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Vizualizar Versão Completa : Angola: Polícia resgata 40 "crianças feiticeiras"


Tayeb
23-10-2008, 20:13
s3 e saudações,

Algo que se deve discutir devido a enormes repercursões deste fenómeno já muito divulgado na África Oceintal e em certa medida na África Oriental. Estão envolvidas igrejas carismáticas cristãs que misturam superstições cristãs e africanas...

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Angola: Polícia resgata 40 "crianças feiticeiras" em igrejas ilegais de Luanda

Luanda, 23 Out (Lusa) - Cerca de 40 crianças angolanas, acusadas de serem feiticeiras, foram hoje retiradas pela Polícia Nacional a duas igrejas ilegais, em Luanda, onde se encontravam para serem "curadas do mal".

http://graphics8.nytimes.com/images/2007/11/14/world/15witches-600.jpg
O menino angola de 6 anos, Afonso Garcia, foi exilado pelos seus familiares após ser acusado de ser um feiticeiro.

Os líderes religiosos ds igrejas ilegais, localizadas no bairro Uige, no município do Sambizanga em Luanda, que tinham em sua "posse" as crianças, foram detidos na operação de resgate dos menores.

Segundo o administrador do município do Sambizanga, José Tavares Ferreira, as crianças, com idades compreendidas entre um e 15 anos, encontravam-se retidas no interior de duas casas que serviam de igrejas, na comuna do Ngola Kiluange (Sambizanga).

Entre o grupo de crianças hoje levadas para o Lar Kuzola, que acolhe crianças em dificuldades em Luanda, quatro estão hospitalizadas em estado grave, devido aos maus-tratos a que foram submetidas para serem "libertadas" dos "maus espíritos".

"As crianças sofreram maus-tratos, foram castigadas e isso vê-se no aspecto delas. Quatro estão hospitalizadas em estado grave porque foram encontradas com feridas a gangrenar", disse à Lusa José Tavares Ferreira.
De acordo com o administrador do Sambizanga, o processo de investigação que durou cerca de 15 dias, teve início depois de uma denúncia feita por populares residentes na zona.

Neste processo estiveram envolvidas, as delegações provinciais dos ministérios da Justiça, da Assistência e Reinserção Social, da Cultura e o Instituto Nacional de Assuntos Religiosos.

"A investigação já começou há 15 dias. Tínhamos que fazer o trabalho com muito cuidado para não permitir que eles fugissem ou fizessem qualquer coisa que não permitisse o sucesso do trabalho", disse José Tavares Ferreira.

José Tavares Ferreira referiu ainda à Lusa que estas igrejas denominadas "Igreja de Revelação do Espírito Santo de Angola" e "Igreja Boa Fé" são oriundas da província do Zaire, região onde os casos de crianças maltratadas sob acusação de serem feiticeiras são mais graves em Angola.

"A situação é grave, mas o mais chocante é que são os próprios pais que levam os filhos para essas igrejas. Há crianças que estão nesses locais há mais de um ano e temos a informação de que aos fins-de-semana chegam a aparecer nessas igrejas cerca de 500 crianças", sublinhou.

Segundo o administrador, o contacto com os familiares dessas crianças não foi possível.

O problema das crianças acusadas de feitiçaria ou serem feiticeiros assume em Angola proporções que as autoridades e o Instituto Nacional da Criança (INAC) admitem como grave.

O fenómeno, segundo vários estudos publicados na área da sociologia, tem origem em questões ancestrais, sendo a sua prática oriunda da tradição Bantu, que integra a quase totalidade do território angolano, onde um dos aspectos mais importantes é a crença de que as crianças encarnam os maus espíritos e são responsáveis pela "má sorte" das famílias.

Mas, a par desta realidade ancestral, há ainda as dificuldades de subsistência das famílias onde o fenómeno ocorre, o que serve de catalisador para o problema porque é uma forma de estas se livrarem de uma boca para alimentar.

As áreas geográficas onde as acusações de feitiçaria a crianças são mais significativas situam-se a norte do país, junto às fronteiras com a República Democrática do Congo e Congo-Brazzaville (países onde o problema é igualmente grave) nomeadamente o Uige, Zaire, as Lundas, Norte e Sul, e Cabinda.

O crescente surgimento de casos em Luanda resulta do facto de a guerra de 27 anos, que até 2002 assolou o país, ter obrigado milhares de famílias destas regiões a procurar refúgio na capital angolana.

