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Vizualizar Versão Completa : O Poeta Sábio


Tayeb
27-03-2008, 19:27
O Poeta Sábio

fonte: http://www.ziad.hpg.ig.com.br/islamismo/o_poeta_sabio.htm

No fértil vale de Tahama próximo do Mar Vermelho, vivia um rei respeitado chamado Al-Tufayel. A sua tribo, os Daws, era gente felizarda. Eles eram felizes por terem água suficiente na terra para irrigar as outras zonas e também por possuírem um bondoso chefe, e altamente inteligente. A sua porta estava constantemente aberta para todos, nunca se cansava de ouvir problemas das pessoas e tentava resolvê-los e protegia os estranhos dos inimigos. Ele ajudava os pobres, socorria os aflitos e aconselhava o desolado. Foi dito que os seus postos nunca estiveram fora do fogo e que a sua porta nunca esteve fechada ao caminhante.

Tufayel para além de ser generoso e bondoso, ele era também bom anfitrião. Ele tinha talento de compor maravilhosos poemas que recitava numa voz sonora. As pessoas à tardinha gostavam de se rodear a ele, a fim de escutarem os seus recentes poemas. Tufayel possuía poemas para todas as ocasiões.

Ele possuía poemas de amor para os recém-casados, que obrigava as pessoas a sonhar com o romance. Poemas de tristeza para a ocasião duma morte e poemas de alegria para a celebração duma vitória. Ele também compôs poemas de adoração para o ídolo favorito da tribo dos Daws, cuja imagem encontrava-se no Sagrado Kaaba em Mecca.

Não havia nada melhor para Tufayel do que a visita ao Kaaba. Ali ele encontrava-se com todos os seus amigos da cidade e negociava com eles, serviam-lhe pratos deliciosos em ocasiões auspiciosas, contavam-lhe novidades recentes e conversavam acerca da Arábia. Nestas visitas à Mecca, ele também ia à peregrinação aos favoritos ídolos da tribo sobre o qual, ele derramava dádivas aquém ele recitava longos versinhos de súplica e elogio.

Tufayel encontrava-se em processo de compor um longo poema ao seu ídolo favorito, com vista à sua próxima visita à Mecca, quando ele ouviu dum elemento que tinha pousado para refeição, uma história alarmante. O viajante abanou a sua cabeça enquanto engolia o último pedaço de carne.

Terrível ... é terrível digo-te eu, a loucura que predomina naquela cidade. Um jovem arrogante ... reivindica que foi enviado por Deus ... num espanto para Quraysh ... eles não sabem o que fazer acerca dele. Tufayel não conseguiu compreender corretamente a história do viajante. Obviamente que Quraysh encontrava-se em algum tipo de problema e foi a natureza de Tufayel que desejou apressar-se para lá e ver se ele podia ajudá-los. Acima de tudo, os Quraysh são meus amigos e se eu pudesse descobrir o que estava a acontecer, eu provavelmente poderia poderia solucionar os problemas, pensou para si próprio.

Em Mecca, numa reunião dos Quraysh, um dos comerciantes estava a falar: Eu ouvi dizer que Tufayel está a caminho de Mecca.

Vós todos sabeis que a sua palavra é estimada no vale de Tahama, e na inteira região, para esse assunto. As pessoas escutavam o que ele dizia e seguiam o seu conselho. Pois, esperamos que não caia na armadilha deste MUHAMMAD.

Nós não queremos que ele deambule à volta do Kaaba durante horas, onde ele poderá escutar os mágicos poemas e tornar-se surpreendido, como alguns estúpidos elementos nossos fizeram. Devemos falar com ele e adverti-lo desta loucura.

Idea excelente, respondeu o seu vizinho. Ele será meu hóspede nesta visita e eu cuidarei dele. Nós havemos de mostrar-lhe quem são os seus amigos, havemos de fazer com que ele se sinta bem-vindo e confortável, em seguida advertir-lhe-emos.

Quando um dos seus amigos Quraysh recebeu-me na sua casa, eu nunca acreditei que ele pudesse fazer isso. Ele serviu-me pratos de alta qualidade como, cabrito assado, doces e variedades de frutas. Ele escoltou-me para um quarto confortável e fresco com almofada de seda e candeeiros doirados.

Que ocasião especial é esta? Eu perguntei ao meu amigo.

Porque? Por causa da tua chegada a Mecca, meu Tufayel. Ele respondeu, de tudo que eu imaginei um pouco peculiar, uma vez que fui antes seu hóspede, muitíssimo bem tratado certamente, mas nunca à procura de um estilo grandioso! Naturalmente, eu comecei a racionar o que isto tudo significava, tu não podes enganar um velho inteligente como eu, sabes. Existe algo de conspiração, eu disse para mim próprio. Tinhas que estar melhor preparado.

