qualquer pessimismo, isto mesmo nos nossos dias mais negros, e mesmo que atirem sobre nós as suas bombas e os mísseis.
Nesses dias negros por eles provocados, lembrar-nos-emos que os crimes mais monstruosos serão cometidos até ao fim, o fim deles. E estaremos ainda mais determinados em prosseguirmos.

RC
30-03-2004, 15:41
Assalam Aleikum


Concordo que devemos condenar a forma atroz como foi assassinado, Israel mostrou mais uma vez o que pensa da lei internacional.

por outro lado o homem que servia como inspiração par atentados suicidas e até o incentivava, merece assim tanto respeito!


Ricardo Correia

Osama
30-03-2004, 16:34
Salam Ricardo Correia

O artigo é escrito emocionalmente (penso eu), por Raghida Ousseiran, uma Palestiniana que, sente, naturalmente, na pele, toda esta situação de injustiça. Para ela e para a maioria dos Palestinianos, ele era um herói...

Quanto a ele ser «o homem que servia como inspiração para atentados suicidas e até o incentivava, merece assim tanto respeito!», talvez para nós, sobretudo habituados a viver na Democracia, possa não merecer tanto respeito ... ???

Eu e você, como muitos democratas, teremos dúvidas em considerar esse respeito. Mas vejamos o que, há uns tempos atrás, disse a respeito (e talvez sentindo mais de perto essa situação, o Cheikh Tantawi, Mufti da Universidade de Al Azhar, no Cairo. E passo a citar:

«Que pode fazer um homem quando a injustiça se torna pesada e ele não encontra saída possível? Neste caso ele é forçado à legítima defesa da alma, da honra e da terra.?

«Em vista disso, não tinha qualquer opção senão incitar os Palestinos a se defenderem, e os seus direitos, asua terra e a sua honra. Eu digo-lhes: defendam tudo isso por meios legítimos aceitáveis para o Islão e éticas nobres sem agressão ou opressão de ninguém.»

O Sheikh de Al-Azhar disse que as leis Divinas não aprovavam o assassinato de crianças, velhos e cidadãos pacíficos, mas considerou aqueles que empreendem acções suicidas a estarem ?num legítimo estado de auto-defesa contra aqueles que os atacam e não mostram misericórdia pelos velhos, crianças e mulheres.?

Respondendo a uma questão sobre o espírito do Islão acerca dos que se suicidam com bombas, Tantawi disse: ?Aqueles que dizem que este acto é haram (proibido) pela Shariah deviam primeiro perguntar pelas causas disso. Porque devem os jovens sacrificarem-se? Que poderemos esperar dos Palestinos quando o primeiro ministro de Israel repete em cada nova manhã que Jerusalém é a eterna capital de Israel o que é uma coisa que nenhuma razão ou religião ou lei podem aceitar? A injustiça alimenta uma explosão e a pessoa que é severamente oprimida pode oferecer-se em sacrifício. Pessoas honradas preferem morrer a viver na humilhação.? Na acusação de Israel de que os responsáveis religiosos Egípcios encorajam os Palestinos a serem violentos e assim isso leva a uma guerra religiosa, disse Tantawi: ?Eu digo-lhes, vocês são a causa de tudo o que está a acontecer. Quando a terra é usurpada e a injustiça intensificada, a fúria alastra e as explosões acontecem em auto-defesa. Também vejo rabis Judeus a incitar à injustiça. Deverei então permanecer silencioso? Eu digo aos Palestinos: defendam a vossa terra e os vossos santuários através de meios legítimos. Digo aos rabis Judeus: falem a verdade e peçam ao vosso governo permaneça na justiça e evite o racismo e intolerância. As religiões Divinas foram reveladas por Deus para a alegria da humanidade. Elas pregam a paz e a segurança e o tratamento dos direitos para as merecidas facções. Detestam a injustiça, o terrorismo e a destruição da vida.?

