YiossufAdamgy
23-05-2008, 19:51
A SUNNAH
O Profeta Muhammad (s.a.w. = que a Paz e Bênçãos de Deus estejam sobre ele) disse:
"Deixei convosco duas coisas que, se vós se apegardes a elas, jamais vos desviareis: o Livro de Deus e a Sunnah do Seu Mensageiro."
A Compilação da Sunnah
Os sahaba (companheiros do Profeta) tinham um convívio diário com o Profeta Muhammad (s.a.w.)
Nesse convívio, eles esclareciam as suas dúvidas e tentavam aprender o máximo acerca do Islão. E o comportamento do Profeta Muhammad (s.a.w.) era um foco de grande importância para os companheiros, pois estes tinham no Profeta Muhammad (s.a.w.), o exemplo máximo, obedecendo à convocação de Deus, que diz na Surata ?Os Partidos?, versículo 21:"Realmente tendes no Mensageiro de Deus um excelente exemplo a ser seguido."
A Sunnah não foi registrada da mesma forma que o Alcorão. No início, o Profeta Muhammad (s.a.w.) proibiu que se fizessem registros escritos dos ahadith, para evitar que as pessoas misturassem o Alcorão com a Sunnah, pois muitos ainda não conseguiam diferenciar entre ambos.
Pode-se acrescentar a isso o facto de que poucos eram os materiais de escrita na época e poucos eram os que sabiam escrever, e esses poucos dedicavam-se a registrar o Alcorão.
Nessa primeira fase, a preservação da Sunnah se deu através da memorização. Passada essa primeira fase, o Profeta Muhammad (s.a.w.) permitiu que se fizessem registros escritos da Sunnah e, entre esses, podemos citar as páginas de Abdullah Bin Amr Bin Al Ass, denominada de Assadika (a verídica).
O texto que o Profeta Muhammad (s.a.w.) ordenou que se escrevesse, e que tratava das relações entre os habitantes de Medina (ár. Madinah), os Ansar, os Muhajirin e os Judeus, que entravam em acordo com eles, e as cartas enviadas pelo Profeta Muhammad (s.a.w.) aos líderes da época, como os imperadores da Pérsia, de Bizâncio, da Abissínia, do Egipto, entre outros, e os tratados acerca das caridades, do testamento, além de registros feitos por Abu Bakr, Umar e 'Ali (que Deus esteja satisfeito com eles).
O Profeta Muhammad (s.a.w.) ordenou que os seus companheiros divulgassem o que lhes era ensinado. Disse o Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele):
"Que os presentes façam chegar (os ensinamentos) aos ausentes."
E disse:
"Divulguem por mim, nem que seja um versículo."
E advertiu com um castigo severo aquele que mentisse a seu respeito, dizendo:
"Aquele que mentir propositadamente a meu respeito, que prepare o seu assento no inferno".
Isso brotou nos sahaba um enorme senso de responsabilidade. E, como havia diferentes níveis de conhecimentos dentro do grupo dos sahaba em relação aos ahadith, esses só se pronunciavam quando tinham plena certeza.
Podemos citar alguns casos, como por exemplo: disse Abdullah Bin Zubair a seu pai:
"Eu não lhe ouço falar os ahadith como o faz fulano e fulano"
Então, respondeu-lhe o seu pai:
Eu não desgrudava do Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele); só que eu ouvi ele dizer:
"Aquele que mentir a meu respeito, que prepare o seu assento no inferno."
Costumavam pedir a Zaid Bin Al Arkam que falasse alguns ahadith, e então ele dizia:
"Envelhecemos e esquecemos. E falar dos ahadith do Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele), é algo de grande responsabilidade.''
Já Abu Huraira, Ibin Abass, Aicha e Abdullah Bin Umar (r.a.), entre outros, relataram uma quantidade enorme de ahadith.
Com a expansão do Islão, muitos companheiros se espalharam, a fim de levar o conhecimento do Islão a outras regiões, e por isso, muitos sahaba viajavam para se certificar de que fulano realmente ouviu do Profeta Muhammad (s.a.w.), determinado hadith, que ele ouvira por intermédio de terceiros. Ou para confirmar um hadith que ele ouvira do Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele), e que ele lembrava estar fulano presente no momento em que ele ouvira tal hadith.
