Salahudeen
04-01-2004, 16:29
O Afeganistão de que se fala não é o dos Talibãs. Este Afeganistão que "ameaça a paz e a segurança" e pode transformar-se num "Estado de narco-terroristas" é o Afeganistão que emergiu da "vitoriosa" guerra dos EUA "contra o terrorismo" e que se encontra hoje sob a ocupação "ocidental". Logo após a chegada ao poder dos talibãs, os níveis de produção cresceram. "Mas em Setembro de 1999 os talibãs emitiram um decreto ordenando a todos os camponeses cultivadores de papoulas para reduzirem a área de produção em um terço. [...] No ano seguinte os talibãs foram mais longe. Em Julho de 2000, o mulá Mohammad Omar, o seu dirigente, impôs uma proibição total ao cultivo da papoula. [...] A área cultivada diminuiu, de mais de 80 mil hectares para menos de 8 mil. A produção de ópio em bruto caiu do seu auge de 4 600 toneladas em 1999 para apenas 200 toneladas". Logo após o maior êxito jamais alcançado no combate à droga (com a quebra em mais de 95% da produção no país responsável por 75% da produção mundial de ópio) os EUA lançam a guerra, ocupam o Afeganistão, trazem de volta os mujahedines e os 75% da produção mundial.
A história não é inédita. Durante as suas guerras no Sudeste Asiático, nos anos 60 e 70, os EUA organizaram exércitos mercenários contra-revolucionários com base no financiamento proveniente do tráfico de droga. O cenário repetiu-se na Nicarágua nos anos 80 e no Kosovo nos anos 90. Para além das "vantagens" políticas no terreno, há as sempre-presentes vantagens financeiras: "o tráfico de drogas ilegais movimenta cerca de 400 mil milhões de dólares por ano ? cerca de 8% do comércio mundial e mais do que o comércio em ferro, ou em aço, ou em veículos automóveis" (Financial Times, 26.6.1998). Deste tráfico sai a lavagem de dinheiro, que vai parar ao mui respeitável "sistema financeiro internacional".
Entretanto, o "mais bem sucedido" combate ao tráfico de droga nos países fronteiriços do Afeganistão é o do Irão, "que o ano passado apanhou 200 toneladas de ópio", tendo "mais de 3000 soldados [desse país] sido mortos por traficantes" (editorial do Financial Times, 28.02.00). Será o Irão a próxima vítima dos EUA?
2003-10-31
AFEGANISTÃO ? O REINO DA DROGA
O Relatório Anual do Ópio de Afeganistão do Departamento da ONU sobre Droga e Crime foi apresentado em Moscovo na quarta-feira pelo Diretor Executivo deste organismo, António Maria Costa.
O relatório deixa claro que os barões de droga no Afeganistão estão de volta após a queda do regime dos Talibã e a incapacidade do governo de Karzai de estabelecer sua influência fora das grandes cidades.
António Maria Costa ligou a produção de droga com duas vertentes ? a desestabilização do país e o crescimento de terrorismo internacional. No relatório, declara que 2003 viu um aumento da produção de ópio e que o Afeganistão produz 75% da produção mundial desta substância.
Ópio, que é transformado em heroína, tem sido um flagelo nas cidades russas após o fim da União Soviética. Viktor Cherkesov, Presidente da Comissão Estatal sobre o Controlo de Drogas, declarou numa conferência de imprensa em Moscovo também na quarta-feira que 96% da heroína apanhada pelas autoridades provém do Afeganistão, entrando na Federação Russa através de Tajiquistão, Uzbequistão, Quirguistão, Turquemenistão e Cazaquistão. Cherkesov declarou ainda que ?praticamente todas as drogas concentradas, como cocaína, heroína e amfetaminas são transportadas para o nosso país, provenientes de países estrangeiros?.
Desde o final da União Soviética, o número de toxico-dependentes tem aumentado por 10 vezes, o número de crimes relacionados com drogas por 15 vezes e a exposição da população a drogas, 80 vezes.
A Comissão de Cherkesov está a investigar maneiras de melhorar a legislação no sentido de ganhar mais eficácia no combate a esse flagelo.
