Jamal Harfoush
10-11-2003, 05:57
A Religião e a Vida
O Pensamento Prudente é o Caminho Que Ilumina o Homem
Perguntou o homem a si próprio quem o criou?
Pensou ele em quem o criou, ou ele é auto-criador?
Se for impossível ao homem auto-criar-se, porque é inconcebível que seja criador e criado ao mesmo tempo, quem então o criou e o aperfeiçoou?
Perguntou o homem a si próprio por que foi criado?
Qual é a sua verdadeira missão nesta vida?
Foi ele criado para apenas se alimentar e desfrutar dos prazeres desta vida, ou a alimentação e o prazer são meios que o conservam até um término prefixado, e sua missão é mais importante do que isto?
Seria a missão do homem educar seus filhos, dar-lhes instrução e garantir-lhes o futuro, acumulando a maior quantidade de riquezas materiais?
Seria este o seu dever e parte de sua missão?
Se a sua missão for mais ampla do que isso, qual seria?
Pensou o homem no encerramento de seu papel nesta vida?
Ou os prazeres da vida constituem urna barreira entre ele o pensamento a respeito de seu fim?
Se a morte é uma verdade imutável, reconhecida por todos, quer sejam crentes ou descrentes, perguntou, acaso, o homem a si próprio qual seria o seu destino após a morte?
Haveria outra vida além desta?
Ou a vida do homem se encerra após a morte?
Teria o homem sido criado, em vão?
Se não for esse o caso, qual é a sua posição quanto a outra vida?
Haveria na outra vida prestação de contas?
Qual seria o destino do homem quanto a isto?
Seria a religião necessária ao homem nesta vida?
Se for necessária qual e a verdadeira religião?
Além dessas perguntas, há muitas outras que coexistem com o homem durante o transcorrer de sua vida e que indubitavelmente deverá o homem nelas pensar, pois o pensamento circunspeto, correto e isento de paixões, ambientes e imitações conduzirá o homem à verdade.
O homem, apesar de ser um animal, tem a faculdade da fala; e a fala correta e sã é sinal de sabedoria que, por sua vez, nada mais é do que uma conseqüência do pensamento. Assim sendo, o raciocínio é indispensável para que o homem possa conservar sua hombridade. Malgrado o homem seja criado de barro ou de sutil sêmen, seu espírito provém de Deus. Deus diz:
"Que aperfeiçoou tudo que criou e iniciou a criação do primeiro homem de barro; então, formou-lhe a prole de essência; depois o modelou; então, alentou-o de Seu Espírito. Dotou-vos da audição, da visão e do coração. Quão pouco Lhe agradeceis!"
(Alcorão Sagrado, 32ª Surata, versículos 7-9).
Com esta dádiva divina, o homem consegue alcançar as alturas ou as profundezas, se o pensamento for estagnado ou desviado para o abismo e a perdição.
O homem, pois, não é um corpo sólido, vegetal ou animal irracional; é uma criatura responsável, por ter sido o único a aceitar o Encargo. Disse Deus:
"Por certo que apresentamos o encargo aos céus, à terra e às montanhas, que se recusaram e temeram recebê-la; porém, o homem se encarregou disso, mas provou ser um tirano e um insipiente"
(Alcorão Sagrado, 33ª Surata, versículo 72).
Tendo em vista o peso e a magnitude deste Encargo, o homem deve pensar prolongadamente em si mesmo e naquilo que o cerca, nos céus e na magnitude de sua criação, naquele que deu origem ao movimento dos planetas e astros, naquele que fez do sol uma lâmpada e da lua uma reflexão da luz, na terra constituída de mares, rios, plantas e frutos, nas montanhas, nas colinas e nos vales, na noite e no dia, no vento que sopra e no frio que congela, na brisa suave, enfim em tudo que seja alvo de nossa visão e audição, de nosso olfato ou tato e sabor.
Se o pensamento circunspeto, correto, organizado e isento de fanatismo, paixões, ambientes e tradições constitui, sem dúvida, o caminho correto para se conhecer a verdade sobre aquilo que indagamos, que é o início da iluminação do homem nesta vida, o homem não pode negar nada a si nem à vida real que deve viver com o mínimo de raciocínio. Disse Deus:
"Dize: Poderão equiparar-se o cego e o que vê? Não meditais?"
(Alcorão Sagrado, 6ª Surata, versículo 50).
Não ternos a pretensão de impor a qualquer pessoa um certo raciocínio ou um dogma correto de que ele necessita, mas queremos com isto fazer o homem pensar um pouco, seja individualmente ou em companhia de outro. Disse Deus:
"Dize-lhes: Exorto-vos a uma só coisa: que vos consagreis a Deus, em pares ou individualmente, isso para que não penseis que vosso companheiro é um energúmeno. Ele não é senão vosso admoestador, que vos adverte face a um terrível castigo."
(Alcorão Sagrado, 34ª Surata, versículo 46).
O que nos fez incentivar o homem a pensar em tudo aquilo que apresentamos é a fraternidade, pois nada queremos de ninguém além de convocarmos as pessoas a se julgarem, após raciocinarem em si e que cada um escolha o caminho a seguir.
A Imperiosidade Da Auto-Existência De Deus
Se o homem pensar em si ou em tudo que o rodeia, percebe que tudo é mutável. O sol, ao amanhecer, é inconstante, pois começa a declinar ao meio-dia, transformando-se em ocaso ao anoitecer. A lua, além de seu novilúnio e seu minguamento, muda a sua forma para o cômputo do tempo.
O dia não conserva a sua luminosidade, e a noite não conserva as suas trevas, um sucede ao outro alternadamente. O vento, por sua vez, ora é uma brisa, ora é um tufão; ora é frio, ora é quente.
No mesmo dia vemos o céu límpido, com a temperatura amena; repentinamente, a chuva começa a cair, o frio aumenta, formando uma tempestade formidável.
A árvore frutífera provém de uma semente; a chuva que caí do céu era vapor d'água e então nuvens. O próprio ser humano, de embrião transforma-se em criança, então em adulto, então em ancião.
Tudo se transforma, e tudo tem um fim. E se esse Universo é mutável é porque existe, pois a mutabilidade indica a existência; e se o Universo existe ou foi criado, deve ter um Criador.
É inconcebível admitirmos que o papel sobre o qual escrevemos, o lápis com o qual escrevemos, que o relógio que consultamos para conhecermos a hora, e outras coisas que utilizamos, sejam pequenas ou grandes, tenham um criador, e que todo esse Universo, com tudo que possui de maravilhas e perfeições, de organização precisa, não tenha um criador.
Quem, pois, criou a terra?
Quem a submeteu e a preparou para o homem, para a vida animal e vegetal?
Quem fixou as montanhas?
Quem criou o homem e o aperfeiçoou?
Quem fez do sol uma lâmpada e da lua uma luz refletora?
Quem faz a água descer do céu?
Quem faz as plantas germinarem?
Se o homem considerar que o lápis, com o qual ele escreve, na sua minusculosidade, tem um criador, e este Universo, com toda a sua magnitude e perfeição, não o tenha, então ele está, desprezando a si próprio.
O que temos a dizer é que uma coisa ou é "auto-existente", não havendo inicio para a sua existência, ou "passível de existir", necessitando de alguém que a faça existir, ou "inexistente", impossível de existir. O Universo que vemos não pode ser "inexistente", pela lógica da visão, nem é "auto-existente", porque se assim fosse, ele se auto-criaria, ou seja, não teria criador.
Nenhum ser racional pode afirmar que a terra, por exemplo, que é uma minúscula parte deste Universo, é auto-criadora, e que se colocou nesta perfeição, com a distância exata do sol e da lua.
Se o Universo é mutável, como dissemos antes, e o auto-existente é imutável, logo o Universo não é "auto-existente".
Portanto, se o Universo não é auto- existente nem inexistente, então é passível de existir. E se é passível de existir, deve ter um criador, que o criou do nada.
Este criador não pode ser " passível de existir" senão ele próprio teria de ter um criador. Nem pode ser inexistente, porque o inexistente não pode criar o que existe. Portanto, deve ser auto-existente. E é Deus, Glorificado e Exaltado seja! Diz Deus:
"Deus é a Luz dos céus e da terra. O exemplo de Sua Luz é como o de um nicho em que há uma candeia; esta está num recipiente; e este é corno uma estrela brilhante, alimentada pelo azeite de uma árvore bendita, a oliveira que não é oriental nem ocidental, cujo azeite brilha, ainda que não lhe toque o fogo. É luz sobre luz! Deus conduz até Sua Luz a quem Lhe apraz. Deus exemplifica aos humanos, porque é Onisciente. (Semelhante luz brilha) nos templos que Deus tem consentido sejam erigidos, para que neles seja celebrado o Seu nome e neles O glorifiquem de manhã e à tarde, por homens a quem os negócios não desviam da recordação de Deus, nem da observância da oração, nem do pagamento do tributo. Temem o dia em que os corações e os olhos se transformem."
(Alcorão Sagrado, 24ª Surata, versículos 35-37).
E diz:
"Nós vos criamos. Por que, pois, não credes (na Ressurreição)? Haveis reparado, acaso, no que ejaculais? Por acaso, criais vós isso ou somos Nós o Criador?"
(Alcorão Sagrado, 56ª Surata, versículos 57-59).
E diz:
"Haveis reparado, acaso, no que lavrais? Porventura, sois vós os que fazeis germinar ou somos Nós o Germinador?"
(Alcorão Sagrado, 56ª Surata, versículos 63-64).
E diz:
"Haveis reparado, acaso, na água que bebeis? Sois vós, ou somente somos Nós quem a faz descer das nuvens?''
(Alcorão Sagrado, 56ª Surata, versículos 68-69).
Deus é Único e Não Possui Semelhantes
Um dos fatores que levaram o homem à perdição e o desviaram do caminho da iluminação é a alegação de que Deus Possui semelhantes.
No entanto, se o homem racional pensar um pouco, por alguns minutos, terá a convicção de que esta alegação é falsa e frustrante.
As razões da falsidade dessa alegação são muitas, dentre as quais podemos citar as seguintes como exemplo:
Primeiro: As questões de haver semelhantes determinaria a inexistência da própria divindade, Pois não é possível imaginar que o Auto-Existente, ou seja, Deus, Quem criou tudo com perfeição e minuciosidade tenha um semelhante. Se o tivesse para criar este universo e o controlar, não seria Auto-Existente.
Segundo: Suponhamos, como alegam os ateus, que existem dois deuses ou mais. Se os dois tivessem determinado criar o mundo, não se poderia realizar a existência, pois uma mente não poderia imaginar que duas forças se unissem para a criação de uma só coisa.
Entretanto, tendo em vista que o mundo existe como podemos ver, aquele que o criou é um Deus único que, por sua vez, não possui semelhantes.
Pois se os dois tivessem uma divergência, de modo que um quisesse criar o mundo e o outro rejeitasse, aquele que não quisesse criar o mundo não poderia ter o nome de Deus pelo fato de ser incapaz, devido ao fato de o mundo existir, e, aquele que quisesse criar o mundo é o Deus.
Os possuidores de mentes iluminadas estão convictos de que tanto uma empresa, uma aeronave ou um estado só podem ter desempenhos positivos se colocados sob um só comando. Portanto, comandaria mais que um Deus este mundo tão organizado, preciso e magnífico?
O Alcorão ilustra bem isso, pois Deus diz:
"Se houvesse em ambos (os céus e a terra) outras divindades além de Deus, (os céus e a terra) já se teriam desordenado. Glorificado seja Deus, Senhor do Trono, de tudo quanto lhe atribuem."
(Alcorão Sagrado, 21ª Surata, versículo 22).
Em sua exegese, Almaraghi diz: "O monoteísmo é comprovado pelo argumento racional, e nega a existência de semelhantes a Deus".
E diz: "Se houvesse em ambos (os céus e a terra) outras divindades além de Deus, já se teriam desordenado".
Ou seja, se houvesse nos céus e na terra outra divindade além de Deus haveria o caos e pereceriam todos os que neles se encontrassem, porque se existissem dois deuses, ou eles entrariam em acordo, ou divergiriam entre si, quanto ao comando do Universo.
A primeira alternativa é falsa, pois se um deles quisesse a criação e o outro não, este seria incapaz, e um deus não poderia assim ser.
A segunda alternativa é também falsa, pois se os dois elaborassem juntos a criação isto consistiria no fato de dois criadores manifestarem sua criação em uma só criatura. Logo, tendo em vista de que aquele que gera os céus e a terra só pode ser um só Deus, Este não pode ser senão Deus. Disse Deus:
"Deus não teve filho algum nem jamais nenhum outro deus compartilhou com Ele a divindade! Porque se assim fosse, cada deus teria se apropriado de sua criação e teriam prevalecido uns sobre outros. Glorificado seja Deus de quanto Lhe atribuem!''
(Alcorão Sagrado, 23ª Surata, versículo 91)
lbn Al Kacir diz:
"Se fosse possível haver politeísmo, cada deus se isolaria com aquilo que criou. Assim, não se poderia organizar a criação. Entretanto, observa-se que a existência é regular e está em harmonia, quer com o mundo superior, quer com o inferior que, por sua vez, estão interligados com a máxima perfeição. Por outro lado, cada um dos deuses desejaria a derrota do outro, tornando-se, assim, superior ao outro. Há aqueles que constataram isto com a prova;
"Não acharás imperfeição alguma na criação do Clemente" (67ª Surata, versículo 3), isto é, supondo-se dois elaboradores ou mais, onde um deles quisesse a movimentação de um determinado corpo, e o outro quisesse mantê-lo em repouso, estes seriam incapazes se suas vontades não fossem satisfeitas. Assim sendo, o "Auto-Existente" não é incapaz, além de que é impossível o encontro de duas vontades contrárias e isto vem para provar a falsidade do politeísmo. Se a vontade de um for satisfeita e a do outro não, o vencedor seria o auto-existente, enquanto o outro seria o pois não caberia ao auto-existente o adjetivo vencido de fato, Por isso Deus diz: "... teriam prevalecido uns sobre outros. Glorificado seja Deus de quanto Lhe atribuem!''
(Exegese do Alcorão, Volume 3, pág. 254)
Terceiro: A alegação da existência dos semelhantes pelos politeístas, os quais dizem serem estes semelhantes criaturas de Deus; se assim for, estes parceiros não têm a capacidade de constituir benefícios ou prejuízos para si nem para terceiros.
Logo, como poderia o homem neutralizar a sua mente, alegando a existência de outros deuses humanos ou não?
Estes semelhantes, se forem humanos, não se diferenciariam do homem em nada, pois, se assim forem, alimentar-se-iam, adoeceriam e morreriam, tudo isto em igualdade corri todos os seres humanos. Seriam servos de Deus, como o são os homens. Portanto, não estariam os politeístas dando a estes deuses características incompatíveis com eles (alegando seu teísmo)?
Ou melhor, não estariam eles igualando entre terra e ouro, entre água e fogo?
Por outro lado, admitimos a hipótese destes semelhantes serem animais, tais como vaca, cabrito, etc..., animais estes sagrados para o homem e considerados, por este, semelhantes a Deus. Na verdade, estes animais são os menos influentes na criação, como se constata.
Além disto, eles são exemplo de ignorância, fraqueza e incapacidade. Logo, poderia ser possível que estes animais tenham capacidade e aptidão para a criação do universo? Não estaria o homem gozando-se a si mesmo ao neutralizar a sua mente, acreditando que tais animais são sagrados, que ocupam posições de comando neste universo e que são semelhantes a Deus?
E se estes semelhantes assumirem outra natureza, tais como o sol, a lua e os planetas?
Estes seriam objetos de ironia por parte do homem e, conseqüentemente, não poderiam ser semelhantes a Deus. Portanto, como se pode igualar Deus a um semelhante que não tenha consciência do que sente e faz?
Quarto: As alegações desses semelhantes perante o pensamento correto. Na verdade,, tais semelhantes e politeístas, quer tenham a faculdade da fala ou não, não têm o direito de alegar que criaram a terra com suas criaturas, o céu e aquilo que nele existe, ou o sol e a lua, ou a noite aconchegante e o dia, ou a água e o ar, ou o homem, os animais e as coisas, ou terem a faculdade de comandar este Universo. Diz Deus:
"E se lhes perguntas: Quem criou os céus e a terra e submeteu o sol e a lua? Eles respondem: Deus! Então, porque se retraem?"
(Alcorão Sagrado, 29ª Surata, versículo 61).
E diz:
"E se lhes perguntas: Quem faz descer a água do céu e com ela vivi- fica a terra depois de haver sido árida? Respondem-te: Deus! Dize: Louvado seja Deus! Porém a maioria é insensata."
(Alcorão Sagrado, 29ª Surata, versículo 63).
E diz ainda:
"E se lhes perguntares quem criou os céus e a terra, seguramente te responderão: Deus! Dize-lhes: Tereis reparado nos que invocais em vez de Deus? Se Deus quisesse prejudicar-me, poderiam, acaso, impedí-Lo? Ou então, se Ele quisesse favorecer-me com alguma graça, poderiam eles privar-me dela? Dize-lhes mais: Deus me basta! A Ele se encomendam aqueles que confiam."