Essas viagens, às vezes, duravam meses, como o fez Jabir Bin Abdallah, que viajou um mês inteiro até Damasco, a fim de confirmar um hadith que ele não ouvira do Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele), e como o fez também Abu Ayub Al Ansari, que viajou de Medina ao Egipto, a fim de confirmar um hadith com Ukba Bin Amir, pois não sobrara ninguém dos que ouviram tal hadith, além deles dois.
Esse hábito de viajar em busca de hadith, foi absorvido também pelos grandes tabiin, como Said Bin Al Mussaib, Hassan Al Bassri, entre outros.
A partir do ano 40 da Hégira, algumas pessoas começaram a inventar hadith, a fim de apoiar as suas ideias e os seus interesses. No início eram poucos os ahadith inventados, pois ainda haviam os sahaba e os grandes tabiin, que eram conhecidos pelo temor a Deus, pela honestidade, pela religiosidade e pelo conhecimento e que não permitiam que um hadith inventado se espalhasse, pois eles o reconheciam e o desmascaravam.
Eles tinham uma grande preocupação com o Isnad (cadeia de transmissores), e não aceitavam um hadith sem Isnad (cadeia de transmissores), a não ser que fosse transmitido por um sahabi (companheiro do Profeta). Pois Deus, no Alcorão Sagrado, e o Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele), testemu- nharam acerca da honestidade deles, em vários versículos e ahadith, além do testemunho da história.
A partir daí, criou-se uma verdadeira ciência, a fim de se certificar da autenticidade dos ahadith, como veremos mais adiante.
Após esta fase, temos a época da compilação dos ahadith; alguns desses foram compilados na forma de Massanid, na qual se compilavam os ahadith de acordo com os transmissores de entre os sahaba, sem se preocupar com os temas abordados.
Por exemplo, pegava-se todos os ahadith narrados por Abu Huraira e os colocavam todos juntos. Entre essas compilações, o mais conhecido é o Musnad, do Imam Ahmad.
Outros foram compilados na forma de Jauami e Sunan, onde se fazia a compilação baseada nos assuntos. O capítulo do conhecimento, por exemplo, colocava-se, então, juntos, todos os ahadith existentes sobre esse tema.
Entre eles, os mais conhecidos são o Sahih do Bukhari (que é o livro mais verídico, depois do Alcorão), o Sahih do Muslim (que se iguala ao Sahih do Bukhari em veracidade), os Sunan de Abu Daud, Tirmizi, ibin Maja, Nassai e a Muataa do imame Malik .
O Que Motivou a Invenção de Hadith?
As diferenças políticas que tiveram início com a fitna (intriga) no califado de Uthman, a inimizade em relação ao Islão, o apego exagerado à tribo, à região a que pertencia, à língua, ao líder, às divergências em relação ao entendimento das leis, à ignorância em relação ao Islão, junto com a vontade de fazer o bem, a vontade de se aproximar dos reis e imperadores, através de opiniões que dessem suporte aos seus caprichos, e a utilização de histórias, a fim de orientar as pessoas, sem que houvesse uma preocupação em relação à veracidade do que estava sendo dito, todos esses factores contribuíram para que se começasse a invenção de hadith.
O Empenho em se Reprimir esse Movimento
A fim de fazer frente a essa nova situação, que ameaçava a preservação dos ensinamentos proféticos, os sábios muçulmanos criaram verdadeiras ciências, que tinham por objectivo separar o joio do trigo.
Entre essas ciências, encontram-se:
1) a ciência do Mustalah Al Hadith, que é a ciência que analisa o Matin (texto) e o Isnad, por meio de leis e bases que visam a separar o hadith autêntico do falsificado;
2) a ciência do Jarh Ua Taadil, que é a ciência que faz uma análise do comportamento, do carácter e das características de cada membro de qualquer Isnad, seja para mostrar que não se pode pegar o seu hadith, por ele ser um mentiroso, ou por ele não ter boa memória, ou por ele ser uma pessoa displicente entre outras, ou para mostrar que se pode pegar o seu hadith por ser uma pessoa de confiança, de boa memória entre outras;
3) e a ciência do Tarajim Arijal, que é a ciência que analisa minuciosamente a biografia de todas as pessoas que tenham aparecido em qualquer Isnad, analisando a época em que elas viveram, os seus contemporâneos com os quais elas pudessem ter-se encontrado, entre outras.