Tanto o Governo como as organizações da sociedade civil e as igrejas, com destaque para a Católica, têm apostado no combate a estas práticas através de campanhas de sensibilização, criação de centros de acolhimento e ainda na perseguição aos autores dos crimes perpetrados contra as crianças.

Espancamentos, jejuns prolongados, queimaduras e enclausuramento em espaços exíguos são alguns dos "tratamentos" aplicados que as autoridades detectam quando resgatam crianças acusadas de feitiçaria.
NME/RB.


Lusa/Fim

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
2008-10-23 15:55:02

soli
23-10-2008, 22:54
s3 irmão Tayeb,

Talvez agora só as chamadas igrejas carismáticas fazem caça às bruxas. O actual Papa pertenceu ao órgão sucessor daquele que supervisionava a Inqusição no passado.

Os membros deste espaço de disuccão certamente que acharão interessante o seguinte artigo que encontrei na Internet:

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A caça às bruxas
http://www.spectrumgothic.com.br/ocultismo/inquisicao.htm

A Santa Inquisição teve seu início no ano de 1184, em Verona, com o Papa Lúcio III. Em 1198, o Papa Inocêncio III já havia liderado uma cruzada contra os albigenses (hereges do sul da França), promovendo execuções em massa. Em 1229, sob a liderança do Papa Gregório IX, no Concílio de Tolouse, foi oficialmente criada a Inquisição ou Tribunal do Santo Ofício. Em 1252, o Papa Inocêncio IV publicou o documento intitulado Ad Exstirpanda, que foi fundamental na execução do plano de exterminar os hereges. O Ad Exstirpanda foi renovado e reforçado por vários papas nos anos seguintes. Em 1320, a Igreja (a pedido do Papa João XXII) declarou oficialmente que a Bruxaria, e a Antiga Religião dos pagãos constituíam um movimento e uma "ameaça hostil" ao cristianismo.

Os inquisidores, cidadãos encarregados de investigar e denunciar os hereges, eram doutores em Teologia, Direito Canônico e Civil. Inquisidores e informantes eram muito bem pagos. Todos os que testemunhassem contra uma pessoa supostamente herege, recebiam uma parte de suas propriedades e riquezas, caso a vítima fosse condenada.

Os inquisidores deveriam ter no mínimo 40 anos de idade. Sua autoridade era outorgada pelo Papa através de uma bula, que também podia incumbir o poder de nomear os inquisidores a um Cardeal representante, bem como a padres e frades franciscanos e dominicanos. As autoridades civis, sob a ameaça de excomunhão em caso de recusa, eram ordenadas a queimar os hereges. Camponeses eram incentivados (ludibriados com a promessa de ascenderem ao reino divino ou através de recompensas financeras) a cooperarem com os inquisidores. A caça às Bruxas tornou-se muito lucrativa.

http://www.spectrumgothic.com.br/images/ocultismo/inquisicao/inquisicao02.jpg

Geralmente as vítimas não conheciam seus acusadores, que podiam ser homens, mulheres e até crianças. O processo de acusação, julgamento e execução era rápido, sem formalidades, sem direito à defesa. Ao réu, a única alternativa era confessar e retratar-se, renunciar sua fé e aceitar o domínio e a autoridade da Igreja Católica. Os direitos de liberdade e de livre escolha não eram respeitados. Os acusados eram feitos prisioneiros e, sob tortura, obrigados a confessarem sua condição herética. As mulheres, que eram a maioria, comumente eram vítimas de estupro. A execução era realizada, geralmente, em praça pública sob os olhos de todos os moradores. Punir publicamente era uma forma de coagir e intimidar a população. A vítima podia ser enforcada, decapitada, ou, na maioria das vezes, queimada.


Malleus Maleficarum

Em 1486 foi publicado um livro chamado Malleus Maleficarum (http://www.spectrumgothic.com.br/ocultismo/livros/malleus.htm) (Martelo das Bruxas) escrito por dois monges dominicanos, Heinrich Kramer e James Sprenger. O Malleus Maleficarum é uma espécie de manual que ensina os inquisidores a reconhecerem as bruxas e seus disfarces, além de identificar seus supostos malefícios, investigá-las e condená-las legalmente. Além disso, também continha instruções detalhadas de como torturar os acusados de bruxaria para que confessassem seus supostos crimes, e uma série de formalidades para a execução dos condenados. Ainda, o tratado afirmava que as mulheres deveriam ser as mais visadas, pois são naturalmente propensas à feitiçaria. O livro foi amplamente usado por supostos "caçadores de bruxas" como uma forma de legitimar suas práticas.