(Alcorão Sagrado, 39ª Surata, versículo 38).
Se os próprios alegados semelhantes negam a criação de qualquer coisa neste universo, por sua incapacidade e fraqueza, como podem ser tomados como semelhantes a Deus?
Diz Deus, revelando a incapacidade dos semelhantes e a insipiência dos politeístas:
"Ó humanos, eis um exemplo; escutai-o, pois: Aqueles que invocais, em vez de Deus, jamais poderiam criar uma mosca; ainda que, para isso, se juntassem todos. E se a mosca lhes arrebatasse algo, não poderiam resgatá-lo, porque tanto o solicitador como o solicitado, são impotentes."
(Alcorão Sagrado, 22ª Surata, versículo 73)
A Missão Do Homem Nesta Vida
Teria o homem uma missão nesta vida, por causa da qual foi criado e de acordo com a qual deve agir para cumpri-la, ou teria ele sido criado sem nenhuma missão na face da terra?
Possuiria tudo que existe na face da terra uma missão, ou somente o homem a possui?
Será que todas as criaturas cumprem com as missões que lhe foram destinadas e que são a razão de sua existência, ou somente algumas delas alcançaram o fim para os quais Deus as criou?
Ou será que uma parte das criaturas nada cumpriu?
São inumeráveis perguntas que, se o homem sensato nelas pensar, apinhar-se-ão sobre ele e reiterarão por resposta.
Algumas pessoas Deus guia à verdade, enquanto outros ficam filosofando a respeito de sua existência de acordo com suas paixões; outros ainda não se encaminham à uma reposta que possa convencê-los ou sossegue seu coração.
Entretanto, estas perguntas são de extrema gravidade, uma vez que suas respostas definem o comportamento do homem nesta vida e na outra, porque a felicidade do homem na outra vida depende de seus atos nesta vida e do cumpri- mento de sua missão.
Para que possamos desvendar o mistério de todas ou algumas dessas perguntas, dizemos:
Tendo em vista que este Universo, com tudo que nele existe, foi criado e harmonizado por Deus, é incontestável que cada átomo nele existente foi criado proporcionalmente, e que tudo que nele existe, foi criado com uma finalidade e possui uma missão.
A nossa ignorância dessa finalidade ou dessa missão não prova a sua inexistência. Nós, além de ignorarmos muitas coisas que nos rodeiam, ignoramos muito de nós mesmos. Diz Deus:
"E não criamos os céus e a terra e tudo quanto existe entre ambos, senão com justa finalidade."
(Alcorão Sagrado, 15ª Surata, versículo 85).
E diz:
"Não criamos os céus e a terra e quanto existe entre ambos por mero passatempo. E se quiséssemos diversão, tê-lo-íamos encontrado entre as coisas próximas de Nós, se Nós fizéssemos (tal coisa)."
(Alcorão Sagrado, 21ªSurata, versículos 16-17),
E diz ainda:
"Que possui o reino dos céus e da terra. Não teve filho algum, nem tampouco teve parceiro algum no reino. E criou todas as coisas e deu-lhes as devidas proporções."
(Alcorão Sagrado, 25ª Surata, versículo 2).
E diz ainda mais:
"Deus sabe o que concebe cada fêmea, bem como o que absorvem as suas entranhas e o que nelas aumenta e o que diminui: e com Ele tudo tem sua medida apropriada."
(Alcorão Sagrado, 13ª Surata, versículo 8).
E se tudo que existe foi criado com uma finalidade e possui uma missão, então, de certo que o homem tem uma missão, por causa da qual foi criado, e de acordo com a qual deve agir para cumpri-la.
Deveras, a missão do homem nesta vida é a mais magnífica das missões, porque Deus o dignificou o preferiu à maior parte de Sua criação.
Diz Deus:
"Enobrecemos os filhos de Adão e os conduzimos pela terra e pelo mar; agraciamo-los com todo o bem e os preferimos enormemente sobre a maior parte de quanto tenhamos criado."
(Alcorão Sagrado, 17ª Surata, versículo 70).
A magnitude da missão do homem é proporcional à dignidade que Deus lhe outorgou. Ele lhe submeteu tudo que lhe é benéfico nesta vida. Submeteu-lhe o sol, a lua, a noite e o dia, a água, o ar e tudo que existe nos céus e na terra. Disse Deus:
"Deus foi Quem criou os céus e a terra e é Quem envia a água do céu com a qual produz os frutos para o vosso sustento! Submeteu-vos os navios que, com Sua anuência, singram os mares, e submeteu-vos os rios. Submeteu-vos o sol e a lua, que sequem seus cursos; submeteu-vos a noite e o dia. E vos agraciou com tudo quanto Lhe havíeis suplicado. E se contardes as mercês de Deus, não podereis enumerá-las. Sabei que o homem é iníquo e ingrato por excelência."
(Alcorão Sagrado, 14ª Surata, versículos 32-34).
E disse:
"Deus foi Quem vos submeteu o mar para que, com Seu beneplácito, nele singrassem os navios e para que 1 procurásseis algo de Sua bondade, a fim de que O agradecêsseis. E vos submeteu tudo quanto existe nos céus e na terra, pois tudo d'Ele emana. Em verdade, nisto há sinais para os que meditam."
(Alcorão Sagrado, 45ª Surata, versículos 12-13)
O homem, além do que já citamos, é o único dentre as criaturas que aceitou o Encargo. Disse Deus:
"Por certo que apresentamos o Encargo aos céus, à terra e às montanhas, que se negaram e temeram recebê-lo; porém, o homem se encarregou disso, mas provou ser um tirano e um insipiente"
(Alcorão Sagrado, 33ª Surata, versículo 71).
A missão do homem se cumpre devido a três fatores:
1º - Adorar a Deus e seguir a doutrina que Ele enviou com Seus profetas. Esta é a essência da missão do homem nesta vida. Disse Deus:
"Não tenha criado gênios e humanos, a não ser com o intuito de que Me adorarem."
(Alcorão Sagrado, 51ª Surata, versículo 56).
Adorar a Deus é submeter-se a Ele, glorificando-O e cumprindo as Suas leis.
A aplicação da doutrina revelada a Seu Profeta Muhammad e o cumprimento dos pilares do Islam, testemunhando que não há deus a não ser Deus e que Muhammad é o Seu Mensageiro, praticando a oração, pagando o tributo, jejuando o mês de Ramadan e peregrinando à Casa Sagrada quando tiver posses para tal, é adoração.
Obedecer a Deus naquilo que nos ordenou, é adoração. Obedecer ao Mensageiro, por ser o encarregado de transmitir a Mensagem de Deus, é adoração.
Se o homem adorar a seu Senhor da forma apresentada aqui, cumprindo as leis da doutrina e obedecendo a seu Senhor no que foi ordenado, seguindo o Mensageiro naquilo que ele transmitiu a respeito de seu Senhor, estará cumprindo a missão que lhe foi outorgada.
2º - A edificação da terra é o cumprimento da missão do homem. A edificação da terra só pode ser realizada com o aproveitamento das dádivas incomensuráveis que Deus nela disseminou, quer seja sobre a terra ou no seu interior. Disse Deus:
"Ele foi Quem vos criou da terra e nela vos enraizou."
(Alcorão Sagrado, 11ª Surata, versículo 61).
E disse:
"Ele foi Quem vos fez a terra manejável. Percorrei-a, pois, por todos os seus quadrantes e desfrutei de Suas mercês; a Ele será o retorno!"
(Alcorão Sagrado, 67ª Surata, versículo 15).
E disse mais:
"E criamos o ferro que encerra grande poder, além de outros benefícios para os humanos."
(Alcorão Sagrado, 57ª Surata, versículo 25).
E disse ainda:
"Ele foi Quem vos criou jardins com plantas trepadeiras ou não, assim como as tamareiras, as sementeiras com frutos de vários sabores, as oliveiras e as romãzeiras, pares e dispares. Comei de seus frutos quando frutificarem e pagai seu tributo no dia da colheita e não vos excedais, porque Deus não ama os transgressores."
(Alcorão Sagrado, 6ª Surata, versículo 141).
E disse mais ainda:
"E na terra há regiões vizinhas (de diversas características); há plantações, vinhedos, sementeiras e tamareiras, pares e díspares; são regadas pela mesma água e distinguem-se umas das outras pela variedade de frutos. Nisto há sinais para os sensatos."
(Alcorão Sagrado, 13ª Surata, versículo 4).
E disse ainda mais:
"Deus vos designou moradas e vos proporcionou tendas feitas de pelos de animais, as quais manejais facilmente no dia de vossa viagem, bem como no dia de vosso acampamento; e de sua lã, de sua fibra e de seus pelos elaborais alfaias e artigos que duram longo tempo."
(Alcorão Sagrado, 16ª Surata, versículo 80).
E disse mais ainda:
"E criou o gado do qual obtendes vestimentas, alimento e outros benefícios, e tendes nele encanto, quer quando o conduzis aos apriscos, quer quando, pela manhã, o levais para o pasto. Ainda leva vossas cargas até as cidades, às quais jamais chegaríeis, senão à custa de grande esforço. Sabei que vosso Senhor é Compassivo, Misericordiosíssimo. E criou o cavalo, o mulo e o asno para serem cavalgados e para o vosso deleite, e cria coisas mais que ignorais."
(Alcorão Sagrado, 16ª Surata, versículos 5-8).
E disse ainda:
"E tendes exemplos nos animais; damo-vos para beber o que há em suas entranhas; sai, dentre sedimentos e sangue, leite puro e saboroso para aqueles que o bebem. E dos frutos das tamareiras e das videiras vós extraís uma bebida inebriante e benéfica. Nisto há sinal para os sensatos. E teu Senhor inspirou as abelhas, dizendo: Construí vossas colméias nas montanhas, nas árvores e nos locais em que vos forem designados. Alimentai-vos de toda classe de frutos e esvoaçai pelas sendas traçadas por vosso Senhor! Sai de seu abdômen um líquido de variegadas cores que constitui um bálsamo para o homem. Nisto há sinal para os que refletem."
(Alcorão Sagrado, 16ª Surata, versículos 66-69).
Além destas dádivas, há outras inumeráveis, cognoscíveis incognoscíveis. Estes versículos esclarecem que o Criador, o Formador e o Harmonizador é Deus, e que o homem deve desfrutar dessas dádivas. Para que o homem desfrute totalmente da criação de Deus, deve seguir e realizar os seguintes passos:
a) A ciência: Ela é o único caminho que indica a realidade dos benefícios das coisas. Por isso, vemos que foi essa característica que proporcionou a Adão candidatar-se a ser o herdeiro de Deus na terra, distinguindo-o do resto da criação. Disse Deus:
"Ele ensinou a Adão todos os nomes (de seres e coisas) e depois apresentou-os aos anjos e lhes disse: Nomeai-os para Mim se sois verazes. Disseram: Glorificado sejas! Não possuímos mais conhecimento, além do que Tu nos proporcionaste, porque somente Tu és Prudente, Sapientíssimo. Ele ordenou: Ó Adão, revela-lhes seus nomes. E quando ele lhes revelou seus nomes, asseverou (Deus): Não vos disse que conheço o mistério dos céus e da terra, assim como o que manifestais e o que ocultais?''
(Alcorão Sagrado, 2ª Surata, versículos 31-33).
Por isso, Deus nos estimula a percorrermos a terra, a olharmos, pesquisarmos, adquirirmos conhecimento, para avaliarmos o Poder de Deus em sua criação e na sua harmonia. Disse Deus:
"Não reparam, acaso, em como Deus origina a criação e logo a reproduz? Em verdade, isso é fácil a Deus. Dize-lhes: Percorrei a terra e contemplei como Deus origina a criação; assim sendo, Deus pode produzir outra criação, porque Deus é Onipotente."
(Alcorão Sagrado, 29ª Surata, versículos 19-20).
A ciência, além de ser o único caminho para desfrutarmos das dádivas de Deus, é também o caminho exemplar para avaliarmos a Onipotência e a Magnificência de Deus. Por isso, os sábios são os que mais reverenciam e se submetem a Deus. Disse Deus:
"Não reparas em que Deus faz descer a água do céu? E produzimos com ela frutos de várias matizes; e também há extensões de montanhas, brancas, vermelhas, de diferentes cores, e há as de intenso negro. E entre os humanos, entre os répteis e entre o gado, há os também de diferentes cores. Os sábios dentre os servos de Deus, só a Ele temem, porque sabem que Deus é Poderoso, lndulgentíssimo."
(Alcorão Sagrado, 35ª Surata, versículos 27-28).
b) O planejamento: O homem necessita sempre das dádivas de Deus, porém, estas necessidades têm graus diferentes de importância, Assim sendo, a necessidade quanto à alimentação, por exemplo, não é a mesma com referência às rosas e às flores; da mesma forma, a necessidade quanto à água não se iguala com a necessidade quanto a algo para se cobrir a cabeça.
As necessidades dos indivíduos variam segundo suas atividades, seus costumes e tradições. Posto isso, seria indispensável a realização de um certo planejamento que fixa as prioridades fundamentais do homem, para que ele possa desfrutar plenamente das dádivas que Deus lhe criou.
Vale lembrar que Deus inspirou o profeta José (que a Paz esteja sobre ele) no seu planejamento para salvar o povo do Egito de uma fome fatal, economizando alimentos, permitindo-lhes, posteriormente, prestar ajuda a outros povos assolados pela fome. Enfatizarmos o fato de que José fez seu planejamento por inspiração emanada de Deus, para um período de quinze anos, com muito sucesso.
Assim, seu povo e os povos vizinhos desfrutaram de muitos benefícios, enquanto hoje, há vários países impossibilitados de elaborar um plano qüinqüenal, apesar do progresso científico que alcançamos. José (que a Paz esteja sobre ele), porém, em seu planejamento, não levou em consideração apenas as pessoas, mas cuidou também de preservar os animais, pois estes proporcionavam alimento e auxiliavam no trabalho. Disse Deus:
"E disse aquele dos dois prisioneiros, o que foi liberto, recordando-se (de José) depois de algum tempo: Enviai-me a quem sabe dar interpretações, que voltarei com ela. (Foi enviado e, quando lá chegou, disse:) ó José, 6 veracíssimo, explica-me o que significam sete vacas gordas sendo devoradas por sete magras, e sete espigas verdes e outras sete secas, para que eu possa regressar àquela gente, a fim de que se conscientizem. Respondeu-lhe: Semeareis durante sete anos, segundo a costume e, do que colherdes, deixai ficar tudo em suas espigas, exceto o pouco que haveis de consumir. Então virão, depois disso, sete anos estéreis que consumirão o que tiverdes poupado para isso, mesmo o pouco que tiverdes reservado (à parte). Depois disso virá um ano no qual as pessoas serão favorecidas com chuvas, em que espremerão os frutos."
(Alcorão Sagrado, 12ª Surata, versículos 45-49).
c) A precisão do trabalho: Para que o homem possa se beneficiar de seu trabalho e planejamento no que diz respeito à edificação da terra e às dádivas que Deus lhe oferece, é indispensável a precisão no trabalho. Na verdade, o Islam nos incentiva ao trabalho, ao esforço e ao labor. Disse Deus:
"Fizemos a noite como um manto, e fizemos o dia para ganhardes o sustento."
(Alcorão Sagrado, 78ª Surata, versículos 10-11).
Além de incentivar seus adeptos a trabalharem e se esforçarem, a Islam determina àquele que deixa de pensar em si mesmo e ajuda os pais, os pobres, os familiares necessitados, provendo-os e mantendo-os, a mesma recompensa daquele que luta pela causa de Deus.
Certo dia o Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus esteja sobre ele), estava sentado juntamente com seus Companheiras, quando viram um rapaz forte, que acordara cedo para ir ao trabalho. Disseram:
"Ah, se este rapaz usasse sua força e juventude pela causa de Deus!" O Profeta retrucou: "Não dizeis isto, pois se ele estiver se esforçando para se manter e não depender dos outros, estará lutando pela causa de Deus. Se estiver se esforçando para ajudar os pais fracos, ou os familiares necessitados, provendo-os e mantendo-os, estará lutando pela causa de Deus. Entretanto, se estiver se esforçando por orgulho e amor próprio, estará lutando pela causa do sedutor."
O Islam não só nos incentiva a trabalharmos, mas também nos estimula a aperfeiçoarmos esse trabalho. Diz o Profeta Muhammad(que a Paz e a Bênção de Deus esteja sobre ele):
"Deus deseja que, quando alguém fizer algo que o faça bem feito."
3º- A Herança de Deus na Terra: Ser herdeiro de Deus na terra é aplicar as Suas leis e mandamentos, adotando-se o sistema de Deus corno caminho e senda para toda a humanidade que por ele será orientada, na sua senda caminhará, e as Suas leis adotará.