Divisões do Hadith de Acordo Com a Aceitação ou a Rejeição do Mesmo
Vejamos agora, de maneira sucinta, as classificações dos ahadith:
A) Hadith Sahih (verídico) - é aquele cujo Isnad se encontra completo, cujos membros do Isnad sejam todos justos e precisos e que não seja chaz e nem mualal .
B) Hadith Hassan (bom) - é aquele que se encaixa em todas as condições do Sahih, com excepção da precisão; é intermediário entre o Sahih e o Daif (fraco).
C) Hadith Daif (fraco) - é aquele que não se encaixa nos critérios do Sahih, e se dividem em:
1 - Mualak - Aquele em que se encontra oculto um ou mais transmissores do início da cadeia.
2 - Murssal - Aquele em que o tabii relata directamente do Profeta, sem citar o sahabi que transmitiu o hadith.
3 - Muudal - Aquele em que se encontra a omissão de dois ou mais transmissores consecutivos.
4 - Munkatii - Aquele em que se encontra a omissão de um ou mais transmissores (sem que esse seja um sahabi), sem que no entanto sejam consecutivos.
5 - Mudalassi - O Mudalassi se divide em dois:
a ) Tad'lici al Isnad - é aquele em que um transmissor omite quem lhe transmitiu e se refere apenas à* pessoa que lhe transmitiu.
b ) Tad'lici Achuiukh - é aquele em que o transmissor se refere à pessoa que lhe transmitiu ou por um apelido, ou pelo sobrenome que é pouco conhecido.
6 - Murssal Khafi - é aquele cujo transmissor diz ou insinua ter ouvido de uma pessoa cujo encontro não é comprovado.
7 - Maudu - é aquele hadite que foi inventado.
8 - Munkar - Aquele cujo transmissor não é de confiança por errar muito, ou por ser distraído.
9 - Mualal - Aquele cujo transmissor cometeu algum erro na hora de transmitir o hadith, como por exemplo acrescentar partes imaginando que essas fazem parte do mesmo.
10 - Matruk - é aquele cujo transmissor é conhecido entre as pessoas como mentiroso, ou cujo hadith vai contra os princípios da religião.
11 - Mudrij - Aquele cujo transmissor narra determinado hadith e muda na sequência de transmissores, colocando no lugar dos que lhe transmitiram esses ahadith, outros que lhe transmitiram um outro hadith; ou que ouve uma parte do hadith de um transmissor directo e o restante do hadith de um intermediário e que omite esse intermediário na hora de transmitir o hadith; ou que relata um hadith e acrescenta parte de outro hadith, sem, no entanto, indicar que esse acréscimo não faz parte desse hadith; ou que relata um hadith sem conhecer toda a sequência de transmissores e na hora de relatar ele acrescenta pessoas de uma outra sequência de transmissores do qual ele faz parte, a fim de completar a sequência.
12 - Maklub - Aquele em que o transmissor inverte as palavras do hadith, de modo a modificar o seu significado, ou inverte o nome do transmissor, ou troca um transmissor por outro.
13 - Mazid Fi Mutassil al Isnad - Aquele em que se acrescenta um transmissor que não faz parte da cadeia.
14 - Mudtarib - Aquele cujo transmissor narra o mesmo hadith de maneiras diferentes, ou aquele em que vários transmissores narram o mesmo hadith de maneiras dife- rentes.
15 - Mubham - Aquele cujo nome de um dos transmissores não é especificado, como por exemplo: Ouvi de um pessoa de confiança, ou ouvi de meu professor, etc.
Os companheiros (sahaba) obsevaram, memorizaram e escreveram a tradição, que foi ditada ou praticada pelo próprio Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus esteja m sobre ele).
Três séculos depois da morte do Profeta Muhammad (s.a.w.), foi formada uma grande biblioteca dos ahadith, com as suas explicações, além de uma biografia feita pelos narradores desses mesmos (ahadith).
