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Vizualizar Versão Completa : Lenda das Amendoeiras em Flor


Murid
19-10-2003, 15:07
Conta a lenda que um chefe mouro da região de Al-Gharb, rude e
corajoso, se apaixonou por Gilda, filha de um grande senhor do Norte,
morto em combate.
Fizeram-se os preparativos para o casamento: engalaram-se colunas,
salões e palácios; engrinaldaram-se casas, ruas e praças. Vieram
mongóis, chineses, rajás da Índia, príncipes da Etiópia, germanos e
normandos do Norte...
E chegaram presentes. Jóias, moedas, perfumes, ouro e prata,
fabulosos presentes de todos os cantos da Terra.
E houve música, canto e dança, nos salões e nos palácios, nas ruas e
nas praças.
Comeu-se e bebeu-se.
A festa continuou por muitos dias.
Só Gilda, tristemente, não partilhava da mesma alegria. Enquanto a
dança e o canto continuavam, a bela princesa refugiou-se no seu
quarto e recostou-se nos seus coxins (almofadas) de ouro e brocado
que se confundiam com os seus louros cabelos.
A tristeza da princesa prolongou-se por longos dias, por longos
meses. Sofria a princesa, sofria o jovem mouro por ver sofrer a sua
princesa e sofria o povo por ver sofrer o seu senhor e a sua
princesa.
Chamaram o físico (médico) do palácio, os físicos do reino, os
físicos de todo o mundo. Ninguém compreendia aquela dor. Ninguém se
atrevia a tentar uma cura, pois se falhassem, seria uma condenação à
morte.
Mas um dia...apareceu um velho do Norte. O mouro já sem esperanças,
recebeu-o. Logo quis saber quem era e donde vinha.
- Sou o aio de Gilda, o seu velho e grande amigo que a vai salvar!
O Senhor de Al-Gharb, incrédulo, deixou-o entrar nos aposentos de
Gilda. Passaram-se horas...
Depois o velho quis falar com o Árabe.
- Senhor, Gilda sofre de saudade. A saudade é o mal que destrói o
corpo e a alma! Gilda tem saudade da brancura dos campos cobertos de
neve do seu país.
O grande medo de perder a sua amada deu ao chefe mouro a ideia de
mandar plantar milhares de amendoeiras que, ao florirem, nos seus
bilhões de minúsculas e alvas flores, cobriam montes e vales,
parecendo enormes extensões brancas de neve.
Um dia o palácio acordou com um belo manto de "neve" à sua volta!
Gilda exausta, já nem abria os seus lindos olhos cor de turquesa. O
mouro levantou-a e aproximou-a da janela. Os olhos azulados da
princesa abriram-se a custo, mas foi sem custo que murmurou:
- A minha neve! A minha neve!
E conta a lenda que Gilda se curou e todos os invernos o Algarve se
cobre de florinhas brancas devido à saudade de uma princesa nórdica,
de cabelos de sol e olhos de mar, e à paixão de um mouro rude e
corajoso, encantado por uma loira princesa do Norte.

Pesquisa feita pelos estudantes Daniel Silva e Gonçalo Salgado (5º A)-
Portugal

Esta lenda foi postada por mim hoje, dia 19/10/03, no Grupo de Discussão "Mozarabismo-Al-Andalus" (www.yahoo.com.br)

Saudações,
Murid