Alguns itens contidos no Malleus Maleficarum que tornavam as pessoas vulneráveis à ação da Santa Inquisição:

Difamação notória por várias pessoas que afirmassem ser o acusado um Bruxo.
Se um Bruxo desse testemunho de que o acusado também era Bruxo.
Se o suspeito fosse filho, irmão, servo, amigo, vizinho ou antigo companheiro de um Bruxo.
Se fosse encontrada a suposta marca do Diabo no suspeito.

Hecatombe

Gradativamente, contando com o apoio e o interesse das monarquias européias, a carnificina se espalhou por todo o continente. Para que se tenha uma idéia, em Lavaur, em 1211, o governador foi enforcado e a esposa lançada num poço e esmagada com pedras; além de quatrocentas pessoas que foram queimadas vivas. No massacre de Merindol, quinhentas mulheres foram trancadas em um celeiro ao qual atearam fogo. Os julgamentos em Toulouse, na França, em 1335, levaram diversas pessoas à fogueira; setecentos feiticeiros foram queimados em Treves, quinhentos em Bamberg. Com exceção da Inglaterra e dos EUA, os acusados eram queimados em estacas. Na Itália e Espanha, as vítimas eram queimadas vivas. Na França, Escócia e Alemanha, usavam madeiras verdes para prolongar o sofrimento dos condenados. Ainda, a noite de 24 de agosto de 1572, que ficou conhecida como "A noite de São Bartolomeu", é considerada "a mais horrível entre as ações inquisidoras de todos os séculos". Com o consentimento do Papa Gregório XIII, foram eliminados cerca de setenta mil pessoas em apenas alguns dias.

Além da Europa, a Inquisição também fez vítimas no continente americano. Em Cuba iniciou-se em 1516 sob o comando de dom Juan de Quevedo, bispo de Cuba, que eliminou setenta e cinco hereges. Em 1692, no povoado de Salem, Nova Inglaterra (atual E.U.A.), dezenove pessoas foram enforcadas após uma histeria coletiva de acusações. No Brasil há notícias de que a Inquisição atuou no século XVIII. No período entre 1721 e 1777, cento e trinta e nove pessoas foram queimadas vivas.

No século XVIII chega ao fim as perseguições aos pagãos, sendo que a lei da Inquisição permaneceu em vigor até meados do século XX, mesmo que teoricamente. Na Escócia, a lei foi abolida em 1736, na França em 1772, e na Espanha em 1834. O pesquisador Justine Glass afirma que cerca de nove milhões de pessoas foram acusadas e mortas, entre os séculos que durou a perseguição.

Tayeb
23-10-2008, 23:12
Diz a Wikipédia:

O fenômeno da caça às bruxas, que ocorreu tanto em países protestantes (http://pt.wikipedia.org/wiki/Protestantes) como católicos (http://pt.wikipedia.org/wiki/Catolicismo), vitimou muito mais pessoas do que a própria Inquisição. As bruxas eram queimadas por Tribunais Civis, que as utilizavam como bodes-expiatórios para todos os problemas da comunidade. Casos como os das bruxas de Salem (http://pt.wikipedia.org/wiki/Bruxas_de_Salem), nos EUA (país onde nunca houve a Inquisição) e o de Joana D'Arc (http://pt.wikipedia.org/wiki/Joana_D%27Arc) heroína francesa queimada em Ruão (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ru%C3%A3o) na França. Por outro lado, no Território Papal (que ficava no centro da Itália, sendo hoje o Vaticano (http://pt.wikipedia.org/wiki/Vaticano) seu estado-herdeiro), a autoridade civil, o Papa, era de fato responsável pelos processos envolvendo bruxaria e heresia.

soli
24-10-2008, 12:19
Joseph Ratzinger, agora papa Bento XVI, esteve à frente, por 24 anos, da Congregação para a Doutrina da Fé -- a versão "modernizada" do Tribunal do Santo Ofício, ou seja, da Inquisição. Ratzinger foi responsável direto pela crescente "linha dura" nas questões doutrinárias da Igreja durante o papado de João Paulo II

PedroSilva
24-10-2008, 14:58
Concordo, em geral, coma condenação feita pelo Soli e Tayeb a esses actos inqualificáveis, tanto os recentes como os antigos (o que qualquer pessoa decente fará, evidentemente), mas queria chamar a atenção para o facto de a Congregação para a doutrina da fé ser, ao que sei, em termos formais e de algumas das competências, a sucessora da 'inquisição', mas isso não significa que seja a sua sucessora nos objectivos (ou em alguns), nos fundamentos e, sobretudo, nas práticas.