Bom, no dia seguinte os Quraysh reuniram-se e entre as tâmaras e o leite, a sua fala apareceu para o que lhes estava perturbar ...

Tufayel, o mais velho disse, vieste à nossa cidade mesmo quando nos encontramos no seio de um enorme problema. Este homem chamado MUHAMMAD, que proclama a si próprio como Profeta, criou desordem e desunião entre os membros da nossa tribo, o pai tornou-se contra o filho, filho contra o pai, marido contra a esposa e irmão contra o irmão.

O mais velho não me quis servir um copo de vinho. Ele é uma influência perigosa e não queremos ver o acontecimento da mesma calamidade à sua tribo. Aconselhamos que te afaste dele para que não sejas influenciado pela sua magia.

Eles passaram toda a tarde com advertências, até que finalmente eu comecei a acreditar que algo de mal podia bem acontecer à minha gente e a mim próprio. Bom, para diminuir a longa história, eu prometi-lhes que havia de me abster de MUHAMMAD e não escutar uma palavra sequer do que ele disses.

Na manhã seguinte, eu acordei fresco e cedo e vi que iria ser um belo dia. Eu lavei-me e vesti o melhor trajo que tinha e levei as ofertas que a tribo tinha preparado para os ídolos. Para estar do lado seguro, eu pedi emprestado ao meu hospedeiro algum algodão para pôr nos meus ouvidos. Eu notei que ele abanou a sua cabeça em acordo com isto. Eu certamente, não queria escutar as palavras mágicas de MUHAMMAD.

Então, eu segui para o Kaaba onde cuidadosamente adornei os sagrados ídolos o poema com as ofertas e recitei para os nossos favoritos ídolos o poema que eu tinha composto, a fim de garantir que a tribo iria prosperar durante o ano seguinte.

Quando terminei a minha recitação, eu notei, não longe de mim, um homem a efetuar coisas estranhas. Primeiro ele levantava-se, cruzava as suas mãos sobre o seu peito, em seguida ele inclinava-se até os joelhos e depois prostava-se no chão como um escravo.

Eu nuca tinha visto coisa igual, então eu levantei-me e olhei para ele por algum tempo. Que linda é a sua Oração, eu pensei, e sem compreendê-la eu aproximei-me dele. Finalmente, eu consegui captar o que ele estava a dizer apesar do algodão que estava nos meus ouvidos.

Que sensação correu no meu corpo quando escutei aquelas lindas palavras! Com música dos céus! Não era nada como a minha poesia, como qualquer poesia, porque ele falou de coisas altamente maravilhosas e as suas palavras estavam cheias de compreensão e graça.

Tufayel, eu disse a mim próprio, não és parvo. Tu podes distinguir o bom do mal e se o que estava a escutar era magia ou malvadez, reconhecerás e mudarás de direção.

Pois, em vez de abandoná-lo, eu persegui-lhe fora do Kaaba e pelas ruas até à sua casa. Logo que ele entrou eu bati à porta. O que estava eu a fazer batendo a porta de um estranho, tu poderás me perguntar, e sobre quem eu fui advertido? como eu nunca na minha vida vi um homem como este! E o extraordinário sentimento que eu tinha ainda estava dentro de mim. A porta abriu-se e ele convidou-me para dentro.

Tu és o tal chamado MUHAMMAD? Eu perguntei, só para ter a certeza, ele abanou a sua cabeça e sorriu e pediu-me para que eu me sentasse.

Bom, MUHAMMAD, eu fiquei extremamente surpreendido pela tua Oração que tive que perseguir-te. Olha ! os meus amigos Quraysh estiveram toda a noite a advertir-me contra os teus versículos mágicos e contaram-me todos os problemas e desordem que tens causado em Mecca. Eu não sei se eles estavam ou não a falar a verdade, mas uma coisa é certa: Eu fiquei fascinado de estar contigo no Kaaba e em ouvir as tuas Orações, apesar do algodão que eu tinha colocado nos meus ouvidos!

Eu pensei que fosse um homem sensível ! capaz de distinguir o bom do mal, o certo do incerto, e eu digo-te que enchi-me de satisfação, fiquei inspirado quando escutei a tua voz e as minhas emoções ergueram-se quando vi os movimentos das tuas Orações.

Por conseguinte, eu acredito que o que tens a dizer, é digno de consideração e aceitação e eu gostaria de ouvir mais acerca da tua nova religião para que possa transportar a notícia à minha gente.

MUHAMMAD disse-me, que ele tinha sido nomeado como Mensageiro por Um Deus. A seguir a isso, ele recitou-me versículos de grande beleza que eu memorizei-os. Aqui está o que ele recitou:

"Surata Al-Ikhlas ( A Unicidade )

Dize: Ele é Deus, o Único !