O sistema de Deus é aquele trazido por todos os Profetas. Se os homens adotarem o sistema de seu Senhor, elevar-se-á a bandeira da justiça, a Palavra de Deus será exaltada e a herança de homem será cumprida.
Aqueles que aplicam o sistema de Deus, ou o conteúdo da missão do Profeta Muhammad(que a Paz e a Bênção de Deus esteja sobre ele), por ser a última das missões, em si próprios, em seus familiares e em seus povos, são os verdadeiros herdeiros de Deus.
Aqueles que se negam a seguir o sistema de Deus e sequem os códigos e as leis por eles inventados, ou sequem a outros, não podem ser considerados herdeiros de Deus, mesmo que se tenham denominado muçulmanos.
Logo, cumprir a herança de Deus é adotar o Seu sistema em todos os rituais, nos relacionamentos, na moral, nos costumes, e em todas as atividades humanas.
Ao adotarmos integralmente o sistema de Deus, fazendo-o parte integrante de nossa vida, cumpriremos a nossa verdadeira missão, por causa da qual foi o homem criado. Disse Deus:
''(Recorda-te Ó Profeta) de quando teu Senhor disse aos anjos: Vou instituir um herdeiro na terra! Perguntaram-lhe: Estabelecerás nela quem ali fará corrupção, derramando sangue, enquanto nós celebramos Teus louvores, glorificando-Te ? Disse (o Senhor): Eu sei o que vós ignorais. Ele ensinou a Adão todos os nomes (de seres e coisas) e depois apresentou-os aos anjos e lhes falou: Nomeai-os para Mim se sois verazes. Disseram: Glorificado sejas! Não possuímos mais conhecimento, além do que Tu nos proporcionaste, porque somente Tu ás Prudente, Sapientíssimo. Ele ordenou: ó Adão, revela-lhes seus nomes. E quando ele lhes revelou seus nomes, asseverou (Deus): Não vos disse que conheço o mistério dos céus e da terra, assim como o que manifestais e o que ocultais?"
(Alcorão Sagrado, 2ª Surata, versículos 30-33).
E disse.
"Deus prometeu àqueles, que dentre vós crêem e praticam o bem, fazê-los herdeiros da terra, como fez com seus antepassados; consolidar-lhes a religião que escolheu para eles e trocar sua apreensão por tranqüilidade. Que Me adorem e nada Me atribuam!"
(Alcorão Sagrado, 24ª Surata, versículo 55).
E para que a herança do homem sobre a terra seja real, Deus submeteu ao homem tudo que nela existe de animais, vegetais e materiais.
Disse Deus:
"E criou o gado do qual obtendes vestimentas, alimento e outros benefícios. E tendes nele encanto, quer quando o conduzis aos apriscos, quer quando, pela manhã, o levais para o pasto. Ainda leva vossas cargas até as cidades, às quais jamais chegaríeis senão à custa de grande esforço. Sabei que vosso Senhor é Compassivo. Misericordiosíssimo. E criou o cavalo, o mulo e o asno para serem cavalgados e para vosso deleite, e cria coisas mais que ignorais.''
(Alcorão Sagrado, 16ª Surata, versículo 5-8).
E disse:
"Ele é Quem envia água do céu, da qual bebeis, e mediante a qual brotam arbustos com que alimentais o gado; e com ela faz germinar a plantação, a oliveira, a tamareira, a videira, bem como toda sorte de frutos. Nisto há um sinal para os que refletem. E submeteu-vos a noite e o dia; o sol, a lua e as estrelas estão submetidos às Suas ordens. Nisto há sinais para os sensatos, bem como em tudo quanto vos multiplicou na terra, de variegadas cores. Certamente nisto há sinal para os que meditam. E foi Ele Quem vos submeteu o mar para que dele comêsseis carne fresca e retirásseis certos ornamentos com que vos enfeitais. Vedes nele os navios sulcando as águas à procura de algo de Sua graça; quiçá sejais agradecidos. E fixou na terra sólidas montanhas, para que ela não estremeça convosco, bem como rios, e caminhos pelos quais vos guiais. Assim como os marcos, constituindo-se das estrelas, pelas quais eles se guiam. Poder-se-á comparar o Criador com quem nada pode criar? Não meditais? Porém, se pretendentes contar as mercês de Deus, jamais podereis enumerá-las. Sabei que Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo."
(Alcorão Sagrado, 16ª Surata, versículos 10-18).
Com estes três fatores: A adoração de Deus, a edificação da terra e a herança, cumpre-se a verdadeira missão do homem nesta vida.
O que devemos frisar que o primeiro fator, a adoração de Deus, é a essência da missão do homem. Os outros dois fatores ajudam a cumprir e fortalecer essa missão. Disse Deus:
"Não tenho criado gênios e humanos, a não ser com o intuito de que Me adorem."
(Alcorão Sagrado, 51ª Surata, versículo 56).
É Deus, A Natureza, ou O Acaso?
Se o homem olhar-se profundamente, ou se olhar o que o rodeia neste Universo, de criaturas, maravilhas, estruturas, organizações, perfeições, limitações, avaliações e proporções, concluirá que está perante uma só suposição verdadeira, dentre três únicas suposições:
Primeira: Que os átomos da matéria e seus componentes aglomeraram-se, circularam, pensaram, determinaram, impuseram e formaram todo este Universo, com suas cores, corpos, espécies, feição, com uma perfeição incrível.
Segunda: Que os átomos da matéria e seus componentes se encontraram e se misturaram, por acaso, de uma forma conveniente, num tempo suficiente, num ambiente propício e daí surgiu o que vemos do mundo animal, vegetal e mineral.
Terceira: Que todo este Universo foi criado por Deus. A primeira suposição é falsa, porque a própria matéria é criada. E se é criada, não pode criar outra, mas necessita de um Criador.
Os cientistas em geral concordam que a matéria não raciocina, não tem intenção nem vontade própria. Como um raciocínio pode imaginar que algo sem cérebro, intenção e vontade, pode criar este Universo com tudo que tem, de uma forma tão perfeita?
Se a primeira suposição é falsa, a segunda também é, pois não se pode imaginar que a lei que rege todo o Universo, com sua ordem e perfeição é obra do acaso cego. E se isso é inimaginável, é inconcebível que o acaso assuma uma lei geral que rege todo o Universo.
É sabido, pela lei das probabilidades, que se tomarmos dez papéis e os enumerarmos de um a dez, e os colocarmos num recipiente que nos impossibilite vermos os números, e se uma pessoa enfiar a mão para tirar os papéis, a probabilidade matemática de tirar o papel enumerado com o número um é de um para dez; a probabilidade de tirar o papel com o número um e o papel com o número dois em ordem, é de um para cem, o assim por diante; e a probabilidade de tirar os papéis em ordem de um a dez, é de um para dez bilhões.
De acordo com isso, é impossível que o acaso se transforme numa lei geral, que rege milhares de galáxias, quer seja no que diz respeito ao fenômeno da preservação, quer seja no que tange à sua formação exterior e interior, com seus diferentes componentes, que agem num equilíbrio extraordinário e de uma cooperação fenomenal, cujo resultado é a conservação do indivíduo vivo até um término prefixado.
Se ambas as suposições são falsas, só nos resta a terceira hipótese: de que este Universo, na sua totalidade, foi criado por Deus. Disse Deus:
"Em verdade, criamos todas as coisas proporcionalmente."
(Alcorão Sagrado, 54ª Surata, versículo 2).
E disse, ainda:
"E dilatamos a terra em que fixamos montanhas, fazendo germinar tudo comedidamente. E nela vos proporcionamos meios de subsistência, tanto para vós como para aqueles aos quais vós não estais afeitos a prover. E não existe coisa alguma cujas origens não estejam em Nosso poder, e não vô-la enviamos, senão proporcionalmente."
(Alcorão Sagrado, 15ª Surata, versículos 19-21 ).
E disse, mais:
"Tal é a obra de Deus, Que tem disposto prudentemente todas as coisas, porque Ele está inteirado de quanto fazeis."
(Alcorão Sagrado, 27ª Surata, versículo 88).
E para não nos prolongarmos muito, apresentaremos as afirmações da ciência para nos convencermos da miraculosidade da criação de Deus e de que todo este Universo é a Criação de Deus, Sapiente, Prudentíssimo, Que deu devidas proporções às coisas, e criou tudo com perfeição.
Diz o Dr. Youssef Ezziddin Issa:
"Antes de citarmos a primeira prova científica e incontestável da existência de Deus, devemos saber que a maior parte dos corpos dos animais e vegetais são formados de inumeráveis unidades minúsculas que chamamos de células. As células que formam os nossos corpos estão em divisão constante para o desenvolvimento do corpo ou para a substituição das que morrem. Cada uma dessas células é formada basicamente de uma estranha substância chamada de protoplasma. Dentro de cada célula há vários elementos cujas funções são preestabelecidas. Dentre esses elementos encontram-se corpúsculos com função de hereditariedade e que chamamos de cromossomos, O seu número é constante em cada espécie de células animais e vegetais. O número dos cromossomos nas células do gato, por exemplo, difere do número que existe nas células do cão, do elefante ou do coelho, ou das plantas, da cenoura e do feijão. Nas células humanas, o número dos cromossomos de cada célula é de 46. Quando a célula se divide em duas, cada nova célula deve ter o mesmo número de cromossomos de 46 unidades, pois se houver qualquer variação nele, o homem tornar-se-á deficiente. As células, como dissemos antes, estão em constante divisão, isso acontecendo a todos os instantes. Até agora não descobrimos a causa da força controladora dessa operação fantástica, que é divisão da célula. A ciência se satisfaz em descrever o desenvolvimento do fenômeno que pode ser observado através do microscópio. Todas as células provenientes da divisão celular, do corpo do homem, devem possuir, como foi dito acima, o mesmo número de cromossomos, com exceção de duas espécies de células; as células sexuais: o espermatozóide masculino e o óvulo feminino. Quando da divisão celular para a formação das células sexuais, as novas células não possuem 46 cromossomos, mas a metade disso, ou seja, o espermatozóide masculino e o óvulo feminino têm apenas 23 cromossomos cada um. Por que isso acontece? Acontece devido a uma extraordinária inteligência e um extraordinário objetivo, pois a célula masculina (espermatozóide), deve fecundar a célula feminina (óvulo) para a formação da primeira célula do corpo do embrião, e que chamamos de "célula fecundada", onde os 23 cromossomos da célula masculina se juntam aos 23 da célula feminina, para formarem os 46 cromossomos da nova célula. Essa "célula fecundada" inicia a sua divisão celular em duas, quatro, oito, etc..., até a formação completa da criança que nasce, com a constância da divisão celular, como acontece com seus pais. Este fenômeno chamado de meiose, é impossível ser obra do acaso. Só pode ser o resultado de um planejamento meticuloso, de uma força superior que tem consciência do que faz. Ao mesmo tempo, este processo não pode depender de experiência e possibilidade de erro, porque se ocorresse um único erro no início da criação, todos os seres vivos teriam perecido antes da geração seguinte. Ou seja, esta ordem só pode ter sido concluída desde a formação do primeiro embrião que surgiu no mundo. Não é isso, acaso, prova suficiente da existência de uma força superior harmonizadora, planejadora?"
Diz então:
"Por outro lado, não pode ser por intermédio da experiência e possibilidade de erro e acerto que as células nervosas e musculares não se dividam. Se isso ocorresse com as células nervosas das quais é formado o cérebro e o resto do sistema nervoso, haveria uma catástrofe terrível, pois as células do cérebro não conseguiriam conservar a personalidade do indivíduo e todos os conhecimentos da memória iriam enfraquecer e se aniquilar em poucas horas. O número das células do cérebro do homem ou de qualquer outro animal não se altera até a sua morte, enquanto os glóbulos vermelhos, sego células que morrem e são substituídos por novos glóbulos a cada cem dias aproximadamente".
Deus diz:
"Que aperfeiçoou tudo que criou e iniciou a criação do primeiro homem de barro; então, formou-lhe a prole de essência de sutil sêmen; depois o modelou, alentou-o de Seu Espírito. Dotou-vos da audição, da visão e do coração (entendimento). Quão pouco lhe agradeceis."
(Alcorão Sagrado, 32ª Surata, versículos 7-9).
E diz:
"Ó humano, o que te fez negligente em relação a teu Senhor, o Munificentíssimo, Que te criou, te formou, te aperfeiçoou, e te modelou na forma que a teu Senhor aprouve?"
(Alcorão Sagrado, 82ª Surata, versículos 6-8).
A Onipotência, a Magnificência e a Criatividade de Deus não se manifestam apenas na criação do homem, mas na criação de tudo que há nos céus e na terra. Deus diz:
"Seguramente, a criação dos céus e da terra é mais importante do que a criação do homem; porém, a maioria dos humanos o ignora."
(Alcorão Sagrado, 40ª Surata, versículo 57).
Não necessitamos instigar as pessoas e observarem os céus e a terra e o que há entre ambos de maravilhoso e perfeito, porque isto é do conhecimento de todo aquele que raciocina, nem que seja por um instante, na magnificência dessas criações e de como foram preparadas e submetidas ao homem. Deus diz:
"Em verdade vossos bens e vossos filhos são uma mera tentação. Mas sabei que Deus vos reserva uma magnífica recompensa."
(Alcorão Sagrado, 64ª Surata, versículo 15)
E diz:
"Deus foi Quem criou os céus e a terra e é Quem envia a água do céu com a qual produz os frutos para o vossos sustento! Submeteu-vos os navios que, com Sua anuência, singram os mares, e submeteu-vos os rios. Submeteu-vos o sol o a lua, que sequem seus cursos. Submeteu-vos a noite e o dia. E vos agraciou com tudo quanto Lhe havíeis suplicado. E se contardes as mercês de Deus, não podereis enumerá-las. Sabei que o homem é iníquo e ingrato por excelência."
(Alcorão Sagrado, 14ª Surata, versículos 32-34).
Se o homem pensasse em seu alimento e em suas vestimentas, envergonhar-se-ia de si próprio e de sua fraqueza, por ser incapaz de fazer germinar uma só planta e discutir a respeito d'Aquele que cumulou-o de graças incontáveis. Tudo que há no Universo foi criado por causa do homem, e age de acordo com o comando de Deus para preparar ao homem uma vida propícia na face desta terra.
Ele fez do sol um esplendoroso lustre que, além de sua luminosidade, faz evaporar a água dos mares, que se transforma em nuvens e então desce em forma de chuva com a qual Deus vivifica a terra após ter sido árida, fazendo dela brotar toda formosa espécie. Diz Deus:
"Nem colocamos um esplendoroso lustre. Nem enviamos das nuvens copiosa chuva. Para produzir, por meio dela, o grão e as plantas."
(Alcorão Sagrado, 78ª Surata, versículos 13-1 5).
E diz:
"Porém, não reparam, acaso, no céu que está acima deles? Como o construímos e o adornamos, sem abertura aparente? E dilatamos a terra, fixando nela (firmes) montanhas, produzindo ali toda formosa espécie. Para observação e recordação de todo servo contrito. E enviamos do céu a água bendita, mediante a qual produzimos jardins e cereais para a colheita. E também as frondosas tamareiras cujos cachos estão carregados de frutos em simetria, como sustento para os servos; e revivemos com ela (a água) uma comarca árida. Assim será a ressurreição."
(Alcorão Sagrado, 50ª Surata, versículos 6-1 1).
E diz:
"Que o homem repare, pois em seu alimento. Em verdade, derramamos a água em abundância, depois, abrimos a terra em fendas, e fazemos nascer o grão, a videira e as plantas (nutritivas), a oliveira e a tamareira, e jardins frondosos, e o fruto e a forragem."
(Alcorão Sagrado, 80ª Surata, versículos 24-31).
Também os animais foram criados para o benefício do homem. Ele os cavalga, os usa na agricultura, alimenta-se de sua carne, bebe o seu leite, e de seu pêlo confecciona vestimentas e utensílios para ele. Deus diz:
"E criou o gado do qual obtendes vestimentas, alimento e outros benefícios. E tendes nele encanto, quer quando o conduzis aos apriscos, quer quando, pela manhã, o levais para o pasto. Ainda levam vossas cargas até as cidades, às quais jamais chegar íeis senão à custa de grande esforço. Sabei que vosso Senhor é Compassivo, Misericordiosíssimo. E criou o cavalo, o mulo e o asno para serem cavalgados e para o vosso deleite, e cria coisas mais que ignorais."
(Alcorão Sagrado, 16ª Surata, versículos 5-8).
E diz:
"Deus vos designou moradas e vos proporcionou tendas feitas de peles de animais, as quais manejais facilmente no dia de vossa viagem, bem como no dia de vosso acampamento; e de sua 15, de sua fibra e de seus pêlos elaborais alfaias e artigos que duram longo tempo".
(Alcorão Sagrado, 16ª Surata, versículo 80)
Os corpos grandes chamam a atenção de qualquer um, queira ou não queira. Os pequenos, porém, são incógnitos para o homem e ele desconhece a sua perfeição, maravilha e organização que possuem, a menos que saiba algo de sua vida.