É certo que não foi dito que era isso que acontecia, mas para melhor esclarecimento, pareceu-me importante fazer esta referência.
(Mas eu nem sequer sou católico).

Em todo o caso, certamente que há muita coisa que pode ser criticada na tal 'Congregação'.

Tayeb
24-10-2008, 15:19
Caro Pedro,

Agradeço-o pelo esclarecimento. É claro que a Congregação não faz nada igual ao que a original Inqusição fazia.

É notório que o órgão de Santo Ofício - acusado de tantos crimes contra a humanidade - continue a existir com outro nome.

Alega-se que, por exemplo, a Congregação na pessoa de cardeal Radzinger, agora Papa Bento XVI, impediu a punição de padres e bispos pedófilos.

Não vamos perder o enfoque que o tópico aqui é crianças, algumas igrejas africanas e acusações obscurantista de bruxaria.

Ma'a-salaama,

curioso
24-10-2008, 20:26
Tayeb

E que tal não perdermos o enfoque de que misturar o que aconteceu em Angola com o a Inquisição é inaceitável.

Caro Pedro Silva

Mas qual condenação do Soli é que V/ subscreve?

O homem não disse uma palavra sobre este acontecimento.

Agarrou num texto sobre a inquisição e colocou no forum. Depois acusou o Papa de ser uma especie de inquisidor mor.

Bem andou o Tayeb quando não entrou por ai e colocou a questão no seu devido lugar.

Quanto à inquisição:

Por mais violenta que tenha sido, e foi, só atingiu o poder que atingiu porque usada pelos Reis e Portugal e de Espanha (com menos intencidade cá do que lá, mas em ambos os casos pior no que no resto da Europa) para atacar:

- Inimigos politicos;

- Judeus para lhes sacar o dinheiro;

Mais do que um fenómeno religioso foi um fenómeno politico.

Mas tudo isso seria uma conversa muito interessante, mas que não deve ser tida com quem olha com a intolerância que acusa os outros de terem em relação a si!

Caro Tayeb

Apenas uma precisão em relação à Joana D Arc.

O processo dela não é equiparavel a um mero julgamento por bruxaria como o de Salem.

Ela foi julgada pela Inquisição, verdade que por bruxaria, mas foi julgada na senda de outros que por poderem ser poderosos e afrontar a ordem instituida não interessava nem ao poder politico nem ao poder eclesiastico a sua existência.

soli
25-10-2008, 14:14
A Igreja católica não está isenta de ser objecto de discussão nestes casos relacionados com "bruxaria". As vítimas do catolicismo são inúmeras.

A Espanha vai reabrir os processos de repressão franquista em que a Igreja católica também tem as mãos ensaguentadas e isto foi há pouco anos relativamente à época da Inquisição e das Cruzadas.

Os judeus acusam o Papa Pio XI de ter colaborado com os nazis. Este último facto tem sido objecto de controvérsia porque o Papa Bento XVI irá visitar o Museu de Holocausto em Israel onde estão imagens do Papa Pio XXI e alusões sobre a sua colaboração com o fascismo alemão.

Os judeus não são as vítimas da Inquisição, o curioso esqueceu-se dos moçarabes, árabes, pagãos e os chamados "hereges". Não devemos esquecer ainda das Cruzadas. Uma das Cruzadas visou os cristãos ortodoxos, com o saque de Constantinopla (do qual nunca mais recuperou).

Quanto à bruxaria as vítimas do Cristianismo (católico e protestante) são o que se já se sabe pelos estudos que se têm feito. O actual Papa representa a ala mais conservadora do catolicismo, e foi por causa dele que muitos padres e bispos pedófilos não foram punidos atempadamente.

PedroSilva
25-10-2008, 16:15
Caro Pedro Silva

Mas qual condenação do Soli é que V/ subscreve?

O homem não disse uma palavra sobre este acontecimento.

Agarrou num texto sobre a inquisição e colocou no forum. Depois acusou o Papa de ser uma especie de inquisidor mor.



Curioso, a frase não me saiu bem. Eu queria dizer que condenava os actos descritos nos textos, evidentemente (e isso era uma introdução para o que realmente motivou a minha mensagem).