Deus ! O Absoluto !

Jamais gerou ou foi gerado !

E ninguém é comparável a Ele ! "

" Surata Al-FalaQ ( A Alvorada )

Dize: Amparo-me no Senhor da Alvorada;

Do mal de quem por Ele foi criado.

Do mal da tenebrosa noite, quando se estende.

Do mal dos que praticam ciências ocultas.

Do mal do invejoso, quando inveja ! "

" Surata An-Nás ( Os Humanos )

Dize: Amparo-me no Senhor dos humanos,

O Rei dos humanos,

O Deus dos humanos,

Contra o mal do sussurro do malfeitor,

Que sussurra aos corações dos humanos,

Entre gênios e humanos ! "

Tu podes perfeitamente compreender que, este não é nenhum poema vulgar composto por um poeta qualquer como eu. Bom, eu não pude suportar mais. Os meus olhos encheram-se de lágrimas quando ouvi isso e dirigi-me a ele e mendiguei para que ele me convertesse para a sua religião e assim ele fez conforme lhe pedi.

" Não existe nenhum Deus além de Allah, eu recitei depois dele e MUHAMMAD é o Seu Mensageiro."

Foi assim meus amigos, como me tornei Muçulmano naquela linda manhã em Mecca.

Podem realmente ver, que eu agora não podia regressar aos meus amigos Quraysh ! O Abençoado Profeta, certamente que percebeu isso e convidou-me para que eu ficasse com os seus Companheiros que apesar da pesada pobreza deles e o fato de que eles nunca me tinham visto antes, receberam-me triunfalmente com os braços abertos, como um dos seus irmãos. Durante aqueles dias em Mecca, eu aprendi o que pude acerca do Islam e memorizei várias Suratas.

Que estranho, eu pensei, que toda a minha vida passei a compor poemas e versos que foram então memorizados por outros e hoje sou eu, um velho poeta que está a decorar versículos muito mais significativos dum jovem.

Numa manhã, eu disse ao Abençoado Profeta: Agora é altura de eu regressar à minha gente, porque eles certamente que devem estar preocupados com a minha longa ausência. Espero que, com a ajuda de Allah eu seja capaz de os convencer todos para o Islam. Mas Sabes, eu acrescentei confidencialmente, mesmo que eu seja o líder deles, eles inicialmente não me acreditarão, poderão pensar que eu sou louco por ter abençoado os deuses dos meus antepassados e por ter mudado a minha forma de adoração. Ó Profeta podes suplicar para que Allah me ajude na minha tarefa?

O Abençoado Profeta aceitou e despediu-se de mim. Eu em troca agradeci a ele e seus Companheiros pela sua extraordinária hospitalidade e iniciei a minha viagem para o vale de Tahama.

Eu ainda não tinha chegado ao Mar Vermelho, quando aconteceu-me uma coisa estranha. Uma luz começou a focar a minha testa, para qualquer direção que eu virava para me indicar o caminho. Isso deve ser o sinal do Allah, eu disse a mim próprio. O que a minha gente dirá quando me verem com esta luz brilhante! Como eu conheço, eles dirão com certeza que, é algum tipo de maldição posta sobre mim pelos Makitas por ter abandonado a minha forma de adoração. Eles nunca estarão dispostos em aproximar-me para escutarem o que tenho a dizer !.

E portanto pedi a Allah: Ó Allah, por favor faça com que esta luz brilhe do outro lado em vez da minha face. Logo que eu abri os meus olhos, eu notei que o meu chicote que encontrava-se na sela do meu cavalo, estava a brilhar com uma luz leve. Sabes que o chicote é um símbolo de liderança, pois, eu agradeci a Allah com todo o meu coração, por ter colocado a luz onde a minha gente compreenderá o seu significado.

Assim continuei a viagem, passei os afluentes do Mar Vermelho para o vale de Tahama. Como é de costume, algumas pessoas do vale que me tinham visto a vir, correram para informar os membros da minha família que sempre gostaram de vir cumprimentar-me no meu regresso de Mecca, eles estavam sempre ansiosos de ouvir acerca das minhas aventuras, minha peregrinação e o risco comercial que eu empreendia para eles.

Meu pai foi o primeiro a cumprimentar-me. Mas desta vez, vi lhe numa luz diferente. Ele não era mais o homem aquém eu voltava-me para conselho, mas um homem que necessitava de orientaçao.

Favor de me não aproximar, pai, eu disse. Nós já não temos o parentesco que tínhamos antes. Eu já nuca mais acredito nas imagens de pedra dos nossos antepassados, porque tornei-me Muçulmano, que significa que eu agora acredito num só Deus e que o Abençoado Profeta MUHAMMAD, é o Seu Mensageiro.

