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Osama
26-02-2004, 22:36
O VÉU ISLÂMICO

Coord. por Yiossuf Adamgy
in seu livro recentemente publicado, intitulado "O véu Islâmico - análise e esclarecimento", edição de Al Furqán.


O uso do hijab é uma obrigação religiosa ordenada por Deus às mulheres Muçulmanas. Os países que não adoptaram o Islão deveriam respeitar os seus ensinamentos, tal como respeitam os ensinamentos da sua própria religião. Isto é algo indispensável para a liberdade de opinião e de religião, e para a própria liberdade pessoal.

O ?The European Council for Fatwa and Research?, fundado na Grã-Bretanha, em 1997, inclui entre os seus membros inúmeros eruditos Muçulmanos, os quais dão fatwas às comunidades Muçulmanas de Europa, e outros eruditos da Arábia e do mundo Muçulmano. O Conselho dedicou a sua atenção a uma questão de suprema importância para todo o mundo Muçulmano, especialmente para os Muçulmanos que vivem na França, e que consiste no facto da França e da Europa não permitirem o uso do hijab nas escolas por parte das estudantes Muçulmanas.

Os países Ocidentais desencorajam as estudantes Muçulmanas a usarem o hijab, compelindo-as, assim, a negligenciarem uma obrigação religiosa. As mulheres Muçulmanas não devem negligenciar tal obrigação. Allah Todo-Poderoso refere o seguinte:

«Não é dado ao crente, nem a crente, agir conforme o seu arbítrio, quando Deus e o Seu Mensageiro é que decidem o assunto. Sabei que quem desobedecer a Deus e ao Seu Mensageiro desviar-se-á evidentemente» . (Alcorão, 33:36).

No que respeita à obrigação por parte das mulheres Muçulmanas de usarem o hijab, não existe diferença alguma entre os eruditos. O uso do hijab refere-se ao acto de cobrir todo o corpo, com excepção do rosto e das mãos (e, de acordo com algumas escolas Islâmicas de jurisprudência, os pés também). O uso obrigatório do hijab encontra-se de- monstrado no Alcorão e na Sunnah. Existe, quanto a isto, unanimidade entre os eruditos islâmicos. Durante 13 séculos, as nações Muçulmanas praticaram esta obrigação. Mas, após a invasão dos países Islâmicos, os ocupantes estrangeiros impuseram diferentes estilos de vida aos Muçulmanos, o que, em última análise, teve as suas consequências e levou a que a maioria dos Muçulmanos se desviasse do caminho certo.

Mas, com a crescente tomada de consciência por parte dos Muçulmanos no que respeita à sua religião, estes recomeçaram a confiar em si mesmos e na sua religião, tendo regressado voluntariamente ao caminho certo. Consequentemente, inúmeras mulheres Muçulmanas submeteram- -se, voluntariamente, ao uso obrigatório do hijab.
Não existe dúvida alguma de que se trata de uma obrigação religiosa o uso do hijab por parte de todas as mulheres Muçulmanas adultas. Como prova do que é dito, a citação dos seguintes versículos é suficiente:

"Dize à mulheres que recatem os seus olhares, conservem os seus pudores e não mostrem os seus atrativos, além dos que (normalmente) aparecem;" (Alcorão, 24:31).

"Ó Profeta! Dize às tuas esposas e filhas e às mulheres dos crentes que se envolvam e fechem nos seus mantos (quando saírem); isso é mais conveniente para que se distingam das demais e para que não sejam molestadas ..." (Alcorão,33:59).

Religiosamente, moralmente e constitucionalmente falando, e no que respeita ao uso do hijab, não é legítimo impedir que as mulheres Muçulmanas obedeçam à sua religião. Caso os países Europeus desencorajem as mulheres Muçulmanas a usarem o hijab, não será conveniente à França, considerada em particular, adoptar tal atitude, visto tratar-se do país da Revolução Francesa, revolução essa que tinha por objectivo estabelecer e lutar pelos princípios da liberdade, da fraternidade, da igualdade e do respeito pelos direitos humanos.
Qualquer ser humano tem o direito de seguir os ensinamentos da sua religião e de tentar agradar ao seu Senhor. Sejam quais forem as circunstâncias, ninguém tem o direito de obrigar outra pessoa a desistir dos seus deveres.

O uso de hijab faz parte da liberdade religiosa e da própria liberdade pessoal da mulher Muçulmana. O respeito por tais liberdades encontra-se prescrito nas constituições modernas, nos acordos internacionais e na Declaração dos Direitos Humanos.

Além disso, é bem sabido que o secularismo liberal (o qual é reivindicado pelos países Europeus) não adopta uma atitude hostil para com as crenças religiosas. Adopta, pelo contrário, uma postura imparcial. Assim sendo, e, se por exemplo, não impede que as mulheres descubram partes dos seus corpos e usem mini-saias, porque motivo deveria desencorajar as mulheres Muçulmanas de cobrirem os seus corpos? Ao insistir na recusa do hijab, usa critérios duplos na forma como lida com as questões que se lhe coloca.

É o secularismo ateísta que é hostil para com as religiões em geral, acreditando que são as religiões quem impedem os povos de evoluir.
O que alguns Franceses dizem a respeito do hijab, de que este é um símbolo religioso e, consequentemente, pode dar origem a diferenças religiosas entre a sociedade, não é, de todo, verdade. Os símbolos não desempenham qualquer papel por si mesmos, como é o caso do que acontece com o solidéu e a Cruz de David dos Judeus, e a cruz dos Cristãos. Quanto ao hijab, este desempenha um papel no Islão: representa o modo pelo qual as mulheres Muçulmanas se cobrem e preservam o seu recato.

Nenhum país Ocidental impediu os Judeus de usarem o solidéu ou os Cristãos de usarem a cruz, apesar destes objectos serem símbolos religiosos. Porque motivo deveriam impedir as mulheres Muçulmanas de usarem o hijab, que é, para os Muçulmanos, uma ordem divina?

Pede-se à França, a qual se orgulha de ser o país mãe da liberdade, para que respeite as crenças e os sentimentos dos Muçulmanos, e para que aceite a variedade cultural e religiosa que existe no seio da sua sociedade. Que siga o exemplo da primeira civilização Muçulmana, a qual era tolerante para com todas as religiões, culturas e povos de diferentes etnias. Além disso, a primeira civilização Muçulmana ofereceu aos povos que professavam outros credos, a possibilidade de contribuírem para a edificação da civilização Islâmica.

Pede-se também aos eruditos Muçulmanos e às grandes associações Islâmicas de todo o mundo Muçulmano, para que declarem de forma expressa a opinião da Shari?ah a respeito do hijab das mulheres Muçulmanas. Pede-se-lhes também para que ajudem as nossas irmãs do Ocidente, especialmente as que vivem na França, a defenderem o seu direito a usarem o hijab.

Nada me é possível senão com a ajuda de Allah.

Stº.. Antº dos Cavaleiros, Loures (Portugal)
14 de Fevereiro de 2004 /22 de Zu-Alhijjah de 1424
Mahomed Yiossuf Mohamed Adamgy
Director da Al Furqán