Não sei se isto é fugir ao tópico, mas não fui eu que o desviei para aqui, portantanto: penso que houve, realmente, falta de rigor na maneira como se estabeleceu a associação entre coisas diferentes, diferentes épocas, diferentes abordagens, etc., mas todos os dogmatismos se devem questionar sempre (nem que seja para que tudo fique na mesma), e parece-me que é legítimo (e mesmo 'normal') que neste espaço se questione a igreja católica.

Também aqui o Islão (ou certas práticas) é questionado, e muito. Frequentemente pelos próprios muçulmanos.

Claro que quanto mais rigorosa e factual for a base que sustenta a crítica (que não tem de ter uma conotação negativa), mais credível se torna, e mais se livra de ser, ela própria, criticada.

Sobre a 'Congregação', deixo mais um exemplo de uma crítica, ou dúvida: não é este o órgão responsável pela rejeição de teologias como a Teologia da Libertação e muitas outras?
E com a teologia rejeita-se o teólogo.

Claro que a igreja tem o direito de aceitar ou rejeitar o que quer, mas eu também tenho o direito de falar sobre o conservadorismo que move essas opções, por exemplo. Especialmente quando está em causa uma instituição que sempre se resrvou o direito de se pronunciar sobre tudo, e ainda que a minha opinião seja pouco informada e não conte para nada.

Ou seja, se é importante haver rigor, é importantíssimo que, à partida, o direito a todas as opiniões, o aclarar das visões de cada um, seja um dado adquirido, ainda que não coincidam com as nossas. Isto porque não me parece que a falta de rigor que terá havido se possa considerar uma flagrante 'intolerância'.

A opinião é valiosa. Os erros - SE OS HOUVER -podem corrigir-se.
Peço desculpa por dizer o óbvio, e por estar a 'discutir a discussão' ('moralisticamenete'), fugindo ao tópico.

curioso
27-10-2008, 22:03
Caro Soli

As vitimas do catolicismo são inumeras, assim como as vitimas do protestantismo, do islamismo, e de outros ismos que tais.

Não conheço um ismo que não tenha provocado vitimas.

Ai a ICAR, enquanto corpo organizativo, tem que ser discutida, deve ser discutida e é discutida todos os dias pelos seus fieis.

Discutir a Inquisição misturando esta com um problema que ocorre todos os dias em Africa, que tem mais relação com crendice do que com a religião é de uma má fé intelctual grotesca.

Não faz justiça nem à gravidade de uma nem de outra questão.

Visa apenas disparar contra a ICAR.

Pedro Silva

Desculpe mas não vejo porque motivo a teologia da ICAR eve ser discutida por não crentes.

Eu não discuto a teologia do Islamismo. Era o que faltava, eu um não crente no Islão, discutir sobre o que esta bem ou mal no Islão.

Se o objectivo for discutir o papel da ICAR na história do mundo, ai poderemos discutir todos, crentes ou não crentes. Discutir a sua teologia é nem sequer perceber que a religião é acreditar não é raciocinar.

Ou se acredita ou não se acredita.

Quanto à inquisição; para se discutir a Inquisição temos que falar no seu papel politico e não religioso, porque de religião aquilo não teve nada.

Veja em que reinos a inquisição teve mais poder e onde foi mais brutal, e quem solicitou a sua presença lá. No caso portugues o papa até recusou inicialmente mas o Rei ameaçou com a criação de uma inquisção régia. Depois enquadre na geo-politica da época.

Em suma: Era um tribunal eclesiastico brutal, que se tornou uma enormidade nas mãos dos monarcas da epoca.

É algo de que não me orgulho mas é parte da minha história.

Tayeb
28-10-2008, 12:30
Caro curioso,

O tópico aqui não é o Islão, mas sim o cristianismo e em especial alguns cristãos. Desta vez é o curioso que fugiu do tópico principal lançando acusações infundamentadas sobre o Islão.

Não ponha no mesmo saco o Islão com as Cruzadas e a Inquisição. O Islão nunca teve estes tipos de repressões, e se há acusações contra o Islão, não se conseguem fundamentar pelos factos existentes, isto é continuaram haver outras crenças nos locais onde o Islão esteve no poder. A Penininsula Ibérica apesar de ter estado sob o domínio islâmico durante séculos continuaram aqui existir judeus, cristãos e outras crenças. Não houve nenhuma tentativa de os forçar a mudar de fé através de Autos de Fé e serem queimados na estaca.