Ivan PODGORNY
PRAVDA.Ru
Ópio gera metade da riqueza no Afeganistão, diz FMI
As receitas provenientes do tráfico de ópio representam cerca de metade de toda a riqueza produzida pela economia afegã, indica esta segunda-feira o Fundo Monetário Internacional (FMI) no primeiro relatório sobre o Afeganistão desde 1991.
«O sector do ópio tem um forte impacto sobre a economia e pode representar facilmente perto de metade do PIB», sublinha o FMI. A produção de ópio no Afeganistão ascendeu a 3.600 toneladas este ano, mais 200 toneladas que em 2002, segundo os dados da ONU.
http://www.vermelho.org.br/diario/2003/1120/1120_ira-eua.asp
A história não é inédita. Durante as suas guerras no Sudeste Asiático, nos anos 60 e 70, os EUA organizaram exércitos mercenários contra-revolucionários com base no financiamento proveniente do tráfico de droga. O cenário repetiu-se na Nicarágua nos anos 80 e no Kosovo nos anos 90. Para além das "vantagens" políticas no terreno, há as sempre-presentes vantagens financeiras: "o tráfico de drogas ilegais movimenta cerca de 400 mil milhões de dólares por ano ? cerca de 8% do comércio mundial e mais do que o comércio em ferro, ou em aço, ou em veículos automóveis" (Financial Times, 26.6.1998). Deste tráfico sai a lavagem de dinheiro, que vai parar ao mui respeitável "sistema financeiro internacional".
Entretanto, o "mais bem sucedido" combate ao tráfico de droga nos países fronteiriços do Afeganistão é o do Irão, "que o ano passado apanhou 200 toneladas de ópio", tendo "mais de 3000 soldados [desse país] sido mortos por traficantes" (editorial do Financial Times, 28.02.00). Será o Irão a próxima vítima dos EUA?
2003-10-31
AFEGANISTÃO ? O REINO DA DROGA
O Relatório Anual do Ópio de Afeganistão do Departamento da ONU sobre Droga e Crime foi apresentado em Moscovo na quarta-feira pelo Diretor Executivo deste organismo, António Maria Costa.
O relatório deixa claro que os barões de droga no Afeganistão estão de volta após a queda do regime dos Talibã e a incapacidade do governo de Karzai de estabelecer sua influência fora das grandes cidades.
António Maria Costa ligou a produção de droga com duas vertentes ? a desestabilização do país e o crescimento de terrorismo internacional. No relatório, declara que 2003 viu um aumento da produção de ópio e que o Afeganistão produz 75% da produção mundial desta substância.
Ópio, que é transformado em heroína, tem sido um flagelo nas cidades russas após o fim da União Soviética. Viktor Cherkesov, Presidente da Comissão Estatal sobre o Controlo de Drogas, declarou numa conferência de imprensa em Moscovo também na quarta-feira que 96% da heroína apanhada pelas autoridades provém do Afeganistão, entrando na Federação Russa através de Tajiquistão, Uzbequistão, Quirguistão, Turquemenistão e Cazaquistão. Cherkesov declarou ainda que ?praticamente todas as drogas concentradas, como cocaína, heroína e amfetaminas são transportadas para o nosso país, provenientes de países estrangeiros?.
Desde o final da União Soviética, o número de toxico-dependentes tem aumentado por 10 vezes, o número de crimes relacionados com drogas por 15 vezes e a exposição da população a drogas, 80 vezes.
A Comissão de Cherkesov está a investigar maneiras de melhorar a legislação no sentido de ganhar mais eficácia no combate a esse flagelo.
Ivan PODGORNY
PRAVDA.Ru
Ópio gera metade da riqueza no Afeganistão, diz FMI
As receitas provenientes do tráfico de ópio representam cerca de metade de toda a riqueza produzida pela economia afegã, indica esta segunda-feira o Fundo Monetário Internacional (FMI) no primeiro relatório sobre o Afeganistão desde 1991.
«O sector do ópio tem um forte impacto sobre a economia e pode representar facilmente perto de metade do PIB», sublinha o FMI. A produção de ópio no Afeganistão ascendeu a 3.600 toneladas este ano, mais 200 toneladas que em 2002, segundo os dados da ONU.
http://www.vermelho.org.br/diario/2003/1120/1120_ira-eua.asp