Se conhecermos um pouco da vida das abelhas, por exemplo, teremos a convicção de que este pequeno inseto clama, pelo que possui de organização, que todo este universo é a criação de um Deus, Harmonizador, Onisciente, Prudentíssimo.
Diz o Dr. Youssef Ezziddin Issa:
''As abelhas vivem em colméias e cada colméia tem uma rainha, além dos machos, obreiras e soldados. A função dos machos é fecundar a rainha. Esta tem como função a produção da larva. A função dos soldados é defender a colmeia. As obreiras porém, tem por função conseguir alimentos para o resta da colmeia, além de outras funções. Devido à importância da rainha, por ser a única fêmea fecundada, ela é alimentada com alimento especial, a geléia real. A maneira como conseguem o alimento é um fenômeno extraordinário. As abelhas dispõem de meios de comunicação muito precisos para indicar às companheiras os lugares onde há ricas provisões. Quando uma obreira descobre um campo, ou uma grande quantidade de plantas consideradas como fonte de alimento, ela retorna à colmeia para informar às outras obreiras sobre a sua descoberta. Isso é feito essencialmente por meio de danças. Essa dança tem vários tipos. Durante a dança o corpo executa movimentos que indicam o ângulo em relação ao sol, e a distância do lugar descoberto, se distante ou próximo. O número de voltas feitas dentro de determinado período de tempo indicam a distância. Quanto mais rápida a dança, mas próximo o local. Uma das obreiras repete a dança para informar às descobridoras que sua mensagem fora recebida. Em seguida, as obreiras voam para o local a fim de recolherem o alimento. Com a sua dança, a abelha descobridora transmite uma série de informação à colméia que, se nós quiséssemos chegar ao ponto que as abelhas chegam, com um desenho demonstrativo, levaríamos não menos de um terço de hora para fazê-lo, com a condição de que tenhamos os conhecimentos matemáticos necessários para tal. As abelhas, porém, fazem-no instantaneamente, voando em linha reta para o local. Um fenômeno extraordinário que só pode ser explicado com a crença na existência de um alento divino proporcionado pelo Criador do Universo à essas minúsculas criaturas desprovidas de cérebro ou de poder de raciocínio que as capacitam a conseguir o que necessitam. É de estranhar também que as abelhas conseguem ver uma cor que nós, seres humanos, não vemos e nem podemos imaginária. É a cor ultravioleta que nós vemos como a cor negra. As abelhas vêem os raios ultravioleta e a inteligência nisso é que esses raios são os únicos que podem penetrar as nuvens, Como as abelhas vivem a maior parte do ano em zonas cobertas por nuvens, e a visão do sol é essencial para indicar os locais que possuem o alimento, por isso as abelhas vêem a cor ultravioleta, conseguindo assim ver o sol através das nuvens, não morrendo assim de fome, quando o sol se esconde atrás das nuvens. É um fenômeno extraordinário que prova a existência de um Criador Planificador e Harmonizador, Que sabe o que faz, pois este poder não pode ter sido adquirido pelas abelhas gradativamente através dos tempos. Tinha de estar presente desde o primeiro instante em que Deus criou as abelhas. De outra feita, as abelhas teriam desaparecido daquelas zonas há muito tempo. Por outro lado, não pode ter sido obra do acaso pelo que demonstramos acima.''
Podemos dizer que todo homem, em qualquer lugar, no oriente ou no ocidente, no norte ou no sul, que respeita o seu intelecto, tem a plena convicção e a crença firme que este Universo, com tudo que abrange de animais, vegetais e minerais; e que toda a vida, a precisão, a organização; e que todo o poder, magnitude e milagre; e que toda beleza, magia e majestade; e que tudo o que tem de segredos que as palavras são incapazes de descrever, e que tudo o que conhecemos e desconhecemos tudo isso clama, para aquele que tem razão, coração e visão, que este Universo é a Criação de Deus, Criador, Magnânimo, Harmonizador e Todo-Poderoso. Louvada seja Deus !
O Destino
O homem que não se olha, nem olha o que está ao seu redor, não pode conhecer a sua realidade nem a realidade do que o rodeia. E aquele que se desconhece a si próprio e ignora se Possui um papel determinado na vida, está na verdade morto, mesmo que esteja comendo e bebendo, a exemplo de seus semelhantes.
Para que o homem se conheça e se beneficie de sua existência nesta vida, deixando vestígios que provam a sua existência, deve analisar-se primeiramente, sem restringir seus pensamentos ao seu presente e ao seu futuro apenas, mas também deve pensar prolongadamente em sua família e em seu destino.
O pensamento sadio nos indica que cada alma tem um papel nesta vida, dentro de um limite prefixado, porque Deus não criou ninguém na face da terra para eternizá-lo nela.
A morte é inevitável e ninguém pode negá-la, Profetas, líderes, eminentes, reis, presidentes, chefes, ricos, pobres, fortes, fracos, sadios, doentes, todos, quando chega a sua hora, morrem, encerrando seu papel nesta vida. Diz Deus:
"Cada ser provará o sabor da morte."
(Alcorão Sagrado, 3ª Surata, versículo 185).
E diz:
"Não é dado a nenhum ser morrer sem a vontade de Deus; é um destino prefixado."
(Alcorão Sagrado, 3ª Surata, versículo 145).
E diz ainda:
"Jamais concedemos imortalidade a ser humano algum anterior a ti. Porventura, se tu morresses, seriam eles imortais."
(Alcorão Sagrado, 21ª Surata, versículo 34).
A morte é uma verdade incontestável, que todos atestam, reconhecem e acreditam. Se a morte, que o homem presencia, encerra o papel dele nesta vida, qual é o seu destino após a morte?
Acabará a sua existência com a morte?
Ou a morte é o meio de transição do homem de uma vida para outra, diferente desta?
Devemos aqui pensar prolongadamente. A primeira coisa em que devemos pensar prolongadamente é a respeito, para chegarmos a uma conclusão neste assunto, é quem criou o homem?
Quem lhe criou a terra sobre a qual vive?
Quem lhe submeteu o que há nos céus e na terra?
E Quem lhe enviou os profetas?
Todos os sábios que fizeram da verdade o seu ideal, concordam que quem criou tudo isto e o aperfeiçoou é Deus. E se foi Deus Quem criou o homem e o agraciou com o intelecto, enviou-lhe os Profetas, deixou, acaso, Deus o homem com seu intelecto, de tal modo que ele possa traçar um determinado sistema, com a aplicação do qual o homem consiga a sua segurança?
Ou Deus traçou um determinado sistema, manifestado por intermédio de Seus Profetas, que o homem deve seguir?
Para descobrirmos a verdade, devemos conhecer a capacidade intelectual do homem e o limite do círculo em que ele pode atuar. Pode o intelecto apresentar um sistema que efetive a segurança e a prosperidade do homem ou não?
Sabemos que o cérebro tem um grande papel efetivo na vida do homem. E nós não podemos negar o fato de que sem cérebro, o homem perde a sua capacidade humana, deixando de ter as obrigações e responsabilidades que os outros têm.
Esse grande papel do cérebro, porém, tem limites. Se atuar além dos limites que lhe foram determinados, falhará indubitavelmente. O mesmo caso não se dá apenas com o cérebro. Acontece com tudo que Deus criou.
Se usarmos o olho, por exemplo, para a audição, estaríamos desviando-o da função que lhe foi traçada e estaria fadado a falhar. O mesmo se dá com qualquer órgão, se quisermos utilizá-lo fora de suas funções.
Para conhecermos as aptidões do cérebro, devemos saber que ele não possui autoridade absoluta sobre tudo. Sua função se restringe aos sentidos, porque ele nada pode resolver sem os nossos cinco sentidos.
Ele não consegue ver nenhuma cor sem o auxilio da vista; não consegue ouvir nenhum som sem o auxílio da audição; não consegue sentir se algo é liso ou fosco sem o auxílio do tato. Então, o campo do cérebro são os sentidos apenas, não podendo transgredi-los, porque ele adquire conhecimentos através desses sentidos.
Na incapacidade desses sentidos de fornecerem as informações ao cérebro, causada por uma anomalia qualquer, ele se torna incapaz de decidir algo.
As ciências, como a medicina, a engenharia, a agricultura, a indústria, etc., bem como as atividades materiais formam o escopo do cérebro e sua área de especialização.
Se transgredir esta área, se desencaminhará. Com base nisso, a religião, como crença, rituais, relacionamentos, moral, e leis, sendo o sistema que Deus traçou para Seus servos seguirem, está fora do escopo do cérebro, e não faz parte de sua especialização, e por isso, o cérebro não pode decidir sobre a ordem de Deus, ou sobre uma de Suas leis, porque a religião é de Deus, Que criou o homem e, sabe o que lhe é benéfico nesta vida e na outra. É inconcebível que o cérebro, sendo criado, julgue as leis do Criador.
A religião, como crença, porém, sendo a fé em Deus, em Seus anjos, em Seus Livros, em Seus Profetas e no Dia do Juízo Final, não é conhecida através do cérebro. Como pode ser conhecida então?
Dizemos que a crença em Deus, Seus Anjos, Seus Livros, Seus Profetas, e o Dia do Juízo Final é um mistério, cuja esfera o cérebro não pode penetrar. Para crermos nisso, porém, temos dois caminhos a seguir:
1 - Crermos por intermédio do cérebro, com a condição de o usarmos na sua área de especialização.
2 - Crermos por intermédio da transmissão ou da lei. Falaremos sobre o primeiro prolongadamente para esclarecê-lo. Tudo que interessa ao pesquisador, nos assuntos da crença, são duas coisas: A crença em Deus e a crença de que Muhammad é o Mensageiro de Deus.
Aceitar ambas as crenças é crer que a religião que Deus escolheu para Seus servos crentes é o Islam. Se o homem crer no Deus único, Criador e Harmonizador de tudo, e crer que Muhammad é o Mensageiro de Deus, e que tudo que ele apresentou é a verdade, deve, então, acreditar e se sujeitar a tudo que a doutrina prega, quer seja do lado da fé, dos rituais, dos relacionamentos, da moral, das leis e dos julgamentos.
A crença nos anjos, nos Livros, nos profetas e no Dia do Juízo Final é o complemento da crença em Deus e da aceitação do Profeta. Daí, devemos nos firmar na crença em Deus e na aceitação de que Muhammad é o Mensageiro de Deus.
1- A crença em Deus: Mostramos que o círculo de especialização do cérebro são as coisas materiais, não podendo ultrapassá-lo. Se o fizer, desencaminhar-se-á. Mostramos também que Deus está além da matéria, ''não possui semelhantes e Ele é o Oniouvinte, o Onividente".
Se Deus está além da matéria, círculo de especialização do cérebro, como o cérebro pode conhecer a Deus, que é único, que não possui semelhantes e é o Criador de tudo?
Não desejamos que o cérebro pesquise sobre a Identidade de Deus, nem sobre Seus atributos, pesquisar sobre isso é ultrapassar os limites do cérebro, e isto está além de sua capacidade e aptidão.
O que desejamos é que o cérebro pense nos sinais dos atributos de Deus, que vemos e tocamos: os céus, terra, astros, sol, luz, noite, dia, nuvens, água, rios, mares, seres humanos, animais, vegetais, etc...
Se o homem pensar em si ou no que o rodeia, chegará com seu cérebro à conclusão de que todas as criaturas, seres e coisas, com tudo que contêm de maravilhoso, preciso, organizado, devem ter um Criador, Poderoso, Onisciente, Prudentíssimo; Seus são os atributos mais sublimes, e não possui semelhantes.
É o Criador único. É isso que pedimos. O cérebro, apesar de ser o verdadeiro veículo para se conhecer e se crer em Deus, só pode ser usado, como vimos, nos limites de seu círculo de especialização: A pesquisa nos sinais do Poder de Deus, para alcançarmos a crença no Deus único, Poderoso, Onisciente, Prudentíssimo.
2- A aceitação de que Muhammad é o Mensageiro de Deus: O intelecto não pode aceitar a veracidade de uma proposição se não houver uma prova de sua veracidade. E a prova de que Muhammad é o Mensageiro de Deus é o Alcorão Sagrado, revelado por Deus a ele. O Alcorão é a palavra de Deus, onde foram desafiados gênios e humanos à comporem algo semelhante a ele.
Eles foram incapazes de fazê-lo. Foram desafiados a compor apenas dez Suratas iguais às dele, e também foram incapazes de fazê-lo. Foram desafiados a compor uma só Surata, e ainda assim foram incapazes. Diz Deus:
"E se tendes dúvida a respeito do que temos revelado a Nosso servo (Muhammad), componde uma surata semelhante às dele (o Alcorão), e apresentar vossas testemunhas independentemente de Deus se sois verazes. Porém, se não o fizerdes - e certamente não podereis fazê-lo - temei, então, o fogo infernal cujo alimento serão os idólatras e os ídolos; fogo que está preparado para os incrédulos."
(Alcorão Sagrado, 2ª Surata, versículos 23-24).
Se o homem foi incapaz de compor uma só Surata semelhante às do Alcorão, então isto confirma que o Alcorão é a palavra de Deus e que Muhammad é o Mensageiro de Deus.
Portanto, se é corroborado que Deus é Único, não possui semelhantes, Criador e Harmonizador de tudo, como mostramos acima, e é corroborado que Muhammad é o Mensageiro de Deus, então é dever do homem crer em Deus e em Seu Mensageiro, adotando tudo que deles provêm, quer seja no campo da crença, dos rituais, dos relacionamentos, ou no campo da lei, dos julgamentos ou da moral.
Tudo isto forma o sistema Divino que o homem deve seguir durante sua vida. Por isso, Deus não abandonou os homens com seus cérebros, devido à sua incapacidade de traçar um sistema propício com o qual o homem possa adaptar a liberdade, a igualdade, a estabilidade, o amor, a fraternidade neste mundo e a felicidade perene na outra vida.
Esta incapacidade resulta das seguintes causas:
1- A submissão do cérebro aos sentidas. E como o homem é formado de corpo e espírito, o cérebro é incapaz de traçar um sistema completo, material e espiritualmente, porque o lado espiritual no homem está fora do circulo de especialização do cérebro.
2- A diferença que existe entre os cérebros dos homens e a sua capacidade. Podem alguns considerar uma coisa certa, enquanto outros a consideram errada. Com isso se diferenciam as avaliações e cada grupo seguiria o rumo que achasse conveniente.
3- A falta de constância do cérebro ao julgar uma determinada coisa. Ele chega a urna conclusão, e então se retrai e muda o seu julgamento anterior.
4- A submissão do cérebro ao ambiente em que o homem vive. Assim, vemos aqueles que vivem em países comunistas considerarem o seu sistema ideal, o os que vivem em países capitalistas vêm que o seu sistema é o melhor.
5- O rápido insucesso experimentado pelos seres humanos ao abandonarem o sistema Divino e seguirem o que inventaram de códigos e leis faz com que, a todo instante, declarem a sua insuficiência. O que são, então, o medo, a instabilidade, as guerras, as destruições e a eliminação da personalidade, da liberdade e da dignidade do homem em todas as partes da terra, senão o resultado desse abandono?
Depois dessa exposição, podemos afirmar que o cérebro humano é a extraordinária dádiva que Deus deu ao homem. Com ele, Deus preferiu o homem à maior parte de Suas criaturas, dando-lhe um papel importante na construção e desenvolvimento material da terra. Porém, não possui nenhuma função na constituição do sistema Divino para a vida do homem neste mundo.
O sistema é o de Deus, Que enviou Seus profetas com ele. Disso concluímos que Deus não abandonou o homem com o seu cérebro, mas enviou para cada povo um mensageiro, com um sistema ortodoxo que deveriam seguir. Se o cérebro do homem fosse suficiente para traçar-lhe um sistema que lhe garantisse a sua segurança, Deus não teria enviado nenhum de seus profetas.
Com isso perguntamos: Adotaram, acaso, todos os homens, o sistema Divino?
A realidade atesta que a maior parte dos homens ignorou esse sistema, e não exageramos se dissermos que a maioria dos homens não é crente. Essa afirmativa não é nossa, mas é o testemunho de Deus sobre seus servos. Deus diz:
"Porém, a maioria dos humanos, por mais que anseies jamais crerá.''
(Alcorão Sagrado, 12ª Surata, versículo 103).
Se a maior parte dos homens ignorou o sistema Divino, quando Deus é o Criador, o Agraciante, Quem dá a vida e a morte, e Quem ressuscitará os mortos e Suas mercês para com os humanos são incomensuráveis, seria justo que Deus considerasse iguais aqueles que sequem o seu sistema e os que não o sequem?
Ou os benfeitores e os malfeitores?
Seria justo que Deus considerasse iguais os que sequem a verdade e os que sequem a falsidade?