Apesar das minhas reticências quanto ao que o soli escreveu. logo após ao meu post de inciação deste tópico, acho que ele tem razão em estabelecer paralelismos nas crenças cristãs e o que se fez no passado. O fundamental da diferença com o Islão é que no cristianismo as crianças não são inocentes. O cristianismo põe em cima delas o fardo de Pecado Original e a existência do Mal nelas, e que ainda por cima os filhos pagam pelos pecados dos pais.

Curisoso acho que está a ser desonesto em dizer que as Cruzadas e a Inquisição tinham a haver com a política. Concordo consigo que política e até a economia tivessem tido um papel, agora dizer que tudo tinha a haver somente com a política está muito errado. Não me vai dizer que os padres, os bispos e os demais inquisitores tinham uma ou várias agendas políticas e que não os movia a crença religiosa e a intolerância que aprenderam das crenças que emanaram do judaismo militante.

Não são só erros destas igrejas africanas. mas sim algo endémico da crença cristã e a hernaça da teologia do Pecado Original e que em especial que as crianças não são inocentes. Existe de facto uma mistura da crença Bantu naquilo que algumas Igrejas africanas fazem, que tem a haver a crença da existência de crianças feiticeiras e que elas trazem com elas o Mal e que os azares das familias ou aldeias são causadas pelas crianças. As crianças, o elo fraco da sociedade, afinal são um bode expiatório de problemas que não têm nada a haver com feitiço. A mim cheiram-me também interesses económicos, tal como aqui o zé povinho pensa só no futebol, na África culpam-se as crianças inocentes pelos males da economia.

Ma'a-salama,

curioso
28-10-2008, 14:34
Caro Tayeb

Peço desculpa mas não leu o que eu escrevi.

Não fiz nenhum paralelismo entre as cruzadas e a inquisição, com qualquer situação relacionada com o Islamismo.

Reafirmo no entanto que não existe ismo que não tenha provocado as suas vitimas.

Fazemos o seguinte, diga o ismo e eu digo o numero de vitimas.

Quanto à discução em torno da ICAR

O pedro Silva referiu que a teologia católica deveria ser discutida. Falava ele da Teologia da Libertação.

Eu entendo que da mesma forma que, como não crente, não discuto a teologia Islamica, os não católicos não devem discutir a teologia da ICAR.

Como alias V/ sabe eu sobre o Islamismo pergunto e tiro duvidas. Nunca me viu opinar sobre a validade da sua teologia. Era só o que faltava.

Desculpe Tayeb mas mais uma vez não leu o que eu disse sobre a Inquisição.

Eu disse e repito, originalmente um tribunal eclesiastico brutal, que com o seu uso pelos monarcas da época se tornou uma enormidade.

Diga-me de onde é que desta frase retira qualquer forma de menorizar a Inquisição.

Se é verdade que os padres não tinham uma agenda politica, o mesmo não se pode dizer das altas esferas da hierarquia católica, sempre muito mais interessada em manter o seu poder terreno, através do medo e valendo-se da ignorancia dos crentes.

Como disse no post que V/ critica, O papel politico da ICAR no história mundial pode e deve ser discutido por todos, a teologia, seja de que religião for, não faz sentido ser discutida por não crentes.

Mais uma vez lhe digo, faz parte da minha história, mas não faz parte do que me orgulho!

Embora não discutindo teologia permita-lhe que lhe cite uma frase: "A mim as crianças porque delas é o reino dos Céus"

Tayeb
28-10-2008, 16:58
Só para que outros membros que não saibam, ICAR significa Igreja Católica Apostólica Romana, isto é Igreja católica.

Tayeb
28-10-2008, 19:26
Mais um seguimento da notícia do primeiro post:

Angola: Autoridades preparam processo para responsabilizar familiares de "crianças feiticeiras"

Luanda, 24 Out (Lusa) -- As autoridades angolanas estão a recolher dados das cerca de 40 crianças acusadas de feitiçaria, retiradas quinta-feira em Luanda pela Polícia Nacional da posse de duas igrejas ilegais, para encaminhar os processos ao julgado de menores.

A directora provincial do Ministério da Assistência e Reinserção Social (Minars), Augusta Dias, disse hoje à Agência Lusaque neste momento decorre um trabalho de "triagem familiar", com vista a confirmar a origem das crianças.