"Realmente tendes no Mensageiro de Deus um excelente exemplo a ser seguido." ? (Alcorão Sagrado, Surata "Os Partidos", versículo 21)
O Profeta Muhammad (s.a.w. = que a Paz e Bênçãos de Deus estejam sobre ele) disse:
"Deixei convosco duas coisas que, se vós se apegardes a elas, jamais vos desviareis: o Livro de Deus e a Sunnah do Seu Mensageiro."
A Compilação da Sunnah
Os sahaba (companheiros do Profeta) tinham um convívio diário com o Profeta Muhammad (s.a.w.)
Nesse convívio, eles esclareciam as suas dúvidas e tentavam aprender o máximo acerca do Islão. E o comportamento do Profeta Muhammad (s.a.w.) era um foco de grande importância para os companheiros, pois estes tinham no Profeta Muhammad (s.a.w.), o exemplo máximo, obedecendo à convocação de Deus, que diz na Surata ?Os Partidos?, versículo 21:"Realmente tendes no Mensageiro de Deus um excelente exemplo a ser seguido."
A Sunnah não foi registrada da mesma forma que o Alcorão. No início, o Profeta Muhammad (s.a.w.) proibiu que se fizessem registros escritos dos ahadith, para evitar que as pessoas misturassem o Alcorão com a Sunnah, pois muitos ainda não conseguiam diferenciar entre ambos.
Pode-se acrescentar a isso o facto de que poucos eram os materiais de escrita na época e poucos eram os que sabiam escrever, e esses poucos dedicavam-se a registrar o Alcorão.
Nessa primeira fase, a preservação da Sunnah se deu através da memorização. Passada essa primeira fase, o Profeta Muhammad (s.a.w.) permitiu que se fizessem registros escritos da Sunnah e, entre esses, podemos citar as páginas de Abdullah Bin Amr Bin Al Ass, denominada de Assadika (a verídica).
O texto que o Profeta Muhammad (s.a.w.) ordenou que se escrevesse, e que tratava das relações entre os habitantes de Medina (ár. Madinah), os Ansar, os Muhajirin e os Judeus, que entravam em acordo com eles, e as cartas enviadas pelo Profeta Muhammad (s.a.w.) aos líderes da época, como os imperadores da Pérsia, de Bizâncio, da Abissínia, do Egipto, entre outros, e os tratados acerca das caridades, do testamento, além de registros feitos por Abu Bakr, Umar e 'Ali (que Deus esteja satisfeito com eles).
O Profeta Muhammad (s.a.w.) ordenou que os seus companheiros divulgassem o que lhes era ensinado. Disse o Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele):
"Que os presentes façam chegar (os ensinamentos) aos ausentes."
E disse:
"Divulguem por mim, nem que seja um versículo."
E advertiu com um castigo severo aquele que mentisse a seu respeito, dizendo:
"Aquele que mentir propositadamente a meu respeito, que prepare o seu assento no inferno".
Isso brotou nos sahaba um enorme senso de responsabilidade. E, como havia diferentes níveis de conhecimentos dentro do grupo dos sahaba em relação aos ahadith, esses só se pronunciavam quando tinham plena certeza.
Podemos citar alguns casos, como por exemplo: disse Abdullah Bin Zubair a seu pai:
"Eu não lhe ouço falar os ahadith como o faz fulano e fulano"
Então, respondeu-lhe o seu pai:
Eu não desgrudava do Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele); só que eu ouvi ele dizer:
"Aquele que mentir a meu respeito, que prepare o seu assento no inferno."
Costumavam pedir a Zaid Bin Al Arkam que falasse alguns ahadith, e então ele dizia:
"Envelhecemos e esquecemos. E falar dos ahadith do Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele), é algo de grande responsabilidade.''
Já Abu Huraira, Ibin Abass, Aicha e Abdullah Bin Umar (r.a.), entre outros, relataram uma quantidade enorme de ahadith.
Com a expansão do Islão, muitos companheiros se espalharam, a fim de levar o conhecimento do Islão a outras regiões, e por isso, muitos sahaba viajavam para se certificar de que fulano realmente ouviu do Profeta Muhammad (s.a.w.), determinado hadith, que ele ouvira por intermédio de terceiros. Ou para confirmar um hadith que ele ouvira do Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele), e que ele lembrava estar fulano presente no momento em que ele ouvira tal hadith.