Seria justo que a existência do homem se encerrasse após a morte, sem a punição do iníquo e sem a recompensa do benfeitor, sem julga
O Pensamento Prudente é o Caminho Que Ilumina o Homem
Perguntou o homem a si próprio quem o criou?
Pensou ele em quem o criou, ou ele é auto-criador?
Se for impossível ao homem auto-criar-se, porque é inconcebível que seja criador e criado ao mesmo tempo, quem então o criou e o aperfeiçoou?
Perguntou o homem a si próprio por que foi criado?
Qual é a sua verdadeira missão nesta vida?
Foi ele criado para apenas se alimentar e desfrutar dos prazeres desta vida, ou a alimentação e o prazer são meios que o conservam até um término prefixado, e sua missão é mais importante do que isto?
Seria a missão do homem educar seus filhos, dar-lhes instrução e garantir-lhes o futuro, acumulando a maior quantidade de riquezas materiais?
Seria este o seu dever e parte de sua missão?
Se a sua missão for mais ampla do que isso, qual seria?
Pensou o homem no encerramento de seu papel nesta vida?
Ou os prazeres da vida constituem urna barreira entre ele o pensamento a respeito de seu fim?
Se a morte é uma verdade imutável, reconhecida por todos, quer sejam crentes ou descrentes, perguntou, acaso, o homem a si próprio qual seria o seu destino após a morte?
Haveria outra vida além desta?
Ou a vida do homem se encerra após a morte?
Teria o homem sido criado, em vão?
Se não for esse o caso, qual é a sua posição quanto a outra vida?
Haveria na outra vida prestação de contas?
Qual seria o destino do homem quanto a isto?
Seria a religião necessária ao homem nesta vida?
Se for necessária qual e a verdadeira religião?
Além dessas perguntas, há muitas outras que coexistem com o homem durante o transcorrer de sua vida e que indubitavelmente deverá o homem nelas pensar, pois o pensamento circunspeto, correto e isento de paixões, ambientes e imitações conduzirá o homem à verdade.
O homem, apesar de ser um animal, tem a faculdade da fala; e a fala correta e sã é sinal de sabedoria que, por sua vez, nada mais é do que uma conseqüência do pensamento. Assim sendo, o raciocínio é indispensável para que o homem possa conservar sua hombridade. Malgrado o homem seja criado de barro ou de sutil sêmen, seu espírito provém de Deus. Deus diz:
"Que aperfeiçoou tudo que criou e iniciou a criação do primeiro homem de barro; então, formou-lhe a prole de essência; depois o modelou; então, alentou-o de Seu Espírito. Dotou-vos da audição, da visão e do coração. Quão pouco Lhe agradeceis!"
(Alcorão Sagrado, 32ª Surata, versículos 7-9).
Com esta dádiva divina, o homem consegue alcançar as alturas ou as profundezas, se o pensamento for estagnado ou desviado para o abismo e a perdição.
O homem, pois, não é um corpo sólido, vegetal ou animal irracional; é uma criatura responsável, por ter sido o único a aceitar o Encargo. Disse Deus:
"Por certo que apresentamos o encargo aos céus, à terra e às montanhas, que se recusaram e temeram recebê-la; porém, o homem se encarregou disso, mas provou ser um tirano e um insipiente"
(Alcorão Sagrado, 33ª Surata, versículo 72).
Tendo em vista o peso e a magnitude deste Encargo, o homem deve pensar prolongadamente em si mesmo e naquilo que o cerca, nos céus e na magnitude de sua criação, naquele que deu origem ao movimento dos planetas e astros, naquele que fez do sol uma lâmpada e da lua uma reflexão da luz, na terra constituída de mares, rios, plantas e frutos, nas montanhas, nas colinas e nos vales, na noite e no dia, no vento que sopra e no frio que congela, na brisa suave, enfim em tudo que seja alvo de nossa visão e audição, de nosso olfato ou tato e sabor.
Se o pensamento circunspeto, correto, organizado e isento de fanatismo, paixões, ambientes e tradições constitui, sem dúvida, o caminho correto para se conhecer a verdade sobre aquilo que indagamos, que é o início da iluminação do homem nesta vida, o homem não pode negar nada a si nem à vida real que deve viver com o mínimo de raciocínio. Disse Deus:
"Dize: Poderão equiparar-se o cego e o que vê? Não meditais?"
(Alcorão Sagrado, 6ª Surata, versículo 50).
Não ternos a pretensão de impor a qualquer pessoa um certo raciocínio ou um dogma correto de que ele necessita, mas queremos com isto fazer o homem pensar um pouco, seja individualmente ou em companhia de outro. Disse Deus:
"Dize-lhes: Exorto-vos a uma só coisa: que vos consagreis a Deus, em pares ou individualmente, isso para que não penseis que vosso companheiro é um energúmeno. Ele não é senão vosso admoestador, que vos adverte face a um terrível castigo."
(Alcorão Sagrado, 34ª Surata, versículo 46).
O que nos fez incentivar o homem a pensar em tudo aquilo que apresentamos é a fraternidade, pois nada queremos de ninguém além de convocarmos as pessoas a se julgarem, após raciocinarem em si e que cada um escolha o caminho a seguir.
A Imperiosidade Da Auto-Existência De Deus
Se o homem pensar em si ou em tudo que o rodeia, percebe que tudo é mutável. O sol, ao amanhecer, é inconstante, pois começa a declinar ao meio-dia, transformando-se em ocaso ao anoitecer. A lua, além de seu novilúnio e seu minguamento, muda a sua forma para o cômputo do tempo.
O dia não conserva a sua luminosidade, e a noite não conserva as suas trevas, um sucede ao outro alternadamente. O vento, por sua vez, ora é uma brisa, ora é um tufão; ora é frio, ora é quente.
No mesmo dia vemos o céu límpido, com a temperatura amena; repentinamente, a chuva começa a cair, o frio aumenta, formando uma tempestade formidável.
A árvore frutífera provém de uma semente; a chuva que caí do céu era vapor d'água e então nuvens. O próprio ser humano, de embrião transforma-se em criança, então em adulto, então em ancião.
Tudo se transforma, e tudo tem um fim. E se esse Universo é mutável é porque existe, pois a mutabilidade indica a existência; e se o Universo existe ou foi criado, deve ter um Criador.
É inconcebível admitirmos que o papel sobre o qual escrevemos, o lápis com o qual escrevemos, que o relógio que consultamos para conhecermos a hora, e outras coisas que utilizamos, sejam pequenas ou grandes, tenham um criador, e que todo esse Universo, com tudo que possui de maravilhas e perfeições, de organização precisa, não tenha um criador.
Quem, pois, criou a terra?
Quem a submeteu e a preparou para o homem, para a vida animal e vegetal?
Quem fixou as montanhas?
Quem criou o homem e o aperfeiçoou?
Quem fez do sol uma lâmpada e da lua uma luz refletora?
Quem faz a água descer do céu?
Quem faz as plantas germinarem?
Se o homem considerar que o lápis, com o qual ele escreve, na sua minusculosidade, tem um criador, e este Universo, com toda a sua magnitude e perfeição, não o tenha, então ele está, desprezando a si próprio.
O que temos a dizer é que uma coisa ou é "auto-existente", não havendo inicio para a sua existência, ou "passível de existir", necessitando de alguém que a faça existir, ou "inexistente", impossível de existir. O Universo que vemos não pode ser "inexistente", pela lógica da visão, nem é "auto-existente", porque se assim fosse, ele se auto-criaria, ou seja, não teria criador.
Nenhum ser racional pode afirmar que a terra, por exemplo, que é uma minúscula parte deste Universo, é auto-criadora, e que se colocou nesta perfeição, com a distância exata do sol e da lua.
Se o Universo é mutável, como dissemos antes, e o auto-existente é imutável, logo o Universo não é "auto-existente".
Portanto, se o Universo não é auto- existente nem inexistente, então é passível de existir. E se é passível de existir, deve ter um criador, que o criou do nada.
Este criador não pode ser " passível de existir" senão ele próprio teria de ter um criador. Nem pode ser inexistente, porque o inexistente não pode criar o que existe. Portanto, deve ser auto-existente. E é Deus, Glorificado e Exaltado seja! Diz Deus:
"Deus é a Luz dos céus e da terra. O exemplo de Sua Luz é como o de um nicho em que há uma candeia; esta está num recipiente; e este é corno uma estrela brilhante, alimentada pelo azeite de uma árvore bendita, a oliveira que não é oriental nem ocidental, cujo azeite brilha, ainda que não lhe toque o fogo. É luz sobre luz! Deus conduz até Sua Luz a quem Lhe apraz. Deus exemplifica aos humanos, porque é Onisciente. (Semelhante luz brilha) nos templos que Deus tem consentido sejam erigidos, para que neles seja celebrado o Seu nome e neles O glorifiquem de manhã e à tarde, por homens a quem os negócios não desviam da recordação de Deus, nem da observância da oração, nem do pagamento do tributo. Temem o dia em que os corações e os olhos se transformem."
(Alcorão Sagrado, 24ª Surata, versículos 35-37).
E diz:
"Nós vos criamos. Por que, pois, não credes (na Ressurreição)? Haveis reparado, acaso, no que ejaculais? Por acaso, criais vós isso ou somos Nós o Criador?"
(Alcorão Sagrado, 56ª Surata, versículos 57-59).
E diz:
"Haveis reparado, acaso, no que lavrais? Porventura, sois vós os que fazeis germinar ou somos Nós o Germinador?"
(Alcorão Sagrado, 56ª Surata, versículos 63-64).
E diz:
"Haveis reparado, acaso, na água que bebeis? Sois vós, ou somente somos Nós quem a faz descer das nuvens?''
(Alcorão Sagrado, 56ª Surata, versículos 68-69).
Deus é Único e Não Possui Semelhantes
Um dos fatores que levaram o homem à perdição e o desviaram do caminho da iluminação é a alegação de que Deus Possui semelhantes.
No entanto, se o homem racional pensar um pouco, por alguns minutos, terá a convicção de que esta alegação é falsa e frustrante.
As razões da falsidade dessa alegação são muitas, dentre as quais podemos citar as seguintes como exemplo:
Primeiro: As questões de haver semelhantes determinaria a inexistência da própria divindade, Pois não é possível imaginar que o Auto-Existente, ou seja, Deus, Quem criou tudo com perfeição e minuciosidade tenha um semelhante. Se o tivesse para criar este universo e o controlar, não seria Auto-Existente.
Segundo: Suponhamos, como alegam os ateus, que existem dois deuses ou mais. Se os dois tivessem determinado criar o mundo, não se poderia realizar a existência, pois uma mente não poderia imaginar que duas forças se unissem para a criação de uma só coisa.
Entretanto, tendo em vista que o mundo existe como podemos ver, aquele que o criou é um Deus único que, por sua vez, não possui semelhantes.
Pois se os dois tivessem uma divergência, de modo que um quisesse criar o mundo e o outro rejeitasse, aquele que não quisesse criar o mundo não poderia ter o nome de Deus pelo fato de ser incapaz, devido ao fato de o mundo existir, e, aquele que quisesse criar o mundo é o Deus.
Os possuidores de mentes iluminadas estão convictos de que tanto uma empresa, uma aeronave ou um estado só podem ter desempenhos positivos se colocados sob um só comando. Portanto, comandaria mais que um Deus este mundo tão organizado, preciso e magnífico?
O Alcorão ilustra bem isso, pois Deus diz:
"Se houvesse em ambos (os céus e a terra) outras divindades além de Deus, (os céus e a terra) já se teriam desordenado. Glorificado seja Deus, Senhor do Trono, de tudo quanto lhe atribuem."
(Alcorão Sagrado, 21ª Surata, versículo 22).
Em sua exegese, Almaraghi diz: "O monoteísmo é comprovado pelo argumento racional, e nega a existência de semelhantes a Deus".
E diz: "Se houvesse em ambos (os céus e a terra) outras divindades além de Deus, já se teriam desordenado".
Ou seja, se houvesse nos céus e na terra outra divindade além de Deus haveria o caos e pereceriam todos os que neles se encontrassem, porque se existissem dois deuses, ou eles entrariam em acordo, ou divergiriam entre si, quanto ao comando do Universo.
A primeira alternativa é falsa, pois se um deles quisesse a criação e o outro não, este seria incapaz, e um deus não poderia assim ser.
A segunda alternativa é também falsa, pois se os dois elaborassem juntos a criação isto consistiria no fato de dois criadores manifestarem sua criação em uma só criatura. Logo, tendo em vista de que aquele que gera os céus e a terra só pode ser um só Deus, Este não pode ser senão Deus. Disse Deus:
"Deus não teve filho algum nem jamais nenhum outro deus compartilhou com Ele a divindade! Porque se assim fosse, cada deus teria se apropriado de sua criação e teriam prevalecido uns sobre outros. Glorificado seja Deus de quanto Lhe atribuem!''
(Alcorão Sagrado, 23ª Surata, versículo 91)
lbn Al Kacir diz:
"Se fosse possível haver politeísmo, cada deus se isolaria com aquilo que criou. Assim, não se poderia organizar a criação. Entretanto, observa-se que a existência é regular e está em harmonia, quer com o mundo superior, quer com o inferior que, por sua vez, estão interligados com a máxima perfeição. Por outro lado, cada um dos deuses desejaria a derrota do outro, tornando-se, assim, superior ao outro. Há aqueles que constataram isto com a prova;
"Não acharás imperfeição alguma na criação do Clemente" (67ª Surata, versículo 3), isto é, supondo-se dois elaboradores ou mais, onde um deles quisesse a movimentação de um determinado corpo, e o outro quisesse mantê-lo em repouso, estes seriam incapazes se suas vontades não fossem satisfeitas. Assim sendo, o "Auto-Existente" não é incapaz, além de que é impossível o encontro de duas vontades contrárias e isto vem para provar a falsidade do politeísmo. Se a vontade de um for satisfeita e a do outro não, o vencedor seria o auto-existente, enquanto o outro seria o pois não caberia ao auto-existente o adjetivo vencido de fato, Por isso Deus diz: "... teriam prevalecido uns sobre outros. Glorificado seja Deus de quanto Lhe atribuem!''
(Exegese do Alcorão, Volume 3, pág. 254)
Terceiro: A alegação da existência dos semelhantes pelos politeístas, os quais dizem serem estes semelhantes criaturas de Deus; se assim for, estes parceiros não têm a capacidade de constituir benefícios ou prejuízos para si nem para terceiros.
Logo, como poderia o homem neutralizar a sua mente, alegando a existência de outros deuses humanos ou não?
Estes semelhantes, se forem humanos, não se diferenciariam do homem em nada, pois, se assim forem, alimentar-se-iam, adoeceriam e morreriam, tudo isto em igualdade corri todos os seres humanos. Seriam servos de Deus, como o são os homens. Portanto, não estariam os politeístas dando a estes deuses características incompatíveis com eles (alegando seu teísmo)?
Ou melhor, não estariam eles igualando entre terra e ouro, entre água e fogo?
Por outro lado, admitimos a hipótese destes semelhantes serem animais, tais como vaca, cabrito, etc..., animais estes sagrados para o homem e considerados, por este, semelhantes a Deus. Na verdade, estes animais são os menos influentes na criação, como se constata.
Além disto, eles são exemplo de ignorância, fraqueza e incapacidade. Logo, poderia ser possível que estes animais tenham capacidade e aptidão para a criação do universo? Não estaria o homem gozando-se a si mesmo ao neutralizar a sua mente, acreditando que tais animais são sagrados, que ocupam posições de comando neste universo e que são semelhantes a Deus?
E se estes semelhantes assumirem outra natureza, tais como o sol, a lua e os planetas?
Estes seriam objetos de ironia por parte do homem e, conseqüentemente, não poderiam ser semelhantes a Deus. Portanto, como se pode igualar Deus a um semelhante que não tenha consciência do que sente e faz?
Quarto: As alegações desses semelhantes perante o pensamento correto. Na verdade,, tais semelhantes e politeístas, quer tenham a faculdade da fala ou não, não têm o direito de alegar que criaram a terra com suas criaturas, o céu e aquilo que nele existe, ou o sol e a lua, ou a noite aconchegante e o dia, ou a água e o ar, ou o homem, os animais e as coisas, ou terem a faculdade de comandar este Universo. Diz Deus:
"E se lhes perguntas: Quem criou os céus e a terra e submeteu o sol e a lua? Eles respondem: Deus! Então, porque se retraem?"
(Alcorão Sagrado, 29ª Surata, versículo 61).
E diz:
"E se lhes perguntas: Quem faz descer a água do céu e com ela vivi- fica a terra depois de haver sido árida? Respondem-te: Deus! Dize: Louvado seja Deus! Porém a maioria é insensata."
(Alcorão Sagrado, 29ª Surata, versículo 63).
E diz ainda:
"E se lhes perguntares quem criou os céus e a terra, seguramente te responderão: Deus! Dize-lhes: Tereis reparado nos que invocais em vez de Deus? Se Deus quisesse prejudicar-me, poderiam, acaso, impedí-Lo? Ou então, se Ele quisesse favorecer-me com alguma graça, poderiam eles privar-me dela? Dize-lhes mais: Deus me basta! A Ele se encomendam aqueles que confiam."