"Queremos saber se essas crianças têm familiares na província de Luanda ou se são provenientes de outras regiões", disse à Lusa Augusta Dias.
Segundo a directora, participam também neste trabalho a Polícia Nacional, a Direcção Nacional de Investigação Criminal (DNIC) e o Julgado de Menores.

"Por se tratar de um crime, nós vamos fazer o trabalho quer no âmbito social quer no jurídico, porque se tratam de crianças menores de idade", frisou.

Augusta Dias adiantou que hoje alguns familiares destas crianças se deslocaram ao Minars, no intuito de obterem informações e tentarem recuperar os seus filhos.

"Os familiares estão a aparecer e nós vamos trabalhar de forma detalhada para confirmar se realmente são ou não familiares", disse Augusta Dias, acrescentando que estão a ser tiradas fotografias às famílias para essa confirmação.

"Estamos a trabalhar com as próprias crianças para nos confirmarem se realmente essas pessoas que aparecem são familiares e só depois disso, com o trabalho coordenado com a polícia, poderemos fazer a localização e a reunificação", salientou.

Devido ao estado de saúde "degradante" das crianças, a direcção provincial do Minars solicitou à direcção provincial do Ministério da Saúde um grupo de médicos para uma "observação detalhada" sobre a situação dos menores.

"Conforme forem os casos, se tiverem que ser encaminhadas para internamento terão que ir, caso contrário vamos ver que medidas os médicos vão orientar para salvaguardar o estado de saúde das crianças", disse a directora provincial do Minars.

No grupo de crianças encontrava-se um bebé, que neste momento está a ser acompanhado por pediatras para análise do seu estado de saúde.
"Estamos a trabalhar de forma directa com os pediatras para ver que saúde essa criança tem porque uma criança de meses, acusada de feiticeira, não deve ter sido bem tratada", disse.

As crianças, com idades compreendidas entre quatro meses e 15 anos, encontravam-se retidas no interior de duas casas, que serviam de igrejas, na comuna do Ngola Kiluange, município do Sambizanga, em Luanda.
Os líderes religiosos das igrejas ilegais, localizadas no bairro Uige, no município do Sambizanga, que tinham em sua "posse" as crianças, foram detidos na operação de resgate dos menores.

Estas crianças foram levadas para o Lar Kuzola, que acolhe crianças em dificuldades em Luanda, e quatro foram encaminhadas para hospitais devido ao seu estado grave de saúde, resultante dos maus-tratos a que foram submetidas para serem "libertadas" dos "maus espíritos".

O problema das crianças acusadas de feitiçaria ou serem feiticeiros assume em Angola proporções que as autoridades e o Instituto Nacional da Criança (INAC) admitem como grave.

O fenómeno, segundo vários estudos publicados na área da sociologia, tem origem em questões ancestrais, sendo a sua prática oriunda da tradição Bantu, que integra a quase totalidade do território angolano, onde um dos aspectos mais importantes é a crença de que as crianças encarnam os maus espíritos e são responsáveis pela "má sorte" das famílias.

As áreas geográficas onde as acusações de feitiçaria a crianças são mais significativas situam-se a norte do país, junto às fronteiras com a República Democrática do Congo e Congo-Brazzaville (países onde o problema é igualmente grave) nomeadamente o Uige, Zaire, as Lundas, Norte e Sul, e Cabinda.

NME.
Lusa/Fim

PedroSilva
29-10-2008, 11:22
Curioso, concordo com muito do que diz, nomeadamente quando fala da forma talvez precepitada, talvez tendenciosa (mas não intolerante, na minha perspectiva) como se discutiram e misturaram assuntos que estão em planos distintos, logo no início deste tópico. Ainda que possa existir alguma ligação entre eles, para a estabelecer há que explicar bem e clarificar bem, em vez de sugerir ou dar a entender que está tudo mais ou menos no mesmo plano (como parece às vezes poder depreender-se).

Percebo o que quer dizer sobre a discussão da teologia católica feita por não crentes, mas não concordo. O que acontece às vezes é quase uma tentativa de não católicos, ou católicos sem responsabilidade directa, opinarem de tal maneira que parece quelhes cabe a eles definir a organização e a doutrina da ICAR. Não sei se é a esses 'treinadores de bancada' que se refere, mas eu, que não sou católico, acho que às vezes é exagerado o tom com que alguns querem interferir em assuntos que, à partida, são da responsabilidade de outros.
Não quer dizer que não possam opinar. Simplesmente se estranha a arrogância e o tom. Devia ser assim: eu acho x, y, z, a igreja (a hierarquia, entenda-se) pensa n, t, w, paciência, ficamos assim. Cada um expressa o que quer, e quem ouve que decida.
O problema está no tom 'self righteous', muito disposto a proferir sentenças e pouco disposto a ouvir os outros (no fundo, com pouca paciÊncia para o diálogo, que, precisamente, consiste em ouvir e ser ouvido). Mas diga-se que a própria igreja às vezes é (ou era) assim.