Essas viagens, às vezes, duravam meses, como o fez Jabir Bin Abdallah, que viajou um mês inteiro até Damasco, a fim de confirmar um hadith que ele não ouvira do Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele), e como o fez também Abu Ayub Al Ansari, que viajou de Medina ao Egipto, a fim de confirmar um hadith com Ukba Bin Amir, pois não sobrara ninguém dos que ouviram tal hadith, além deles dois.
Esse hábito de viajar em busca de hadith, foi absorvido também pelos grandes tabiin, como Said Bin Al Mussaib, Hassan Al Bassri, entre outros.
A partir do ano 40 da Hégira, algumas pessoas começaram a inventar hadith, a fim de apoiar as suas ideias e os seus interesses. No início eram poucos os ahadith inventados, pois ainda haviam os sahaba e os grandes tabiin, que eram conhecidos pelo temor a Deus, pela honestidade, pela religiosidade e pelo conhecimento e que não permitiam que um hadith inventado se espalhasse, pois eles o reconheciam e o desmascaravam.
Eles tinham uma grande preocupação com o Isnad (cadeia de transmissores), e não aceitavam um hadith sem Isnad (cadeia de transmissores), a não ser que fosse transmitido por um sahabi (companheiro do Profeta). Pois Deus, no Alcorão Sagrado, e o Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele), testemu- nharam acerca da honestidade deles, em vários versículos e ahadith, além do testemunho da história.
A partir daí, criou-se uma verdadeira ciência, a fim de se certificar da autenticidade dos ahadith, como veremos mais adiante.
Após esta fase, temos a época da compilação dos ahadith; alguns desses foram compilados na forma de Massanid, na qual se compilavam os ahadith de acordo com os transmissores de entre os sahaba, sem se preocupar com os temas abordados.
Por exemplo, pegava-se todos os ahadith narrados por Abu Huraira e os colocavam todos juntos. Entre essas compilações, o mais conhecido é o Musnad, do Imam Ahmad.
Outros foram compilados na forma de Jauami e Sunan, onde se fazia a compilação baseada nos assuntos. O capítulo do conhecimento, por exemplo, colocava-se, então, juntos, todos os ahadith existentes sobre esse tema.
Entre eles, os mais conhecidos são o Sahih do Bukhari (que é o livro mais verídico, depois do Alcorão), o Sahih do Muslim (que se iguala ao Sahih do Bukhari em veracidade), os Sunan de Abu Daud, Tirmizi, ibin Maja, Nassai e a Muataa do imame Malik .
O Que Motivou a Invenção de Hadith?
As diferenças políticas que tiveram início com a fitna (intriga) no califado de Uthman, a inimizade em relação ao Islão, o apego exagerado à tribo, à região a que pertencia, à língua, ao líder, às divergências em relação ao entendimento das leis, à ignorância em relação ao Islão, junto com a vontade de fazer o bem, a vontade de se aproximar dos reis e imperadores, através de opiniões que dessem suporte aos seus caprichos, e a utilização de histórias, a fim de orientar as pessoas, sem que houvesse uma preocupação em relação à veracidade do que estava sendo dito, todos esses factores contribuíram para que se começasse a invenção de hadith.
O Empenho em se Reprimir esse Movimento
A fim de fazer frente a essa nova situação, que ameaçava a preservação dos ensinamentos proféticos, os sábios muçulmanos criaram verdadeiras ciências, que tinham por objectivo separar o joio do trigo.
Entre essas ciências, encontram-se:
1) a ciência do Mustalah Al Hadith, que é a ciência que analisa o Matin (texto) e o Isnad, por meio de leis e bases que visam a separar o hadith autêntico do falsificado;
2) a ciência do Jarh Ua Taadil, que é a ciência que faz uma análise do comportamento, do carácter e das características de cada membro de qualquer Isnad, seja para mostrar que não se pode pegar o seu hadith, por ele ser um mentiroso, ou por ele não ter boa memória, ou por ele ser uma pessoa displicente entre outras, ou para mostrar que se pode pegar o seu hadith por ser uma pessoa de confiança, de boa memória entre outras;
3) e a ciência do Tarajim Arijal, que é a ciência que analisa minuciosamente a biografia de todas as pessoas que tenham aparecido em qualquer Isnad, analisando a época em que elas viveram, os seus contemporâneos com os quais elas pudessem ter-se encontrado, entre outras.