(Alcorão Sagrado, 39ª Surata, versículo 38).
Se os próprios alegados semelhantes negam a criação de qualquer coisa neste universo, por sua incapacidade e fraqueza, como podem ser tomados como semelhantes a Deus?
Diz Deus, revelando a incapacidade dos semelhantes e a insipiência dos politeístas:
"Ó humanos, eis um exemplo; escutai-o, pois: Aqueles que invocais, em vez de Deus, jamais poderiam criar uma mosca; ainda que, para isso, se juntassem todos. E se a mosca lhes arrebatasse algo, não poderiam resgatá-lo, porque tanto o solicitador como o solicitado, são impotentes."
(Alcorão Sagrado, 22ª Surata, versículo 73)
A Missão Do Homem Nesta Vida
Teria o homem uma missão nesta vida, por causa da qual foi criado e de acordo com a qual deve agir para cumpri-la, ou teria ele sido criado sem nenhuma missão na face da terra?
Possuiria tudo que existe na face da terra uma missão, ou somente o homem a possui?
Será que todas as criaturas cumprem com as missões que lhe foram destinadas e que são a razão de sua existência, ou somente algumas delas alcançaram o fim para os quais Deus as criou?
Ou será que uma parte das criaturas nada cumpriu?
São inumeráveis perguntas que, se o homem sensato nelas pensar, apinhar-se-ão sobre ele e reiterarão por resposta.
Algumas pessoas Deus guia à verdade, enquanto outros ficam filosofando a respeito de sua existência de acordo com suas paixões; outros ainda não se encaminham à uma reposta que possa convencê-los ou sossegue seu coração.
Entretanto, estas perguntas são de extrema gravidade, uma vez que suas respostas definem o comportamento do homem nesta vida e na outra, porque a felicidade do homem na outra vida depende de seus atos nesta vida e do cumpri- mento de sua missão.
Para que possamos desvendar o mistério de todas ou algumas dessas perguntas, dizemos:
Tendo em vista que este Universo, com tudo que nele existe, foi criado e harmonizado por Deus, é incontestável que cada átomo nele existente foi criado proporcionalmente, e que tudo que nele existe, foi criado com uma finalidade e possui uma missão.
A nossa ignorância dessa finalidade ou dessa missão não prova a sua inexistência. Nós, além de ignorarmos muitas coisas que nos rodeiam, ignoramos muito de nós mesmos. Diz Deus:
"E não criamos os céus e a terra e tudo quanto existe entre ambos, senão com justa finalidade."
(Alcorão Sagrado, 15ª Surata, versículo 85).
E diz:
"Não criamos os céus e a terra e quanto existe entre ambos por mero passatempo. E se quiséssemos diversão, tê-lo-íamos encontrado entre as coisas próximas de Nós, se Nós fizéssemos (tal coisa)."
(Alcorão Sagrado, 21ªSurata, versículos 16-17),
E diz ainda:
"Que possui o reino dos céus e da terra. Não teve filho algum, nem tampouco teve parceiro algum no reino. E criou todas as coisas e deu-lhes as devidas proporções."
(Alcorão Sagrado, 25ª Surata, versículo 2).
E diz ainda mais:
"Deus sabe o que concebe cada fêmea, bem como o que absorvem as suas entranhas e o que nelas aumenta e o que diminui: e com Ele tudo tem sua medida apropriada."
(Alcorão Sagrado, 13ª Surata, versículo 8).
E se tudo que existe foi criado com uma finalidade e possui uma missão, então, de certo que o homem tem uma missão, por causa da qual foi criado, e de acordo com a qual deve agir para cumpri-la.
Deveras, a missão do homem nesta vida é a mais magnífica das missões, porque Deus o dignificou o preferiu à maior parte de Sua criação.
Diz Deus:
"Enobrecemos os filhos de Adão e os conduzimos pela terra e pelo mar; agraciamo-los com todo o bem e os preferimos enormemente sobre a maior parte de quanto tenhamos criado."
(Alcorão Sagrado, 17ª Surata, versículo 70).
A magnitude da missão do homem é proporcional à dignidade que Deus lhe outorgou. Ele lhe submeteu tudo que lhe é benéfico nesta vida. Submeteu-lhe o sol, a lua, a noite e o dia, a água, o ar e tudo que existe nos céus e na terra. Disse Deus:
"Deus foi Quem criou os céus e a terra e é Quem envia a água do céu com a qual produz os frutos para o vosso sustento! Submeteu-vos os navios que, com Sua anuência, singram os mares, e submeteu-vos os rios. Submeteu-vos o sol e a lua, que sequem seus cursos; submeteu-vos a noite e o dia. E vos agraciou com tudo quanto Lhe havíeis suplicado. E se contardes as mercês de Deus, não podereis enumerá-las. Sabei que o homem é iníquo e ingrato por excelência."
(Alcorão Sagrado, 14ª Surata, versículos 32-34).
E disse:
"Deus foi Quem vos submeteu o mar para que, com Seu beneplácito, nele singrassem os navios e para que 1 procurásseis algo de Sua bondade, a fim de que O agradecêsseis. E vos submeteu tudo quanto existe nos céus e na terra, pois tudo d'Ele emana. Em verdade, nisto há sinais para os que meditam."
(Alcorão Sagrado, 45ª Surata, versículos 12-13)
O homem, além do que já citamos, é o único dentre as criaturas que aceitou o Encargo. Disse Deus:
"Por certo que apresentamos o Encargo aos céus, à terra e às montanhas, que se negaram e temeram recebê-lo; porém, o homem se encarregou disso, mas provou ser um tirano e um insipiente"
(Alcorão Sagrado, 33ª Surata, versículo 71).
A missão do homem se cumpre devido a três fatores:
1º - Adorar a Deus e seguir a doutrina que Ele enviou com Seus profetas. Esta é a essência da missão do homem nesta vida. Disse Deus:
"Não tenha criado gênios e humanos, a não ser com o intuito de que Me adorarem."
(Alcorão Sagrado, 51ª Surata, versículo 56).
Adorar a Deus é submeter-se a Ele, glorificando-O e cumprindo as Suas leis.
A aplicação da doutrina revelada a Seu Profeta Muhammad e o cumprimento dos pilares do Islam, testemunhando que não há deus a não ser Deus e que Muhammad é o Seu Mensageiro, praticando a oração, pagando o tributo, jejuando o mês de Ramadan e peregrinando à Casa Sagrada quando tiver posses para tal, é adoração.
Obedecer a Deus naquilo que nos ordenou, é adoração. Obedecer ao Mensageiro, por ser o encarregado de transmitir a Mensagem de Deus, é adoração.
Se o homem adorar a seu Senhor da forma apresentada aqui, cumprindo as leis da doutrina e obedecendo a seu Senhor no que foi ordenado, seguindo o Mensageiro naquilo que ele transmitiu a respeito de seu Senhor, estará cumprindo a missão que lhe foi outorgada.
2º - A edificação da terra é o cumprimento da missão do homem. A edificação da terra só pode ser realizada com o aproveitamento das dádivas incomensuráveis que Deus nela disseminou, quer seja sobre a terra ou no seu interior. Disse Deus:
"Ele foi Quem vos criou da terra e nela vos enraizou."
(Alcorão Sagrado, 11ª Surata, versículo 61).
E disse:
"Ele foi Quem vos fez a terra manejável. Percorrei-a, pois, por todos os seus quadrantes e desfrutei de Suas mercês; a Ele será o retorno!"
(Alcorão Sagrado, 67ª Surata, versículo 15).
E disse mais:
"E criamos o ferro que encerra grande poder, além de outros benefícios para os humanos."
(Alcorão Sagrado, 57ª Surata, versículo 25).
E disse ainda:
"Ele foi Quem vos criou jardins com plantas trepadeiras ou não, assim como as tamareiras, as sementeiras com frutos de vários sabores, as oliveiras e as romãzeiras, pares e dispares. Comei de seus frutos quando frutificarem e pagai seu tributo no dia da colheita e não vos excedais, porque Deus não ama os transgressores."
(Alcorão Sagrado, 6ª Surata, versículo 141).
E disse mais ainda:
"E na terra há regiões vizinhas (de diversas características); há plantações, vinhedos, sementeiras e tamareiras, pares e díspares; são regadas pela mesma água e distinguem-se umas das outras pela variedade de frutos. Nisto há sinais para os sensatos."
(Alcorão Sagrado, 13ª Surata, versículo 4).
E disse ainda mais:
"Deus vos designou moradas e vos proporcionou tendas feitas de pelos de animais, as quais manejais facilmente no dia de vossa viagem, bem como no dia de vosso acampamento; e de sua lã, de sua fibra e de seus pelos elaborais alfaias e artigos que duram longo tempo."
(Alcorão Sagrado, 16ª Surata, versículo 80).
E disse mais ainda:
"E criou o gado do qual obtendes vestimentas, alimento e outros benefícios, e tendes nele encanto, quer quando o conduzis aos apriscos, quer quando, pela manhã, o levais para o pasto. Ainda leva vossas cargas até as cidades, às quais jamais chegaríeis, senão à custa de grande esforço. Sabei que vosso Senhor é Compassivo, Misericordiosíssimo. E criou o cavalo, o mulo e o asno para serem cavalgados e para o vosso deleite, e cria coisas mais que ignorais."
(Alcorão Sagrado, 16ª Surata, versículos 5-8).
E disse ainda:
"E tendes exemplos nos animais; damo-vos para beber o que há em suas entranhas; sai, dentre sedimentos e sangue, leite puro e saboroso para aqueles que o bebem. E dos frutos das tamareiras e das videiras vós extraís uma bebida inebriante e benéfica. Nisto há sinal para os sensatos. E teu Senhor inspirou as abelhas, dizendo: Construí vossas colméias nas montanhas, nas árvores e nos locais em que vos forem designados. Alimentai-vos de toda classe de frutos e esvoaçai pelas sendas traçadas por vosso Senhor! Sai de seu abdômen um líquido de variegadas cores que constitui um bálsamo para o homem. Nisto há sinal para os que refletem."
(Alcorão Sagrado, 16ª Surata, versículos 66-69).
Além destas dádivas, há outras inumeráveis, cognoscíveis incognoscíveis. Estes versículos esclarecem que o Criador, o Formador e o Harmonizador é Deus, e que o homem deve desfrutar dessas dádivas. Para que o homem desfrute totalmente da criação de Deus, deve seguir e realizar os seguintes passos:
a) A ciência: Ela é o único caminho que indica a realidade dos benefícios das coisas. Por isso, vemos que foi essa característica que proporcionou a Adão candidatar-se a ser o herdeiro de Deus na terra, distinguindo-o do resto da criação. Disse Deus:
"Ele ensinou a Adão todos os nomes (de seres e coisas) e depois apresentou-os aos anjos e lhes disse: Nomeai-os para Mim se sois verazes. Disseram: Glorificado sejas! Não possuímos mais conhecimento, além do que Tu nos proporcionaste, porque somente Tu és Prudente, Sapientíssimo. Ele ordenou: Ó Adão, revela-lhes seus nomes. E quando ele lhes revelou seus nomes, asseverou (Deus): Não vos disse que conheço o mistério dos céus e da terra, assim como o que manifestais e o que ocultais?''
(Alcorão Sagrado, 2ª Surata, versículos 31-33).
Por isso, Deus nos estimula a percorrermos a terra, a olharmos, pesquisarmos, adquirirmos conhecimento, para avaliarmos o Poder de Deus em sua criação e na sua harmonia. Disse Deus:
"Não reparam, acaso, em como Deus origina a criação e logo a reproduz? Em verdade, isso é fácil a Deus. Dize-lhes: Percorrei a terra e contemplei como Deus origina a criação; assim sendo, Deus pode produzir outra criação, porque Deus é Onipotente."
(Alcorão Sagrado, 29ª Surata, versículos 19-20).
A ciência, além de ser o único caminho para desfrutarmos das dádivas de Deus, é também o caminho exemplar para avaliarmos a Onipotência e a Magnificência de Deus. Por isso, os sábios são os que mais reverenciam e se submetem a Deus. Disse Deus:
"Não reparas em que Deus faz descer a água do céu? E produzimos com ela frutos de várias matizes; e também há extensões de montanhas, brancas, vermelhas, de diferentes cores, e há as de intenso negro. E entre os humanos, entre os répteis e entre o gado, há os também de diferentes cores. Os sábios dentre os servos de Deus, só a Ele temem, porque sabem que Deus é Poderoso, lndulgentíssimo."
(Alcorão Sagrado, 35ª Surata, versículos 27-28).
b) O planejamento: O homem necessita sempre das dádivas de Deus, porém, estas necessidades têm graus diferentes de importância, Assim sendo, a necessidade quanto à alimentação, por exemplo, não é a mesma com referência às rosas e às flores; da mesma forma, a necessidade quanto à água não se iguala com a necessidade quanto a algo para se cobrir a cabeça.
As necessidades dos indivíduos variam segundo suas atividades, seus costumes e tradições. Posto isso, seria indispensável a realização de um certo planejamento que fixa as prioridades fundamentais do homem, para que ele possa desfrutar plenamente das dádivas que Deus lhe criou.
Vale lembrar que Deus inspirou o profeta José (que a Paz esteja sobre ele) no seu planejamento para salvar o povo do Egito de uma fome fatal, economizando alimentos, permitindo-lhes, posteriormente, prestar ajuda a outros povos assolados pela fome. Enfatizarmos o fato de que José fez seu planejamento por inspiração emanada de Deus, para um período de quinze anos, com muito sucesso.
Assim, seu povo e os povos vizinhos desfrutaram de muitos benefícios, enquanto hoje, há vários países impossibilitados de elaborar um plano qüinqüenal, apesar do progresso científico que alcançamos. José (que a Paz esteja sobre ele), porém, em seu planejamento, não levou em consideração apenas as pessoas, mas cuidou também de preservar os animais, pois estes proporcionavam alimento e auxiliavam no trabalho. Disse Deus:
"E disse aquele dos dois prisioneiros, o que foi liberto, recordando-se (de José) depois de algum tempo: Enviai-me a quem sabe dar interpretações, que voltarei com ela. (Foi enviado e, quando lá chegou, disse:) ó José, 6 veracíssimo, explica-me o que significam sete vacas gordas sendo devoradas por sete magras, e sete espigas verdes e outras sete secas, para que eu possa regressar àquela gente, a fim de que se conscientizem. Respondeu-lhe: Semeareis durante sete anos, segundo a costume e, do que colherdes, deixai ficar tudo em suas espigas, exceto o pouco que haveis de consumir. Então virão, depois disso, sete anos estéreis que consumirão o que tiverdes poupado para isso, mesmo o pouco que tiverdes reservado (à parte). Depois disso virá um ano no qual as pessoas serão favorecidas com chuvas, em que espremerão os frutos."
(Alcorão Sagrado, 12ª Surata, versículos 45-49).
c) A precisão do trabalho: Para que o homem possa se beneficiar de seu trabalho e planejamento no que diz respeito à edificação da terra e às dádivas que Deus lhe oferece, é indispensável a precisão no trabalho. Na verdade, o Islam nos incentiva ao trabalho, ao esforço e ao labor. Disse Deus:
"Fizemos a noite como um manto, e fizemos o dia para ganhardes o sustento."
(Alcorão Sagrado, 78ª Surata, versículos 10-11).
Além de incentivar seus adeptos a trabalharem e se esforçarem, a Islam determina àquele que deixa de pensar em si mesmo e ajuda os pais, os pobres, os familiares necessitados, provendo-os e mantendo-os, a mesma recompensa daquele que luta pela causa de Deus.
Certo dia o Profeta Muhammad (que a Paz e a Bênção de Deus esteja sobre ele), estava sentado juntamente com seus Companheiras, quando viram um rapaz forte, que acordara cedo para ir ao trabalho. Disseram:
"Ah, se este rapaz usasse sua força e juventude pela causa de Deus!" O Profeta retrucou: "Não dizeis isto, pois se ele estiver se esforçando para se manter e não depender dos outros, estará lutando pela causa de Deus. Se estiver se esforçando para ajudar os pais fracos, ou os familiares necessitados, provendo-os e mantendo-os, estará lutando pela causa de Deus. Entretanto, se estiver se esforçando por orgulho e amor próprio, estará lutando pela causa do sedutor."
O Islam não só nos incentiva a trabalharmos, mas também nos estimula a aperfeiçoarmos esse trabalho. Diz o Profeta Muhammad(que a Paz e a Bênção de Deus esteja sobre ele):
"Deus deseja que, quando alguém fizer algo que o faça bem feito."
3º- A Herança de Deus na Terra: Ser herdeiro de Deus na terra é aplicar as Suas leis e mandamentos, adotando-se o sistema de Deus corno caminho e senda para toda a humanidade que por ele será orientada, na sua senda caminhará, e as Suas leis adotará.
