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Sadika
13-01-2004, 18:53
Salaams,

Como se diz a verdade como o azeite vêm sempre ao de cima.

8)

Bush planejava invadir o Iraque antes do 11/9, diz ex-secretário

10 Jan 2004 21:08

NOVA YORK (Reuters) - O ex-secretário norte-americano do Tesouro Paul O'Neill acusou, em depoimento a um livro, o presidente George W. Bush de já ter chegado ao poder, em janeiro de 2001, com a intenção de invadir o Iraque.

O'Neill, demitido em dezembro de 2002 dentro de uma reforma na equipe econômica, é a primeira pessoa que fez parte do alto escalão do governo Bush a lançar um ataque contra o presidente.

Ele disse que, nas reuniões do gabinete, Bush se comporta como "um cego em uma sala cheia de surdos," segundo trechos de uma entrevista à CBS para promover o livro "The Price of Loyalty" ("o preço da lealdade"), do jornalista Ron Suskind, ex-repórter do Wall Street Journal.

Para ir à guerra, Bush argumentou que o Iraque tinha armas de destruição em massa e que o regime de Saddam Hussein deveria ser contido no mundo pós 11 de Setembro. As armas nunca foram encontradas.

"Desde o começo, havia a convicção de que Saddam Hussein era uma má pessoa e precisava sair," disse O'Neill ao programa 60 Minutes, que vai ao ar no domingo. "Para mim, a noção de prevenção, de que os EUA têm o direito unilateral de fazer o que decidir, é realmente um salto grande."

O ex-secretário e outras fontes ligadas à Casa Branca forneceram a Suskind documentos que mostram que no primeiro trimestre de 2001 o governo Bush já examinava opções militares para derrubar Saddam, segundo a CBS. "Há memorandos," afirmou Suskind ao canal. "Um deles, marcado como 'secreto', se chama 'Plano para o Iraque Pós-Saddam'."

Outro documento do Pentágono, chamado "Candidatos estrangeiros aos contratos de campos de petróleo iraquianos," fala sobre empresas de 40 países que estariam interessadas no Iraque, segundo o autor.

O'Neill também diz no livro que o presidente estava determinado a encontrar uma razão para entrar em guerra e que ele ficou surpreso com o fato de ninguém no Conselho de Segurança Nacional ter perguntado por que o Iraque deveria ser invadido.

"Só se tratava de encontrar uma forma [de começar a guerra]. Esse era o tom. O presidente dizendo: 'Achem um jeito de fazer isso'."

Scott McClellan, porta-voz da Casa Branca, repudiou os comentários de O'Neill. "Apreciamos seu serviço. Embora nossa função não seja resenhar livros, parece que o mundo, segundo o sr. O'Neill, está mais tentando justificar suas opiniões do que olhando os resultados que estamos alcançando em nome do povo norte-americano", afirmou.

O'Neill disse também que o presidente não lhe fez uma única pergunta durante a primeira audiência particular entre eles, que durou uma hora. Essa falta de diálogo deixa os assessores "com pouco mais do que pressentimentos a respeito de o que o presidente pode pensar," disse O'Neill ao 60 Minutes.

O livro de Suskind, cujo subtítulo é "George W. Bush, a Casa Branca e a Educação de Paul O'Neill," usa entrevistas com o ex-secretário e com dezenas de fontes ligadas à Casa Branca, além de 19 mil páginas de documentos fornecidos por O'Neill.