Prezado Ricardo Correia: Para os que vivem numa democracia, com justiça e leis civis, é difícil aceitar o terrorismo para libertação da sua terra ocupada. Para os diariamente injustiçados e permanentemente humilhados, cuja terra está continuamente e cada vez mais ocupada ao longo de mais de 50 anos, nas barbas da América e Europa, sem estes fazerem nada senão condenarem, hipocritamente, para ingês ver, como soi dizer-se, talvez (e não temos certeza) os que têm responsabilidades de dirigentes palestinianos, para libertar a sua terra dos sanguinários ocupantes, tenham que, forçosamente, inspirar-se para atentados suicidas e até os incentivar, e sobretudo perante o silêncio, o cruzar dos braços, os dois pesos e duas medidas, da ONU e da Comunidade Internacional.
Nessa ordem de ideias, Arafat também foi terrorista. Também incentivou atentados suicidas. O Ocidente premiou-o com o Prémio Nobel de Paz. Merecia ele, Arafat, tanto respeito, e o Prémio Nobel?

As negociações levadas a cabo com as Brigadas Vermelhas, em Itália, o Baden Mein-Hoff, na Alemanha, o IRA, na Irlanda, e mesmo a ETA, em Espanha, ainda agora foram lembradas por Mário Soares para justificar a sua teoria da negociação com organizações terroristas. .-.

O Presidente Samora Machel era terrorista, incentiva o terrorimo para a libertação de Moçambique do jugo colonial de Portugal. E, no entanto, Portugal acabou por dar independência a Moçambique e , depois, até o recebeu com respeito, como héroi, no Parlemento Português.

Enfim, devemos reflectir muito ... há ocasiões em que é difícil julgar alguém ...

Saudações Fraternais
OSAMA

RC
31-03-2004, 16:40
Assalam Aleikum


Primeiro no caso da Palestina e toda luta armada não é terrorismo, por vezes perco-me na definição de terrorismo, só que em casos e que terra alheia tenha sido invadida e o povo legitimo defende sua terra não cabe na minha definição de terrorismo.


Só os ataques suicidas são dificeis de perceber!
Não os consigo aceitar em caso algum.

O que direi de seguida será classificada como uma utopia.

Se os lideres palestinianos mobilizassem manifestações perfeitamente pacificas, Israel seria de imediato derrotado, já aconteceu algo parecido na história humana.
A restea de esperença que ainda coloco na humanidade, não ficaria indiferente a esse tipo de "combate".
Por maior que seja a humilhação por mais dificil que seja, o combate pacifico teia resultados e quando digo combate é mesmo combate, porque não é ficando sem agir que se resolve, todo o povo teria que sair á rua e desobedecer, Israel nada poderia fazer, não poderiam ser lançadas pedras, porque nesse caso a poupulção estaira perdida de imediato.

Desculpem por sonhar, enquanto que outros têm que realmente viver a dura realidade das coisas.

Um dia a justiça chegará ao povo Palestiniano, levantarão sua cabeças, ao mesmo tempo que o resto do mundo baixará as suas mergulhadas na profunda vergonha que sentirão de nada terem feito.


Ricardo Correia

Osama
01-04-2004, 00:21
Prezado Ricardo Correia
Assalamu Alaikum

Estou-me a lembrar das palavras de um professor de Línguas, Palestiniano, que a dado passo, num dos muitos artigos seus, disse, recentemente, o seguinte:

«Meus compatriotas: não vos inquieteis, não choreis durante muito tempo, guardai sempre a esperança. Sei perfeitamente bem que os dias que se seguem serão difíceis e que haverá uma nova acha de violência e de terror. Mas, sejam quais forem os crimes deste exército desumano contra nós praticados, os dias da ocupação estão contados, a Palestina será livre e independente. E, para conseguir esta liberdade, há que haver sempre mais sacrifícios e mártires. Agora, foram os nossos heróis e o nosso chefe histórico, o xeque Yassine, que deram as suas vidas pela liberdade Palestiniana.
Há que parar a ocupação, o terror Israelita, a violência provocada pela ocupação e pelas medidas por esta adoptadas. Há que parar os crimes Israelitas cometidos contra o povo Palestiniano, os seus res- ponsáveis e os seus dirigentes. Há que pôr fim à cobardia do exército Israelita e dos seus pilotos, os quais, do ar, atiram contra as crianças de Gaza e de toda a Palestina. Há que pôr fim à cumplicidade Americana e ao silêncio internacional.
Viva a Palestina livre, viva a solidariedade popular de todo o mundo para com a Palestina, uma Palestina que sobreviverá sempre. Viva a paz na Palestina».

Saudações Islâmicas
OSAMA