O sistema de Deus é aquele trazido por todos os Profetas. Se os homens adotarem o sistema de seu Senhor, elevar-se-á a bandeira da justiça, a Palavra de Deus será exaltada e a herança de homem será cumprida.
Aqueles que aplicam o sistema de Deus, ou o conteúdo da missão do Profeta Muhammad(que a Paz e a Bênção de Deus esteja sobre ele), por ser a última das missões, em si próprios, em seus familiares e em seus povos, são os verdadeiros herdeiros de Deus.
Aqueles que se negam a seguir o sistema de Deus e sequem os códigos e as leis por eles inventados, ou sequem a outros, não podem ser considerados herdeiros de Deus, mesmo que se tenham denominado muçulmanos.
Logo, cumprir a herança de Deus é adotar o Seu sistema em todos os rituais, nos relacionamentos, na moral, nos costumes, e em todas as atividades humanas.
Ao adotarmos integralmente o sistema de Deus, fazendo-o parte integrante de nossa vida, cumpriremos a nossa verdadeira missão, por causa da qual foi o homem criado. Disse Deus:
''(Recorda-te Ó Profeta) de quando teu Senhor disse aos anjos: Vou instituir um herdeiro na terra! Perguntaram-lhe: Estabelecerás nela quem ali fará corrupção, derramando sangue, enquanto nós celebramos Teus louvores, glorificando-Te ? Disse (o Senhor): Eu sei o que vós ignorais. Ele ensinou a Adão todos os nomes (de seres e coisas) e depois apresentou-os aos anjos e lhes falou: Nomeai-os para Mim se sois verazes. Disseram: Glorificado sejas! Não possuímos mais conhecimento, além do que Tu nos proporcionaste, porque somente Tu ás Prudente, Sapientíssimo. Ele ordenou: ó Adão, revela-lhes seus nomes. E quando ele lhes revelou seus nomes, asseverou (Deus): Não vos disse que conheço o mistério dos céus e da terra, assim como o que manifestais e o que ocultais?"
(Alcorão Sagrado, 2ª Surata, versículos 30-33).
E disse.
"Deus prometeu àqueles, que dentre vós crêem e praticam o bem, fazê-los herdeiros da terra, como fez com seus antepassados; consolidar-lhes a religião que escolheu para eles e trocar sua apreensão por tranqüilidade. Que Me adorem e nada Me atribuam!"
(Alcorão Sagrado, 24ª Surata, versículo 55).
E para que a herança do homem sobre a terra seja real, Deus submeteu ao homem tudo que nela existe de animais, vegetais e materiais.
Disse Deus:
"E criou o gado do qual obtendes vestimentas, alimento e outros benefícios. E tendes nele encanto, quer quando o conduzis aos apriscos, quer quando, pela manhã, o levais para o pasto. Ainda leva vossas cargas até as cidades, às quais jamais chegaríeis senão à custa de grande esforço. Sabei que vosso Senhor é Compassivo. Misericordiosíssimo. E criou o cavalo, o mulo e o asno para serem cavalgados e para vosso deleite, e cria coisas mais que ignorais.''
(Alcorão Sagrado, 16ª Surata, versículo 5-8).
E disse:
"Ele é Quem envia água do céu, da qual bebeis, e mediante a qual brotam arbustos com que alimentais o gado; e com ela faz germinar a plantação, a oliveira, a tamareira, a videira, bem como toda sorte de frutos. Nisto há um sinal para os que refletem. E submeteu-vos a noite e o dia; o sol, a lua e as estrelas estão submetidos às Suas ordens. Nisto há sinais para os sensatos, bem como em tudo quanto vos multiplicou na terra, de variegadas cores. Certamente nisto há sinal para os que meditam. E foi Ele Quem vos submeteu o mar para que dele comêsseis carne fresca e retirásseis certos ornamentos com que vos enfeitais. Vedes nele os navios sulcando as águas à procura de algo de Sua graça; quiçá sejais agradecidos. E fixou na terra sólidas montanhas, para que ela não estremeça convosco, bem como rios, e caminhos pelos quais vos guiais. Assim como os marcos, constituindo-se das estrelas, pelas quais eles se guiam. Poder-se-á comparar o Criador com quem nada pode criar? Não meditais? Porém, se pretendentes contar as mercês de Deus, jamais podereis enumerá-las. Sabei que Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo."
(Alcorão Sagrado, 16ª Surata, versículos 10-18).
Com estes três fatores: A adoração de Deus, a edificação da terra e a herança, cumpre-se a verdadeira missão do homem nesta vida.
O que devemos frisar que o primeiro fator, a adoração de Deus, é a essência da missão do homem. Os outros dois fatores ajudam a cumprir e fortalecer essa missão. Disse Deus:
"Não tenho criado gênios e humanos, a não ser com o intuito de que Me adorem."
(Alcorão Sagrado, 51ª Surata, versículo 56).
É Deus, A Natureza, ou O Acaso?
Se o homem olhar-se profundamente, ou se olhar o que o rodeia neste Universo, de criaturas, maravilhas, estruturas, organizações, perfeições, limitações, avaliações e proporções, concluirá que está perante uma só suposição verdadeira, dentre três únicas suposições:
Primeira: Que os átomos da matéria e seus componentes aglomeraram-se, circularam, pensaram, determinaram, impuseram e formaram todo este Universo, com suas cores, corpos, espécies, feição, com uma perfeição incrível.
Segunda: Que os átomos da matéria e seus componentes se encontraram e se misturaram, por acaso, de uma forma conveniente, num tempo suficiente, num ambiente propício e daí surgiu o que vemos do mundo animal, vegetal e mineral.
Terceira: Que todo este Universo foi criado por Deus. A primeira suposição é falsa, porque a própria matéria é criada. E se é criada, não pode criar outra, mas necessita de um Criador.
Os cientistas em geral concordam que a matéria não raciocina, não tem intenção nem vontade própria. Como um raciocínio pode imaginar que algo sem cérebro, intenção e vontade, pode criar este Universo com tudo que tem, de uma forma tão perfeita?
Se a primeira suposição é falsa, a segunda também é, pois não se pode imaginar que a lei que rege todo o Universo, com sua ordem e perfeição é obra do acaso cego. E se isso é inimaginável, é inconcebível que o acaso assuma uma lei geral que rege todo o Universo.
É sabido, pela lei das probabilidades, que se tomarmos dez papéis e os enumerarmos de um a dez, e os colocarmos num recipiente que nos impossibilite vermos os números, e se uma pessoa enfiar a mão para tirar os papéis, a probabilidade matemática de tirar o papel enumerado com o número um é de um para dez; a probabilidade de tirar o papel com o número um e o papel com o número dois em ordem, é de um para cem, o assim por diante; e a probabilidade de tirar os papéis em ordem de um a dez, é de um para dez bilhões.
De acordo com isso, é impossível que o acaso se transforme numa lei geral, que rege milhares de galáxias, quer seja no que diz respeito ao fenômeno da preservação, quer seja no que tange à sua formação exterior e interior, com seus diferentes componentes, que agem num equilíbrio extraordinário e de uma cooperação fenomenal, cujo resultado é a conservação do indivíduo vivo até um término prefixado.
Se ambas as suposições são falsas, só nos resta a terceira hipótese: de que este Universo, na sua totalidade, foi criado por Deus. Disse Deus:
"Em verdade, criamos todas as coisas proporcionalmente."
(Alcorão Sagrado, 54ª Surata, versículo 2).
E disse, ainda:
"E dilatamos a terra em que fixamos montanhas, fazendo germinar tudo comedidamente. E nela vos proporcionamos meios de subsistência, tanto para vós como para aqueles aos quais vós não estais afeitos a prover. E não existe coisa alguma cujas origens não estejam em Nosso poder, e não vô-la enviamos, senão proporcionalmente."
(Alcorão Sagrado, 15ª Surata, versículos 19-21 ).
E disse, mais:
"Tal é a obra de Deus, Que tem disposto prudentemente todas as coisas, porque Ele está inteirado de quanto fazeis."
(Alcorão Sagrado, 27ª Surata, versículo 88).
E para não nos prolongarmos muito, apresentaremos as afirmações da ciência para nos convencermos da miraculosidade da criação de Deus e de que todo este Universo é a Criação de Deus, Sapiente, Prudentíssimo, Que deu devidas proporções às coisas, e criou tudo com perfeição.
Diz o Dr. Youssef Ezziddin Issa:
"Antes de citarmos a primeira prova científica e incontestável da existência de Deus, devemos saber que a maior parte dos corpos dos animais e vegetais são formados de inumeráveis unidades minúsculas que chamamos de células. As células que formam os nossos corpos estão em divisão constante para o desenvolvimento do corpo ou para a substituição das que morrem. Cada uma dessas células é formada basicamente de uma estranha substância chamada de protoplasma. Dentro de cada célula há vários elementos cujas funções são preestabelecidas. Dentre esses elementos encontram-se corpúsculos com função de hereditariedade e que chamamos de cromossomos, O seu número é constante em cada espécie de células animais e vegetais. O número dos cromossomos nas células do gato, por exemplo, difere do número que existe nas células do cão, do elefante ou do coelho, ou das plantas, da cenoura e do feijão. Nas células humanas, o número dos cromossomos de cada célula é de 46. Quando a célula se divide em duas, cada nova célula deve ter o mesmo número de cromossomos de 46 unidades, pois se houver qualquer variação nele, o homem tornar-se-á deficiente. As células, como dissemos antes, estão em constante divisão, isso acontecendo a todos os instantes. Até agora não descobrimos a causa da força controladora dessa operação fantástica, que é divisão da célula. A ciência se satisfaz em descrever o desenvolvimento do fenômeno que pode ser observado através do microscópio. Todas as células provenientes da divisão celular, do corpo do homem, devem possuir, como foi dito acima, o mesmo número de cromossomos, com exceção de duas espécies de células; as células sexuais: o espermatozóide masculino e o óvulo feminino. Quando da divisão celular para a formação das células sexuais, as novas células não possuem 46 cromossomos, mas a metade disso, ou seja, o espermatozóide masculino e o óvulo feminino têm apenas 23 cromossomos cada um. Por que isso acontece? Acontece devido a uma extraordinária inteligência e um extraordinário objetivo, pois a célula masculina (espermatozóide), deve fecundar a célula feminina (óvulo) para a formação da primeira célula do corpo do embrião, e que chamamos de "célula fecundada", onde os 23 cromossomos da célula masculina se juntam aos 23 da célula feminina, para formarem os 46 cromossomos da nova célula. Essa "célula fecundada" inicia a sua divisão celular em duas, quatro, oito, etc..., até a formação completa da criança que nasce, com a constância da divisão celular, como acontece com seus pais. Este fenômeno chamado de meiose, é impossível ser obra do acaso. Só pode ser o resultado de um planejamento meticuloso, de uma força superior que tem consciência do que faz. Ao mesmo tempo, este processo não pode depender de experiência e possibilidade de erro, porque se ocorresse um único erro no início da criação, todos os seres vivos teriam perecido antes da geração seguinte. Ou seja, esta ordem só pode ter sido concluída desde a formação do primeiro embrião que surgiu no mundo. Não é isso, acaso, prova suficiente da existência de uma força superior harmonizadora, planejadora?"
Diz então:
"Por outro lado, não pode ser por intermédio da experiência e possibilidade de erro e acerto que as células nervosas e musculares não se dividam. Se isso ocorresse com as células nervosas das quais é formado o cérebro e o resto do sistema nervoso, haveria uma catástrofe terrível, pois as células do cérebro não conseguiriam conservar a personalidade do indivíduo e todos os conhecimentos da memória iriam enfraquecer e se aniquilar em poucas horas. O número das células do cérebro do homem ou de qualquer outro animal não se altera até a sua morte, enquanto os glóbulos vermelhos, sego células que morrem e são substituídos por novos glóbulos a cada cem dias aproximadamente".
Deus diz:
"Que aperfeiçoou tudo que criou e iniciou a criação do primeiro homem de barro; então, formou-lhe a prole de essência de sutil sêmen; depois o modelou, alentou-o de Seu Espírito. Dotou-vos da audição, da visão e do coração (entendimento). Quão pouco lhe agradeceis."
(Alcorão Sagrado, 32ª Surata, versículos 7-9).
E diz:
"Ó humano, o que te fez negligente em relação a teu Senhor, o Munificentíssimo, Que te criou, te formou, te aperfeiçoou, e te modelou na forma que a teu Senhor aprouve?"
(Alcorão Sagrado, 82ª Surata, versículos 6-8).
A Onipotência, a Magnificência e a Criatividade de Deus não se manifestam apenas na criação do homem, mas na criação de tudo que há nos céus e na terra. Deus diz:
"Seguramente, a criação dos céus e da terra é mais importante do que a criação do homem; porém, a maioria dos humanos o ignora."
(Alcorão Sagrado, 40ª Surata, versículo 57).
Não necessitamos instigar as pessoas e observarem os céus e a terra e o que há entre ambos de maravilhoso e perfeito, porque isto é do conhecimento de todo aquele que raciocina, nem que seja por um instante, na magnificência dessas criações e de como foram preparadas e submetidas ao homem. Deus diz:
"Em verdade vossos bens e vossos filhos são uma mera tentação. Mas sabei que Deus vos reserva uma magnífica recompensa."
(Alcorão Sagrado, 64ª Surata, versículo 15)
E diz:
"Deus foi Quem criou os céus e a terra e é Quem envia a água do céu com a qual produz os frutos para o vossos sustento! Submeteu-vos os navios que, com Sua anuência, singram os mares, e submeteu-vos os rios. Submeteu-vos o sol o a lua, que sequem seus cursos. Submeteu-vos a noite e o dia. E vos agraciou com tudo quanto Lhe havíeis suplicado. E se contardes as mercês de Deus, não podereis enumerá-las. Sabei que o homem é iníquo e ingrato por excelência."
(Alcorão Sagrado, 14ª Surata, versículos 32-34).
Se o homem pensasse em seu alimento e em suas vestimentas, envergonhar-se-ia de si próprio e de sua fraqueza, por ser incapaz de fazer germinar uma só planta e discutir a respeito d'Aquele que cumulou-o de graças incontáveis. Tudo que há no Universo foi criado por causa do homem, e age de acordo com o comando de Deus para preparar ao homem uma vida propícia na face desta terra.
Ele fez do sol um esplendoroso lustre que, além de sua luminosidade, faz evaporar a água dos mares, que se transforma em nuvens e então desce em forma de chuva com a qual Deus vivifica a terra após ter sido árida, fazendo dela brotar toda formosa espécie. Diz Deus:
"Nem colocamos um esplendoroso lustre. Nem enviamos das nuvens copiosa chuva. Para produzir, por meio dela, o grão e as plantas."
(Alcorão Sagrado, 78ª Surata, versículos 13-1 5).
E diz:
"Porém, não reparam, acaso, no céu que está acima deles? Como o construímos e o adornamos, sem abertura aparente? E dilatamos a terra, fixando nela (firmes) montanhas, produzindo ali toda formosa espécie. Para observação e recordação de todo servo contrito. E enviamos do céu a água bendita, mediante a qual produzimos jardins e cereais para a colheita. E também as frondosas tamareiras cujos cachos estão carregados de frutos em simetria, como sustento para os servos; e revivemos com ela (a água) uma comarca árida. Assim será a ressurreição."
(Alcorão Sagrado, 50ª Surata, versículos 6-1 1).
E diz:
"Que o homem repare, pois em seu alimento. Em verdade, derramamos a água em abundância, depois, abrimos a terra em fendas, e fazemos nascer o grão, a videira e as plantas (nutritivas), a oliveira e a tamareira, e jardins frondosos, e o fruto e a forragem."
(Alcorão Sagrado, 80ª Surata, versículos 24-31).
Também os animais foram criados para o benefício do homem. Ele os cavalga, os usa na agricultura, alimenta-se de sua carne, bebe o seu leite, e de seu pêlo confecciona vestimentas e utensílios para ele. Deus diz:
"E criou o gado do qual obtendes vestimentas, alimento e outros benefícios. E tendes nele encanto, quer quando o conduzis aos apriscos, quer quando, pela manhã, o levais para o pasto. Ainda levam vossas cargas até as cidades, às quais jamais chegar íeis senão à custa de grande esforço. Sabei que vosso Senhor é Compassivo, Misericordiosíssimo. E criou o cavalo, o mulo e o asno para serem cavalgados e para o vosso deleite, e cria coisas mais que ignorais."
(Alcorão Sagrado, 16ª Surata, versículos 5-8).
E diz:
"Deus vos designou moradas e vos proporcionou tendas feitas de peles de animais, as quais manejais facilmente no dia de vossa viagem, bem como no dia de vosso acampamento; e de sua 15, de sua fibra e de seus pêlos elaborais alfaias e artigos que duram longo tempo".
(Alcorão Sagrado, 16ª Surata, versículo 80)
Os corpos grandes chamam a atenção de qualquer um, queira ou não queira. Os pequenos, porém, são incógnitos para o homem e ele desconhece a sua perfeição, maravilha e organização que possuem, a menos que saiba algo de sua vida.