Divisões do Hadith de Acordo Com a Aceitação ou a Rejeição do Mesmo
Vejamos agora, de maneira sucinta, as classificações dos ahadith:
A) Hadith Sahih (verídico) - é aquele cujo Isnad se encontra completo, cujos membros do Isnad sejam todos justos e precisos e que não seja chaz e nem mualal .
B) Hadith Hassan (bom) - é aquele que se encaixa em todas as condições do Sahih, com excepção da precisão; é intermediário entre o Sahih e o Daif (fraco).
C) Hadith Daif (fraco) - é aquele que não se encaixa nos critérios do Sahih, e se dividem em:
1 - Mualak - Aquele em que se encontra oculto um ou mais transmissores do início da cadeia.
2 - Murssal - Aquele em que o tabii relata directamente do Profeta, sem citar o sahabi que transmitiu o hadith.
3 - Muudal - Aquele em que se encontra a omissão de dois ou mais transmissores consecutivos.
4 - Munkatii - Aquele em que se encontra a omissão de um ou mais transmissores (sem que esse seja um sahabi), sem que no entanto sejam consecutivos.
5 - Mudalassi - O Mudalassi se divide em dois:
a ) Tad'lici al Isnad - é aquele em que um transmissor omite quem lhe transmitiu e se refere apenas à* pessoa que lhe transmitiu.
b ) Tad'lici Achuiukh - é aquele em que o transmissor se refere à pessoa que lhe transmitiu ou por um apelido, ou pelo sobrenome que é pouco conhecido.
6 - Murssal Khafi - é aquele cujo transmissor diz ou insinua ter ouvido de uma pessoa cujo encontro não é comprovado.
7 - Maudu - é aquele hadite que foi inventado.
8 - Munkar - Aquele cujo transmissor não é de confiança por errar muito, ou por ser distraído.
9 - Mualal - Aquele cujo transmissor cometeu algum erro na hora de transmitir o hadith, como por exemplo acrescentar partes imaginando que essas fazem parte do mesmo.
10 - Matruk - é aquele cujo transmissor é conhecido entre as pessoas como mentiroso, ou cujo hadith vai contra os princípios da religião.
11 - Mudrij - Aquele cujo transmissor narra determinado hadith e muda na sequência de transmissores, colocando no lugar dos que lhe transmitiram esses ahadith, outros que lhe transmitiram um outro hadith; ou que ouve uma parte do hadith de um transmissor directo e o restante do hadith de um intermediário e que omite esse intermediário na hora de transmitir o hadith; ou que relata um hadith e acrescenta parte de outro hadith, sem, no entanto, indicar que esse acréscimo não faz parte desse hadith; ou que relata um hadith sem conhecer toda a sequência de transmissores e na hora de relatar ele acrescenta pessoas de uma outra sequência de transmissores do qual ele faz parte, a fim de completar a sequência.
12 - Maklub - Aquele em que o transmissor inverte as palavras do hadith, de modo a modificar o seu significado, ou inverte o nome do transmissor, ou troca um transmissor por outro.
13 - Mazid Fi Mutassil al Isnad - Aquele em que se acrescenta um transmissor que não faz parte da cadeia.
14 - Mudtarib - Aquele cujo transmissor narra o mesmo hadith de maneiras diferentes, ou aquele em que vários transmissores narram o mesmo hadith de maneiras dife- rentes.
15 - Mubham - Aquele cujo nome de um dos transmissores não é especificado, como por exemplo: Ouvi de um pessoa de confiança, ou ouvi de meu professor, etc.
Os companheiros (sahaba) obsevaram, memorizaram e escreveram a tradição, que foi ditada ou praticada pelo próprio Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus esteja m sobre ele).
Três séculos depois da morte do Profeta Muhammad (s.a.w.), foi formada uma grande biblioteca dos ahadith, com as suas explicações, além de uma biografia feita pelos narradores desses mesmos (ahadith).
"Realmente tendes no Mensageiro de Deus um excelente exemplo a ser seguido." ? (Alcorão Sagrado, Surata "Os Partidos", versículo 21)