Porquê, meu filho, ele respondeu, se assim é, então eu satisfatoriamente sigo a tua nova religião. Eu vim confiar no teu bom julgamento.

Eu nunca esperei essa resposta tua, pois, podes imaginar a minha satisfação em ouvir estas palavras. Então, pai, vá tomar banho e lavar o seu corpo. Depois venha limpo e bem vestido e eu ensinar-te-ei tudo o que sei do Islam e adoraremos juntos.

A tarefa a seguir que eu tinha perante mim, era mais difícil.Eu tinha que contar à minha esposa acerca da minha nova religião e ela teria que concordar em seguir o mesmo caminho. Novamente foi o mesmo espanto e satisfação, ela prometeu que iria seguir comigo o Único Deus e os passos do Abençoado Profeta, MUHAMMAD.

Isso ela fez prontamente, mas quando lhe pedi para que fosse purificar no ribeiro de Al-Shara, foi um assunto diferente! Sabes que Al-Ahara foi o ídolo da nossa tribo e a sua água é considerada sagrada, não deve ser tocada pelo homem ou animal e certamente, não para ser banhada nela! Assim, ela encolheu-se de medo das minhas palavras.

Caro marido, disse ela, sabes que tal coisa é expressamente proibida pelo nosso ídolo! Pense na terrível vingança que ela irá levar a cabo sobre nós e nossos filhos!

Disparate, eu chorei brandindo o meu chicote com a luz estranha. Pensas que uma estátua pode causar dano a um ser humano?

A face da minha esposa revelou um grande alívio ... ela nunca compreendeu que o ídolo nunca podia andar nem falar e por conseguinte, era mais baixo do que ela!

Assim, ela dirigiu-se ao ribeiro e voltou decentemente trajada e a cheirar um belo perfume, após o que ela livremente abraçou o Islam.

Bom, meus amigos, as coisas não correram facilmente com o resto da minha gente. Alguns prontificaram-se em abraçar o Islam, mas a maioria não queria nada com a minha nova fé. Eu brandi o meu chicote e ameacei-os, mas eles estavam mais assustados da vingança do ídolo do que as minhas palavras. O meu coração estava pesado da próxima vez que eu desloquei-me à Mecca, eu tive que confessar ao Abençoado Profeta que não fui bem sucedido.

E além disso, eu contei-lhe que eles não só rejeitaram a verdade, como também continuaram com seus modos antigos, pecadores e desobedientes. Ó Mensageiro de Allah, favor me ajudar!

Sem proferir uma palavra sequer, o Abençoado Profeta levantou-se, efetuou a ablução e rezou silenciosamente, em seguida, ergueu as suas mãos para o céu.

Que assustado eu estava naquele momento! Eu tinha a máxima certeza de que ele podia mandar derramar maldição sobre a minha gente e como resultado, eles podiam ser horrivelmente destruídos.

Meu coração afundou dentro de mim e eu chorei: Ó meu povo! Ó meu povo!

Em seguida, eu escutei a voz do Abençoado Profeta que estava a orar: " Ó Allah! Conceda orientação aos Daws! Conceda orientação aos Daws! Conceda orientação aos Daws! "

Como eu me vi como alívio e gratidão. O Abençoado Profeta em seguida virou-se para mim e disse: " Regresse à sua gente. Viva com eles naturalmente e seja bondoso para eles e sempre recorda-lhes do Islam."

Seja bondoso para eles quando falares do Islam! Bom! Eu nunca tinha pensado em fazer isso. Eu estava tão cheio de meu propósito e tão ansioso de salvá-los do Inferno, que tudo o que pude fazer foi em vão. Mas pareceu-me que era melhor ser paciente e bondoso, portanto, foi isso o que tentei fazer. Eu levei, a cabo o conselho do Abençoado Profeta o melhor possível e certamente que revelou um extraordinário efeito!

Após a guerra da vala, eu fui novamente ao encontro do Abençoado Profeta em Medina, desta vez, acompanhado por oitenta famílias dos Daws que tinham abraçado o Islam e eram todos bons Muçulmanos. A minha recompensa foi de observar o sorriso do Abençoado Profeta quando ele cumprimentava e dava boas vindas a eles para Medina.

"Meus caros amigos, esta é a história de como eu vim a descobrir o Islam e como a minha tribo apesar de alguma resistência, se juntou a mim na adoração de Um Deus."

Peregrino
28-03-2008, 12:20
Possamos ser o exemplo para os que repudiam o Islão.

tofu
28-03-2008, 13:23
Possamos ser o exemplo para os que repudiam o Islão.

Salams.

Exactamente :D .

Muito interessante a história.

Salams. Jumah Mubarak