Se conhecermos um pouco da vida das abelhas, por exemplo, teremos a convicção de que este pequeno inseto clama, pelo que possui de organização, que todo este universo é a criação de um Deus, Harmonizador, Onisciente, Prudentíssimo.
Diz o Dr. Youssef Ezziddin Issa:
''As abelhas vivem em colméias e cada colméia tem uma rainha, além dos machos, obreiras e soldados. A função dos machos é fecundar a rainha. Esta tem como função a produção da larva. A função dos soldados é defender a colmeia. As obreiras porém, tem por função conseguir alimentos para o resta da colmeia, além de outras funções. Devido à importância da rainha, por ser a única fêmea fecundada, ela é alimentada com alimento especial, a geléia real. A maneira como conseguem o alimento é um fenômeno extraordinário. As abelhas dispõem de meios de comunicação muito precisos para indicar às companheiras os lugares onde há ricas provisões. Quando uma obreira descobre um campo, ou uma grande quantidade de plantas consideradas como fonte de alimento, ela retorna à colmeia para informar às outras obreiras sobre a sua descoberta. Isso é feito essencialmente por meio de danças. Essa dança tem vários tipos. Durante a dança o corpo executa movimentos que indicam o ângulo em relação ao sol, e a distância do lugar descoberto, se distante ou próximo. O número de voltas feitas dentro de determinado período de tempo indicam a distância. Quanto mais rápida a dança, mas próximo o local. Uma das obreiras repete a dança para informar às descobridoras que sua mensagem fora recebida. Em seguida, as obreiras voam para o local a fim de recolherem o alimento. Com a sua dança, a abelha descobridora transmite uma série de informação à colméia que, se nós quiséssemos chegar ao ponto que as abelhas chegam, com um desenho demonstrativo, levaríamos não menos de um terço de hora para fazê-lo, com a condição de que tenhamos os conhecimentos matemáticos necessários para tal. As abelhas, porém, fazem-no instantaneamente, voando em linha reta para o local. Um fenômeno extraordinário que só pode ser explicado com a crença na existência de um alento divino proporcionado pelo Criador do Universo à essas minúsculas criaturas desprovidas de cérebro ou de poder de raciocínio que as capacitam a conseguir o que necessitam. É de estranhar também que as abelhas conseguem ver uma cor que nós, seres humanos, não vemos e nem podemos imaginária. É a cor ultravioleta que nós vemos como a cor negra. As abelhas vêem os raios ultravioleta e a inteligência nisso é que esses raios são os únicos que podem penetrar as nuvens, Como as abelhas vivem a maior parte do ano em zonas cobertas por nuvens, e a visão do sol é essencial para indicar os locais que possuem o alimento, por isso as abelhas vêem a cor ultravioleta, conseguindo assim ver o sol através das nuvens, não morrendo assim de fome, quando o sol se esconde atrás das nuvens. É um fenômeno extraordinário que prova a existência de um Criador Planificador e Harmonizador, Que sabe o que faz, pois este poder não pode ter sido adquirido pelas abelhas gradativamente através dos tempos. Tinha de estar presente desde o primeiro instante em que Deus criou as abelhas. De outra feita, as abelhas teriam desaparecido daquelas zonas há muito tempo. Por outro lado, não pode ter sido obra do acaso pelo que demonstramos acima.''
Podemos dizer que todo homem, em qualquer lugar, no oriente ou no ocidente, no norte ou no sul, que respeita o seu intelecto, tem a plena convicção e a crença firme que este Universo, com tudo que abrange de animais, vegetais e minerais; e que toda a vida, a precisão, a organização; e que todo o poder, magnitude e milagre; e que toda beleza, magia e majestade; e que tudo o que tem de segredos que as palavras são incapazes de descrever, e que tudo o que conhecemos e desconhecemos tudo isso clama, para aquele que tem razão, coração e visão, que este Universo é a Criação de Deus, Criador, Magnânimo, Harmonizador e Todo-Poderoso. Louvada seja Deus !
O Destino
O homem que não se olha, nem olha o que está ao seu redor, não pode conhecer a sua realidade nem a realidade do que o rodeia. E aquele que se desconhece a si próprio e ignora se Possui um papel determinado na vida, está na verdade morto, mesmo que esteja comendo e bebendo, a exemplo de seus semelhantes.
Para que o homem se conheça e se beneficie de sua existência nesta vida, deixando vestígios que provam a sua existência, deve analisar-se primeiramente, sem restringir seus pensamentos ao seu presente e ao seu futuro apenas, mas também deve pensar prolongadamente em sua família e em seu destino.
O pensamento sadio nos indica que cada alma tem um papel nesta vida, dentro de um limite prefixado, porque Deus não criou ninguém na face da terra para eternizá-lo nela.
A morte é inevitável e ninguém pode negá-la, Profetas, líderes, eminentes, reis, presidentes, chefes, ricos, pobres, fortes, fracos, sadios, doentes, todos, quando chega a sua hora, morrem, encerrando seu papel nesta vida. Diz Deus:
"Cada ser provará o sabor da morte."
(Alcorão Sagrado, 3ª Surata, versículo 185).
E diz:
"Não é dado a nenhum ser morrer sem a vontade de Deus; é um destino prefixado."
(Alcorão Sagrado, 3ª Surata, versículo 145).
E diz ainda:
"Jamais concedemos imortalidade a ser humano algum anterior a ti. Porventura, se tu morresses, seriam eles imortais."
(Alcorão Sagrado, 21ª Surata, versículo 34).
A morte é uma verdade incontestável, que todos atestam, reconhecem e acreditam. Se a morte, que o homem presencia, encerra o papel dele nesta vida, qual é o seu destino após a morte?
Acabará a sua existência com a morte?
Ou a morte é o meio de transição do homem de uma vida para outra, diferente desta?
Devemos aqui pensar prolongadamente. A primeira coisa em que devemos pensar prolongadamente é a respeito, para chegarmos a uma conclusão neste assunto, é quem criou o homem?
Quem lhe criou a terra sobre a qual vive?
Quem lhe submeteu o que há nos céus e na terra?
E Quem lhe enviou os profetas?
Todos os sábios que fizeram da verdade o seu ideal, concordam que quem criou tudo isto e o aperfeiçoou é Deus. E se foi Deus Quem criou o homem e o agraciou com o intelecto, enviou-lhe os Profetas, deixou, acaso, Deus o homem com seu intelecto, de tal modo que ele possa traçar um determinado sistema, com a aplicação do qual o homem consiga a sua segurança?
Ou Deus traçou um determinado sistema, manifestado por intermédio de Seus Profetas, que o homem deve seguir?
Para descobrirmos a verdade, devemos conhecer a capacidade intelectual do homem e o limite do círculo em que ele pode atuar. Pode o intelecto apresentar um sistema que efetive a segurança e a prosperidade do homem ou não?
Sabemos que o cérebro tem um grande papel efetivo na vida do homem. E nós não podemos negar o fato de que sem cérebro, o homem perde a sua capacidade humana, deixando de ter as obrigações e responsabilidades que os outros têm.
Esse grande papel do cérebro, porém, tem limites. Se atuar além dos limites que lhe foram determinados, falhará indubitavelmente. O mesmo caso não se dá apenas com o cérebro. Acontece com tudo que Deus criou.
Se usarmos o olho, por exemplo, para a audição, estaríamos desviando-o da função que lhe foi traçada e estaria fadado a falhar. O mesmo se dá com qualquer órgão, se quisermos utilizá-lo fora de suas funções.
Para conhecermos as aptidões do cérebro, devemos saber que ele não possui autoridade absoluta sobre tudo. Sua função se restringe aos sentidos, porque ele nada pode resolver sem os nossos cinco sentidos.
Ele não consegue ver nenhuma cor sem o auxilio da vista; não consegue ouvir nenhum som sem o auxílio da audição; não consegue sentir se algo é liso ou fosco sem o auxílio do tato. Então, o campo do cérebro são os sentidos apenas, não podendo transgredi-los, porque ele adquire conhecimentos através desses sentidos.
Na incapacidade desses sentidos de fornecerem as informações ao cérebro, causada por uma anomalia qualquer, ele se torna incapaz de decidir algo.
As ciências, como a medicina, a engenharia, a agricultura, a indústria, etc., bem como as atividades materiais formam o escopo do cérebro e sua área de especialização.
Se transgredir esta área, se desencaminhará. Com base nisso, a religião, como crença, rituais, relacionamentos, moral, e leis, sendo o sistema que Deus traçou para Seus servos seguirem, está fora do escopo do cérebro, e não faz parte de sua especialização, e por isso, o cérebro não pode decidir sobre a ordem de Deus, ou sobre uma de Suas leis, porque a religião é de Deus, Que criou o homem e, sabe o que lhe é benéfico nesta vida e na outra. É inconcebível que o cérebro, sendo criado, julgue as leis do Criador.
A religião, como crença, porém, sendo a fé em Deus, em Seus anjos, em Seus Livros, em Seus Profetas e no Dia do Juízo Final, não é conhecida através do cérebro. Como pode ser conhecida então?
Dizemos que a crença em Deus, Seus Anjos, Seus Livros, Seus Profetas, e o Dia do Juízo Final é um mistério, cuja esfera o cérebro não pode penetrar. Para crermos nisso, porém, temos dois caminhos a seguir:
1 - Crermos por intermédio do cérebro, com a condição de o usarmos na sua área de especialização.
2 - Crermos por intermédio da transmissão ou da lei. Falaremos sobre o primeiro prolongadamente para esclarecê-lo. Tudo que interessa ao pesquisador, nos assuntos da crença, são duas coisas: A crença em Deus e a crença de que Muhammad é o Mensageiro de Deus.
Aceitar ambas as crenças é crer que a religião que Deus escolheu para Seus servos crentes é o Islam. Se o homem crer no Deus único, Criador e Harmonizador de tudo, e crer que Muhammad é o Mensageiro de Deus, e que tudo que ele apresentou é a verdade, deve, então, acreditar e se sujeitar a tudo que a doutrina prega, quer seja do lado da fé, dos rituais, dos relacionamentos, da moral, das leis e dos julgamentos.
A crença nos anjos, nos Livros, nos profetas e no Dia do Juízo Final é o complemento da crença em Deus e da aceitação do Profeta. Daí, devemos nos firmar na crença em Deus e na aceitação de que Muhammad é o Mensageiro de Deus.
1- A crença em Deus: Mostramos que o círculo de especialização do cérebro são as coisas materiais, não podendo ultrapassá-lo. Se o fizer, desencaminhar-se-á. Mostramos também que Deus está além da matéria, ''não possui semelhantes e Ele é o Oniouvinte, o Onividente".
Se Deus está além da matéria, círculo de especialização do cérebro, como o cérebro pode conhecer a Deus, que é único, que não possui semelhantes e é o Criador de tudo?
Não desejamos que o cérebro pesquise sobre a Identidade de Deus, nem sobre Seus atributos, pesquisar sobre isso é ultrapassar os limites do cérebro, e isto está além de sua capacidade e aptidão.
O que desejamos é que o cérebro pense nos sinais dos atributos de Deus, que vemos e tocamos: os céus, terra, astros, sol, luz, noite, dia, nuvens, água, rios, mares, seres humanos, animais, vegetais, etc...
Se o homem pensar em si ou no que o rodeia, chegará com seu cérebro à conclusão de que todas as criaturas, seres e coisas, com tudo que contêm de maravilhoso, preciso, organizado, devem ter um Criador, Poderoso, Onisciente, Prudentíssimo; Seus são os atributos mais sublimes, e não possui semelhantes.
É o Criador único. É isso que pedimos. O cérebro, apesar de ser o verdadeiro veículo para se conhecer e se crer em Deus, só pode ser usado, como vimos, nos limites de seu círculo de especialização: A pesquisa nos sinais do Poder de Deus, para alcançarmos a crença no Deus único, Poderoso, Onisciente, Prudentíssimo.
2- A aceitação de que Muhammad é o Mensageiro de Deus: O intelecto não pode aceitar a veracidade de uma proposição se não houver uma prova de sua veracidade. E a prova de que Muhammad é o Mensageiro de Deus é o Alcorão Sagrado, revelado por Deus a ele. O Alcorão é a palavra de Deus, onde foram desafiados gênios e humanos à comporem algo semelhante a ele.
Eles foram incapazes de fazê-lo. Foram desafiados a compor apenas dez Suratas iguais às dele, e também foram incapazes de fazê-lo. Foram desafiados a compor uma só Surata, e ainda assim foram incapazes. Diz Deus:
"E se tendes dúvida a respeito do que temos revelado a Nosso servo (Muhammad), componde uma surata semelhante às dele (o Alcorão), e apresentar vossas testemunhas independentemente de Deus se sois verazes. Porém, se não o fizerdes - e certamente não podereis fazê-lo - temei, então, o fogo infernal cujo alimento serão os idólatras e os ídolos; fogo que está preparado para os incrédulos."
(Alcorão Sagrado, 2ª Surata, versículos 23-24).
Se o homem foi incapaz de compor uma só Surata semelhante às do Alcorão, então isto confirma que o Alcorão é a palavra de Deus e que Muhammad é o Mensageiro de Deus.
Portanto, se é corroborado que Deus é Único, não possui semelhantes, Criador e Harmonizador de tudo, como mostramos acima, e é corroborado que Muhammad é o Mensageiro de Deus, então é dever do homem crer em Deus e em Seu Mensageiro, adotando tudo que deles provêm, quer seja no campo da crença, dos rituais, dos relacionamentos, ou no campo da lei, dos julgamentos ou da moral.
Tudo isto forma o sistema Divino que o homem deve seguir durante sua vida. Por isso, Deus não abandonou os homens com seus cérebros, devido à sua incapacidade de traçar um sistema propício com o qual o homem possa adaptar a liberdade, a igualdade, a estabilidade, o amor, a fraternidade neste mundo e a felicidade perene na outra vida.
Esta incapacidade resulta das seguintes causas:
1- A submissão do cérebro aos sentidas. E como o homem é formado de corpo e espírito, o cérebro é incapaz de traçar um sistema completo, material e espiritualmente, porque o lado espiritual no homem está fora do circulo de especialização do cérebro.
2- A diferença que existe entre os cérebros dos homens e a sua capacidade. Podem alguns considerar uma coisa certa, enquanto outros a consideram errada. Com isso se diferenciam as avaliações e cada grupo seguiria o rumo que achasse conveniente.
3- A falta de constância do cérebro ao julgar uma determinada coisa. Ele chega a urna conclusão, e então se retrai e muda o seu julgamento anterior.
4- A submissão do cérebro ao ambiente em que o homem vive. Assim, vemos aqueles que vivem em países comunistas considerarem o seu sistema ideal, o os que vivem em países capitalistas vêm que o seu sistema é o melhor.
5- O rápido insucesso experimentado pelos seres humanos ao abandonarem o sistema Divino e seguirem o que inventaram de códigos e leis faz com que, a todo instante, declarem a sua insuficiência. O que são, então, o medo, a instabilidade, as guerras, as destruições e a eliminação da personalidade, da liberdade e da dignidade do homem em todas as partes da terra, senão o resultado desse abandono?
Depois dessa exposição, podemos afirmar que o cérebro humano é a extraordinária dádiva que Deus deu ao homem. Com ele, Deus preferiu o homem à maior parte de Suas criaturas, dando-lhe um papel importante na construção e desenvolvimento material da terra. Porém, não possui nenhuma função na constituição do sistema Divino para a vida do homem neste mundo.
O sistema é o de Deus, Que enviou Seus profetas com ele. Disso concluímos que Deus não abandonou o homem com o seu cérebro, mas enviou para cada povo um mensageiro, com um sistema ortodoxo que deveriam seguir. Se o cérebro do homem fosse suficiente para traçar-lhe um sistema que lhe garantisse a sua segurança, Deus não teria enviado nenhum de seus profetas.
Com isso perguntamos: Adotaram, acaso, todos os homens, o sistema Divino?
A realidade atesta que a maior parte dos homens ignorou esse sistema, e não exageramos se dissermos que a maioria dos homens não é crente. Essa afirmativa não é nossa, mas é o testemunho de Deus sobre seus servos. Deus diz:
"Porém, a maioria dos humanos, por mais que anseies jamais crerá.''
(Alcorão Sagrado, 12ª Surata, versículo 103).
Se a maior parte dos homens ignorou o sistema Divino, quando Deus é o Criador, o Agraciante, Quem dá a vida e a morte, e Quem ressuscitará os mortos e Suas mercês para com os humanos são incomensuráveis, seria justo que Deus considerasse iguais aqueles que sequem o seu sistema e os que não o sequem?
Ou os benfeitores e os malfeitores?
Seria justo que Deus considerasse iguais os que sequem a verdade e os que sequem a falsidade?
Seria justo que a existência do homem se encerrasse após a morte, sem a punição do iníquo e sem a recompensa do benfeitor, sem julga