Eu tento não ter este tom, mas discuto tudo!
Até física nuclear, e só tive física até ao 9º ano. Claro que espero que se a Fátima Campos Ferreira, por exemplo, fizer um debate sobre física nuclear, alguém como eu não seja um dos convidados.
Mesmo num forum, em que não é preciso ser especialista ou ser 'dos de dentro' para discutir, tento não ir muito além do razoável, e não mandar muitas 'bocas', sem saber bem o que faço. Mas também ninguém proíbe!

É importante que todos possam falar de tudo (dentro dos limites da lei). Se o que é dito é ou não relevante, ou é ou não credível, é o mérito da mensagem, e não do mensageiro, que deve contar (embora um e outro acabem por estar relacionados).
Não aceito que se diga: não tens direito a falar disso, porque não percebes nada. Deixa isso para o sr. doutor, ou deixa isso para o sr. bispo, ou para o sr. deputado, ainda que o conhecimento e a responsabilidade sobre o assunto possam ser mais deles do que meus. Precisamenete, se eles sabem mais, porque é que hão-de recear que eu fale? Percebe?

Os comunistas podiam argumentar que os católicos não percebiam, não estavam por dentro, do que era o comunismo, e portanto deviam calar-se. Mas a igreja não se calou, e bem.

Desde S. Paulo, pelo menos, que a igreja não faz outra coisa que pretender que não católicos discutam a sua teologia, e não se inibem de comparar e de falar das outras teologias (tantos que no início falavam da teologia (se é que a palara se aplica, mas a ideia é essa) 'do judeu e do pagão').

Quando se diz: "não se discute aquilo em que o outro (ou eu) acredita", não é a doutrina, a 'teologia' que não se discute. É a convicção íntima da pessoa que não se deve pôr em causa.
Não se deve questionar a fé dos outros, mas: fé no sentido da crença individual, da relação daquela pessoa com Deus. Não 'fé' no sentido de corpo de ideias, de doutrina, de 'teologia' (a fé cristã, a fé muçulmana, etc.).

Orlando
13-11-2008, 23:53
O que é que uma seita ilegal tem haver com Igreja Catolica???

É como comparar a Alqueda com o Islão

Tayeb
14-11-2008, 12:15
Tem a haver no contexto histórico. A ICAR usou a Bíblia e crenças supersticiosas no passado para cometer das piores barbaridades contra os supostos "bruxos" e "bruxas". Sobre o que fez mais no recente passado, contra supostos "descrentes", apoiando a repressão do Franco, vão ser abertas valas comuns na Espanha, graças ao juiz Garzón. Também está enraizado na crença cristã no geral, carólicos e protestantes, que as crianças não são inocentes e que trazem consigo o pecado original.

Orlando
14-11-2008, 21:41
Tem a haver no contexto histórico. A ICAR usou a Bíblia e crenças supersticiosas no passado para cometer das piores barbaridades contra os supostos "bruxos" e "bruxas". Sobre o que fez mais no recente passado, contra supostos "descrentes", apoiando a repressão do Franco, vão ser abertas valas comuns na Espanha, graças ao juiz Garzón. Também está enraizado na crença cristã no geral, carólicos e protestantes, que as crianças não são inocentes e que trazem consigo o pecado original.

Eu viu um documentário sobre esse assunto das bruxas, não tem nada com cristianismo é por e simplesmente uma fobia que nasceu nos países cristãos cá na velha Europa.

Os bruxos eram o que hoje são os especialistas em medicina herbanária, acho que ha um nome mais bonito, naquele tempo descobriram ervas alucinogénicas (que hoje são drogas como os aqueles cogumelos etc) e tinham grandes alucinações e depois contavam que voavam e tal.

O povo ignorante temeu-se e começou a mata-los, na altura quem mandava na lei era a Igreja, daí as costa largas do Cristianismo.

Não se deve culpar uma relegião pelos ignorantes que a praticam e pelos senhores que os querem controlar.